Archive for December of 2007
Veneno
December 30, 2007
Viver é um veneno, meu bem.
Cálice pequeno,
copo que ninguém
considera pleno.
Viver é um vício, mulher.
Num lugar qualquer,
é estar a um passo
deste precipício.
Viver é um trabalho, amor,
bem mais que difícil:
é tudo que eu faço,
é tudo em que eu falho,
nada mais que isso.
Viver é uma trama, neném,
um gosto na boca.
E se a gente ama
é uma coisa louca,
muito pouca, amém.
Cálice pequeno,
copo que ninguém
considera pleno.
Viver é um vício, mulher.
Num lugar qualquer,
é estar a um passo
deste precipício.
Viver é um trabalho, amor,
bem mais que difícil:
é tudo que eu faço,
é tudo em que eu falho,
nada mais que isso.
Viver é uma trama, neném,
um gosto na boca.
E se a gente ama
é uma coisa louca,
muito pouca, amém.
Bhutto que pariu
December 28, 2007
Eu fico imaginando o nó na cabeça de quem procura Tanga nua no Google e cai no blog do dr. Júlio Tanga. O cara quer bunda e leva um banho de inteligência. Talvez sirva para muito neguinho melhorar “enquanto ser humano”.
*****
Ok, confesso. Benazir Bhutto era um dos meus símbolos sexuais nos agitados anos 80. (Meu amigo Zé também era entusiasta.) A mulher deu uma considerável embagulhada depois, mas ainda assim era charmosona; muito mais atraente que qualquer modelo da São Paulo Auschwitz Fashion Week (essa não é minha; Eça é de Queirós).
Está certo que não era santa; saiu do governo, em 1996, sob acusações de roubalheira, mas o Lula não foi reeleito – com o voto consciente de vários Tipos – sob denúncias muito mais cabeludas?
Sem dúvida, Benazir era bastante preferível ao generalíssimo ou aos terroristas. Ocidentalizada, quem sabe poderia levar rudimentos de civilização aos paquistaneses. Seria preciso sorte – mas quando não é preciso, ainda mais no Paquistão?
Fico triste com o assassinato de Benazir (eita, nome sonoro, sô) – e cada vez mais penso que a democracia é um sistema sitiado no mundo.
*****
A seguir uma crônica publicada no Jornal de Londrina. Desculpem o título egocêntrico, e não se enganem; são apenas memórias de infância.
EU, BRIGUET
Se eu tivesse nascido no dia em que meu avô morreu, teria completado 23 anos no último Natal. Mas eu estava com 14 anos quando Seo Briguet foi embora. Já conseguia entender o que era a morte. Para minha prima Daniela, que tinha três anos na época, disseram que o vovô tinha ido para o céu.
Seo Briguet morreu em 25 de dezembro. Logo ele, que era figura imprescindível nas festas. Dizem que eu me pareço muito com meu avô. As fotos comprovam.
Na véspera do Natal e do Ano Novo, a criançada ouvia Luis Bordón tocando temas natalinos em seu LP “A harpa e a cristandade”. Tínhamos uma vitrola do Mickey, muito eficiente, apesar de minúscula. Lembro que também gostávamos de escutar As Melindrosas, Bonney M. e A Turma de Daniel Azulay.
Era entrar na cozinha e sentir a lufada de ar quente. Naquele lugar agitado, sob o comando da Vó Maria, misturavam-se o cheiro de carne assada, a luz dos cachos de uva na fruteira e o chiado das panelas no fogão. Tia Celina – que viria a morrer em 1994, durante a final da Copa – não conseguia acertar meu nome: “André Luiz! Quer dizer, Álvaro Antônio! Que dizer, Rafael César! Quer dizer, Osvaldo Sérgio! Quer dizer...” Eu ficava impaciente e ajudava: “É Paulo Antônio, tia. Paulo Antônio”.
Minha irmã tinha a mania de vasculhar os presentes para saber o que iria ganhar. Até hoje, mãe de família, mantém esse hábito infantil. Em nenhum Natal ela foi pega de surpresa; sempre soube antes qual era seu presente.
De dia, a geladeira Frigidaire não parecia ameaçadora; observava silenciosamente a todos nós. De noite, era outra coisa: eu tinha medo da geladeira. A danada fazia uns sons estranhos, uns ruídos que eu interpretava como língua de marcianos ou espíritos. Quase perguntei à minha tia kardecista: “Geladeira pode ser médium?” Até hoje tenho um pouco de medo de geladeira. (À noite, à noite.)
A casa da Vó Maria ficava na Rua Castro Alves 15. Numa ceia de Ano Novo – ou teria sido Natal? – um bêbado bateu o carro no poste da esquina. Houve um barulho bem forte e um curto-circuito. Achei que o mundo iria acabar. Me escondi debaixo da cama da Vó Maria – seguindo o exemplo do meu cachorro Ace Frehley.
Seo Briguet veio me tranqüilizar. “Não foi nada. Só uma batida de carro, filho”. (Entendem por que meu avô era imprescindível no Natal e no Ano Novo?)
Tomei coragem e saí. A festa continuava, a vida continuava. Até que um dia olhei no espelho e descobri: agora, eu sou o Seo Briguet.
No meio da noite
December 28, 2007
Um cão no meio da noite
fala com outro cão no meio da noite
e um pássaro do meio da noite
se esconde dos gatos dentro da noite.
