página inicial do tipos

Receba por e-mail os posts de Repórter das Coisas: RSS - Assine os feeds deste blog

Archive for May of 2008

Novo blog, velho blog

May 30, 2008
Amigos:
Abri um novo blog, no portal RPC: Com o perdão da palavra.
Mas não precisam ficar tristes, crianças. Não abandonarei o Tipos. Tem coisas que só falo aqui.
Abraço a todos e saudações esmeraldinas.


Assim como era no princípio

May 29, 2008
Dentro desta esfera, onde me reflito como que através de um espelho, há uma outra esfera, e dentro desta esfera há outra ainda menor. Depois, sucessivamente, há esferas sempre menores, contidas nas anteriores. A última delas está reduzida à bilionésima parte de um elétron. Aí mora a minha morte.

*****

Meu coração está dentro de um corpo. Ambos, o coração e o corpo, são esferas distorcidas pela ação do tempo. Vivem sob a superfície da Terra, que por sua vez habita a esfera do sistema solar. O Sol é apenas uma estrela-anã na espiral da galáxia, e esta um dia também foi uma esfera. A galáxia está mergulhada na esfera do universo. O universo está contido na esfera de Deus. E dali partirá o anjo da minha morte, cujo nome não sei.

Ao vencedor, as baratas

May 27, 2008
Baratas são eternas.
Mesmo esmigalhadas,
voltam a mover as pernas.

Safado bicho eterno.
Depois da bomba H,
se safa do inverno.

Baratas saem caro.
Libertas do chinelo,
são teletransportadas
pro mundo paralelo.

Sombrias, voadoras,
nojentas e ingratas,
ninguém no mundo sabe
a língua das baratas.

Barata, bicho raro.
Que, do inseticida,
veneno tão amaro,
evade-se com vida.

– Uma barata! Uma barata!
(Gritou, estupefata.)

Cidade dos mortos

May 26, 2008
null

Agora os velhos ferros
jazem ao ar livre.
Um dia foram zero,
bem antes do declive.

Já foram carros novos
com cheiro agradável
e banco reclinável
(bem antes da desova,
bem antes do descarte,
bem antes do desastre,
oh pobres automóveis).

Mas o que foram antes
esses velhos volantes?
Por onde trafegaram,
que leis então burlaram,
os antigos andantes?

Se antes foram luxo
e símbolos de status,
agora, no refluxo,
habitam com os ratos.

Se antes foram ágeis,
bacanas e bonitos,
hoje são lamentáveis
viveiros de mosquitos.
Objetos de desejo
e alvos de inveja,
agora, ao que vejo,
são autos de comédia.

Oh estes velhos ferros
hoje tão carcomidos.
Num tempo que morreu,
de heróis e de bandidos,
o tolo homem médio
a eles recorreu
para vencer o tédio.
Mas foram esquecidos.

Olhai o que restou
do imenso Dodge Dart.
Tudo nele se parte.
O acelerador parou.
O motor, esse, fundiu.
A um milhão chegou,
hoje não vale mil.

Puminhas, Mavericks,
Passats e Opalas
um dia foram chiques,
modernos, descolados.
Gordinis, Monzas, Kombis,
Polaras, Gols, Brasílias.
Por que essas coisas todas,
tão ricas e tão raras,
ficaram maltrapilhas?

Olhai lírios do campo,
carros em movimento.
Sabei: depois, se tanto,
vão só jazer ao vento.

O vosso espelho
é um eterno
sinal vermelho.

