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Archive for July of 2007

Nunca haverá um cineasta como Bergman

July 31, 2007


Pelas mãos de Ingmar Bergman, que morreu ontem, aos 89 anos, o cinema ultrapassou os limites do entretenimento e ganhou o status de arte no sentido mais legítimo e amplo da palavra. Os melhores momentos do diretor sueco já não pertencem ao terreno da simples diversão; filmes como “Persona”, e “Morangos Silvestres” unem literatura, teatro e pintura. Bergman é inimitável, até porque tinha um domínio técnico infinitamente maior que o de qualquer epígono. Pode ser homenageado, mas não copiado. Foi o maior cineasta de todos os tempos.



Diretor-escritor, com formação teatral na Escola Superior de Estocolmo, Bergman decidiu muito ainda muito jovem tornar-se o melhor do mundo no que fazia. Filho de um pastor protestante, homem rígido que Bergman retratou em “Fanny e Alexander” (1983), convocou seus fantasmas pessoais para criar uma galeria de personagens sombrios, desesperados, melancólicos e perplexos. Foi o cineasta da morte, do tempo, da depressão, da dor, do silêncio, da palavra, do sexo, da decadência, do pecado, da culpa, da solidão, do amor, do desamor, do desprezo, do silêncio.
O primeiro grande filme de Bergman foi “O sétimo selo” (1957), que se passa no cenário medieval da peste negra. O jogo de xadrez do protagonista com a morte se tornou uma das cenas mais citadas na história do cinema.
“Morangos Silvestres” (1957) narra as memórias e angústias de um velho professor prestes a ser homenageado por sua universidade. Mergulho na infância, é o filme central na carreira de Bergman, com uma bela atuação do veterano cineasta sueco Viktor Sjöstrom no papel principal.



Quase todos filmes de Bergman vasculham a alma feminina. “Persona” (1966), “A paixão de Ana” (1969) e “Gritos e sussurros” (1972) levam o enigma, a beleza e o paradoxo da mulher a extremos quase insuportáveis – Bergman não se permitia o mínimo traço de demagogia ou condescendência.
Liv Ullmann (com quem foi casado e teve filhos), Bibi Andersson e Ingrid Thulin foram as suas grandes atrizes; Erland Josephsson e Max Von Sydow, seus grandes atores.



Bergman transformava obsessões em filmes. “Através de um espelho” (1961), “Luz de inverno” (1962) e “O silêncio” (1963) formam a chamada “Trilogia do silêncio” e discutem a existência de Deus – questão que o perseguia desde a infância.
“Cenas de um casamento” (1973) – originalmente produzido como novela para a TV sueca – tem uma visão pessimista e impiedosa sobre a relação amorosa.
“Saraband” (2003) foi o canto de cisne de Ingmar Bergman. Mostra um reencontro de Marianne e Johann – o casal de protagonista de “Cenas de um casamento” – 30 anos depois. Marcado pela música de Johann Sebastian Bach, “Saraband” é uma espécie de testamento que Bergman deixa, não ao cinema, mas à humanidade que hoje lhe deve um minuto de silêncio.



(Publicado no Jornal de Londrina)

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Parece que Deus está levando os bons cineastas nesta semana. Agora também morreu o Antonioni.

Mas dizei uma só palavra

July 30, 2007
Morreu Ingmar Bergman, "o melhor cineasta desde que a câmera foi inventada". Tinha 89 anos.
Bergman foi o maior de todos os tempos - e estamos conversados. Não por acaso, terminou filmando "Saraband", de Bach.

Maravilhas do socialismo cubano

July 29, 2007

O acontecimento mais importante nestes Jogos Panacas, além da vaia ao prefidente, foram as deserções de quatro atletas cubanos. A coisa ficou tão feia que o comandante Raúl (Fidel já pôs as barbas de molho) ordenou o retorno antecipado de toda a delegação, diante dos boatos de uma deserção em massa.
E olha que essa delegação de Cuba deve consumir cerca de 10% das calorias do país.
Eis a vanguarda do sonho igualitário de Marx e Engels...

Medalha, medalha, medalha!

July 27, 2007


O Brasil já ganhou no tênis de mesa. A esperança agora é o pebolim.

