
(Para Tomás, filho do meu amigo)
Quem acendeu o Sol?
Quem esculpiu a Lua?
Quem assoprou o vento
que bate frio na rua?
Quem é que salgou o mar?
Quem agendou as marés,
que ora nos deixam secos
e ora nos molham os pés?
Quem amassou a montanha?
Quem é que tingiu a amora?
Quem construiu o dia
com um punhado de horas?
Quem escreveu o verbo,
o nome e a preposição?
Quem ficou em silêncio
contemplando a criação?
Quem não fecha os olhos
mesmo por um segundo
– cujo trabalho pesado
é carregar o mundo?
Quem é que molhou a chuva?
Quem contou os teus cabelos?
Quem adoçou a uva?
Quem escutou teus apelos?
Quem rimou estes versos
antes mesmo de lê-los?
Da Terra, quem fez o norte?
Da guerra, quem fez a paz?
Quem fez morrer a morte?
Quem fez nascer o Tomás?
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Acorda aquele que ama. E com ele acorda o mundo. Menos um silêncio na manhã: aquele que ama acordou. É dia.
Acorda aquele que ama. E com ele acordam as memórias temíveis, o refluxo dos pensamentos, os pedaços de sonho, as primeiras horas do tempo.
Aquele que ama já estava acordado. Ele é uma vigília constante. Deita-se, mas não dorme nunca. Finge. Ou melhor: silencia. Durante a madrugada, vigiou nosso sono.
Todos acordam quando aquele que ama já acordou. Eis o milagre da manhã. O Sol é uma fornalha atômica. Aquele que ama é tão maior do que o Sol.