Fomos ao show de Rita Lee no sábado. A tia até que não é de todo má: certas músicas, mesmo fracas ou tolas, têm o poder de evocar a infância/pré-adolescência.
Mas que merda de show. Rita Lee não poderia escolher pior lugar para iniciar sua turnê de 40 anos de carreira. Coitada da tia. Eu fico em dúvida sobre o que era pior: a acústica, o calor, os garçons ou aqueles ridículos banheiros “ecológicos”.
Anotação mental para não repetir o erro da próxima vez: muito, mas muito melhor ficar em casa ouvindo Bach e tomando Skol.
*****
Acabo de voltar do Super Muffato da Avenida Madre Leônia e vi por lá uma cena triste. Cinco cães estavam trancados e abandonados, com pouca água e nenhuma comida, numa pet shop.
Segundo os funcionários do supermercado (conversamos com alguns), os cachorros estavam sem comida há mais de 24 horas. Um dos bichos parecia estar mais pra lá do que pra cá.
A pet shop – “Elite Dog”, vai vendo – é um espaço locado pelo grupo Muffato.
Fomos reclamar ao gerente do supermercado. Ele não sabia o número do locatário – ou seja, do dono da pet shop – e disse que iria consultar o “departamento jurídico” em Cascavel. “Não posso arrombar a loja, senão vou preso.”
A burocracia solta – e os cachorros morrendo.
Vocês sabem que eu não sou protetor dos animais nem militante ecológico, mas deixar os bichos daquele jeito é uma tremenda maldade. Hoje fez 41 graus em Londrina. Deve estar bem quente naquela pet shop trancada.
*****
Um bom indicador da civilidade de um país é o modo como as pessoas tratam os animais. Isso me lembrou uma história do advogado Sobral Pinto, mas me deu preguiça de contar agora.
*****
Elite Dog, Tropa de Elite, manjou?
Hein, hein? Hã, hã?
*****
Às vezes falta um Capitão Nascimento. Pensando bem, quase sempre.
Archive for October of 2007
Chame o capitão!
October 29, 2007Capitão Nascimento
October 26, 2007
Durante muito tempo acreditei, ou fingi acreditar, numa grande mentira: a tese de que o crime tem “causas sociais”.
A mentira sempre tem um método. E o método sempre começa pela linguagem. A expressão “causas sociais” é um termo vago e impreciso. Pode significar tudo e nada ao mesmo tempo. Induz ao engano.
É bobagem (para não dizer fraude) apontar a pobreza e a falta de escolaridade como “causas sociais” do crime. Além disso, seria uma ofensa contra a maioria honesta dos pobres e analfabetos.
Confesso que acreditava no velho bordão: “Construir uma escola é fechar uma cadeia”. Óbvio que escolas – assim como postos de saúde, hospitais, centros esportivos, centros culturais – são importantes. Mas, se forem mal utilizados, podem até se transformar em centros irradiadores do crime. E as cadeias precisam ser construídas. O Estado que mais obteve sucesso na luta contra o crime – São Paulo – foi o que mais aumentou sua população carcerária.
Com a cultura, isso é particularmente perigoso. Uma letra de rap que induz ao crime – ou o justifica – é menos desejável e benéfica do que letra nenhuma. O tráfico também tem a sua (sub)cultura. É preciso não confundi-la com a verdadeira cultura.
Falando nisso, “Tropa de Elite” é um filmaço. Não apenas por suas qualidades técnicas inegáveis, mas por descortinar toda a hipocrisia que envolve o tráfico de drogas no Brasil. O caminho da solução não passa por “políticas sociais” (olha aí o termo-valise outra vez...) nem por ONGs que de não governamentais só têm o nome. O caminho passa por REPRESSÃO – e não condescendência.
Haverá injustiça? Sim. Haverá excessos? Sim. Haverá vítimas inocentes? Sim. Mas isso acontece em toda e qualquer guerra. O que não podemos é seguir o pacifismo de Gandhi e achar que a solução é oferecer-nos em sacrifício.
O próprio Cristo diz no Evangelho de São Lucas: “Quem não está comigo está contra mim”. Queremos a paz, mas não ao preço da escravidão. E o preço da paz está em escolhermos uma fronteira moral. Ou estamos com a polícia, ou estamos com os traficantes. Eu fui criado para não acreditar na polícia – mas mudei de idéia. Sem ela, estamos perdidos.
A tortura é um ato cruel, ponto. Mas não há como não preferir o capitão Nascimento – torturador e honesto – aos policiais que se deixam corromper pelo tráfico. É uma conclusão terrível, mas inescapável.
Se não tomarmos uma posição clara neste jogo, acabaremos no pior dos mundos, com traficantes cada vez mais “assimilados” diante de policiais trêmulos, corruptos – e mais violentos ainda. Aí não haverá “consciência social” para nos salvar.