Cachorrês

July 27, 2007

Os cachorros do bairro estavam agitados. Latiam, latiam e latiam. Acordei com o barulho. Botei Bach na vitrola para ver se eles se acalmavam. Engraçado: acho que João Sebastião fala a linguagem dos cães. Eles silenciaram com a Partita número 1. Cachorros têm ouvido bom, melhor que o nosso. Talvez por isso eu goste do João Sebastião tanto assim.
Tomei minhas duas Neosaldinas de sexta-feira, bebi meu copo de leite e comi um pedaço de pão sírio. O pão é da marca Pita, produzido em Atibaia. Minha vó Maria adorava. Ela queria que a gente comprasse pão sírio da marca Pita. E com razão. É gostoso.
Como o pão – esse pão que é referido no Pai-nosso – e me lembro que nesta semana sonhei com a vó Maria. A tia Ruth também estava no sonho. Passeávamos de carro; eu trabalhava num sindicato, mas estava com a corda no pescoço porque os diretores ficaram sabendo que eu era liberal.
Sonho com meus mortos – a vó Maria, a tia Ruth e a esquerda. A diferença é que a vó Maria e a tia Ruth poderiam estar vivas, eu queria muito que estivessem vivas.
Se eu sinto saudade da esquerda? Um pouquinho. Na verdade nunca fui um cara muito político. Mas era reconfortante sonhar com a Revolução - o paraíso perdido. Todas as drogas oferecem algum tipo de prazer; a esquerda não seria diferente.
A esquerda nada mais é do que uma deturpação do cristianismo. É o cristianismo sem amor, o mar sem água, a igreja sem Deus. Tenho mais saudade da vó Maria e da tia Ruth, que a essa hora devem estar falando com Ele.
Vocês estão ouvindo o Bach? Eu estou. Os cachorros pararam de falar cachorrês. E mais não digo porque preciso ir trabalhar.

Guilhermiana

July 26, 2007

E a Maurren Maggi - será que dá um caldo?

A mamata sem fim

July 25, 2007
A falta de enxada é universal.
Temos aqui, em Londrina, 230 sem-terra acampados no Calçadão, em frente ao Banco do Brasil.
Querem: aceleração da reforma agrária; liberação de crédito; renegociação de dívidas (a serem pagas em 20 anos, sem juros); compra de produção (com pagamento 30% acima dos custos); distribuição de cestas básicas para as famílias assentadas; assistência técnica.
Vamos dar de barato que a distribuição de cestas básicas seja algo emergencial (eu duvido – mas, enfim).
Vamos concordar com a utilidade de uma assistência técnica às famílias assentadas. Assistência técnica, OK. Quem vai discordar?
Mas passemos ao surrealismo das outras exigências dos sem-terra. Em primeiro lugar, eles não são sem-terra coisíssima nenhuma: são famílias assentadas, que já receberam seu lote de terra, a um custo médio de R$ 31 mil reais cada uma. Sendo assim, a aceleração da reforma agrária não é para eles. É mera plataforma ideológica maoísta.
Liberação de crédito. Vejam só: os sem-terra com-terra querem liberação de crédito sem que tenham pago os créditos anteriormente concedidos pelo governo. E mais: querem renegociar dívidas de maneira praticamente gratuita – em 20 anos, sem juros!
Não existe prova mais contundente que esse modelo de “agricultura familiar” defendido pelo MST (Movimento Sustentado pelos Trouxas – eu, você, nós) é impraticável. Esses caras não querem produzir nada, nunca. Querem é mamar eternamente nos úberes do Estado.
Um dos líderes do movimento diz hoje na Folha de Londrina: “ O governo gastou no ano passado R$ 2,8 bilhões na compra de soja de grandes produtores. Para a compra da produção de pequenos agricultores, foram R$ 300 milhões”.
Percebam: em vez de criticar a concessão de dinheiro público aos grandes produtores (se é que a informação é verdadeira), eles querem a mesma atenção pecuniária do governo. O país tem 40% de carga tributária para sustentar um Estado com elefantíase, e os sem-terra acham que esse NÃO é o problema; querem também a sua parte, e foda-se o resto! E quem paga? Eu, você, nós.
Outra idiotice de um líder sem-terra: “Ninguém come soja nem cana”. Besteira digna de um Fidel Castro, de um Hugo Chávez. De onde vem o açúcar que adoça o seu café, campesino? De onde vem a soja que frita o seu bife, companheiro?
Dentro dessa mesma lógica de dependência estatal, o governo vai criando o seu exército de eleitores e financiadores – os financiadores entre os muito ricos, os eleitores entre os muito pobres. E a classe média que se dane.
Na África do Sul, havia o apartheid racial. Depois, alguns sociólogos brasileiros falaram em apartheid social. O que existe em terras tupiniquins, na verdade, é o apartheid estatal. O Estado deixa de cumprir as funções que lhe caberiam (a segurança dos indivíduos, nos aeroportos e fora deles, por exemplo, Fabebum...) e se arvora em financiador e produtor da vida cotidiana.
Carpir uma data? Ninguém quer!

