página inicial do tipos

Receba por e-mail os posts de Repórter das Coisas: RSS - Assine os feeds deste blog

Archive for June of 2007

Dá que ouçamos tua voz

June 30, 2007
Nesta noite havia festa na república do prédio vizinho. Lá pelas 3 horas, acordei com a música (ruim, é claro) e a cantoria da garotada bebum.
Jurei a mim mesmo nunca reclamar de uma festa em república; tenho motivos. Por sinal, eu nunca reclamo de nenhum barulho. Festa em república para mim é uma cantiga de ninar. Costumo dormir em festas, em mesa de bar; uma vez ou duas vezes dormi em pé (acho que tenho algum talento para iogue). Como é que vou dar uma de vizinho chato e reclamar de festa em república? Sou tiozinho, liberal e direitista, mas não sou mala a esse ponto. Quer dizer, sou chato, mas em outro sentido.

*****

Uma das únicas vezes em que o Zero bebeu foi na minha antiga república da Humaitá (hoje substituída por um prédio). O Jardim Higienópolis tem ruas com nomes de batalhas: Humaitá, Montese, Guararapes, Riachuelo, Paranaguá. Bastante adequado: era uma guerra, e das boas. Se nanana fosse granada e nanana fosse fuzil, a UEL estava preparada para armar o Brasil!

*****

Na Quinta Sem-Lei, recebemos a visita do ilustre Paulo Galvez, que ficará pela cidade sexta-feira. Grande figura, grande conversa. Boas histórias. Marcelo Rocha, o nariz, presente, finalmente; e Pafu, agora um homem casado.
Só sentimos a falta do Doutor Tanga. QSL sem Tanga (praia de nudismo?) é incompleta.

*****

Ontem fui entrevistar um médico aqui da cidade. Ele disse: “Pelo jeito, você era de esquerda e mudou”. Depois, o médico citou a frase que é do Churchill, se não me engano: “Quem não é socialista aos 20 não tem coração; quem continua socialista aos 40 não tem cérebro”.
É bem por aí. Claro que há exceções: muita gente é esperta o suficiente para descobrir a falácia da revolução aos 20 anos; e alguns caras inteligentes continuam comunas depois dos 40, por falta de opção, preguiça intelectual, comodismo ou vício.
Há os vigaristas, também. Mas esses não contam. Não estou falando deles.

O capuz e a vergonha

June 29, 2007
Isso aqui pinica bagarai.

Já fiz muita besteira na vida. Invadi reitoria, puxei coro em passeata, colei cartaz de madrugada, organizei assembléia, distribuí panfleto, redigi manifesto. Mas uma coisa eu nunca fiz: botar capuz.
No século passado, fazia-se movimento estudantil mostrando a cara. Mesmo na época da ditadura, quando a situação era bem mais complicada, que eu saiba ninguém cobria o rosto.
“O capuz é um símbolo de luta”, dizem os estudantes pós-modernos. Essa é boa! Todo mundo sabe que capuz é símbolo de terrorismo e bandidagem. Se a causa é justa, por que se esconder? Capuz é a estética do obscurantismo.
O grupelho que invadiu a Casa do Estudante é subproduto de uma cultura radical que, em última instância, justifica, quando não defende, as causas mais esquizofrênicas.
Pessoalmente, não sou um grande admirador do atual reitor da UEL. Acho-o espalhafatoso, às vezes meio truculento. É uma questão de estilo – e isso eu levo muito a sério. Embora não simpatize com o reitor, não deixo de reconhecer que algumas de suas atitudes são corretas. Fiscalizar o ponto no HU, por exemplo. Marçal pode até ter errado na forma, mas em essência o problema existe e deve ser corrigido. Com a segurança da UEL, a mesma coisa. Ou o reitor deve ficar de braços cruzados esperando a bandidagem tomar conta do campus? Isso não tem absolutamente nada a ver com a autonomia intelectual da universidade.
E o que os encapuzados da UEL reivindicam? Moradia gratuita. Não vejo sentido em oferecer guarida a uns gatos-pingados (que não chegam a 1% do total de estudantes da UEL), quando milhares de universitários têm que pagar para morar, exatamente como faz a maioria esmagadora da população brasileira. Moradia estudantil, em Londrina, há muito tempo é o privilégio de uma elite de coitadinhos.
A exigência habitacional dos encapuzados não nasceu por acaso; deriva de uma visão assistencialista e demagógica encastelada no ensino superior. A invasão da Casa do Estudante é uma ofensa a milhões de jovens que enfrentam dificuldades e trabalham duro para conseguir pagar seus cursos. Os encapuzados já têm universidade gratuita e comida barata – mas querem mais, muito mais. A UEL virou um saco sem fundo.
A universidade não pode ser vista como meio de vida e subsistência. O que se deve produzir ali é conhecimento, não assistencialismo. Mas os encapuzados, rebeldes que só eles, não parecem preocupados com isso. Afinal, “ser reprovado por faltas é uma coisa comum”.
Não è à toa que botaram capuzes: a invasão da Casa do Estudante é uma grande vergonha.
Vão carpir uma data!

- Crônica publicada hoje no Jornal de Londrina.