*****
Má notícia para meus sete leitores, boa notícia para os outros 29.993 leitores do JL: estou entrando em férias. E aproveitarei para casar.
- Publicado no Jornal de Londrina.
A mentira sempre tem um método. E o método sempre começa pela linguagem. A expressão “causas sociais” é um termo vago e impreciso. Pode significar tudo e nada ao mesmo tempo. Induz ao engano.
É bobagem (para não dizer fraude) apontar a pobreza e a falta de escolaridade como “causas sociais” do crime. Além disso, seria uma ofensa contra a maioria honesta dos pobres e analfabetos.
Confesso que acreditava no velho bordão: “Construir uma escola é fechar uma cadeia”. Óbvio que escolas – assim como postos de saúde, hospitais, centros esportivos, centros culturais – são importantes. Mas, se forem mal utilizados, podem até se transformar em centros irradiadores do crime. E as cadeias precisam ser construídas. O Estado que mais obteve sucesso na luta contra o crime – São Paulo – foi o que mais aumentou sua população carcerária.
Com a cultura, isso é particularmente perigoso. Uma letra de rap que induz ao crime – ou o justifica – é menos desejável e benéfica do que letra nenhuma. O tráfico também tem a sua (sub)cultura. É preciso não confundi-la com a verdadeira cultura.
Falando nisso, “Tropa de Elite” é um filmaço. Não apenas por suas qualidades técnicas inegáveis, mas por descortinar toda a hipocrisia que envolve o tráfico de drogas no Brasil. O caminho da solução não passa por “políticas sociais” (olha aí o termo-valise outra vez...) nem por ONGs que de não governamentais só têm o nome. O caminho passa por REPRESSÃO – e não condescendência.
Haverá injustiça? Sim. Haverá excessos? Sim. Haverá vítimas inocentes? Sim. Mas isso acontece em toda e qualquer guerra. O que não podemos é seguir o pacifismo de Gandhi e achar que a solução é oferecer-nos em sacrifício.
O próprio Cristo diz no Evangelho de São Lucas: “Quem não está comigo está contra mim”. Queremos a paz, mas não ao preço da escravidão. E o preço da paz está em escolhermos uma fronteira moral. Ou estamos com a polícia, ou estamos com os traficantes. Eu fui criado para não acreditar na polícia – mas mudei de idéia. Sem ela, estamos perdidos.
A tortura é um ato cruel, ponto. Mas não há como não preferir o capitão Nascimento – torturador e honesto – aos policiais que se deixam corromper pelo tráfico. É uma conclusão terrível, mas inescapável.
Se não tomarmos uma posição clara neste jogo, acabaremos no pior dos mundos, com traficantes cada vez mais “assimilados” diante de policiais trêmulos, corruptos – e mais violentos ainda. Aí não haverá “consciência social” para nos salvar.
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Má notícia para meus sete leitores, boa notícia para os outros 29.993 leitores do JL: estou entrando em férias. E aproveitarei para casar.
- Publicado no Jornal de Londrina.
Três contos
October 25, 2007
1. TIOZINHO
A garota quer dar de toda maneira para o tiozinho.
Ele acha que é fria.
– Nem vem. Cê não tem 18 anos. Dá cana.
– Eu fiz 18 mês passado.
– Prova.
– Taqui meu RG.
O tiozinho não se engana:
– É falsificado. Tô fora. Se manda.
No dia seguinte, ela volta. Com a certidão de nascimento.
– Cê acha que foi falsificada? Já ouvi falar de certidão de nascimento falsificada?
O tiozinho olha o documento amarelado. Não há dúvida: ela tem mais de 18.
– Mas quando você nasceu eu já estava na faculdade.
– E daí? Eu quero dar pra você. Pronto-acabou.
– Eu não trepo bem. Não vai ser bom.
– Xacomigo. Eu faço ser bom.
Vencido pelos argumentos, o tiozinho não tem outra saída a não ser concordar.
Ninguém pode dizer que ele não tentou.
******************
2. APERTA UM
– Perdi meu emprego, carai.
– Relaxa, cara. Aperta um.
***
– Minha mulher me chifrou.
– Aperta um.
***
– Minha mulher me deu um pé na bunda.
– Aperta um, pô.
***
– Tenho que pagar pensão.
– Aperta um.
***
– Tô seprocado.
– Aperta um.
***
– Fui despejado.
– Aperta um, mermão.
***
– Tenho seis meses de vida.
– (...)
– Ué, cada o cara que falava pra eu apertar um?
– Tá preso. Os hómi pegaram ele apertando.