Os inesquecíveis

July 23, 2007
No futebol, dizem que bom juiz é aquele que não aparece. Sempre que notamos a presença do árbitro, é que ele não está apitando bem.
Pois eu digo que governo é a mesma coisa. Ideais seriam um presidente, um governador ou um prefeito em quem poucas vezes pensássemos.
Só não se sente falta de um governante quando ele cumpre as suas obrigações. Governante apagado é governante bom – aquele que deixa que as pessoas vivam as suas vidas.
Mas o marketing político moderno diz exatamente o contrário: governante tem que aparecer. O governo acaba querendo cumprir todos os papéis – e acaba não cumprindo mesmo os essenciais, como segurança, educação básica, respeito aos contratos, proteção às liberdades individuais.
Todos os dias temos que agüentar Lula e suas bobagens presidenciais. Exceto quando acontece algum acidente; nesse caso, ele pode demorar até 73 horas para dar alguma satisfação. Governante tem que aparecer – mas só quando a notícia for boa.
Há muito já desisti de esperar alguma coisa de Lula, Requião ou Nedson. Precisamos viver a vida como se eles não existissem; o problema é que eles não deixam.
Eu queria sinceramente esquecer Lula, mas como fazer isso se ocorrem dois acidentes aéreos, com um total de 350 mortos, em menos de dez meses, fato inédito na história da aeronáutica mundial em tempos de paz? Como esquecer Lula se o mesmíssimo governo resolve premiar quatro chefes da aviação civil com a Comenda Santos-Dumont – sim, Santos-Dumont! – dias depois da tragédia de Congonhas? Como esquecer Lula se um dos principais assessores da Presidência comemora uma notícia supostamente favorável ao governo com gestos obscenos, como se a carnificina aérea fosse apenas mais um lance da contenda política?
Não. Não podemos esquecer Lula. Não podemos esquecer seus bajuladores. Não podemos esquecer nada. Estamos condenados à memória. Lula é um presidente inesquecível.
Dia desses, uma amiga comerciante foi vítima de um golpista. É uma pessoa leal, sensata e inteligente. Como pôde ter sido enganada por um vigarista? A resposta é simples: porque os vigaristas pensam 24 horas por dia em estratégias para enganar os outros.
O mesmo fazem Lula e seus subprodutos estaduais e municipais: tudo que eles querem é a manutenção do poder – e mais nada. Nós, que temos outras coisas a fazer na vida, somos as suas vítimas. E estamos condenados a lembrar que eles existem – a cada passo, a cada acidente, a cada tragédia.

- Texto publicado no Jornal de Londrina.

“Não me deixem morrer!”

July 20, 2007
Quem odeia é escravo do seu ódio. Por isso, muitos dos meus inimigos são meus escravos.
(Antônio Carlos Magalhães, 1927-2007)


Peço licença para ficar triste com a morte de Antônio Carlos Magalhães. Os sete leitores deste blog sabem que eu tive uma, por assim dizer, formação esquerdista. Queríamos um mundo melhor. Depois percebi que a tentativa de construir o tal mundo melhor era uma gigantesca mentira.
ACM foi um daqueles que aprendi a odiar desde a primeira infância. Durante muito tempo, ele simbolizou para mim a prepotência, a crueldade, a falta de escrúpulos – tudo aquilo o imaginário brasileiro costuma associar à direita.
Hoje sou de direita. Nunca apreciei o estilo de ACM, mesmo depois de ter me desiludido com a esquerda e o socialismo. O uso do ódio deixa seqüelas. Mas é claro que mudei minha visão. Ele era muito mais talentoso do que insidioso. Não era santo; mas quem, na política, é? Espero que ainda escrevam uma biografia decente do homem. Impossível falar de política brasileira, nos últimos 40 anos, sem falar em Antônio Carlos.
Desnecessário dizer que entre Lula e ACM eu votaria em ACM. Desnecessário, mas eu digo.
Deixou herdeiros? Falam em ACM Neto. Não consigo simpatizar com ele. O rapaz lembra muito alguns engomadinhos da direita, no tempo em que eu estava na esquerda do movimento estudantil. O fato de que eu estava errado não quer dizer que os engomadinhos estavam certos.
Confesso que me aterrorizei com a frase da agonia de ACM. “Não me deixem morrer!”, disse aos médicos. A extrema solidão do homem.
Já havia sentido pena de ACM uma vez, quando Luís Eduardo morreu. Certa vez o velho confessou: “Choro todas as noites”. Perder um filho é uma dor sem alívio, é um atentado à ordem natural das coisas. Se um pai que perde o filho tivesse duas almas, a segunda alma seria também ocupada pela dor.
Nos últimos tempos, eu vinha gostando muito das declarações de ACM. Ele era muito mais interessante na oposição. Chamou Lula de ladrão diversas vezes, para quem quisesse ouvir. Mesmo assim, Lula teve um gesto civilizado e foi visitá-lo no Incor. Ponto para Lula (sim, é raro, mas eu também elogio Lula).
Tenho duas obsessões: políticos afastados do poder e reconciliação de inimigos. ACM, portanto, é um dos meus personagens prediletos no circo brasileiro.
Vamos sentir falta de ACM. Mas o que não me sai da cabeça é aquela frase: “Não me deixem morrer!”
A solidão nos espera.