Os ratos da mesma noite
se movem nos dutos, lá onde a noite
é sempre noite, onde a hora sempre escura
protege e nina os filhotes da noite.
Há uma cidade. Há um país.
Há um mundo inteiro da noite
que se move como um verme,
como um cisne, como um potro
que nasce à noite e se levanta
para nunca mais deitar.
Há algo na noite, um cerne,
há algo na noite, um mantra,
que à noite gera um tempo sem par.
E assim, tarde da noite,
nalgum quadrante da falsa manhã,
acordo e escrevo, talvez um ponto,
talvez um polvo, talvez um corpo
ou então só mais um cão falante
que silencia e espera amanhã.
fala com outro cão no meio da noite
e um pássaro do meio da noite
se esconde dos gatos dentro da noite.
Os ratos da mesma noite
se movem nos dutos, lá onde a noite
é sempre noite, onde a hora sempre escura
protege e nina os filhotes da noite.
Há uma cidade. Há um país.
Há um mundo inteiro da noite
que se move como um verme,
como um cisne, como um potro
que nasce à noite e se levanta
para nunca mais deitar.
Há algo na noite, um cerne,
há algo na noite, um mantra,
que à noite gera um tempo sem par.
E assim, tarde da noite,
nalgum quadrante da falsa manhã,
acordo e escrevo, talvez um ponto,
talvez um polvo, talvez um corpo
ou então só mais um cão falante
que silencia e espera amanhã.
O pôr-do-sol em Londrina
December 24, 2007O pôr-do-sol em Londrina é uma prova da existência de Deus. Um oratório de Bach, uma sentença de Santo Agostinho, um argumento do Doutor Angélico.
Deus é um artista impaciente. Jamais termina suas telas. Deixa para recomeçar amanhã – e amanhã será outra tela.
Se contemplado com a devida calma, o pôr-do-sol em Londrina tem combinações de cor nunca vistas pelo olho humano.
Da minha casa eu vejo o pôr-do-sol em Londrina. Mesmo quando estou longe da cidade, a hora não me escapa. Sei que Londrina existirá no lugar de sempre, e haverá um pôr-do-sol.
O pôr-do-sol em Londrina acontece na hora em que a gente não sabe se deve dizer boa-tarde ou boa-noite aos vizinhos.
Gosto de entrar numa igreja vazia e silenciosa. Uma freira muito bondosa descansa para sempre ali. Certa vez entrei numa capela em Paris, construída por um rei-santo, e a luz da tarde brilhou na rosácea. Era o reflexo do pôr-do-sol em Londrina. Nas igrejas vazias e silenciosas eu converso com Deus; o mundo é uma igreja vazia e silenciosa durante o ocaso em Londrina.
Quando eu era um tolo estudante (hoje evoluí, sou outro tipo de tolo), eu via o pôr-do-sol no campus universitário (haverá um campus que não seja universitário?). Gostava de subir até o terceiro andar do prédio de Ciências Humanas para assistir melhor ao espetáculo. Era meu camarote particular. Deus estava ao meu lado, e ria muito das minhas tolices.
Alguns dizem que não saio de Londrina porque tenho medo; porque não quero enfrentar a vida; porque não tenho coragem de encarar desafios. Talvez tenham razão. Mas o grande medo é não ver mais o pôr-do-sol daqui.
O pôr-do-sol em Londrina me faz esquecer a tolice humana (e a minha participação inveterada na mesma tolice). Não há prefeitos, nem governadores, nem presidentes na hora do pôr-do-sol em Londrina. Não há esquerda ou direita. Não há militantes de causas diversas. O pôr-do-sol em Londrina é a cena de um assassinato: a estupidez morreu e foi transformada em cor.
Às vezes estou escrevendo e você me chama para ver o pôr-do-sol em Londrina. Nenhuma crônica do mundo pode definir o amor que eu sinto nessa hora. O seu rosto iluminado pelo fim do dia: não há crônica. Não sou Bach, não sou Agostinho, não sou Tomás de Aquino. Desconfio que não seja nem mesmo um cronista razoável. Tenho apenas sete leitores, e a eles gostaria de dizer pessoalmente: não se esqueçam nunca, jamais de ver o pôr-de-sol em Londrina. Um dia, poderá ser tarde.
Feliz Natal, feliz pôr-do-sol para você.
- Publicado no Jornal de Londrina.
Valei-me, Véio Chico!
December 20, 2007
O frei acabou com a greve de fome.
Dica de Natal
December 19, 2007
Não deixem de conhecer o site Ordem Livre.
Especialmente boa a entrevista de Carlos Alberto Sardenberg.
Também há obras em versão integral de Bastiat, Hayek, Mises e Schumpeter. Só faltou Capitalismo e liberdade, de Milton Friedman.
Leitura fundamental: As seis lições, de Ludwig von Mises. Voltarei a comentar essa obra - e o site - aqui.
Especialmente boa a entrevista de Carlos Alberto Sardenberg.
Também há obras em versão integral de Bastiat, Hayek, Mises e Schumpeter. Só faltou Capitalismo e liberdade, de Milton Friedman.
Leitura fundamental: As seis lições, de Ludwig von Mises. Voltarei a comentar essa obra - e o site - aqui.
Desenterrada natalina
December 18, 2007
Nos dezembros de moleque, eu botava pra tocar, na vitrola do Mickey, o compacto “A harpa e a cristandade”, de Luis Bordón.