O césar e o mendigo

May 21, 2008
Por quatro dias, fui o homem mais rico do mundo. Tive nas mãos o ouro mais precioso. E, no entanto, esse ouro era também o mais sutil. Perdeu-se. Esvaiu-se. Voltará.
Não tive dúvidas em compartilhar com os amigos a minha felicidade. Não vejo por que não tornar pública, também, a minha tristeza. Sei que para nós, seres mergulhados no tempo, um e outro estado são frágeis e passageiros. A felicidade permanente só existe na eternidade.
“Agora vemos como que através de um espelho, mas depois veremos face a face.” O filho que se anunciou nestes quatro dias foi uma súbita iluminação; cheguei a imaginar sua face, suas mãos, sua voz a me chamar dentro de um sonho, rompendo o silêncio.
Durante algum tempo, quando você esteve longe, meu amor, por minha única e exclusiva culpa, pensei que acabaria me tornando um mendigo. Na época, disse isso a uma querida amiga: "Meu destino é virar um mendigo".
Não foi o que aconteceu. Você voltou, quando eu já lhe dava por perdida para mim. Essa foi minha primeira e súbita riqueza.
A notícia destes quatro dias – de sexta a terça-feira – me transformou no oposto daquele mendigo antes imaginado. Agora eu era o césar do meu infinito e pequeno império. Só me esqueci de que esse império também é vulnerável e sutil. Pode ir embora em apenas quatro dias.
Na noite de segunda-feira, ouvimos as palavras do velho arcebispo. Ele disse que a insatisfação humana tem uma só origem: a saudade do Céu. No fundo de nossa alma, guardamos memórias indistintas (“como que através de um espelho”) do paraíso perdido. O velho Freud, que não acreditava no Céu, disse que a felicidade humana não estava prevista no plano da Criação. Depois destes quatro dias, eu sei que Freud estava errado e o velho arcebispo, certo.
O velho Camões fala sobre a saudade do Céu nos versos de “Sobre os rios que vão”. Li uma passagem do poema no adeus ao poeta e amigo Thomaz D’Amico: “Não é logo a saudade / das terras onde nasceu / a carne, mas é do Céu, / daquela santa cidade / donde esta alma descendeu”. Leio-as agora, mais uma vez, no adeus ao filho que por ora perdemos. Ele preferiu partir a mergulhar no tempo. Nós ficamos tristes, por enquanto, porque vimos um átimo da eternidade. Voltará. É da essência da eternidade o poder de ressurgir. De uma tal certeza, retiramos as forças para aceitar – e recomeçar.
No Gênesis, o incomparável poema da Criação, Deus faz a luz no primeiro dia; depois, o céu e a terra; depois, o mar, os continentes e as plantas; no quarto dia, o Sol e as estrelas. O homem só seria criado no sexto dia.
Ontem você viu uma estrela cadente, enquanto eu falava de meus pecados. Hoje sei que sou apenas um homem – nem césar, nem mendigo, talvez os dois ao mesmo tempo. Com as mãos estendidas, espero o sexto dia e o ouro sutil de nosso filho. Saudade.

*****

Agradeço de coração a todos que se manifestaram, diretamente ou não, nestes dias.

O homem mais rico do mundo

May 19, 2008
Todo mundo tem ouro escondido em casa. Tanto isso é verdade que distribuem aqueles mosquitinhos de “Compro ouro” nas esquinas do centro. Se há gente comprando ouro, é que as pessoas têm ouro. No fundo de gavetas, na solidão de caixas antigas, no escuro dos armários, em fundos falsos, em cofres ocultos, nos esconderijos mais improváveis – lá está o ouro.
Quando os ladrões invadem uma casa, vão logo perguntando pelo ouro, e por sua tradução em forma de cédula, o dólar. Mas acontece que o dólar pode se desvalorizar, como está acontecendo agora. O ouro, não. O ouro permanece valioso para toda a eternidade.
Pois, meus amigos, eu confesso que agora também tenho ouro escondido em casa. Não é ouro em pedra, não é ouro em pó, não é ouro em jóias. Também não é o ouro-dólar, o ouro-euro, o ouro-yuan. É simplesmente um ouro escondido no templo mais sagrado do universo. É meu filho: o ouro puro da vida, a mais reluzente das fortunas.
Nunca tive jeito para ganhar dinheiro. Infelizmente não tenho vocação para acumular capital. Mas hoje eu me sinto o homem mais rico do mundo. E agradeço ao poeta da Criação, esse garimpeiro do impossível.