******************
3. POR VIA DAS DÚVIDAS
Pedro não acreditava em Deus. Mas rezava, por via das dúvidas.
Era um costume. Acordava, rezava. Tomava banho, rezava. Ia pro trabalho, rezava. Atravessava a rua, rezava. Almoçava, rezava. Cagava, rezava. Trabalhava na repartição, rezava. Voltava pra casa, rezava. Jantava, rezava. Antes de dormir, rezava.
Dormia, sonhava com santos.
Um dia, Pedro se esqueceu de rezar. E descobriu que estava acreditando em Deus. Logo ele, ateu. Nunca mais rezou – até um minuto antes de morrer.
A garota quer dar de toda maneira para o tiozinho.
Ele acha que é fria.
– Nem vem. Cê não tem 18 anos. Dá cana.
– Eu fiz 18 mês passado.
– Prova.
– Taqui meu RG.
O tiozinho não se engana:
– É falsificado. Tô fora. Se manda.
No dia seguinte, ela volta. Com a certidão de nascimento.
– Cê acha que foi falsificada? Já ouvi falar de certidão de nascimento falsificada?
O tiozinho olha o documento amarelado. Não há dúvida: ela tem mais de 18.
– Mas quando você nasceu eu já estava na faculdade.
– E daí? Eu quero dar pra você. Pronto-acabou.
– Eu não trepo bem. Não vai ser bom.
– Xacomigo. Eu faço ser bom.
Vencido pelos argumentos, o tiozinho não tem outra saída a não ser concordar.
Ninguém pode dizer que ele não tentou.
******************
2. APERTA UM
– Perdi meu emprego, carai.
– Relaxa, cara. Aperta um.
***
– Minha mulher me chifrou.
– Aperta um.
***
– Minha mulher me deu um pé na bunda.
– Aperta um, pô.
***
– Tenho que pagar pensão.
– Aperta um.
***
– Tô seprocado.
– Aperta um.
***
– Fui despejado.
– Aperta um, mermão.
***
– Tenho seis meses de vida.
– (...)
– Ué, cada o cara que falava pra eu apertar um?
– Tá preso. Os hómi pegaram ele apertando.
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3. POR VIA DAS DÚVIDAS
Pedro não acreditava em Deus. Mas rezava, por via das dúvidas.
Era um costume. Acordava, rezava. Tomava banho, rezava. Ia pro trabalho, rezava. Atravessava a rua, rezava. Almoçava, rezava. Cagava, rezava. Trabalhava na repartição, rezava. Voltava pra casa, rezava. Jantava, rezava. Antes de dormir, rezava.
Dormia, sonhava com santos.
Um dia, Pedro se esqueceu de rezar. E descobriu que estava acreditando em Deus. Logo ele, ateu. Nunca mais rezou – até um minuto antes de morrer.
Manhã de sol
October 17, 2007
De vez em quando eu passo na frente de uma árvore e digo: “Meu Deus!”
*****
A exclamação vem no sentido de que eu jamais poderia construir alguma coisa igual, da mesma maneira que não posso escrever um romance de Tolstoi, um conto de Maupassant ou um poema de Herberto Helder. A árvore – aquela que fica pertinho da Cantina do Nonoca – é milagrosa.
*****
Ontem uma senhora me enviou um e-mail simpático. Disse que uma de suas filhas não gostava de ler, mas passou a gostar de ler estas crônicas. A mãe da garota me agradece pelas crônicas e diz que a filha gostou particularmente daquela em que eu caí do ônibus. Deu muita risada, a garota. Não era pra menos. (Se ela tivesse conhecido o Nego Véio...)
*****
Ontem abri as cortinas e vi a manhã de sol. Há manhãs de trevas, em que eu acordo com a sensação de que cometi um crime. Mas há as manhãs de sol. Tantas vezes estive de ressaca em manhãs de sol; deixava as cortinas fechadas com medo da mínima luz. (Neosaldina, Neosalsina, Neosaldina, cadê minha Neosa?!)
*****
Naquelas manhãs ressaquentas, eu tinha certeza de que havia matado alguém. A fresta de luz dizia: “Assassino”.
*****
Mas ontem eu vi a manhã de sol – e vi que ela era boa.
*****
A manhã de sol nasce para todos, e é vista por poucos. Há cegos que aproveitam melhor da manhã de sol do que os videntes; agradecem por sentir a brisa levemente fria no rosto.
*****
A manhã de sol é para quem merece. Para quem sabe apreciá-la. Para quem estiver disposto a interromper o que estiver fazendo – a leitura do jornal ou do blog, por exemplo – e observá-la.
*****
A manhã de sol não custa nada. E não há ninguém tão pobre quanto o homem que não viu a manhã de sol.