Que fim levou a bolacha? E o Bordón – ainda estará vivo?
Google nele. Encontro o disco à venda em sites de velharias. De Bordón, descubro que era paraguaio. Paraguais, harpa, guarânias, Natal: tudo se explica.
Segunda descoberta: Luis Bordón morreu no começo de 2006. RIP.
Miss Plica
December 17, 2007
Na Bélgica (terra dos meus antepassados), a grande polêmica é a eleição da nova miss local. A moça não sabe falar flamengo. A Bélgica tem duas línguas oficiais – flamengo e francês –, e a escolha da nova miss acirrou tensões separatistas.
Ué, não sei porque tanta briga. Aqui o presidente da República não sabe falar português e ninguém diz nada.
(Por sinal, adorei a paulada que o FHC e o Bornhausen deram em Lula na votação da CPMF.)
Ué, não sei porque tanta briga. Aqui o presidente da República não sabe falar português e ninguém diz nada.
(Por sinal, adorei a paulada que o FHC e o Bornhausen deram em Lula na votação da CPMF.)
Lanterna na proa
December 17, 2007
Sempre confundi Oscar Niemeyer com Ivo Pitanguy, Robert De Niro com Al Pacino, carroceria com boléia e proa com popa. Não me perguntem por quê. A exemplo do Chicó, só sei que é assim.
Há alguns anos, quando eu costumava ser convidado para debates como radical de esquerda, demonstrei minha ignorância naval, ao ironizar o título das memórias de Roberto Campos, “Lanterna na popa”. Eu achava que a popa era a parte da frente do navio, e não a parte de trás. Considerava, portanto, o título de Campos como um auto-elogio imperdoável. Ele estaria se definindo como “aquele que ilumina o futuro”, quando na verdade fazia exatamente o oposto: “Lanterna na popa” é a citação de um verso de Samuel Coleridge, e representa a luz que se lança sobre o passado.
O economista e diplomata Roberto Campos completaria 90 anos em 2007. Só agora tive o prazer de ler (em dois volumes que pertenceram ao saudoso arquiteto e intelectual Luiz Cesar da Silva), as 1.400 páginas de “Lanterna na popa”. Todo brasileiro deveria fazer o mesmo.
Quando algum patrício famoso passa dos 80 anos, costuma-se dizer que “sua vida se confunde com a história do Brasil”. A vida de Roberto Campos, que morreu aos 84, estava muito além do clichê. Ninguém mais do que ele lutou para que a história e o futuro do Brasil fossem diferentes. E poucos foram tão incompreendidos e atacados. A combinação entre racionalidade e franqueza não costuma ser premiada no Brasil. Não houve homem público menos demagógico – e mais irônico – do que esse gladiador do liberalismo. E também não houve um economista tão odiado, vaiado e xingado. Mas basta jogar um pouco de luz sobre o passado para descobrir que ele estava certo na maioria das vezes. Que falta não faz um Campos nestes tempos de lulismo e nunca-antes-nefe-país!
Para quem já chamou Roberto Campos de “Bob Fields”, “entreguista”, “lacaio do imperialismo” e “bajulador da ditadura”, como fiz tantas vezes, a leitura de “Lanterna na popa” equivale a uma remissão dos pecados. Já que ele não está mais entre nós, peço desculpas nesta crônica.
Mesmo no ápice do meu esquerdismo, jamais deixei de admirar o estilo, a inteligência e a cultura de Roberto Campos. Lia todos os seus artigos. Considerava-o um caso de divórcio entre o brilhantismo e a verdade. Hoje sei que as duas qualidades estavam casadas desde o princípio naquela mente privilegiada. Roberto Campos ilumina o nosso futuro. Ele é, de fato, a lanterna na proa.
E parabéns ao Ivo Pitanguy!
- Publicado no Jornal de Londrina.
*****
Três músicos cubanos pediram asilo no Brasil. Espero que não sejam gentilmente devolvidos ao Cadeião do Fidel, como aconteceu àqueles dois infelizes boxeadores.
*****
Apelo aos comentaristas: por obséquio, poupem-se de comentários níveis Ç e QI protozoário do tipo “você confunde popa com proa, é por isso que gosta de levar por trás”.
Mais gagá do que nunca
December 13, 2007
Oscar Niemeyer nunca me enganou. Tanto é que eu vivo trocando o nome dele pelo do Ivo Pitanguy (maldade: o Pitanguy é bem melhor que o véio).
Stalinistão brabo, chegado num concreto, fabricante de insolações, desenhou cidades pra carros e fez aquela aberração chamada Memorial da América Latina (fez o escambau: mandou ver uns rabiscos, como de costume).
Agora vai fazer 100. É vítima do assaz comentado processo de dercygonçalvização da terceira idade brasileira. (E não apenas brasileira: Robert Plant e Sting têm padecido do mesmo mal.)
Mas não podemos dizer que Niemeyer é incoerente. Ao terminar de ler a entrevista do véio para a Folha de S. Paulo, não fiquei surpreso quando ele defendeu o terceiro mandato do Lula. Essa ninguém tira do homem: falou merda a vida inteira.