Inimigo do povo!

May 15, 2008
Manifesto Cumunista & Livrinho Vermeio: não leu, se fudeu!

Marcelo nunca estava em casa ao meio-dia. Mas, naquela sexta-feira, pouco antes de tomar um avião para Curitiba, resolveu dar um pulo no apartamento para pegar uma camisa azul. Abriu a porta e, para sua grande surpresa, viu o eletricista sentado no sofá da sala, com uma latinha de cerveja e um guardanapo na mão; ao lado do eletricista, uma jovem mulher, também segurando uma latinha de cerveja.
Pego em flagrante, o eletricista procurou se explicar: “Sabe como é, seo Marcelo, eu fiz uma cópia da chave do apartamento para trocar o fusível, e estava precisando conversar aqui num particular com a minha sobrinha. Desculpa aí.”
Marcelo interrompeu o eletricista com um gesto. Foi até o quarto, abriu o armário, pegou a camisa azul, colocou-a na mochila e pegou um táxi para o aeroporto. O eletricista e a moça já haviam saído. Deixaram as latinhas.
No domingo, por volta das seis da tarde, Marcelo voltou de Curitiba cansado. Tudo que queria era assistir ao Fantástico, tomar um banho e dormir. Mas havia uma reunião do DCE na sala do apartamento. Um dos estudantes, japonês de óculos, disse: “Companheiro Marcelo, você estudou gratuitamente em universidade pública e, portanto, tem uma dívida com o povo. Requisitamos esse espaço para discutir estratégias de ação contra a ação autoritária da reitoria e a privatização do ensino superior.” Marcelo deu de ombros. Tomou um banho e dormiu. Não pôde ver o Fantástico.
Na segunda-feira, Marcelo acordou cedo e foi trabalhar. À tarde, quando chegou em casa, o prefeito dava as boas-vindas para o diretor de um supermercado. O aperto de mão entre os dois homens era fotografado e filmado por uma equipe de assessores. Um deputado aparecia como papagaio de pirata. Antes que Marcelo pudesse fugir para o quarto, um assessor do prefeito cobrou-lhe uma fatura de IPTU atrasado. Marcelo pagou com cheque.
A cerimônia com o prefeito virou festa e avançou pela madrugada, com muita bebida e mulheres. Marcelo dormiu mal; trabalhou o dia seguinte como um autômato. À noite, quando voltou para casa, um homem de boné vermelho o barrou na porta. “Esse apartamento não lhe pertence mais. É improdutivo e neoliberal. Além disso, achamos produtos transgênicos na geladeira. Fora, inimigo do povo!”
Marcelo deu meia-volta e chamou o elevador. A porta automática se abriu; dentro do elevador estava o japonês do DCE. Marcelo deu meia-volta outra vez. Caminhou até a entrada do apartamento. Lembrou-se que ainda tinha a chave. Abriu a porta e viu o eletricista sentado no sofá da sala, com uma latinha de cerveja e um guardanapo na mão; ao lado do eletricista, uma jovem mulher, também segurando uma latinha de cerveja.

Versos infantis

May 13, 2008
Eu tinha um quintal tão bacana
que tinha até o Mario Quintana.

*****

Águas profundas, eis
vosso grande engano:
nada podeis, nada podeis
contra a rasura
do oceano.

******

As rimas pobres se revoltaram
contra as rimas ricas e raras.
Disseram: “Não somos fáceis”.
E assim se inventara
no verso a luta de classes.

*****

Quando sente fome,
quando fico triste
cada um faz o que é bom:
o canário come alpiste,
eu leio Carlos Drummond.