Tolentino, o lutador

June 27, 2007
Bruno Tolentino (1940-2007)

Morreu hoje o poeta Bruno Tolentino; acabei de ler a notícia. Só o fato de ter combatido a poesia concreta, o marxismo acadêmico e a histeria de Caetano Veloso já lhe era favorável. Mas ele fez mais, muito mais, em poesia e crítica.
Lamento não ter lido mais e melhor a obra poética de Tolentino. Conhecia-o bem como polemista e articulista.
Agora pretendo ler a poesia de Tolentino, da qual só conheço fragmentos. Pelo que dizem e percebi, ler a poesia do homem não é tarefa simples; era um espírito sutil e complexo. Começarei pela “Balada do Cárcere”, que ele escreveu quando preso na Inglaterra.
Quando perguntaram a Bruno Tolentino por que ele brigava com tanta gente ao mesmo tempo, a resposta foi na bucha: "Para ver se o pessoal cai em si e muda de mentalidade".
Em homenagem ao grande lutador, aqui vão alguns trechos do Bruno Tolentino polemista:

“O homem moderno está infelicíssimo com o cadáver de um rei inchado na barriga... É o cadáver do humanismo prometéico que há cinco séculos vem "nascendo" aos pedaços: o racionalismo, o ateísmo, o espiritismo, o positivismo, o cientificismo, o darwinismo, o marxismo, o impressionismo, o expressionismo, o dadaísmo, o surrealismo, o cubismo, o vanguardismo, o dodecafonismo, o comunismo, o fascismo, o stalinismo, o terceiro-mundismo, o existencialismo, o satanismo, o saddanismo, o bushismo, o budismo, o pacifismo, o peronismo, o cheguevarismo, o fidelcastrismo, o modernismo, o pós-modernismo, o nudismo, o pós-nudismo, o versolibrismo, o desconstrucionismo, a Marxilenaxuxauí, o Santo Daime e o Doutor Enéas, sem falar da USP e do pós-uspianismo...”
(setembro de 2003)

“A escola pública desapareceu. A fórmula de sobrevivência do país é a trilogia emprego público, de preferência com aposentadoria acumulada, condomínio fechado e plano de saúde. Esse é o apartheid construído por uma elite analfabeta e totalmente irresponsável que entregou nossa cultura. Nem estou falando da nossa classe média, que tem dinheiro para gastar em boates e shows e sair de lá gargarejando cultura.
(...)
O departamento de filosofia da Universidade de São Paulo nunca produziu filosofia nenhuma, não por inépcia ou preguiça, mas por um estranho espírito de renúncia parecido ao espírito de porco. Cultivavam a crença de que só poderia nascer uma filosofia no Brasil “ao término de um infindável aprendizado de técnicas intelectuais criteriosamente importadas”, como diz um professor de lá. Mais urgente do que filosofar era macaquear os debates dos “grandes centros” produtores de cultura filosófica. O que significava tomar o padrão europeu do dia como norma de aferição do valor e da importância do pensamento local. Imaginando ou fingindo preservar a mente brasileira de uma independência prematura, o que os maîtres à penser da USP fizeram foi apenas incentivar a prática generalizada do aborto filosófico preventivo. Não espanta que, por quatro décadas, o “rigor” (com aspas) uspiano não produziu outro resultado senão o rigor mortis de uma filosofia que poderia ter sido o que não foi.”
(março de 1996)

Pedro, Luiz e o paredón

June 26, 2007
Já teve barbudo melhor "neste país".

Termino de ler o bom perfil de D. Pedro II - "Ser ou não ser" - escrito pelo historiador José Murilo de Carvalho (Companhia das Letras, 276 páginas, R$ 39). Leitura agradável, fluente, livre de cacoetes universitários.
Pedro II foi um defensor intransigente da liberdade de imprensa. Era criticado ferozmente pelos adversários, mas nunca permitiu qualquer restrição aos jornais que o espezinhavam sem dó – sem mesmo deixar de lado a vida pessoal do imperador. Opinião, para o Pedrão, se combatia com opinião. E ponto.
É triste reconhecer, mas D. Pedro II tinha uma visão de mundo infinitamente mais democrática do que os esquerdistas ora governantes.
Nos últimos dias, li vários artigos em defesa do fechamento da RCTV na Venezuela. Citam “soberania nacional”, “oligopólios da comunicação” e “função social do jornalismo”. Tudo para defender o coroné Chávez.
Já disse – e repito: se essa gente pudesse, fecharia toda a imprensa (“burguesa”) e colocaria um Soviete Nacional de Jornalismo no lugar.
Quando o movimento republicano ganhou força, D. Pedro II disse: “Se não me quiserem como imperador, serei professor.”
Com Lula, é diferente. Se não o quiserem como presidente, ele aceita ser imperador.
O destino da imprensa livre no Brasil é o paredón.

Jogos Panacas

June 26, 2007
Cara, cadê o meu país?