E se algum engraçadinho fizesse uma piada sobre a pinta da Angélica?
December 13, 2007Vocês não sabem ler direito, é o que eu tenho a dizer.
Não apenas nossa colega de Tipos estará no Luciano Huck deste sábado, como também o apresentador vai interpretar, em homenagem à moça, aquela canção de Gilberto Gil:
Tempo rei / Oh tempo rei / O tempo reeeeeeei!
Explicação necessária: é um trocadilho. Entendeu, entendeu?
Extra! Extra!
December 12, 2007
(Post para ser lido com aquela musiquinha do plantão JN.)
Acabo de receber a notícia.
Uma nossa colega de Tipos vai aparecer no Caldeirão do Huck deste sábado.
Estejam ligados.
Agora ou nunca!
Acabo de receber a notícia.
Uma nossa colega de Tipos vai aparecer no Caldeirão do Huck deste sábado.
Estejam ligados.
Agora ou nunca!
O milagre da varanda
December 11, 2007
E quem disse que milagres não acontecem? Da varanda de casa, eu vejo milagres todos os dias. É só a gente apurar a vista – e olha lá: o que parecia impossível aconteceu.
Da minha varanda vejo uma cidade diferente a cada hora, a cada minuto. Londrina ensolarada, Londrina nublada, Londrina chuvosa, Londrina sob a geada de 75. Londrina com as luzes acesas, com as luzes apagadas. Londrina acordada, Londrina dormindo profundamente. E cada um desses momentos é diferente do outro. Como se 500 mil cidades diferentes surgissem a partir do movimento do Sol e das estrelas. Sem parar.
Da varanda vejo a zona oeste, o centro, a zona sul. E antevejo o Cincão e a zona leste, dos quais posso ouvir fogos do artifício. Conforme a direção do vento, escuto os carros de corrida no autódromo. Do Estádio do Café, infelizmente, vem pouco barulho.
O campus da UEL, onde me formei, era uma fazenda de perobas. (Sonho muitas vezes que ainda sou estudante e moro na república.) O lago assume cores diferentes ao longo do dia e da noite: difícil acreditar que era um brejo. A barragem do Igapó era uma ponte improvisada, que mal agüentava uma carroça. Um pai se transforma em nome de avenida. A catedral, com seu formato triangular, é um enunciado permanente do teorema de Pitágoras: “O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos”. E, por falar em geometria, o que dizer da rodoviária circular, construída no lugar da antiga zona? Será que o Niemeyer sabe? Milagres acontecem todos os dias. Basta saber lembrar.
O círculo é um polígono de infinitos lados. Ou um polígono que ficou louco. Londrina tem um universo circular: seja por onde for – zona norte, zona sul, zona leste, zona oeste, zona do meretrício, centro – estamos sempre voltando a ela. Um milagre diário. Vivemos todos numa varanda de tempo. Aliás, quem gira não é o Sol nem as estrelas: é a Terra.
– Publicado no Jornal de Londrina.
Seres de outro mundo
December 10, 2007Hoje faz um mês
December 09, 2007
Hoje faz um mês que estamos casados. Meu único medo é o velho clichê: acordar de repente e ver que tudo era um sonho. Escrevo e publico estas fotos (há mais, muito mais) só para criar mais uma prova consistente de que tudo é verdade.

