Repórter das Coisas

Às vezes morro

Às vezes morro. Quase sempre.
Como um cão ou como um porco,
morro às vezes muitas mortes
de que um gato sabe pouco.

Morro de medo, de tédio,
de navalha e de silêncio.
Morro por ato, omissão.
Palavra, morro. Pensamento.

Às vezes morro de dó,
de rir, chorar - de desespero.
Morro tal como morre
um alfinete no palheiro.

Às vezes morro de gula.
Outras, de inanição.
Morro de sede e fome,
- como um porco, como um cão.

Morro da noite pro dia,
morro hora ou outra,
morro de caso pensado,
morro de vento em popa.

Morro com voz de galo,
morro mudo como boi.
Morro só de pensá-lo
- e quem não morre, perdoe.

Publicado em 31 de julho de 2008 às 21:14 por briguet

Comentários

    • Você foi citado na minha aula de redação semana passada. Elaiá!
    • por Eduardo Araújo
    • 01.Ago.2008 às 20:51 - Permalink - Reportar
    Eduardo Araújo
    • Briguet, caí no seu blog por conta da morte do Soljenítsin, grande democrata, e de repente descubro o poema Às vezes morro e o ritmo alucinante que ele provoca. Lendo-o, fiz uma melodia assim de momento e gostaria de saber se você gostaria de ouvir o resultado - melhor elaborado, é claro. Estou preparando um CD e gostaria de incluí-lo na¨" bolachinha". Se você permitir, é claro.
      Meu e-mail: zeza_amaral@yahoo.com.br
      No mais, aceite aqui um forte abraço de rio.
      Zeza
    • por Zeza Amaral
    • 04.Ago.2008 às 18:24 - Permalink - Reportar
    Zeza Amaral
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"Não contavam com minha astúúúcia!"
(Milton Friedman with lasers)

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