Parece que certas figuras não vão morrer nunca. Mas morrem. Nos últimos dias, dois ícones supostamente imorredouros vestiram os respectivos pijamas de madeira: uma personalidade indiano-londrinense,
Eduardo Judas Barros, e a nacional
Dercy Gonçalves (para quem a música “As véia”, clássico do Bar Brasil, parece ter sido composta).
Quando eu era moleque, achava que o Chacrinha não iria morrer nunca. Mas morreu – e já faz 20 anos. Silvio Santos, para mim, é o mesmo há três décadas, desde que ele apresentava seu programa na Globo (isso mesmo; pouca gente lembra).
Passando os olhos pelos vídeos de SS no Youtube, constatamos que não é bem assim, uh-uh-ah-ai; as costeletas do patrão (como dizia Elke Maravilha, outra imortal) desapareceram. Se houver algum paralelo entre Silvio e Sansão, o fato é preocupante.
Oscar Niemeyer segue sendo o stalinista mais idoso da face da Terra (há outros bem mais jovens – e numerosos).
Cid Moreira segue fazendo locução no Fantástico. Há mais de dez anos ninguém vê a cara dele.
Ivo Pitanguy continua operando? Não sei. Mas ouvi dizer que ele é boa-praça, ótimo papo.
Jamelão se empirulitou. E o Didi Mocó – já bateu os 80? O Lula também pertence à galeria. Vaso ruim não quebra.
Quanto ao Pelé, fico imaginando a comoção do país no dia em que o negão pendurar as chuteiras de vez.
Não sabemos, não sabemos. A única conclusão, como diria o Álvaro de Campos, é morrer. Mesmo se se for imortal.