Agora eu entendi por que a peça Chapa Quente não foi incluída, a princípio, no Filo 2008. O diretor Mário Bortolotto estaria muito bem representado com O Natimorto, apesar das falhas da montagem. Chapa Quente, apresentada na noite de terça-feira, é de uma tosquice quase inacreditável – um espetáculo que nada acrescenta ao currículo de Bortolotto, a não ser um grande equívoco.
O maior problema na mistura de linguagens é acabar não falando nada com nada. Foi justamente o que aconteceu em Chapa Quente, com a tentativa de levar ao palco as histórias em quadrinhos de André Kitagawa.
Solidão, morte, violência, marginalidade, desespero, sordidez – sabemos que esses temas sempre estiveram nas peças de Bortolotto. Muitas vezes dá certo, principalmente quando o dramaturgo acerta a mão nos diálogos bem-humorados, na agilidade das cenas e numa quase indisfarçável revolta moral (quase; pois ocultar a moralidade faz parte do estilo – e do figurino – de Bortolotto).
Foi um samba do crioulo doido no palco do Ouro Verde. Enquanto desenhos de Kitagawa eram projetados numa tela, um elenco brancaleônico despejava falas, e às vezes outros resíduos, por todos os lados. Não faltaram a maconha, os palavrões e os revólveres. Nenhum problema em incluir esses elementos – mas e a história? O gato comeu.
Virou Sin City dos pobres. Tarantino de quinta. E há poucas coisas piores do que um sub-Tarantino.
O triste é que eu fui ao Ouro Verde com boas expectativas. Desde 1986, quando vi pela primeira vez um espetáculo de Mário Bortolotto, tive ótimas surpresas. Como esquecer Nossa vida não vale um Chevrolet? Como negar a força de A frente fria que a chuva traz? Como ignorar Homens, santos e desertores? São grandes momentos. Esperávamos mais um. Não deu. Que pena.
Isso nos leva a uma questão importante. Afinal, quem é Bortolotto? Como defini-lo? É um ator, um diretor, um dramaturgo, um poeta, um cantor? Penso que, antes de tudo, o seu talento está no texto. O homem é escritor; um bom escritor de textos para teatro. Quando ele não escreve, ou apenas adapta o trabalho de terceiros, pode virar Chapa quente. E aí é fria.
Apesar de tudo, dei muita risada. Um dos atores é sósia perfeito do chef Taíco, aqui de Londrina. E a cena da personagem Josefa, com direito a lesco-lesco no chão, me fez lembrar aqueles shows de talentos de final de ano.
Que o Cemitério de Automóveis volte sempre. Mas, no próximo Filo, esperamos um Mário Bortolotto de melhor safra.
(Publicado no Jornal de Londrina)
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Apesar do chororô, o Corinthians perdeu porque jogou como time pequeno. E convenhamos: corintiano reclamar de arbitragem é a mesma coisa que marxista-leninista apontar as falhas da democracia americana.
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De qualquer forma, o buzinaço e os rojões de ontem à noite provam que a maior torcida do Brasil continua sendo a anticorintiana. A humilhação maior foi perder o título para o
Chico César.
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Sex and the city, o filme, é tão divertido quanto o seriado. Charlotte quer dizer uma frase bem maldosa ao Mr. Big, que abandonou Carrie no altar. Pensa na seguinte: "Amaldiçoado seja o dia em que você nasceu".
O zaroio Camões já havia pensado nisso meio milênio atrás - mas o destinatário não era Mr. Big, era ele próprio:
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, O Sol se escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
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Corintianos mais exaltados podem se identificar...