O suor que escorreu pelo meu rosto na hora do altar – e que milagrosamente sumiu quando a Rosângela me enxugou com um lenço – já foi uma evidência da realidade dos fatos. Quem me conhece sabe que o lenço é meu companheiro inseparável, como se fosse um RG de pano; ele não poderia faltar num momento tão importante.

Durante muito tempo, estive consumido pelo ódio. Acreditava que a ira, o rancor, o sarcasmo e a destruição eram os caminhos mais aceitáveis para uma vida autêntica, sinônimos da razão. Queria fazer tabula rasa do mundo e começar tudo de novo. Maquiavel nunca disse literalmente aquela famosa frase: “Os fins justificam os meios”. Disse algo parecido. Mas o pobre-diabo do Nikolai Bukharin – a quem Lênin “acusava” de ser escolástico e não marxista – parodiou a frase em termos muito mais interessantes: “Os fins condicionam os meios”. Não foi à toa que morreu assassinado em 1938 por seu ex-amigo Stálin, a quem ele tratava carinhosamente por Koba, apelido dos velhos tempos de clandestinidade.

Os fins condicionam os meios. Bukharin aprendeu isso – se é que aprendeu – da pior maneira. Não se chega a um reino de amor por uma doutrina do ódio. Não se é feliz ridicularizando a felicidade. E foi isso que eu aprendi a mulher que me enxugaria o rosto no altar. Certa vez eu disse que milagres são raros. Estava errado. Milagres acontecem todos os dias. Basta vê-los.

É como na velha história de Michelangelo, que estou sempre repetindo (meus amigos sabem que a repetição pode ser uma virtude ou um flagelo). Perguntaram ao escultor como ele havia conseguido fazer algo tão perfeito quanto o Moisés. O artista simplesmente disse: “A escultura já está pronta na rocha. Eu apenas tiro os excessos”. Rosângela conseguiu tirar os meus excessos, e até descobriu que eu havia escrito um livro para ela (livro que distribuímos aos convidados do casamento). Não fiquei tão belo quanto o Moisés – longe, muito longe disso! –, mas o dom artístico da moça é inegável. Conseguiu até fazer com que eu me vista mais ou menos bem (de vez em quando)!

Casei na Igreja Coração de Maria. A leitura do Evangelho – feita por nossa querida amiga Valéria Drummond – falou do primeiro milagre de Jesus. Aconteceu numa festa de casamento: a transformação de água em vinho. E quem é a principal responsável por esse primeiro milagre? Ela: Maria. Quando a mãe vem procurar Jesus para dizer que o vinho acabou, ele dá uma resposta que parece até malcriada:
¬– Que queres de mim, mulher? Ainda não chegou a minha hora.
Esse tratamento pouco usual e até ríspido à própria mãe (“mulher”) tem um significado maior. Jesus está dizendo ali que Maria encarna o próprio ideal feminino. É a mulher entre as mulheres, a nova Eva, sem pecado.
Ainda não era chegada a hora de Jesus revelar seus poderes; só mesmo Maria, com seu amor ideal, é capaz de vencer a lógica do tempo. Como todos sabem, Jesus transforma a água em vinho – e vinho da melhor qualidade.

O casamento é um desses instantes em que o tempo é vencido, e se abre uma pequena janela para a eternidade. Abatido, o tempo tentou se vingar na noite do dia 9 de novembro: chovia um quase-dilúvio.

Duas Marias não puderam ir ao meu casamento. Maria Costa Briguet, minha avó, foi embora em junho de 2005, depois de passar vários anos me pedindo para esperá-la. “Eu quero estar lá no seu casamento, hein, filho?” Infelizmente não deu tempo, vó. E a culpa foi toda minha.
Outra Maria que não esteve no casamento foi a Maria Fernanda Briguet, minha irmã. O motivo era mais do que importante: Liz Briguet Yafushi nasceu no dia seguinte, horas depois da festa.

Mas, pensando bem, as duas Marias estavam lá, sim. Afinal, o casamento provoca estranhas mudanças no tempo. Maria Fernanda apareceu numa mensagem por vídeo (uma bela surpresa). E eu senti que alguém mais estava no altar da Igreja Coração de Maria.
Felicidades a todos que chegaram até aqui. E todo amor do mundo para você, minha mulher, artista do improvável.
:
- Bandidos(as) e salafrários(as) podem ficar tranqüilos: haverá mais fotos da festa. Só não publiquei porque ainda não estão disponíveis. Aguardem!

O suor que escorreu pelo meu rosto na hora do altar – e que milagrosamente sumiu quando a Rosângela me enxugou com um lenço – já foi uma evidência da realidade dos fatos. Quem me conhece sabe que o lenço é meu companheiro inseparável, como se fosse um RG de pano; ele não poderia faltar num momento tão importante.

Durante muito tempo, estive consumido pelo ódio. Acreditava que a ira, o rancor, o sarcasmo e a destruição eram os caminhos mais aceitáveis para uma vida autêntica, sinônimos da razão. Queria fazer tabula rasa do mundo e começar tudo de novo. Maquiavel nunca disse literalmente aquela famosa frase: “Os fins justificam os meios”. Disse algo parecido. Mas o pobre-diabo do Nikolai Bukharin – a quem Lênin “acusava” de ser escolástico e não marxista – parodiou a frase em termos muito mais interessantes: “Os fins condicionam os meios”. Não foi à toa que morreu assassinado em 1938 por seu ex-amigo Stálin, a quem ele tratava carinhosamente por Koba, apelido dos velhos tempos de clandestinidade.

Os fins condicionam os meios. Bukharin aprendeu isso – se é que aprendeu – da pior maneira. Não se chega a um reino de amor por uma doutrina do ódio. Não se é feliz ridicularizando a felicidade. E foi isso que eu aprendi a mulher que me enxugaria o rosto no altar. Certa vez eu disse que milagres são raros. Estava errado. Milagres acontecem todos os dias. Basta vê-los.

