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Canção do coração


Toda minha vida
trabalhei a esmo,
como um farol
noite inteira aceso
sem achar resgate
no cais do relento.

Nas horas de calma,
nas de desespero,
fui a tua alma
e o teu corpo inteiro.
A cada segundo
eu batia à porta,
conduzindo o mundo
pela tua aorta.
(Assim fiz o fundo
de tua vida torta.)

Se amor e trabalho
fazem tua essência,
fui o teu milagre,
fui tua ciência.
Amei, trabalhei,
como a pedra cala,
como o homem pensa.
Só trabalha e ama
quem dentro da carne
bate e não reclama,
pura conseqüência.

Para tua lavra
Deus por sorte fez-me
- e, se fui escravo,
fora de mim mesmo.

Comments

2 comments

makowski wrote:

Lindo.
Saturday 21 June 08:07

http://www.privadaaberta.blogger.com.br [desloguilson] wrote:

bíuriful, bíuriful. J.F.
Sunday 22 June 01:10

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