Estou pra ver coisa mais chata e inútil do que Jogos Pan-Americanos. Até a parada gay me parece menos ridícula.
O que é que dá graça numa competição internacional? Tentar ganhar dos Estados Unidos e dos países europeus. Taí o legal nas Olimpíadas: todo mundo quer ganhar dos caras. E quem ganha é bom mesmo.
Por que tanto barulho em torno do Pan? O único país que conta realmente nas Américas – os EUA – envia ao Pan o segundo escalão de seus atletas, quando muito. Em muitos casos, vem o terceiro, o quarto, o quinto escalão.
Lembro-me de um Pan em que a “seleção” americana de basquete era formada pelos desempregados da NBA. Vexatório. O Pan só teria alguma graça com a presença dos Estados Unidos e não dos “Estados Unidos”. Pan sem o “país de merda” (para usar a linguagem dos nossos criptopetistas) é igual a Copa do Mundo sem o Brasil. Mais chato que dançar com a irmã.
O responsável pela delegação dos EUA fez um comentário que diz tudo: "Vamos trazer ao Rio as nossas equipes principais em várias modalidades, a exemplo do softbol, hóquei sobre grama e pólo aquático".
Softbol! Hóquei sobre grama! Pólo aquático! Ai, meu pâncreas.
Além de não ter graça nenhuma, o Pan é mera estratégia para esse governo de merda – agora, sem aspas – faturar dividendos políticos. E não me venham falar de turismo. Com o dinheiro que se está gastando nos Jogos Panacas, era possível fazer um investimento em segurança no Rio de Janeiro – e é isso que atualmente conta para o turismo.
Recentemente, atletas e artistas estavam se esbofeteando em Brasília. As duas catchigurias disputavam o direito de mamar nas tetas do governo. Minha proposta é um pouquinho diferente: privatizar o esporte e a cultura “neste país”.

Pobre homem médio

June 25, 2007
O homem médio é o sujeito mais solitário do mundo. Ele não é rico, nem pobre; nem jovem, nem velho; nem feio, nem bonito; nem militante gay, nem machão latino; não tem raça definida; não gosta de política; trabalha e paga impostos. Coitado desse homem.
Todo mundo tem uma ONG, um lobby, um sindicato, um clube, uma passeata, uma parada, uma comunidade, uma causa ou uma bandeira – só o homem médio não tem.
Ele dorme oito horas por noite; trabalha oito horas por dia; dedica-se à família e aos amigos no tempo que resta.
O pobre homem médio é chamado de playboy pela turma da periferia; é visto como zé-ninguém pela turma da corte; é classificado como medíocre pela turma da academia.
Não ganha bolsa-família, não ganha bolsa-banqueiro, trabalha cinco meses para o governo e os outros sete para pagar as contas. O homem médio não conta. Ele não tem amigos no Planalto nem gado em Alagoas.
O homem médio acredita em Deus, gosta da família, segue algumas tradições e, se sobrasse dinheiro no fim do mês, teria algumas propriedades. Mas o dinheiro não sobra; no máximo ele compra um Fiat Uno 1994 ou financia um apartamento pela Caixa.
O homem médio não pertence a nenhum partido; não abraça nenhuma ideologia; não defende nenhuma bagunça, não quer nenhuma revolução. É de paz, o homem médio. Não gosta de bandidos nem de políticos. O homem médio acha que o certo é certo. Mas sempre tem alguém para dizer que ele está errado. Afinal, quem ele pensa que é?
O homem médio não tem vez porque insiste em andar sozinho. Para a turma que manda, o sujeito só tem algum valor se pertencer a alguma coletividade. O mundo ficou adolescente!
Ligo a TV e vejo debates da mais absoluta insipidez: todos os debatedores pensam a mesma coisa – sempre algo diferente do que o homem médio pensa. Mas o homem médio tem um problema: fala pouco.
E dá-lhe ordem: não pode beber água; não pode tomar dois banhos; não pode andar de automóvel; não pode rezar; não pode contar piadas; não pode fumar; não pode beber; não pode comer gordura; não pode consumir; não pode falar mal do presidente; não pode falar mal do país; não pode se defender; não pode, não pode, não pode.
Tristes estes tempos em que o homem médio é o inimigo número um.

- Crônica publicada hoje no Jornal de Londrina.

Três notícias de jornal

June 22, 2007

1. Um rapaz entra na redação. Está aos prantos. Foi cobrar uma dívida, acabou espancado. Mostra um ferimento no antebraço; o agressor usou uma barra de ferro. Já foi à polícia? Já fez BO? O rapaz não pára de chorar.

*****

2. Hoje peguei um táxi no bosque. O motorista diz que eu pareço irmão do Nelson Capucho. Desconfio que ele bebe (o taxista, não o Capucho). O cara tem um carro muito velho. É um Santana? Não entendo de carro; não entendo de nada. Ao final da corrida, o taxista se despede: “Tchau, Capuchinho”. Não acho que eu me pareça com o Capucho, embora ele tenha escrito o prefácio do meu livro. Acho que sou o único escritor do mundo que não tem o próprio livro. Tchau.

*****

3. Tenho sobre a minha mesa a foto de uma garotinha de 1 ano com síndrome de Down. É uma linda criança; a foto é do amigo Walter Ney. Eis minha mesa de trabalho: uma foto da Rosângela, bonita demais pra mim; um cartão da querida Tia Jana (escrito em Paris); uma carta de Zé Bento (secretário de Mário de Andrade); um poema de Carlos Nejar; um poema do Herberto Helder; um poema de Paulo Henriques Britto; dois volumes de uma biografia do Victor Hugo que eu jamais vou ler; um crachá do Londrina Esporte Clube; duas imagens de São José; uma foto em que estou tocando violão no quintal da república; um adesivo onde se lê: NO AULA / YES PADOCA; uma foto de Marcelo Rocha participando de um protesto estudantil; duas fotos em que estou discursando numa assembléia da UEL. E também os fantasmas. Não sei como é que eu consigo trabalhar com tanto barulho.