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PS: E se Lula morresse? Ninguém perguntou, mas eu respondo mesmo assim. Ficaria triste. Tenho uma patológica tendência a gostar de gente.

A morte de 200 brasileiros da "elite reacionária"

July 18, 2007
Em janeiro deste ano, uma leitora que se identificou apenas como Vilma escreveu as seguintes palavras neste blog:

“Cadê aquele idealismo que ele trazia consigo e que seria capaz de elaborar uma ótima crônica a favor dos velhinhos aposentados que não conseguem visitar seus parentes distantes porque as empresas de ônibus e seus lobistas conseguem derrubar o Estatuto do Idoso na Justiça???? Ah... já sei, dá mais dinheiro escrever adulando os “pobrezinhos” que perdem o vôo por conta do over booking.”

Dias antes, eu havia publicado uma crônica sobre o apagão aéreo no Jornal de Londrina.
Pois é, Vilma. Os “pobrezinhos” estão mortos. Graças à incompetência e à pusilanimidade do governo que tantas Vilmas adulam.
Antes, os grandes desastres aéreos ocorriam de 10 em 10 anos. Agora, de 10 em 10 meses. Não há tragédia mais anunciada que a de ontem.
Já ouvi muita gente dizendo que “apagão aéreo” é problema dos “ricos” – os mesmos “ricos” que vaiaram Lula no Maracanã. Seguindo a lógica do Dr. Rosinha (já descrita em post anterior), os 200 mortos em Congonhas pertencem à “elite reacionária” do país. Pagaram mais de R$ 100. Não contam.
E ainda tem idiota que, numa hora dessas, insiste em botar a culpa na “Vênus platinada” (como os esquerdofrênicos chamam a Rede Globo). O que esses caras queriam? Que a Globo não mostrasse as cenas de dor e desespero dos familiares das vítimas? Ai, meu pâncreas. A estupidez humana é maior que a velocidade da luz.
E pode escrever aí: o culpado por tudo, ao final da novela, será o pobre piloto.

Flor de fascismo

July 16, 2007


E a vaia ao Lula, hein? O negócio foi tão feio que o homem nem quis declarar abertos os Jogos Panacas.
Mas o pior mesmo é a reação dos puxa-sacos. Um deles, o deputado federal Florisvaldo Fier, vulgo Dr. Rosinha, aqui do Paraná, arranjou uma desculpa que é um primor de ridículo e fascismo esquerdofrênico.
Todo fascismo é ridículo – alguém poderá notar. Mas também é perigoso, e por isso merece tomar pau.
O Dr. Rosinha cometeu a seguinte pérola ao comentar a abertura do Pan: “Vaia de elite reacionária não vale”.
O Beato Salu do parlamento diz que a maioria dos presentes ao Maracanã na última sexta pertencia à malfadada burguesia. Pagaram ingressos de R$ 250, R$ 150 e R$ 100. Os ingressos mais baratos, de R$ 20, teriam ficado restritos a pequenas áreas.
Notem que o fanatismo esquerdofrênico, em Rosinha, convive com o pior gênero de sofisma. Um sujeito que pode pagar de R$ 100 a R$ 250 é imediatamente qualificado como pertencente à “elite reacionária”. Eis o conceito de democracia dessa gente. Se não recebe bolsa-miséria ou não está nos “projetos sociais do governo”, o indivíduo não tem o direito de se manifestar. Quer dizer: tem o direito apenas de aplaudir. Caso contrário, será tachado de inimigo do povo.
Havia 90 mil pessoas no Maracanã; pelo menos 80 mil vaiaram Lula. Para Rosinha, são todos reacionários – a opinião deles não conta. A Lula e seus bajuladores, em nenhum momento ocorre o mais ligeiro esboço de autocrítica.
A começar pelo Beato Salu, vão todos carpir uma data!

In vino veritas

July 13, 2007
(Em homenagem aos Vinhos Campo Largo)


O homem bebe o vinho
ou o vinho bebe o homem?
Serão ambos, unidos,
que a si mesmos consomem?

O vinho envelhece
ou envelhece o homem?
Resistirá a prece
ao que os vermes comem?

O homem bebe vinho
e o vinho bebe o homem.
Depois, no descaminho,
os dois secam e somem.

A gritaria esquerdofrênica

July 12, 2007
Qual é o nome do Boff? Karl Marx.