*****
Eu gostaria de ter um Fusca. Só para sair dirigindo que nem um louco na manhã de sol. E, se o agente da CMTU quiser me multar, que multe! É manhã de sol.
*****
A manhã de sol foi inventada pessoalmente por Deus. Não foi anjo nem arcanjo. Foi o chefe. Pronto-acabou.
*****
Por isso eu peço a você, garota que não gostava de ler e agora lê minhas crônicas: nunca, jamais deixe de ler a manhã de sol. Porque nela mora a vida – a vida, estranha mancha na manhã do tempo.
*****
A exclamação vem no sentido de que eu jamais poderia construir alguma coisa igual, da mesma maneira que não posso escrever um romance de Tolstoi, um conto de Maupassant ou um poema de Herberto Helder. A árvore – aquela que fica pertinho da Cantina do Nonoca – é milagrosa.
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Ontem uma senhora me enviou um e-mail simpático. Disse que uma de suas filhas não gostava de ler, mas passou a gostar de ler estas crônicas. A mãe da garota me agradece pelas crônicas e diz que a filha gostou particularmente daquela em que eu caí do ônibus. Deu muita risada, a garota. Não era pra menos. (Se ela tivesse conhecido o Nego Véio...)
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Ontem abri as cortinas e vi a manhã de sol. Há manhãs de trevas, em que eu acordo com a sensação de que cometi um crime. Mas há as manhãs de sol. Tantas vezes estive de ressaca em manhãs de sol; deixava as cortinas fechadas com medo da mínima luz. (Neosaldina, Neosalsina, Neosaldina, cadê minha Neosa?!)
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Naquelas manhãs ressaquentas, eu tinha certeza de que havia matado alguém. A fresta de luz dizia: “Assassino”.
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Mas ontem eu vi a manhã de sol – e vi que ela era boa.
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A manhã de sol nasce para todos, e é vista por poucos. Há cegos que aproveitam melhor da manhã de sol do que os videntes; agradecem por sentir a brisa levemente fria no rosto.
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A manhã de sol é para quem merece. Para quem sabe apreciá-la. Para quem estiver disposto a interromper o que estiver fazendo – a leitura do jornal ou do blog, por exemplo – e observá-la.
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A manhã de sol não custa nada. E não há ninguém tão pobre quanto o homem que não viu a manhã de sol.
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Eu gostaria de ter um Fusca. Só para sair dirigindo que nem um louco na manhã de sol. E, se o agente da CMTU quiser me multar, que multe! É manhã de sol.
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A manhã de sol foi inventada pessoalmente por Deus. Não foi anjo nem arcanjo. Foi o chefe. Pronto-acabou.
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Por isso eu peço a você, garota que não gostava de ler e agora lê minhas crônicas: nunca, jamais deixe de ler a manhã de sol. Porque nela mora a vida – a vida, estranha mancha na manhã do tempo.
Nego Véio e Mané Briguet
October 17, 2007
O nome? Não sei. Todo mundo diz Nego Véio. Figura da cidade. Conheço desde o tempo em que ia ao Bar do Jota – tempo em que o bar era do Jota.
É um cara simpático. Me pede cincão sempre que me vê. Nos últimos anos, acho que já perdi 500ão com ele.
O engraçado é que ele sempre vem com uma desculpa:
– Ô, meu camarada. Tô precisando de uma força pra comprar o remédio da minha mãe.
– Meu chapa, você não me ajuda a completar o dinheiro da passagem pra Jataizinho?
– Amigão, você sabe onde tem uma lotérica por aí? Tá faltando uma graninha pra inteirar a conta de luz.
Já deu para notar que o Nego Véio não sabe meu nome. Ele me lembra um personagem do Henry Miller que chamava todo mundo de Joe. Assim não tem como errar, né, Joe?
O mais incrível é que o cara tem um radar. Sempre que ele me encontra, eu estou com uma nota de cinco reais no bolso. Nunca dei dez reais, nunca dei um real. Sempre cinco.
Estava eu na Cantina do Nonoca, bebendo a minha Skol, e chega o Nego Véio. Como de costume:
- Xi, rapaz. Cê não teria aí um caraminguá pra eu comprar um quilo de feijão no Viscardi?
Desta vez, o radar de Nego Véio havia falhado. Ou não:
– Estou só com cheque, Nego Véio.
Ele foi rápido:
- Não tem importância, mermão. Você pega cincão lá com o Chico e pede pra ele somar na conta. Aí você paga com cheque.
Fiz isso. É inacreditável, mas fiz isso. Mais cincão pro Nego Véio.
Quando o Chico veio me trazer outra cerveja, me olhou com aquela cara de você-é-mesmo-um-mané.
Tinha razão. Mas fazer o quê? É o Nego Véio. Do tempo em que o Bar do Jota era do Jota.