Estou ficando velho (ou Notas de um tiozinho)

June 22, 2007

Isaac Newton, o físico da maçã, disse que o mundo vai acabar em 2060. Se vivo, terei 90 anos. Suficiente, não acham?
Mas não sei se vou durar até 2060 – pelo simples fato de que já estou ficando velho. E isso é mais inevitável que a lei da gravidade.
Estou ficando velho porque penso 50 vezes antes de ir ao Cabaré do Filo – e acabo não indo.
Música alta me ensurdece. Fumaça de cigarro me deixa com os olhos vermelhos. A música e a fumaça sempre estiveram lá, mas meus olhos e ouvidos mudaram; estão mais velhos.
Estou ficando velho porque não tenho mais ânimo para teatro de vanguarda. Às vezes, tudo que eu quero é uma peça ou filme que conte uma boa história com começo, meio e fim. (Por falar nisso, vocês notaram que nós já passamos do meio do ano? Ficar velho faz o tempo passar mais rápido.)
A cada manhã eu me sinto mais conservador. E nas manhãs de domingo tudo que eu quero é ler os editoriais do Estadão. Sinto-me idoso quando me recordo perfeitamente do tempo em que a cantora Sandra de Sá não havia ido ao numerólogo e era apenas Sandra Sá, sem o “de”.
O amigo Capucho diz que a gente está ficando velho quando geme para entrar e sair de automóveis. É o meu caso. Problema de veia. Veiera.
Sempre fui meio velho, mesmo quando jovem. Lembro que o pessoal gostava de ir para Sapopema na época da faculdade; eu sempre arrumava uma desculpa para não ir. Quando a idade chegar de verdade, serei mais velho que o rascunho da Bíblia.
Estou ficando velho sem nunca ter sido adulto. Acho que, na verdade, sempre fui crianção. E tem alguém mais criança do que velho?
Gosto de estar ficando velho. Desde os 20 anos tenho fios de cabelos brancos; desde os 25 tenho alguma barriga; desde os 30 fui ficando liberal.
Barriga faz mal; liberalismo faz bem; cabelos brancos não fazem nada. Ficar mais velho é apenas um outro nome de viver.
Se algo cair em cima do meu nariz, saberei que é apenas a lei da gravidade (ou a pontaria de uma pomba). Não acredito que o mundo vá acabar tão rápido quanto prevêem os ecologistas do apocalipse. Para falar a verdade, estou achando que esse aquecimento global anda meio frio. E, mesmo que o Newton tenha razão, ainda falta muito tempo para 2060. Até lá, vamos aproveitar. Mas sem música alta, por favor.

- Crônica publicada no Jornal de Londrina.

Mercosur

June 21, 2007

A Argentina (ora governada pelo frita-o-peixe-e-espia-o-gato) é um país mais sério que o Brasil. É o país de Borges, Bioy Casares e Sábato.
Mas lá também tem gente chata e sem noção. Maradona é apenas um exemplo.
Hoje li a entrevista de uma rapper argentina. Isso mesmo: tem rap na Argentina.
O nome da moça é Alika. Quando o repórter lhe pergunta sobre ideologia, eis o que a rapariga responde:


“Minhas referências ideológicas são todas as pessoas que lutaram pela liberdade: Hailé Selassié, Marcus Garvey, Patrice Lumumba, Che Guevara, Malcom X, Angela Davis, Kwame Krumah…”


Além de rap ser a música mais chata do universo, a garota cita como defensores da liberdade um ditador que reinou por 44 anos e se considerava um deus (o imperador Hailé Selassié, da Etiópia) e um carniceiro socialista (a autodenominada “máquina de matar” Ernesto Che Guevara).
É. A terra da prata já foi bem melhor...

A bunda pensante

June 20, 2007

Uma das características do radical esquerdista moderno é pensar com a bunda. Por ser tão familiarizado com essa parte da anatomia, ele freqüentemente acusa seus adversários de querer “dar a bundinha”.
O socialista do século XXI é assim: projeta suas fantasias e frustrações sexuais no adversário. No universo mental do esquerdofrênico, quem não pensa igual a ele é viado enrustido.
E ai de quem ousa ser cordial ou civilizado no debate: além de direitista e viado, será chamado de hipócrita.

Autodemissão

June 20, 2007
Durante um mês, ocupei interinamente a chefia do jornal em que trabalho (atendendo a um pedido pessoal da chefe titular, minha amiga). Hoje, com grande alívio e contentamento, voltei a ser um reles repórter de província.
Neste período atípico, consegui resistir à tentação de me demitir por justa causa. Mas seria engraçado, não? o Briguet chefete demitindo o Briguet subordinado. Vida de nego é difíci.