É fácil compreender a gritaria em torno das recentes declarações do papa Bento XVI. Tem-se aí mais uma preciosa oportunidade para a claque esquerdofrênica babar seus impropérios. E o pior é que gente bem-intencionada acaba caindo na mesma conversa.
Por que tanto escândalo? O papa apenas disse o que o bom senso espera: o catolicismo, para ele, é a única religião perfeita. É o que Nelson Rodrigues chamaria de óbvio ululante. Se o papa julgasse que a religião católica não é a melhor, ele pertenceria... a outra religião!
Trata-se da lógica elementar. Vou repetir o raciocínio: o papa acredita que a verdade está com o catolicismo – ou ele não seria católico. Mas lógica elementar não é o forte dos nossos dialéticos esquerdistas. Eles continuam rezando pela cartilha de Marx, Engels e Lênin (a nova Família Sagrada; ver Raymond Aron).
Isso não tem absolutamente nada a ver com intolerância ou falta de respeito. Bento XVI – a exemplo de seu antecessor – já se revelou disposto a dialogar com outras religiões. Lembro, por exemplo, a visita à Turquia, quando ele rezou à maneira islâmica, voltado para Meca. Um gesto simples e inesquecível, em que “Ratzinger” (assim ele é chamado pelos esquerdofrênicos) disse mais e melhor do que em 100 mil discursos.
Dialogar com as outras religiões é um pressuposto da civilização que a esquerda pretende destruir – para colocar no poder “aqueles que trabalham”. (Engraçado é que eu, por exemplo, trabalho bagarai, mas não sou considerado um verdadeiro trabalhador. É que os comissários do povo odeiam liberais.)
E dá-lhe acusar o papa de nazista, defensor de pedófilos, inquisidor etc. Na verdade, o que os esquerdofrênicos não perdoam é o papel de Ratzinger no combate à tirania comunista, e em especial o chega-pra-lá em Leonardo Boff.

A luz de Liz

July 11, 2007
Liz. Três letras. Uma sílaba. Um nome que já está escrito em nossas vidas.
Liz, Liz, Liz. Não me canso de repetir. A mãe ligou para avisar. Antes, perguntou:
– O que você acha que é?
Respondi sem hesitar:
– Menina.
Ela:
– Acertou. É a Liz.
A mãe é a avó de Liz. Viu o coraçãozinho batendo na tela do ultra-som. Ainda faltam quatro meses para Liz vir à luz.
Recebo a notícia de que o bebê é Liz na primeira manhã em que acordo com 37 anos completos. Liz, meu maior presente. Ela é muito mais importante que qualquer aniversário; vai nascer pertinho do meu casamento. Não sei se a Fernanda poderá vir. Em novembro, já estará com um barrigão (maior que o meu). O médico às vezes proíbe viagens. Não importa. O que importa é a Liz.
Liz, Liz, Liz. A pequena palavra não me sai da cabeça. Parece uma sonata de Bach.
E Deus disse: “Faça-se a Liz”. E a Liz se fez.
Há música nas esferas, nos abismos insondáveis de Pascal, nas estrelas de nêutrons, no próprio céu que é o maior dos abismos e labirintos. Há uma voz sem voz no fluxo da natureza. Em cada fragmento de matéria e antimatéria há uma forma que insiste em se mover. É a vida. É menina. A energia é a massa vezes o quadrado da velocidade da Liz.
Liz. Um nome tão pequeno – e me faz feliz.

37. E daí?

July 10, 2007
Tenho uma certa experiência em fazer aniversário. Hoje faço o meu trigésimo-sétimo. Ontem à noite, visitei um xará, Paulo Menten, o mestre das gravuras, que completou 80 anos em junho.
Fazer 37 anos não tem muita importância. Há muito já se passou dos 30, mas ainda falta algum tempo para a marca simbólica dos 40. A verdade é que ninguém liga para os 37 anos. Não se é jovem, não se é velho, mas também não se é especialmente adulto.
Lembro que meus aniversários de infância eram meio dramáticos, porque aconteciam durante as férias escolares. Muita gente viajava nessa época. Minha mãe tinha que sair catando convidados para que a festinha de aniversário tivesse um quorum aceitável. Além das férias, havia o frio. Quando eu era criança, fazia frio em julho. O inverno era inverno de verdade.
Os alunos de 3a. série da professora Missae, para os quais eu fiz uma palestra em abril, descobriram a data do meu aniversário. Escreveram uma série de cartinhas simpáticas, acompanhadas de cartões de aniversário desenhados por eles mesmos. Para a turma da professora Missae, fazer 37 anos é um negócio inimaginável. Tanto que me cumprimentam por estar fazendo “mais de 30”. Ninguém diz “Parabéns pelos seus 37 anos” assim, na bucha. Uma agência de propaganda me enviou o slogan: “Paulo Briguet, muitos anos de vírgula”. Bela tirada. Só espero que a vírgula nunca seja entre o sujeito e o predicado.
Muito velho para ser jovem, muito jovem para ser velho, o homem de 37 anos costuma fazer aniversário na terça-feira. É um dia com a cara do número primo: não é o começo da semana (primazia que pertence ao domingo e à segunda) nem o final da semana (mérito que cabe à quinta, à sexta e ao sábado). Terça-feira é um dia tão chocho quanto fazer 37.
Sabe aquelas horas do dia em que você não se diz boa-tarde ou boa-noite? Eis os 37 anos. Quem faz essa idade geralmente não é um completo ignorante, mas está longe da sabedoria. Muito mais interessantes são as pessoas de 8 e 80 anos.
Em 2010, vou completar 40 – a metade da idade atual de Paulo Menten. Ao lado de Dolores Branco, sua companheira de vida e obra, o mestre me ensina que não existe criação; o que existe é observação criteriosa e acúmulo de imagens. Em dado momento, ele diz que seu maior talento não está nas artes plásticas, mas sim na poesia. Isso me faz lembrar a definição de Carlos Nejar para poema: a casa das imagens.
A criançada de 8 anos me pede para aprender a dirigir e lembra histórias engraçadas, como a da pomba que fez cocô na minha cabeça; e a dos sapatos apertados no dia do meu batismo. Um dos pequenos me diz: “Você é o que você é por causa de sua mãe”.
Todos eles estão certos. Os alunos da professora Missae e Paulo Menten. Os de 8 e o de 80. Eis os mestres do homem de 37 anos.