É como na velha história de Michelangelo, que estou sempre repetindo (meus amigos sabem que a repetição pode ser uma virtude ou um flagelo). Perguntaram ao escultor como ele havia conseguido fazer algo tão perfeito quanto o Moisés. O artista simplesmente disse: “A escultura já está pronta na rocha. Eu apenas tiro os excessos”. Rosângela conseguiu tirar os meus excessos, e até descobriu que eu havia escrito um livro para ela (livro que distribuímos aos convidados do casamento). Não fiquei tão belo quanto o Moisés – longe, muito longe disso! –, mas o dom artístico da moça é inegável. Conseguiu até fazer com que eu me vista mais ou menos bem (de vez em quando)!

Casei na Igreja Coração de Maria. A leitura do Evangelho – feita por nossa querida amiga Valéria Drummond – falou do primeiro milagre de Jesus. Aconteceu numa festa de casamento: a transformação de água em vinho. E quem é a principal responsável por esse primeiro milagre? Ela: Maria. Quando a mãe vem procurar Jesus para dizer que o vinho acabou, ele dá uma resposta que parece até malcriada:
¬– Que queres de mim, mulher? Ainda não chegou a minha hora.
Esse tratamento pouco usual e até ríspido à própria mãe (“mulher”) tem um significado maior. Jesus está dizendo ali que Maria encarna o próprio ideal feminino. É a mulher entre as mulheres, a nova Eva, sem pecado.
Ainda não era chegada a hora de Jesus revelar seus poderes; só mesmo Maria, com seu amor ideal, é capaz de vencer a lógica do tempo. Como todos sabem, Jesus transforma a água em vinho – e vinho da melhor qualidade.

O casamento é um desses instantes em que o tempo é vencido, e se abre uma pequena janela para a eternidade. Abatido, o tempo tentou se vingar na noite do dia 9 de novembro: chovia um quase-dilúvio.