Os ecochatos querem dominar o mundo

June 20, 2007
Sinceramente, essa pregação ecológica está enchendo o saco.
O que os ecochatos dizem? Não beba água; não emita carbono; não conte piadas homofóbicas; não ande de carro; não fume; não coce o saco; não dê esmola; não fale alto; não se divirta; não consuma; não tome banho demorado; não faça sexo sem camisinha; não compre transgênicos; não ofenda a camada de ozônio.
Tudo que é bom, para eles é merda.
Puta que o pariu! Essa gente não trepa, não? Não trabalha? Não tem uns bacuris pra criar? Não cansa?
A ecologia é a mais recente desculpa para acabar com o capitalismo. O capitalismo é um sistema intrinsecamente revolucionário, já dizia Marx (e só sobrevive porque se auto-revoluciona); sendo assim, uma parte do setor produtivo está incorporando tal discurso intrinsecamente equivocado (pelo simples fato de que dá grana falar mal do capitalismo, mesmo quando você é capitalista).
Salvar o planeta não é tarefa para meia dúzia de ecologistas babacas. Salvar o planeta é uma questão de desenvolvimento tecnológico, algo que só será conquistado com a expansão e o fortalecimento da economia de mercado.
Mas não é assim que pensa a maioria dos países-membros da ONU – de onde meu amigo Marcião costuma retirar fotos para “incriminar” o capitalismo.
O recente relatório apocalíptico sobre o “aquecimento global” foi assinado por “cientistas” desses países, gente que odeia o capitalismo e quer a todo custo criminalizar a economia de mercado para continuar mantendo estruturas de poder oligárquicas. Esses vigaristas pseudo-ambientais querem continuar vampirizando os famélicos antes que o mercado chegue, pelo simples fato de que o mercado costuma valorizar méritos e não tribos.
E, se algum culpado houver, são os Estados Unidos. Esse “país de merda”.
Esquerdistas, ecologistas e terceiro-mundistas: dêem-se as mãos. Definitivamente, vocês se merecem.

Oração à Nossa Senhora dos Bares

June 19, 2007

Nossa Senhora dos Bares,
protegei estes lugares
onde nós vivemos tanto.

Protegei-nos na saída,
para que não nos assaltem,
não nos acabem com a vida.

Protegei-nos na entrada
para que a cerveja seja
sempre farta e gelada.

Protegei-nos da cirrose
que lança a sua sombra
no luzeiro de outra dose.

Nossa Senhora do Fogo,
protegei-me se balanço
como oscila o mundo todo.

Nossa Senhora da Água,
não deixeis que a ressaca
seja sempre a minha paga.

Nossa Senhora e Menina
não deixeis que jamais falte
o pão, o copo, a Neosaldina.

Sem impedimento

June 18, 2007
Ela Bota Fogo na galera.

A bandeirinha ana Paula vai posar para a Playboy.
Já tenho um slogan para a edição: Ana Paula, em posição legal.
Por quanto vendo a idéia?

Salve nosso planeta. Mas não me chame

June 18, 2007
Leio que Isaac Newton previu o fim do mundo para 2060. Bom, se vivo, estarei com 90 anos; é uma boa data. Depois da curva dos 90, se o elemento pega uma gripe, é prudente hospitalizá-lo. Fins do mundo costumam ser mais fortes do que gripes.

*****

No banheiro do hotel, um recado para os hóspedes:

“Salve nosso planeta. Todos os dias, milhares de toneladas de detergentes e milhões de litros d’água são usados para lavar toalhas que foram usadas apenas uma vez. A escolha é sua. Se, ao usar a toalha, quiser que ela seja lavada, deixe-a no chão. Toalha no toalheiro significa: `Vou usá-la mais uma vez´.”


O que me chama atenção no texto, além da irrelevância prática, é a primeira frase: “Salve nosso planeta”. Achei que essa frase se limitaria a ser pronunciada por presidentes dos Estados Unidos em filmes de super-heróis. A demagogia ecológica não tem fim.

*****

Na São Paulo Fashion Week, uma dessas garotas esquálidas (vara de cutucar estrela) distribui copinhos de água mineral para o público. Detalhe: os copinhos têm apenas um quarto do volume de água habitual. E por que isso? Salve nosso planeta. Ah, passa amanhã.

*****

Quer salvar o planeta? Comece dando um bom prato de arroz e feijão para essas vítimas do Holocausto que desfilam na Fashion Week.

*****

Quer dizer que tem dinheiro público na Parada Gay? Coisa feia, rapazes. Não basta ser viado; tem que ter uma boquinha no Estado.

Mais por fora que braço de caminhoneiro

June 16, 2007
Escrevo este post diretamente da São Paulo Fashion Week. Não, eu não virei viado. Estou acompanhando minha noiva, que é jornalista especializada no assunto. (Por sinal, o blog em que ela escreve é ótimo. Sou suspeito pra dizer, mas foda-se.)
Enquanto ela vai lá ver o desfile, e como não encontrei nenhum boteco pelas redondezas, eu fico aqui escrevendo num cyber vascaíno.
Tenho sorte de ter conseguido um lugar no cyber. Bati perna mais de um quilômetro, zanzando pela Fundação Bienal, e não vi nenhum banco. Nenhum mísero banquinho! Comprei um livro sobre o D. Pedro II e tive que ficar lendo em pé, encostado na parede (lembrem-se que o lugar é perigoso) até liberarem um lugarzinho no cyber. Parangolé chato. Mas o amor compensa.
Minha sina é visitar a Fundação Bienal e me sentir mais por fora que dedão de franciscano, mas deslocado que ombro de motociclista em convalescência (copyright Rubão para a do franciscano e a do caminhoneiro; vocês podem perceber que a minha comparação é mais fraca, bolei agora).
Há uns cinco anos, estive numa Bienal de Artchi. Uma enganação do princípio ao fim. Cumé que podem gastar dinheiro numa picaretagem daquelas? Aposto que tinha dinheiro da Petrobrás. Meu Deus, quando é que nós vamos privatizar a Petrobrás e, de quebra, uns 457 cineastas e 839 artistas brasileiros?
Em comparação com a Bienal de Artchi, a Fashion Week me parece um negócio mais profissional - ao menos um pouquinho. Faz-se dinheiro, e isso é bom (menos para meus leitores esquerdistas juvenis).
Claro que tem as mulheres esquálidas, com aquelas pernas de bambu. Obviamente, os organizadores da coisa toda o-dei-am mulheres de verdade.
A vida é Drury´s. Campari as coisas!