Os cães não entendem a morte

July 09, 2007
Preciso ligar para ela e dizer que os cães não entendem a morte. Tento digitar o número, mas é mais difícil que executar uma sonata de Bach só com a mão esquerda. 3... 4... 3... 2... 8... Errei; tenho de começar tudo de novo.
Vou dizer a ela que os cães não têm a angústia da morte, não pensam na morte como um acontecimento inevitável. O homem é um prazo adiado – e sabe disso. Os instrumentos estão tocando, mas ninguém sabe até quando vai o concerto. O silêncio nos persegue como eterna ameaça, permanente possibilidade.
...
Os cães apenas sentem a dor. Não sofrem por antecipação. Não procuram a antevisão do fim. 3... 5... 7... 9... 6... 0... Errei de novo. Será preciso recomeçar. Quero falar com ela e tenho urgência.
Quando um homem abandona seu cão por um dia, o animal pensa que ele nunca mais voltará. A presença é tudo para o cão. Tudo. Lembro-me do cão que foi encontrado ao lado do corpo de seu dono assassinado.
Tende piedade de nós, que temos o conhecimento da morte. Somos as estrelas de fogo previamente extintas, o pó inominável das galáxias; somos a montanha permanentemente erodida pelo pássaro das trevas; somos a mina de ouro extinta; somos o paraíso perdido; invariavelmente somos o relógio que marca o exato momento da explosão atômica. De nós só restará um borrão volátil na memória de um desconhecido. Somos as palavras de Robinson Crusoé que só ele ouviu e ouvirá jamais. Mas somos – e agradecemos ao que tem piedade de nós.
Preciso ligar para ela e dizer que os cães da madrugada estão latindo como se esperassem a morte. Mas eles não esperam; não esperam. Só nos esperamos. 3... 7... 0... 8... 9... 1... 6... 4... 3... “Esta ligação não pôde ser completada. Consulte o serviço de infor...”

Oração do esquecimento

July 05, 2007
Esquecei, ó Senhor, minhas horas consumidas em bares e computadores. As visitas a casas de tolerância. Os carnavais fora de época. Os dias de sonolência, as noites em branco.
Esquecei os ataques de raiva e os colapsos mentais. As síncopes cardíacas. Os lanches de madrugada, o colesterol. As mãos crispadas. O sono em tantos balcões. Esquecei.
O grito – aquela noite na Higienópolis – que até hoje escuto. Os crimes cometidos em pesadelos e à luz do dia. Esquecei. É pedir muito?
As manhãs em que saí louco para comprar Neosaldina – que tal se mergulhassem no divino esquecimento? E os telefonemas não atendidos, os risos falsos, as trocas de calçadas, o hábito de fingir que não vi. Ó, Senhor, esquecei.
O dia em que deixei minha mulher chorando em casa. O dia em que fui rude com meu avô. O dia em que falei bobagem e ofendi amigos. O dia em que xinguei meu primo. O dia em que defendi o assassinato em nome da revolução. O dia em que não quis falar com meu pai. O dia em que bebi quando minha avó me visitou. O dia em que ataquei alguém por pura vaidade. Esquecei, meu Senhor, todos esses dias malditos. Dias que merecem apodrecer no Inferno.
Pelo Vosso amor, esquecei. Pelo Vosso olho, esquecei. Pelo Vosso ouvido, esquecei. Pela Vossa dor, pela Vossa mão, pela Vossa compaixão, esquecei. Pela Vossa memória, enfim, esquecei.
Esquecei, Senhor – mas que eu não esqueça jamais.

