Minhas principais decisões são tomadas debaixo do chuveiro. É a hora em que esfrio a moringa – como vocês sabem, não é pequena, a moringa – e me permito uns poucos instantes de racionalidade. Pois neste domingo, na hora do banho, decidi votar no tucano
Luiz Carlos Hauly para prefeito de Londrina.
Não tenho particular simpatia por este candidato, mas votei nele por duas razões: 1) para evitar um segundo turno entre Belinati (PP) e Barbosa Neto (PDT); 2) porque Hauly é um autêntico candidato de oposição (local e federal).
Pretendia votar em Cheida (PMDB), por quem tenho simpatia pessoal. Mas simpatia não faz um bom prefeito. Embora honesto, a proposta de “cuidar da cidade”, slogan de Cheida, é o oposto daquilo que eu penso.
O importante, agora, é combater o assistencialismo e o paternalismo representados por Belinati (nem vou falar de seus problemas éticos, pois honestidade é a mínima obrigação de um político; lembro apenas que Belinati é tão incompetente que conseguiu quebrar a prefeitura por três vezes).
Hauly é o único candidato minimamente capaz de criar um ambiente favorável aos negócios em Londrina, com geração de empregos e renda. Só assim poderemos enxugar a máquina pública e escapar do paternalismo oficial. Entre os candidatos a prefeito, ele é o único capaz de entender, aceitar e, quem sabe, aplicar os rudimentos do liberalismo.
Barbosa dificilmente poderá declarar apoio a Hauly. Ambos brigaram demais no primeiro turno. Mas a neutralidade de Barbosa seria bem-vinda; apoiar Belinati equivaleria a abraçar de vez o populismo mais tacanho e manchar para sempre o seu currículo.
Ontem, pouco antes das sete horas, Barbosa estava com 23% dos votos; Hauly tinha 22%; e 81% dos votos tinham sido apurados. Fomos à missa - e resolvemos entregar nas mãos de Deus. Depois da benção final, o padre informou que o segundo turno seria entre Belinati e Hauly. Muitos fiéis aplaudiram. Durante a missa, não formulei nenhum pedido especial: Deus tem preocupações muito maiores do que política municipal. Mas parece que Ele ouviu o não dito.
Para falar a verdade, fiquei com pena de Barbosa, quando vi sua foto hoje no jornal. Tenho uma especial compaixão por políticos na hora da derrota.
Pouco depois, ainda na manhã de hoje, vi Hauly e quase lhe pedi pessoalmente: “Por favor, ganhe esta eleição”. Mas me limitei a desejar-lhe sucesso.
Decidi votar em Hauly na hora do banho. Agora, espero que ele dê um banho em Belinati. Não será fácil. Nunca é. Ninguém disse que seria.
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E aí,
Zero, votou em quem?