Camilo Cienfuegos na Viação Garcia

June 16, 2007
Engraçado. Sites de Cuba terminam em cu.

Vim para São Paulo. De ônibus, é claro, porque além de pobre estou economizando pro casório.
Curioso como na poltrona ao lado nunca senta a Natalie Portman. Nesta viagem, meu vizinho de lugar foi o Che Guevara. Não, pior: pelo boné de campanha, a barba comprida e o rosto magro, lembrava mais o Camilo Cienfuegos, companheiro de Castro e Guevara em Sierra Maestra, morto em circunstâncias misteriosas.
Mas o Camilo Cienfuegos da Viação Garcia parecia vivo, ou algo próximo disso. Conversava com um companheiro de lutas sentado na outra fileira. O papo era repleto de clichês esquerdóides: “É uma contradição”; “Tentei encaminhar a assembléia”; “Ela não podia ocupar lugar na mesa e ficar dando as diretivas”; “Ela ficou brava porque eu disse que era uma atitude tipicamente conservadora”; “Nesse momento ela citou Rosa Luxemburgo” – e assim por diante. Logo percebi que Camilo e seu camarada falavam mal de uma conhecida trotskista de Londrina, Soraia. (Lembrei daquele samba do Itamar Assumpção: “Eu quero que você saia / Depressa da minha praia, Soraia!”)
Essa moça, acompanhada de meia dúzia de lunáticos, defende a “estatização” do transporte coletivo em Londrina, entre várias outras idéias bizarras. Por que é odiada pelo Camilo Cienfuegos? Porque esquerdista é assim: adora uma cisão. Quando acontece uma cagada - e sempre acontece -, fica fácil dizer que a culpa é do outro grupo, da outra tendência. Sei disso, porque já fui comuna um dia (só não deixei crescer a barba porque ficaria mais parecido com Jeca Tatu do que com Che Guevara).
Pois então. De manhã, quando fui pegar as malas, percebi que Camilo Cienfuegos e seus companheiros levavam colchonetes. Estariam indo acampar? Mais ou menos isso: logo percebi que o destino dos caras era a Reitoria da USP, atualmente tomada por um grupelho de estudantes “radicais” que correspondem a menos de 0,5% da comunidade estudantil universitária. De meia dúzia em meia dúzia, os Camilos Cienfueguitos de todo o Brasil pretendem dar um clima heróico a essa invasão ridícula e sem sentido. (O revolucionário pé-vermelho deve estar doidinho pra invadir a Reitoria da UEL assim que possível. Já estive por lá - e muito me envergonho disso - em 1990. Não é confortável.)
Ah, e o Camilo Cienfuegos ronca. Nesse ponto, socialismo e liberalismo são iguais. Natalie Portman que é bom, nada.

Quase sempre tenho um sonho

June 14, 2007
Olho pra foto do meu avô
e me vejo.
Escuto a voz de meu pai
e me ouço.

No bar, tenho sono.
Na cama, tenho sede.
Em casa, tenho dor.
Na rua, tenho medo.

Quase sempre
tenho um sonho:
tento escrever
e não consigo.
Ou cometi um crime,
um homicídio.
Acordo aliviado:
é a vida normal.
O meu pior pecado
é o original.

Conto umas piadas,
canto e desafino,
imito o presidente,
rio no chuveiro.
Assim é minha vida,
o tempo inteiro.

O coração é um músculo

June 13, 2007
O coração é um músculo sedento de sangue. É um vampiro com insônia permanente. O coração não tem cor; é cor.
O coração é a terceira mão que Deus houve por bem deixar interna. É o próprio Deus instalado em nós como possibilidade. O coração é o telégrafo do Criador. Ouve.
Maiakovski escreveu sua última carta com sangue. Ele dizia ser todo coração (“Em mim a anatomia ficou louca”). Toda e qualquer palavra deveria ser escrita com sangue, ou então calar. “Se tem algo a dizer, dê um passo a frente e cala a boca.” Kraus tinha coração.
Meu coração bate mais forte quando você está perto. (Quantos maus poetas já não disseram isso: Meu coração bate mais forte quando você está perto? Mais um, agora.) Se você ri ou chora, meu coração verte tanto sangue que poderia manchar do Alasca à Patagônia. Meu coração é uma pequena Arca de Noé em dilúvio de sangue. Nele vivem todos animais – e eu, Noé, um rei bêbado sem reino.
Tudo que existe é demência do coração. Somos árvores do coração. Ele é cerne, semente e sentido. O coração é a máquina mais perfeita da natureza. É a vida involuntária. É a missa de Bruckner, a sonata de Bach. É o irmão do tempo; desconfio que o coração e o tempo sejam a mesma pessoa, como aquela moça da novela. O coração é tosco – é um músculo. O coração não nega, mas também não afirma.
Logo vai nascer uma criança, e ela terá um coração. Que já bate. Ouve.