Ai, meu pâncreas (Multinferno)

July 04, 2007
Saiu a lista do Prêmio Multinferno de Música Brasileira 2007. Só o fato de a cerimônia ser apresentada pela Fernanda Torres já dá uma idéia da bagaça.
Confiram a lista:

MELHOR CANTOR
Rogério Flausino - Jota Quest

MELHOR CANTORA
Ana Carolina

MELHOR MÚSICA
Charlie Brown Jr - Senhor do Tempo

MELHOR INSTRUMENTISTA
Champignon - Revolucionários

MELHOR GRUPO
Capital inicial

MELHOR CD
Multishow Ao Vivo - Ivete no Maracanã

MELHOR SHOW
Ivete Sangalo

REVELAÇÃO
NxZero

MELHOR CLIPE
Marcelo D2 - Dor de Verdade

MELHOR DVD DE MÚSICA
CPM-22 - Ao Vivo

*****

O que eu posso dizer? O horror, o horror. Com exceção de Ivete Sangalo – e unicamente pelo fato de ela ser uma gostosa –, eu mandaria todos para a Islândia, onde poderiam fazer companhia à srta. Björk. E mandem também a Fernandinha Torres para uma temporada eterna no Theatro Municipal de Reikjavik.
Os nomes foram escolhidos por votação popular. Mais uma prova de que música e democracia são incompatíveis.

Uma Londrina paulista

July 03, 2007

Gosto de Curitiba. É uma das cidades mais bonitas que conheço. Curitiba tem ótimos parques, ótimos cinemas, ótimos restaurantes, ótimos bares, ótimo transporte público, ótimo comércio, ótimas oportunidades de trabalho. Sem falar nas pessoas: em Curitiba tenho ótimos amigos. Adoro a capital paranaense e um dia, se Deus quiser, vou morar lá.
Só tem uma coisa que não me agrada em Curitiba: o Palácio Iguaçu. Há muitos anos, os ocupantes do Palácio Iguaçu têm alternado duas atitudes em relação a Londrina: desprezo e hostilidade.
Alguns, no passado, defenderam a saída separatista. Seríamos, então, o Estado do Norte do Paraná, ou do Paranapanema, ou da Terra Vermelha. Sou contra a idéia. A criação de um Estado exigiria um gigantesco aparato burocrático – tudo que nós menos precisamos. Imagine o cabide de empregos. Sem contar o risco de ter um Belinati ou Nedson como governador. Deus nos livre.
Mas o fato é que não dá mais para agüentar o Palácio Iguaçu. Lerner detestava tanto Londrina que chegou a mandá-la para aquela parte – sim, aquele lugar que vocês estão imaginando. Requião, que teve apenas 30% dos votos da cidade, acaba de cortar a verba do Filo por “motivos pessoais”. Particularmente acho que o festival e a cultura em geral deveriam buscar a iniciativa privada, e não o dinheiro público, mas não é preciso ser nenhum gênio da psicologia para entender os verdadeiros motivos de Requião. Só alguém que não gosta da cidade (ou a ignora completamente) pode dizer, por exemplo, que Londrina está segura.
Então, meus amigos, o negócio é passar Londrina para controle do Estado de São Paulo. As correntes migratórias que deram origem à cidade vieram quase todas de São Paulo. Falamos com o mesmo sotaque dos caipiras paulistas. Mais de 80% dos londrinenses torcem para times paulistas, como demonstra recente pesquisa. E, se o governador paulista não nos ouvir, pelo menos faremos parte do Estado mais rico da nação.
Não seria preciso criar nenhuma instituição ou cabide de empregos. Tudo que é paranaense, dentro dos limites de Londrina, passaria a ser paulista. Inclusive os impostos. Seríamos um enclave paulista no Paraná, mais ou menos como a Berlim Ocidental era dentro da antiga Alemanha Oriental. Com a diferença de que não precisaríamos construir nenhum muro. Até mesmo Roberto Requião seria bem-vindo a Londrina, na condição de governador do Estado circundante.
Claro que a idéia de uma Londrina paulista é absurda e nunca vai dar certo. Mas mostra a que ponto chegamos.

– Crônica publicada no Jornal de Londrina.

Os sete pecados do capitalismo

July 02, 2007
Um velhinho judeu estava estudando hebraico na União Soviética.
– Por que estudar hebraico, sr. Bernstein?
– Se eu for para o Céu, Deus fala hebraico.
– E se o sr. for para o Inferno?
– Já sei russo.

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Fala-se uma língua no Inferno. Dante traduziu o tal idioma para o italiano em “A Divina Comédia”. Mas, hoje, a língua infernal é usada também do outro lado do paraíso. É a novilíngua prevista por George Orwell em “1984”. A língua dos coletivismos, dos politicamente corretos, dos militantes, dos engajados, das vítimas profissionais, da esquerda hegemônica, de Hugo Chávez e seus adeptos (confessos ou não).