*****

Se um dia elogiar
o Bertoldo Brecht
é que estou pra lá
de Berlim e Marrakesh.

*****

Se um dia eu louvar
o João Paulo Sartre
vocês podem me mandar
para aquela parte.

*****

Se um dia eu me alinhar
com a besta do Hugo Chávez
é favor me internar
e trancar a sete chaves.

*****

Me deu na veneta:
é claro que o Leão
tinha que ser morto
por um picareta.

*****

Aos sábados, vou ao cine.
Aos domingos, Pellegrini.

*****

Um dia inda chego perto
um dia inda chego lá:
um dia conjugo o verbo
o verbo Carlos Nejar.

*****

Lutei o bom combate,
combati para valer:
ontem contra o Belinati,
hoje contra o PT.


*****

A casa do DCE
estava ao Deus-dará.
O reitor bateu o pé,
foi todo mundo pra lá.

*****

Estava ao Deus-dará,
virou lugar sagrado.
E até vai ajudar
na eleição do deputado.

*****

Eu queria um belo quintal,
um quintal de chão de terra.
E quando brincar de guerra
direi versos do Marcial.

*****

A opinião do prefeito
não é problema pesado.
Muda conforme o vento
e o nome do supermercado.

Liberdade, liberdade

May 12, 2008
Mais um artigo imperdível no site Ordem Livre. Leia aqui.

Imagino a segunda-feira

May 12, 2008

Imagino a segunda-feira como um dia claro e bonito que poderia perfeitamente ser um domingo ou feriado, mas calhou de cair na segunda-feira, coitada. Na segunda-feira estará na porta do banco aquele mendigo que repete as mesmas palavras: “Me dá um pão! Me dá um pão!” E às vezes eu lhe dou uma moeda sem me importar se ele vai usá-la para comprar pinga ou pão, que Deus o abençoe nos dois casos.
Imagino a segunda-feira e uma tarde estranha, em que vou sair do trabalho e passar no sebo ou na biblioteca para folhear o livro de um poeta desconhecido, e nesse livro vou encontrar uma daquelas frases que nunca mais vou esquecer, não propriamente pela qualidade do verso, mas porque estranhas circunstâncias a tornarão imprescindível para a compreensão do milagre.
Para a segunda-feira, imagino o motoboy circulando por aí com a camisa de seu time, mesmo que o time tenha perdido na estréia do Brasileirão. Na escola, um aluno da terceira série, durante o recreio, vai provar uma empada inexplicavelmente deliciosa, já que todas as empadas insistem em ter gosto de empada.
Segunda-feira, dia de tonturas e tédios; de bons-dias e silêncios no elevador; princípio da realidade e das dietas. Um café amargo e um pão quase sem manteiga celebram a inevitabilidade da semana útil. Dia em que açougueiro corta a carne pensando no cachorro que ficou em casa; dia em que o cachorro cava buracos e delimita seu território com mijo pensando na carne. Dia em que não se sabe bem o quê – mas definitivamente um dia, é preciso encarar os fatos.
Imagino a segunda-feira como uma dessas esperas em consultório médico, folheando revistas do ano retrasado, quando Galisteu ainda namorava o Roger, e quando a menina Isabella ainda vivia no abençoado anonimato, e quando a filha do austríaco (aquele com sobrancelhas de coisa-ruim) ainda morava no porão, com os dois filhos-irmãos que nunca tinham visto a luz do sol de segunda-feira.
Dentro da segunda-feira, a mãe londrinense vai olhar com o carinho e tristeza para o presente barato que recebeu do filho neurótico e infeliz. E ela sentirá um imenso, inexplicável amor pela segunda-feira em que ele nasceu.
Segunda-feira, dia de recolher o jornal na porta de casa e ler o relatório da semana que começou em primavera e dor; em lago poluído e Mianmar; em Tamarana e Jardim da Saudade; em charge do Sassá e placar de futebol; em Máquina do Som e despertador.
Acreditem ou não, eu imagino a segunda-feira como um bom dia. Me dá um pão!