Duas Marias não puderam ir ao meu casamento. Maria Costa Briguet, minha avó, foi embora em junho de 2005, depois de passar vários anos me pedindo para esperá-la. “Eu quero estar lá no seu casamento, hein, filho?” Infelizmente não deu tempo, vó. E a culpa foi toda minha.
Outra Maria que não esteve no casamento foi a Maria Fernanda Briguet, minha irmã. O motivo era mais do que importante: Liz Briguet Yafushi nasceu no dia seguinte, horas depois da festa.
Mas, pensando bem, as duas Marias estavam lá, sim. Afinal, o casamento provoca estranhas mudanças no tempo. Maria Fernanda apareceu numa mensagem por vídeo (uma bela surpresa). E eu senti que alguém mais estava no altar da Igreja Coração de Maria.
Felicidades a todos que chegaram até aqui. E todo amor do mundo para você, minha mulher, artista do improvável.
- Bandidos(as) e salafrários(as) podem ficar tranqüilos: haverá mais fotos da festa. Só não publiquei porque ainda não estão disponíveis. Aguardem!
Dois bares
December 07, 2007
Ao menos dois bares não vão fechar com a lei seca.
O primeiro bar não tem nome. O endereço é complicado. Supostamente fica na rua que começa perto do Moringão (lá onde tem o Lanchebom, sabe?), rua essa que tem nome de bandeirante: primeiro, Raposo Tavares; depois, Jorge Velho. De repente, antes de virar Paes Leme, transforma-se numa ladeira de Marília, que conheci ao visitar o amigo Ernestinho. A ladeira logo muda de cidade – já estamos no bairro da Pompéia, em São Paulo, onde mora o grande Zé (cujo nome não é Zé, é Luís Emílio). Mas, ao final da trajetória, o bar fica mesmo em Londrina. É uma casa branca, à meia-luz, sempre cheia de fregueses. Um músico testa infindavelmente o aparelho de som – Alô, ssssom! Tesste! Um-dois! Um-dois! – e jamais começa a tocar. Não tem pressa nem ansiedade: não perderá o emprego com a lei seca. Os taxistas não vão ficar sem corridas de madrugada. Tampouco o garçom ou o dono da bar – que me conhecem de outras noites – parecem preocupados com os vereadores. Não há vereadores.
O outro é o Bar Secreto – e fica num lugar mais complicado ainda. Alguns dizem que é a zona norte, mas não estou bem certo. Às vezes me faz lembrar uns lugares bem-afamados que eu conheci em Araçatuba. Os garçons – todos com cara de mafiosos – servem porções esquisitas, à base de peixe. Reza a lenda que a cozinha é chefiada por um japonês neurótico de guerra. A cerveja é mais deliciosa que a ambrosia da Odisséia.
Carros com som alto não costumam ser bem recebidos no Bar Secreto. Logo que alguém se aproxima com aquelas geringonças barulhentas (tuks-tuks-tuks-tuks), um exército de garotas universitárias sai gritando na rua: “Pinto pequeno! Pinto pequeno!” E a polícia prende o motorista. (A polícia é eficiente nos arredores do Bar Secreto.)
Mas o grande problema com os donos desses carros em alto volume é o péssimo gosto musical. Se tocassem Cole Porter, Paulinho da Viola ou Paul McCartney, as universitárias não gritariam nada.
Além do bar sem nome e do Bar Secreto, existe a República. Platão tinha a sua. Eu tenho a minha. Posso vê-la da varanda. Quer dizer: posso ver o prédio que existe no lugar dela. A república foi demolida há alguns anos. Mas ouvi dizer que tem festa hoje. É que a turma quer escapar da lei seca. Talvez seja preciso fazer uma lei para acabar com as repúblicas. Até a do meu sonho.
– Crônica publicada no Jornal de Londrina.
O primeiro bar não tem nome. O endereço é complicado. Supostamente fica na rua que começa perto do Moringão (lá onde tem o Lanchebom, sabe?), rua essa que tem nome de bandeirante: primeiro, Raposo Tavares; depois, Jorge Velho. De repente, antes de virar Paes Leme, transforma-se numa ladeira de Marília, que conheci ao visitar o amigo Ernestinho. A ladeira logo muda de cidade – já estamos no bairro da Pompéia, em São Paulo, onde mora o grande Zé (cujo nome não é Zé, é Luís Emílio). Mas, ao final da trajetória, o bar fica mesmo em Londrina. É uma casa branca, à meia-luz, sempre cheia de fregueses. Um músico testa infindavelmente o aparelho de som – Alô, ssssom! Tesste! Um-dois! Um-dois! – e jamais começa a tocar. Não tem pressa nem ansiedade: não perderá o emprego com a lei seca. Os taxistas não vão ficar sem corridas de madrugada. Tampouco o garçom ou o dono da bar – que me conhecem de outras noites – parecem preocupados com os vereadores. Não há vereadores.
O outro é o Bar Secreto – e fica num lugar mais complicado ainda. Alguns dizem que é a zona norte, mas não estou bem certo. Às vezes me faz lembrar uns lugares bem-afamados que eu conheci em Araçatuba. Os garçons – todos com cara de mafiosos – servem porções esquisitas, à base de peixe. Reza a lenda que a cozinha é chefiada por um japonês neurótico de guerra. A cerveja é mais deliciosa que a ambrosia da Odisséia.
Carros com som alto não costumam ser bem recebidos no Bar Secreto. Logo que alguém se aproxima com aquelas geringonças barulhentas (tuks-tuks-tuks-tuks), um exército de garotas universitárias sai gritando na rua: “Pinto pequeno! Pinto pequeno!” E a polícia prende o motorista. (A polícia é eficiente nos arredores do Bar Secreto.)
Mas o grande problema com os donos desses carros em alto volume é o péssimo gosto musical. Se tocassem Cole Porter, Paulinho da Viola ou Paul McCartney, as universitárias não gritariam nada.
Além do bar sem nome e do Bar Secreto, existe a República. Platão tinha a sua. Eu tenho a minha. Posso vê-la da varanda. Quer dizer: posso ver o prédio que existe no lugar dela. A república foi demolida há alguns anos. Mas ouvi dizer que tem festa hoje. É que a turma quer escapar da lei seca. Talvez seja preciso fazer uma lei para acabar com as repúblicas. Até a do meu sonho.
– Crônica publicada no Jornal de Londrina.
Notas de um reaça
December 06, 2007A moça bonita, estilo seriado “Antônia”, cantava um rap na televisão. Terminou a apresentação se orgulhando de pertencer “ao povo preto”. Olhando desafiadoramente para a câmera, lançou a perguntinha: “E você?”
Agora imaginem a seguinte situação: uma loira, de olhos claros, tipo Fergie, mostrando orgulho por pertencer ao “povo branco”.