É um cara simpático. Me pede cincão sempre que me vê. Nos últimos anos, acho que já perdi 500ão com ele.
O engraçado é que ele sempre vem com uma desculpa:
– Ô, meu camarada. Tô precisando de uma força pra comprar o remédio da minha mãe.
– Meu chapa, você não me ajuda a completar o dinheiro da passagem pra Jataizinho?
– Amigão, você sabe onde tem uma lotérica por aí? Tá faltando uma graninha pra inteirar a conta de luz.
Já deu para notar que o Nego Véio não sabe meu nome. Ele me lembra um personagem do Henry Miller que chamava todo mundo de Joe. Assim não tem como errar, né, Joe?
O mais incrível é que o cara tem um radar. Sempre que ele me encontra, eu estou com uma nota de cinco reais no bolso. Nunca dei dez reais, nunca dei um real. Sempre cinco.
Estava eu na Cantina do Nonoca, bebendo a minha Skol, e chega o Nego Véio. Como de costume:
- Xi, rapaz. Cê não teria aí um caraminguá pra eu comprar um quilo de feijão no Viscardi?
Desta vez, o radar de Nego Véio havia falhado. Ou não:
– Estou só com cheque, Nego Véio.
Ele foi rápido:
- Não tem importância, mermão. Você pega cincão lá com o Chico e pede pra ele somar na conta. Aí você paga com cheque.
Fiz isso. É inacreditável, mas fiz isso. Mais cincão pro Nego Véio.
Quando o Chico veio me trazer outra cerveja, me olhou com aquela cara de você-é-mesmo-um-mané.
Tinha razão. Mas fazer o quê? É o Nego Véio. Do tempo em que o Bar do Jota era do Jota.
O construtor está vivo
October 15, 2007
O que faz um homem ser feliz? O personagem principal da peça “Solness, o construtor”, de Henrik Ibsen, acha que a felicidade humana não está nos palácios de pedra, mas em “castelos no ar”. Em 1988, vi Paulo Autran no papel de Solness. O velho construtor se angustiava com a rivalidade de um jovem arquiteto – enquanto se dividia entre os sonhos do passado e os deveres da vida real. Era um domingo, final de tarde, começo da noite. Lusco-fusco. Plínio Marcos apareceu no saguão do teatro para vender seus livros. No palco do Teatro Aliança Francesa, em São Paulo, Autran-Solness mostrou porque é o maior ator brasileiro. Com suas interpretações, ele era capaz de oferecer ao público momentos de felicidade contemplativa, na alegria e na tristeza, na tragédia e na comédia.
O que faz um homem ser feliz? – perguntou Paulo Autran a si mesmo, em 1949, quando ficou em dúvida entre uma segura carreira de advogado e uma duvidosa carreira de ator teatral. Optou pelo incerto. Ficou com os “castelos no ar”. Sorte nossa.
Um grande ator é coisa rara. Um bom ator usa a técnica para criar um personagem que já existe na forma literária. Um grande ator tem algo mais: ele consegue a proeza de reescrever o personagem e ainda assim manter uma espantosa fidelidade com o autor. O Halvard Solness de Paulo Autran era ibseniano, mas também autraniano. Quase vinte anos de distância no tempo não apagaram a impressão daquele domingo.
O que faz um homem ser feliz? Paulo Autran fez 90 peças, nove filmes e seis novelas. A diferença numérica já demonstra que o teatro era seu lugar preferido. A exemplo de Molière e Cacilda Becker, só saiu do palco para morrer.
Quando estamos diante de um fato inexorável e cristalino – morreu o maior ator brasileiro –, às vezes só nos resta um lugar-comum. É hora de expressar o óbvio: Paulo Autran não morreu. Com seu talento, ele superou a efemeridade da interpretação. Só ele poderia dizer, sem medo do ridículo: “Nunca antes neste país...”
Nunca houve um ator brasileiro igual a Paulo Autran. Ele fez os grandes papéis, encenou as grandes peças, valorizou os grandes autores e teve, entre público e crítica, a consagração digna de sua estatura. Também caiu no gosto popular com seus (poucos) trabalhos em novelas.
Ao final de “Solness”, um personagem anuncia a tragédia: “O construtor está morto”. Com o perdão de Ibsen, aceitemos o óbvio. O construtor está vivo.
- Texto publicado no Jornal de Londrina (14.11.2007)
Horário de Deus
October 14, 2007
Venho por meio deste informar a todos que doravante estarei uma hora atrasado. Esse negócio de horário de verão não é comigo, não. É coisa de esquerdofrênico. Viadagem do caralho. Sou fiel ao horário de Deus, e pronto-acabou.
