
Afoguei minha culpa
no álcool, nas moças, nas noites,
afoguei minha culpa nos açoites
que preocupam o escravo e o ateu.
Afoguei minha culpa, apenas eu,
nos infernos interditos,
no eros e nos ares,
afoguei minha culpa em bares
que nem sequer devem ser ditos.
Afoguei minha culpa nas leituras
de Marx, Lênin, Bakunin.
Afoguei minha culpa nas alturas
da baixeza toda que há em mim.
Afoguei minha culpa
por matar e matar-me
aos poucos, não com a corda
ou um tiro na cuca:
afoguei minha culpa na horda,
na merda proletária e estulta.
Afoguei minha culpa, meus pecados,
no pesadelo da semana,
nos ofendidos e humilhados
e por fim, oh Bukharin,
afoguei minha culpa em Deus,
e quase nada restou a mim:
todos os fardos meus
se afogaram na cuba
da misericórdia
– e voltaram à vida,
livres dos medos ateus.
Não parece ser do seu feitio, Briguê.
No mais, parei de ler por aí.