A loira seria imediatamente chamada de nazista. A negra é chamada de “consciente”.
Essa falta de reciprocidade é um das pragas do ideário politicamente correto.
Até hoje tem esquerdista torcendo o nariz quando se chama Fidel Castro do que ele é, ou seja, ditador. Pinochet era um ditador? Era. E assim merece ser chamado, não importa o círculo do inferno em que estiver. Mas matou menos gente que Fidel Castro. Ambos são ditadores, pronto-acabou.
A moça bonita que se orgulha de pertencer “ao povo preto” está no mesmo caso da ministra do Lula que disse aceitar o racismo do negro contra o branco. Em qualquer país civilizado, a ministra seria demitida por telefone. No país de Lula, não. Por telefone, ele só demite o Cristovam Buarque.
Com a homofobia, é a mesma coisa. Se alguém manifestar alguma restrição ao comportamento de um gay, ou mesmo fizer uma piadinha inocente (vide o caso do comercial da Brahma sobre a Zeca-Hora), é imediatamente chamado de “homofóbico” pelos patrulhadores da linguagem alheia. Se um gay criticar os heterossexuais – e isso acontece todas as horas e todos os dias –, ele não será chamado de heterofóbico. Neste momento, existe um projeto de lei no Congresso para definir punição aos crimes de homofobia. A única utilidade do referido projeto será criminalizar pensamentos não-alinhados com o movimento gay. É o 1984 de George Orwell: a criminalização dos pensamentos incorretos.
Crítica, elogio e respeito existem para os indivíduos, não para as coletividades. Generalizações ao estilo de “orgulho gay”, “poder negro”, “pureza ariana” e “cultura proletária” são típicas do comunismo e do fascismo, esses irmãos gêmeos univitelinos.
Num texto de 1990, Paulo Francis perguntava: “Por que alguém tem orgulho em ser homossexual? Essa gente [da Parada Gay de Nova York] parece saída de um mau filme de Fellini”.
Francis estava certo. Cor da pele e condição sexual não devem ser motivo de orgulho para ninguém. Sejam elas quais forem. Vida sexual é algo que as pessoas deveriam ter o direito de guardar para a intimidade. Mas não é assim que os militantes pensam. Militantes procuram massas e prosélitos; detestam indivíduos.
Outro dia, numa palestra aqui em Londrina, debaixo de um calor infernal, um escritor definiu Reinaldo Azevedo como “aquele jornalista reaça pra caramba”.
Reinaldo Azevedo, o “reaça pra caramba” , é o maior nome da imprensa brasileira nos últimos anos. É bom lê-lo no blog – um dos maiores ibopes da Internet –, nas colunas da Veja, em entrevistas que faz ou concede. Editou a excelente revista “Primeira Leitura”. Mas, segundo o escritor, é “reaça”. Algo próximo a demônio.
A palavra “reacionário” é uma espécie de varinha mágica do desprezo esquerdista. Se o interlocutor emitiu uma opinião contrária ao ideal politicamente correto, é imediatamente anatemizado como reaça.
No entanto, a palavra reacionário merece uma atenção maior. É o mesmo caso de “conservador”. Reacionário em relação a quê? Conservador em relação a quê?
Sou conservador, por exemplo, em relação à liberdade de imprensa. Melhor deixar como está do que virar PT. Portanto, reajo à eterna proposta de se criar um Soviete da Comunicação (dirigido pela turma da Fenaj).
Reagi à encampação da RCTV por Hugo Chávez. Nesse caso, sou reacionário. Reagi à degola de cães por partidários do Evo Zacarias Morales. Reacionário de novo!
No continente dos ditadores com nome de comediantes – Chávez e Zacarias – ser chamado de conservador e reacionário é um elogio e tanto.
Obrigado.
Cabeças cortadas (um aviso)
December 04, 2007
Apoiadores do presidente Evo Zacarias Morales degolam cachorros na Bolívia para mostrar o que pretendem fazer contra os adversários da revolução.
Pelo tom de certos comentaristas deste blog, parte da esquerda brasileira gostaria de fazer o mesmo com os que ousam defender a liberdade e o capitalismo.
Um aviso: só assista ao vídeo se tiver (muito) estômago. Meninas: fiquem fora disso.
Pelo tom de certos comentaristas deste blog, parte da esquerda brasileira gostaria de fazer o mesmo com os que ousam defender a liberdade e o capitalismo.
Um aviso: só assista ao vídeo se tiver (muito) estômago. Meninas: fiquem fora disso.
Faroeste sem bandido
December 03, 2007
Sou palmeirense. Conheço o fel da segunda divisão. Apesar da rivalidade histórica, devo dizer que fiquei triste com o rebaixamento do Corinthians. O time era ruim? Era – um dos piores de todos os tempos. A diretoria fez falcatrua? Fez. Mesmo para os padrões da cartolagem brasileira, que são assustadores (não excluo o Palmeiras), Duailibi e companhia extrapolaram. (Máfia russa não é mole.) Mas a torcida corintiana não merecia a humilhação. (Assim como, antes, palmeirenses, botafoguenses, gremistas e atleticanos não haviam merecido.)
Sinceros pêsames. E nos vemos em 2009. O campeonato do ano que vem vai ter menos graça, porque sem Palmeiras x Corinthians não é a mesma coisa. É um faroeste sem bandido. (E o bandido depende de que lado se está.)
*****
Por falar em bandido, quá-quá-quá, o domingo teve uma outra derrota, igualmente histórica, mas deleitável. O NÃO a Chávez pode ser o começo do fim da estupidez bolivariana.
Deus seja!
*****
O Chávez deve estar bem putinho com o rei.
*****
Agora, voltando ao caso Corinthians, repito o que disse quando o Palmeiras caiu (podem conferir, está escrito nesse blog). Sem virada de mesa, por favor.
Seria pior que tudo.
Sinceros pêsames. E nos vemos em 2009. O campeonato do ano que vem vai ter menos graça, porque sem Palmeiras x Corinthians não é a mesma coisa. É um faroeste sem bandido. (E o bandido depende de que lado se está.)
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Por falar em bandido, quá-quá-quá, o domingo teve uma outra derrota, igualmente histórica, mas deleitável. O NÃO a Chávez pode ser o começo do fim da estupidez bolivariana.
Deus seja!
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O Chávez deve estar bem putinho com o rei.
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Agora, voltando ao caso Corinthians, repito o que disse quando o Palmeiras caiu (podem conferir, está escrito nesse blog). Sem virada de mesa, por favor.
Seria pior que tudo.