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Fruto amargo dos novos tempos, cai em minhas mãos outro dia uma laudatória resenha do livro “Os novos pecados capitais”, de João Baptista Herkenhoff. Ele é livre-docente da Universidade Estadual do Espírito Santo, aquele Estado cujas duas principais funções são separar o Rio de Janeiro da Bahia e não deixar Minas ter mar (além de ser a terra natal de dois dos maiores cronistas brasileiros, Rubem Braga e José Carlos Oliveira).

A tese do dr. Herkenhoff é simples: ele propõe a substituição dos sete pecados capitais tradicionais por outros termos mais adequados à novilíngua esquerdista.

Os sete pecados ficariam assim:

Sai a soberba, entra a pretensão imperialista.
Sai a ira, entram a guerra e a corrida armamentista.
Sai a inveja, entra o complexo de inferioridade.
Sai a avareza, aparece o materialismo.
Sai a preguiça, entra o individualismo.
Sai a gula, entra a fome de lucro.
Sai a luxúria, entra o consumismo.

Notem como todos os novos pecados capitais estão dentro da visão esquerdofrênica de mundo. O verdadeiro pecado para o dr. Herkenhoff – essa espécie de Simão Bacamarte que resolveu abrir sua igrejinha do diabo – é... o capitalismo!
A culpa por nossas misérias é sempre “deles”, do “país de merda” – somos vítimas eternas do “imperialismo”.
A guerra é sempre injusta, exceto quando não é declarada (como fazem os traficantes latino-americanos). Hitler, Stálin, Mao, Pol Pot e os tiranos da África e Ásia poderiam dormir tranqüilos com esse tipo de “pacifismo” carniceiro.
Outra coisa que os esquerdofrênicos não perdoam é o colapso da União Sovíética, que só foi possível porque Ronald Reagan aumentou os gastos com o setor militar. (Isso é o que eu chamaria de uma corrida armamentista do bem; mas, para os esquerdofrênicos, Reagan é a encarnação do que há de pior no "país de merda"; ai meu pâncreas, ai meu pâncreas.)
O individualismo, claro, é uma grave ofensa para essa turma: não se tolera o indivíduo – muito menos a liberdade individual – numa sociedade de coletividades, sovietes e feixes grupais. “Nós” é a palavra de ordem; “eu” é um palavrão.
Materialismo, aqui, não se opõe a espiritualismo. É sintoma da aversão doentia dos nossos petistas (e criptopetistas) a qualquer forma de progresso material. Ganhar é pecado. Crescer é pecado. Vencer é pecado. É a ditadura dos coitadinhos. Materialismo? Só se for o dialético.
O desenvolvimento econômico e o livre mercado – únicas saídas possíveis para o Brasil sair do buraco – são vistos como terríveis pragas da humanidade.
Ó maldita fome de lucro, só serás tolerada quando os lucros forem contabilizados pelos companheiros no poder.

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E o MST, símbolo infame dessa ditadura coletivista, agora resolveu protestar contra a realização do Pan. Parece uma boa causa – o Pan é realmente uma enganação em todos os sentidos –, mas se trata apenas de um conflito mamário.
É que os sem-terra não se conformam em ver outro grupo social mamando nas tetas do governo. Essa gente não tolera concorrência, principalmente quando se fala em dinheiro público. Lembram-se da recente polêmica entre artistas e atletas em torno da Lei Rouanet? É a mesmíssima coisa. O Pan vai custar R$ 3,7 bilhões aos cofres públicos (o meu, o seu, o nosso dinheiro). Já o orçamento do MST é algo dificílimo de calcular, por vários motivos: a entidade não possui existência legal e não segue os mesmos processos contábeis reservados aos simples mortais (eu, você, nós); há dezenas de ONGs e outros intermediários que despejam recursos para o movimento; o Incra tornou-se, no governo Lula, um mero aparelho do MST (ou para usar a linguagem esquerdista, uma “correia de transmissão”).
Resta-nos lamentar o fato de que cada família assentada no Brasil, como apontou a Folha de S. Paulo, custa R$ 31 mil aos cofres públicos, sem nenhuma garantia de retorno. E isso na era da agricultura mecanizada e da alta tecnologia no campo...
Sabem qual verdadeiro significado da sigla MST? Movimento Sustentado pelos Trouxas. Eu, você, nós: os panacas.

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Mas tudo bem. Se eu for para o Inferno, já sei português.

Holtelino Tloca-Letla

July 02, 2007
É o que eu digo sempre: uma letrinha faz muita diferença, garotada.
Urna é uma coisa; urina, bem outra (embora muita gente cague na urna).
Casar nada tem a ver com cagar (na maioria dos casos).
Uma boa banda e uma boa bunda podem ser interessantes, mas não convém chamar banda de bunda.
Neste domingo, saiu em grande jornal o nome daquela ex-mulher do Collor, ora convertida em amiga da família Lula da Silva: Lilibeth Monteiro de Carvalho virou Lilibeth Monteiro de Caralho.
E mais não digo porque não sei.