Amanhã, vou chegar sessenta minutos depois ao trabalho. Ninguém poderá dizer que sou um funcionário relapso, Bartleby da vida (é assim que se escreve?).
Sou liberal, sacou? Não vou dar essa colher de chá pro estado. Meu relógio não atrasa. Empacou. Pronto-acabou.
Essas horas aí que vocês estão dizendo são todas mentirosas. Vocês têm é nariz de Pinóquio. Uma hora a menos, por gentileza.
Amanhã, vou chegar sessenta minutos depois ao trabalho. Ninguém poderá dizer que sou um funcionário relapso, Bartleby da vida (é assim que se escreve?).
Sou liberal, sacou? Não vou dar essa colher de chá pro estado. Meu relógio não atrasa. Empacou. Pronto-acabou.
Essas horas aí que vocês estão dizendo são todas mentirosas. Vocês têm é nariz de Pinóquio. Uma hora a menos, por gentileza.
Organizações Dinamite
October 11, 2007
Ponhonhóim. O Nobel foi para Doris Lessing. Sinceramente: eu achava que ela já havia se empirulitadis. Está com 87 anos. A véia ganhou uma bolada: 1,1 milhão de dólares. Tá bom, né? Melhor que dor de dente.
Achei que seria a vez do Philip Roth. Mas não tem nada, não; judeu escritor vive bastante (Saul Bellow, Issac B. Singer) e ano que vem tem mais.
Pô, não se pode acertar todas! Não é para me gambá, não, mas já emplaquei até o nome do papa (e a Veja, toscamente, dava Ratzinger como "extremamente improvável").
Dona Lessing? Nunca li nada dessa senhora. Só entrevista. Uma vez quase levei um livro de memórias; outra, fiquei no bico para emprestar um de ficção científica. Não lembro os nomes. Será que o Roth ficou com Doris de cotovelo? (Foi fraca, mas é o que temos.)
The family man
October 10, 2007
Em menos de um mês serei um homem casado. É pouco: um mês passa voando; menos de um mês passa mais rápido ainda.
As coisas vão continuar exatamente como estão, inclusive eu mesmo. Mas serei um homem casado. Não jogarei mais no time dos solteiros (digo isso por pura desfaçatez: todo mundo sabe que eu não jogo futebol desde os 16 anos). Nas fichas de hotéis e crediários, meu estado civil será outro.
Deixo a solterice assim como deixei a esquerda, a revolução, a psicanálise, o ateísmo, a tubaína. Tudo teve seu momento. Ser esquerdista me fez ler livros idiotas, escrever coisas idiotas e falar coisas mais idiotas ainda – mas as festas eram boas. Ah, se eram!
A perspectiva da revolução era um razoável consolo para tudo que eu fazia de errado. (Lembro-me do título de um conto que eu nunca escrevi: “Me acordem na revolução”. Assim mesmo, começando com pronome oblíquo, com o perdão do Doutor Tanga.)
Da psicanálise, sobraram alguns ensaios espirituosos do Freud. (Desculpe, Lou-Andreas Salomé, você sabe que eu te amo.)
Do ateísmo, sobrou Deus – e, convenhamos, é uma sobra e tanto!
Tubaína? Nunca mais vi.
Aproveitei bem meus 37 anos de solteiro. Há quem diga que aproveitei até demais; exagero dos críticos. Fiz o que pude. O que não pude, não fiz. Mas também não fiz o que pude. E não pude o que fiz. Em suma, chega de enrolação: fiz, não fiz, pude, não pude – ficou tudo misturado.
Já tive um pôster da Nicarágua sandinista no meu quarto. Pronto, falei.
Comprei um pôster da Janis Joplin para o Diretório Acadêmico do colegial. Pronto, falei de novo.
Li um romance do Roberto Freire (não o político, o cara da somaterapia). Pronto, falei pela terceira vez.
E o galo cantou – não vou falar mais nada que isso está me dando muita vergonha.
Em breve não estarei mais casado com a solteirice. Estarei casado com a Rosângela. Encontrei alguém que tolera minhas bobagens, ouve meus trocadilhos e amansa meus desesperos. Ela é o melhor de mim (sim, existe algo melhor no tio Briguet, basta procurar bastante).
Sou o que os antigos chamariam de homem de sorte. De sorte que estarei casado em menos de um mês.
Três minhas, duas boas
October 10, 2007Hoje visitei uma gráfica. Saí com boa impressão.
Esse negócio de acupuntura é uma furada.
O sujeito é um padeiro demagogo: vive manipulando as massas.
“Ótica A Lojinha: aqui você trata a vista e paga a prazo.”
(Recolhida por minha amiga Glória Galembeck)
“Comunista é alguém que leu Marx. Anticomunista é alguém que entendeu Marx.”
(Ronald Reagan)
Vai que é sua, Roth!