Morrer é uma arte

June 13, 2007
Não! Ela de novo nããããããão!

Morrer é uma arte.
Morrer, acordar de ressaca,
dormir à tarde,
faltar ao trabalho,
telefonar de madrugada,
tudo isso é uma arte.
Dormir de sapatos,
no sofá, TV ligada,
puta arte.
Adiar planos é uma arte.
Desprezar a falência,
desprezar o Inferno,
ir e voltar ao Inferno,
ter sangue de barata
e sede de camelo,
tudo isso é uma arte.
Viver por etapas,
sendo que umas
são iguais às outras,
fina arte.
Acabar com tudo,
taí uma arte.
Ir embora bêbado,
acordar bêbado,
dançar sozinho,
dormir no boteco,
é preciso ter um dom,
é preciso persistência,
é uma arte.
Ouvir a Denise Stoklos
dizer que viver é uma arte
é uma arte.
Viver não é uma arte, saco.
Morrer é uma arte.

O mal

June 13, 2007
I am your father!

Uma coisa (entre várias) meu velho (ateu, agnóstico, não importa) me ensinou. Se alguém comete uma injustiça das brabas contra você, pense que o cara pode estar passando por um mau momento. Sei lá; o sujeito pode ter perdido a mãe, recebido um diagnóstico de câncer cavalar, estar com dor de dente.
Eis o verdadeiro sentido do “dar a outra face” cristão: a maior vingança é expor a natureza absurda do mal.

Valeu, Marcião

June 07, 2007
Existem dois tipos de coisas na vida: as fundamentais e as outras.
É claro que as minhas “Idéias para um choque liberal” (ver abaixo, se tiver paciência) estão entre as não fundamentais. A política, em geral, é um saco e irrelevante.
Por isso, meu caro Marcião, eu fico contente por você ter feito um post só para contestá-las. Já disse e reafirmo que gosto de você; você é um cara essencialmente bom, embora equivocado. Tirando as pequenas ofensas e mentiras (do tipo “Prestou concurso público e não passou”, “puxa-saco de patrão” e “ridículo”) e os velhos clichês da esquerda, vejo que concordamos em vários pontos. Talvez o liberalismo não esteja assim tão longe do que você pensa. Estude-o um pouco mais – e verá.
Só o fato de que botei você pra pensar, Marcião, já valeu o escrito.
Voltemos à nossa programação normal (pseudices, pseudices).

Eta, Londrina! Véia de guerra

June 06, 2007
Hoje recebi um e-mail curioso da assessoria do prefeito Nedson Micheleti (PT):

"O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, informa que todos os procedimentos adotados pelo Município na instalação da loja do SuperMuffato, na Avenida Madre Leônia Milito, seguiram rigorosamente o que prevê a lei. Ele ressalta que o Município agiu da mesma forma quando foi baixado o decreto de utilidade pública do terreno do antigo Colossinho, pleiteado na época pelo Grupo Wal Mart. Ou seja, respeitando todos os critérios legais.
Nedson Micheleti acrescenta que vai responder todos os questionamentos apresentados pelo Ministério Público, esclarecendo detalhadamente como foi a atuação da administração municipal."

E mais não digo porque é só o começo.

Idéias para um choque liberal

June 06, 2007
Tudo isso é muito chato... Mas fazer o quê? Só leia se estiver com paciência.

1. Acabar com a estabilidade do funcionalismo público.
2. Acabar com a unicidade sindical (patronal e trabalhista).
3. Estabelecer votação secreta para propostas de greve (Como dizia Delfim Netto antes da senilidade: “É impossível demonstrar o teorema de Pitágoras numa assembléia”.)
4. Adoção de critérios de eficiência e produtividade no funcionalismo público.
5. “Desestatização” de faculdades particulares (fim dos benefícios públicos ao ensino privado).
6. Fim do ProUni. (Na verdade, esse programa é um bolsa-miséria universitário; usa dinheiro do estado para financiar cursos de má qualidade).
7. Estímulo às fundações de pesquisa nas universidades públicas. (É preciso que a universidade e o mercado se integrem cada vez mais, até que se elimine o cordão umbilical entre estado e ensino superior.)
8. Fim do diploma obrigatório para profissões humanistas (jornalismo, direito, letras, história, ciências sociais, serviço social e artes).
9. Estímulo prioritário ao ensino básico, médio e profissionalizante.
10. Extinção das leis de incentivo fiscal à cultura.
11. Redução de vagas nas universidades.
12. Fim da política de cotas.
13. Retomada do programa federal de privatizações.
14. Fim da hegemonia do construtivismo no ensino básico, médio e profissionalizante.
15. Cumprimento da lei federal que impede reforma agrária em áreas invadidas.
16. Redução da carga tributária e substituição do imposto de renda por um imposto sobre o consumo.
17. Reforma trabalhista para desonerar o empresário contratante.

Alô, Lênin

June 05, 2007
Ola?