As duas noites

May 10, 2008
A árvore arde
no tarde da noite.
E dentro da noite
que o fogo consome
uma outra parte
nunca jamais morre.

Noite desmorona
pacientemente:
árvore queimando e,
envelhecendo, a gente.
Noite fria morre
como o dia quente.

Mas a outra noite
(essa que não arde,
essa que não mente)
é uma noite cálida,
noite permanente.

É uma noite inteira:
não tem meio ou lua
que nos oriente.
É uma noite e meia,
onde vive o mundo
que inda não lembramos
na noite da mente.

Uma noite arde
como o firmamento
(que de firme nada
tem propriamente).

A noite está grávida
de uma noite imensa.
E dentro desta noite
há alguém que pensa
n’árvore que arde
na noite pretensa.

O JL e a marcha dos idiotas

May 07, 2008
Há dois anos, começava a circular o novo Jornal de Londrina. Formato berliner, 25 mil exemplares, distribuição gratuita. Uma colunista paranaense (de quem não vou declinar o nome) disse que o jornal não iria durar um mês. Errou por 23 meses – até agora. Mas o que a tal colunista escreve não se escreve. Pouco antes, ela havia declarado que o jornal estava vendido ao PT. Só faltou avisar o PT: a primeira manchete estampava a terrível impopularidade do prefeito petista Nedson Micheleti (índice que só piorou de lá para cá). O noticiário crítico sobre governos municipal, estadual e federal acabou por ridicularizar qualquer relação com o petismo. Na coluna de crônicas, bati (e bato) sem dó no PT et caterva. Critico até mesmo os supostamente inatacáveis "programas sociais" do Lula. Sei que por isso sou odiado por alguns, mas não odeio ninguém – rezo por eles.
Nestes dois anos do novo Jornal de Londrina, cabeças foram pedidas; nenhuma foi entregue. O jornal seguiu seu rumo. Parabéns aos colegas. E que eles perdoem as eventuais mancadas do cronista.

*****

A Marcha da Maconha é a marcha dos idiotas. Mas, numa democracia, os idiotas também podem se manifestar. Ouso até mesmo dizer que devem se manifestar – para que possamos conhecê-los melhor. (Antecipo os críticos de sempre: “Briguê, você o melhor exemplo de manifestação da idiotia”. Tá certo, tá certo. Agora pode voltar pra casinha.)
Há um artigo no Código Penal que proíbe a apologia das drogas. Há um preceito constitucional (cláusula pétrea, se não me engano, e a moça Maricota pode corrigir) que resguarda a liberdade de expressão. Se as duas normas entram em conflito, eu fico com a do livrinho. Paulo Francis dizia que a melhor propaganda anticomunista é deixar o comunista falar. O mesmo se aplica aos maconheiros. Mas só não vale pedir dinheiro público, hein?

À margem da vida

May 05, 2008
– Vida, onde estás?
– Estou à beira do rio.
– Vida, o que fazes?
– Espero passar o corpo
da minha maior inimiga.
– Até quando, vida?
– Não sei. Só sei
que minha maior inimiga
sou eu mesma.

Quando surge o alviverde imponente

May 05, 2008
Ainda bem que o Lula é corintiano, né? Caso contrário, não poderia comemorar.
O Serra e o Moacyr Franco estão felizes.

Não deu pra Ponte Pina de Campretas.

Uma vitória de gala. Incontestável. Cinco vezes monumental. Verde que te quiero verde.

(PS: Detalhe é que não precisamos de Rui Rei. Pensa que eu esqueço, gambazada?)

Isto é o Inferno:

May 02, 2008
Me inclui fora dessas.

O resto é fichinha.

Eh, japonês!

May 02, 2008
Acessar o Tipos num é curime nem dá gancho, né?

Olhem isso.