October 09, 2007
Sei não, mas tenho o palpite de que o Nobel de Literatura deste ano vai para Philip Roth. Já faz uns 20 anos que ele merece o prêmio. Estou lendo “Homem comum” (lançamento recente da Companhia das Letras); é supimpa, dugarai.
João Pereira Coutinho, colunista da FSP, disse que o livro de Roth está pau a pau com “A morte de Ivan Ilitch”, de Tolstói. Faz sentido. Eu me lembrei um pouco das “Lições de abismo”, de Gustavo Corção, e de “Patrimônio”, do mesmo Roth. Algumas passagens de “O teatro de Sabbath” – a obra-prima de Roth, a meu ver – se repetem em “Homem comum”. Enfim, leiam todos, começando por “Complexo de Portnoy”, que fala sobre judaísmo e punheta.
A conferir na quinta-feira. Espero fazer um brinde a ele na QSL (ao que tudo indica, em novo endereço).
Clichê Guevara - A missão
October 08, 2007
Ao final da tarde, volto para casa e leio os comentários do blog. É um divertimento. Um certo Jonas Favoretto – e aqui ele terá seus minutos de fama – diz, verbatim:
“Alguém pode me explicar como é que esse rapaz conseguiu passar no vestibular, formar-se na faculdade e ainda exercer a profissão de jornalista?”
Explica-se: o rapaz está revoltado e chiliquento com o que escrevi sobre o Che Guevara. Ficou nervosinho. Então, o que ele faz em primeiro lugar? Contesta meus argumentos? Usa algum dado novo? Cita documentos ou obras? Traz à luz análises e avaliações diferentes? Não: ele contesta minha formação acadêmica. Bom brasileiro, bajulador de aparências e ignorante das essências, ele se espanta que eu tenha um diploma. E mais: que eu tenha um emprego. No mundo dos sonhos de Favoretto, pessoas como Paulo Briguet jamais poderiam se formar – e jamais poderiam ter um emprego. Estariam necessariamente condenadas à fome ou aos campos “de reeducação”. Não por acaso, o herói Che Guevara inaugurou o primeiro “campo de reeducação” (ou seja, de concentração) nas Américas. Professor Favoretto teria uma boquinha por lá.
Pergunta mais, o nosso mestre:
“E como é que deixam ele manipular impunemente as informações, pisotear biografias e maltratar a História?”
É verdade, professor Jonas! Alguém teria que impedir essa manipulação de informações, esse pisoteamento de biografias, esses maus-tratos à história! Onde é que está a polícia política “deste país”? Houvesse aqui um Che Guevara, e isso nunca ocorreria!
“Alguém precisa avisá-lo urgentemente que existiram tiranias e ditaduras no passado e que sob elas milhões de pessoas foram oprimidas, torturadas e assassinadas.”
É, professor Jonas. Eu fui avisado. A pior dessas tiranias e ditaduras chamou-se – chama-se – comunismo. Numa estimativa conservadora, 100 milhões de pessoas morreram sob Mao, Stálin, Pol Pot, Lênin, Trotsky, Fidel Castro e seus companheiros. E era justamente em prol desse ideal que lutava Che Guevara.
“Alguém precisa avisá-lo que para combater tais tiranias e ditaduras, a única saída que as pessoas dignas tinham naquelas circunstâncias era recorrer ao ideal revolucionário.”
Não consta que Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e outros tenham acreditado que o ideal revolucionário era a única forma de combater ditaduras. Não consta que Winston Churchill, Franklin Rooselvelt e Charles De Gaulle tenham considerado que o ideal revolucionário era a única forma de vencer Hitler. Está faltando leitura, professor...
“Alguém precisa avisá-lo que as pessoas não pegaram em armas para posar de bacanas e sim para lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. O contexto da época exigia isso e levou muita gente a abandonar a família, os estudos e os bens materiais para se dedicar à ‘causa’.”
Sei bem que as pessoas não pegaram em armas para posar de “bacanas”. Os dois melhores amigos de meu pai foram mortos porque pegaram em armas contra a ditadura militar. Pessoalmente, acredito que eram bons homens. Mas se entregaram a uma causa inglória e absurda. Alguém avise a esses professores que só lêem os manuais petistas: a luta armada no Brasil não defendia os ideais democráticos: era um luta para instaurar a ditadura socialista no Brasil.
Quanto a esse papinho de “abandonar a família, os estudos e os bens materiais para se dedicar à ‘causa’”, não passa de justificação do fanatismo. Che Guevara estava disposto a morrer por uma “causa”, mas o mesmo se poderia dizer dos líderes nazistas; ou dos terroristas de 11 de setembro. Estar disposto a morrer por uma causa não a justifica – principalmente quando isso implica a morte de outros.