Ontem li no jornal a incrível história do ferroviário polonês que entrou em coma antes da queda do Muro de Berlim. O homem ficou 20 anos inconsciente e acordou há pouco tempo. Quando o capiau pegou no sono, o comunismo ainda imperava no Leste Europeu. Lech Walesa era um dissidente do regime de Jaruzewski. A URSS era uma superpotência.
Agora, o ferroviário acordou numa Polônia diferente, governada pela direita. Nos mercados, uma grande variedade de produtos – muito diferente dos cinzentos armazéns comunistas, conhecidos pela escassez.
História parecida acontece com o filme “Adeus, Lênin”, em que uma alemã entusiasta do comunismo entra em coma poucos dias antes da queda do muro. Quando ela acorda, já não existe mais a separação entre Alemanha Oriental e Ocidental. Os mandatários comunistas estão sendo processados por corrupção, desmandos, crimes de toda ordem.
A diferença entre os dois casos – o do cinema e o da realidade – é que a funcionária alemã gostava (ou pelo menos parecia gostar) do comunismo; o ferroviário polonês, evidentemente, é e era anticomunista (a exemplo da maioria esmagadora das populações do Leste Europeu).
Mas, aqui do outro lado do mundo, rapazes e raparigas ainda acreditam em socialismo, comunismo e outras aberrações. Nem precisaram entrar em coma! (Ao menos do ponto de vista físico.)
São as viúvas tropicais de Marx, Lênin e Che Guevara; acreditam que os males do mundo são causados pelo demônio-capitalismo. Nos chamados "movimentos sociais", esse tipo de enfermidade é uma praga. Há muitas décadas, o funcionalismo público virou foco da doença.
O coma intelectual socialista é tragicômico: para os pacientes afetados por esse mal, a mão daquele “país de merda” situado ao Norte está por trás de todas as sacanagens e misérias do planeta. (Com a ajudinha mefistotélica da Rede Globo, é claro.)
Comatosos socialistas do mundo, uni-vos! Hugo Chávez e Lula vos esperam.

Os nomes do medo

June 04, 2007
O medo anda de táxi, o medo anda de ônibus, o medo anda a pé. O medo não pára no sinal vermelho à noite, com medo de ser assaltado. O medo é encontrar a bala perdida.
Medo é o nome do nosso anjo da guarda, a única proteção que nos restou. O medo é o dinheiro que reservamos para o assaltante; é a cerca elétrica; é o muro cada vez mais alto, cada vez mais alto, cada vez mais alto. Um dia o medo vai construir uma Torre de Babel.
O medo é a senha para entrarmos e sairmos de casa. O medo é a certeza de abandono federal, estadual e municipal. O medo é o governador dizer que está tudo certo; é o prefeito dizer que não tem nada com isso.
O medo está em todos os pontos cardeais: zona norte, zona sul, zona leste, zona oeste. O medo é o centro. O medo é a rosa-dos-ventos.
O medo vê a polícia dizer que não parou na vaga dos deficientes, quando poderia simplesmente pedir desculpas.
O medo vê um bando de estudantes impedir uma audiência pública. O medo vê um magnífico reitor bater na mesa com o jornal. O medo vê a torcida agredir um repórter. O nome do medo é legião.
O medo vive no escuro do Zerão, na beira do lago, na saída do restaurante, na entrada de casa, na fila do banco, no dia de pagamento, no Calçadão. O medo é vendido na fila dos supermercados, nos gabinetes municipais e nos projetos de lei. O medo é colossal, é leonino é militante. O medo é um fato. O habitat do medo é o mundo.
E se eles roubam dízimo na igreja; e se eles roubam fios de cobre; e se eles roubam alças de túmulos; e se eles roubam antenas de carros; e se eles roubam os carros; e se eles roubam os donos dos carros; e se eles roubam a rua, a casa, o terreno e a calçada – jamais conseguirão roubar o medo.
O medo é nosso único refúgio, a nossa extrema forma de comunicação. O medo faz lembrar que estamos vivos. O medo é o irmão gêmeo que anuncia a coragem. O medo é o pressuposto da coragem. Admitir a existência do medo – deste medo onipresente – é o primeiro passo. De quê? Não sabemos. Mas é o primeiro passo.

Espírito de porco

June 02, 2007
Caravaggio - Crucificação de São Pedro

És o conteúdo original das nossas formas imperfeitas ou a forma ideal dos nossos conteúdos falhos? Disse o homem: “O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel”. O tempo seria, pois, o instante da eternidade? Não sabemos; nada sabemos. Apenas imaginamos: o dom do tempo é passar e o dom da eternidade é permanecer.
Disse também o homem: “Parai tudo que me impede de voltar ao sono iluminado que Deus me deu antes de me criar”. Seria – permita-me abusar do futuro do pretérito – o sono o modo imperfeito da morte? Se sim, e especulamos que sim, Tua presença seria o sonho da morte.
Só por amor acordamos, só por amor dormimos. Tudo que não é amor é obra de quem divide, obra daquele que disse: “Meu nome é legião. Somos muitos”. E, à Tua ordem, os espíritos malignos deixaram o homem e tomaram os porcos, que enlouqueceram e se precipitaram no abismo. Daí, a expressão espírito de porco.
A eternidade é o contrário do abismo: a morada indivisa do amor.