Para finalizar, é claro que Jonas teria de fazer alguma caricatura. E ele manda brasa, ao definir-me:
“É apenas um almofadinha ignorante tentando ‘vender’ um revisionismo ideológico fake de boteco. Façam um favor a ele: tirem a coleção de revistas Veja de suas mãos e o presenteiem com livros.”
O problema é que o Favoretto se trai pela própria linguagem. “Revisionismo” é um jargão de canalhas. É o termo que os mais repugnantes stalinistas usam para tentar desqualificar seus críticos. Che Guevara, por exemplo, era um caçador de “revisionistas”.
Quanto aos livros, tenho absoluta certeza de que li mais sobre a vida de Che Guevara – esse, repito, assassino frio e cruel – do que Jonas Favoretto, com suas aspas e seus pronomes retos fora do lugar, leu sobre o assunto que mais lhe interessou em toda a vida.
Agora, tem o seguinte: livro está caro e eu ganho pouco. Se quiser me presentear com alguns, agradeço. Mas o lixo esquerdista do qual você conhece a orelha, rapaz, eu já li, reli e anotei.
Leituras recomendadas, Jonas:
- Manual do idiota latino-americano.
- O livro negro do comunismo.
Clichê Guevara
October 03, 2007
Fui criado para amar Che Guevara e odiar Ronald Reagan. Por muito tempo, amei o primeiro e odiei o segundo.
Mas também fui educado para ler livros. Esse mau hábito me fez mudar de opinião sobre o guerrilheiro e o cowboy. Não amo Reagan, mas digo, sem medo de errar, que ele foi um dos melhores presidentes americanos (tirando os Pais Fundadores, foi o terceiro, atrás apenas de Lincoln e Roosevelt).
E o argentino? Guevara é a combinação entre o ridículo publicitário e o horror comunista (por sinal, todo comunismo é publicitário; a diferença é que a publicidade comunista mata os concorrentes).
Na edição desta semana, a Veja fez um bom trabalho e prestou um favor às futuras gerações, evitando que considerem Ernesto Che Guevara como herói revolucionário. Era um assassino fanático e cruel, como já comentei várias vezes aqui, especialmente neste post (não deixem de ver o filme “The lost city”).
Ronald Reagan deixou a Casa Branca como um dos presidentes mais populares de todos os tempos. Como já li tudo que foi escrito sobre ele pela esquerda, sei qual será a principal crítica ao reaganomics: a fórmula liberal não se aplicou aos gastos militares, que acabaram triplicando o déficit americano. Mas esse foi o custo que Reagan pagou para provocar o colapso econômico da União Soviética. Foi a conta da Guerra Fria. Uma conta amarga e necessária.
Ao diminuir impostos, reduzir gastos sociais e estimular o crescimento da economia, Reagan prestou um grande serviço aos EUA; ao quebrar a tirania comunista (sem disparar um tiro), Reagan – ao lado de Thatcher e João Paulo II – fez um grande bem à humanidade. “Queríamos mudar os Estados Unidos e, quando vimos, tínhamos mudado o mundo”, disse Reagan ao deixar o cargo.
Che Guevara? Experimentem ler, não os perfis críticos – o que seria pedir demais aos esquerdistas brasileiros –, mas a biografia escrita por um guevarista convicto, Jon Lee Anderson. Só os trechos que falam da prisão de La Cabaña são de fazer corar qualquer militantezinho de DCE. Guevara ocupou altos cargos no governo de Cuba. É mais ou menos como se a ditadura brasileira tivesse dado um ministério ao delegado Fleury.
Reagan fez muito mais por nós. Tinha um jeito bonachão, quase simplório, mas era de uma inteligência ímpar. Guevara mandava matar garotos de 15 anos e citava La Rochefoucauld. Reagan confundia Brasil com a Bolívia, mas não sem antes oferecer ajuda financeira e evitar a quebradeira do país. Todo mundo se lembra da gafe; ninguém se lembra da ajuda.
A morte de Reagan - em 2004, aos 93 anos - foi ignorada no Brasil. Che Guevara segue sendo ídolo das esquerdas e modelo de camiseta.
O homem é um animal ingrato.
Três bons americanos
October 01, 2007
“Recolha um cão de rua, dê-lhe de comer e ele não o morderá: eis a diferença fundamental entre o cão e o homem.”
(Mark Twain, romancista)
“Um banco é um estabelecimento que nos empresta um guarda-chuva num dia de sol e nos pede de volta quando começa a chover.”
(Robert Frost, poeta)
“A diferença que existe entre uma democracia e uma democracia popular é a mesma que existe entre uma camisa e uma camisa-de-força.”
(Ronald Reagan, ator de segunda e frasista de primeira)