Repórter das Coisas

A selva de Florestan

Votei em Florestan Fernandes para deputado federal em 1990. É uma das minhas maiores vergonhas. Com sua vasta obra sociológica, ele abriu caminho para os Emires Sáderes da vida (que hoje dominam a academia), e ainda lançou as bases para o racismo politicamente correto das cotas e da ministra de Lula (essa propagadora do ódio racial).
Lembro-me de um debate na UEL, em 1989. Florestan veio a Londrina representando o então candidato Lula. Era um homem simpático; capitalizava a figura do velhinho radical. Mas o seu legado é assombroso.
Para os fãs de Florestan Fernandes, fiz uma visita aos meus alfarrábios e selecionei três pensamentos do trepidante sociólogo (que Deus o tenha):

“A transformação proletária da ordem dificilmente pode atravessar pelos caminhos da continuidade política e da ação parlamentar. A luta de classes procede com violência a partir de cima. A réplica é posta no mesmo plano pelos de baixo, através da violência institucionalizada ou não.”

“A revolução total dentro de uma sociedade capitalista num dado momento tem que se tornar luta armada. A questão é considerar a oportunidade da luta armada. Até agora não houve nenhum exemplo de que as classes que possuem o capital e o poder tenham cedido suas posições de controle do Estado, da sociedade e da economia de forma pacífica.”

“Lá [nos países socialistas, em 1986] o governo está numa prolongada estabilização de um estágio que é o da dissolução da herança recebida das sociedades capitalistas.”


Nos dois primeiros trechos, Florestan pura e simplesmente faz a justificativa da carnificina. São mensagens de ódio dirigidas aos adversários do socialismo. Mensagens que se tornam tanto mais assustadoras na medida em que o PT, partido que Florestan ajudou a criar, está no poder. Medo, muito medo.
A terceira frase, três anos antes da queda do Muro de Berlim, sustenta que as abomináveis tiranias do Leste Europeu eram esplêndidas. Tudo que havia de ruim nelas – o Estado policial, as mortes, as torturas, a corrupção e a pobreza generalizada – era “herança do capitalismo”. Quarenta anos depois da Cortina de Ferro, Florestan ainda acreditava (ou, pior, dizia acreditar) que os países socialistas eram o futuro da humanidade. Se havia alguma coisa por lá, ah, a culpa era desses maldosos porcos capitalistas.
E o pior é que tem gente pensando assim ainda hoje. Só mesmo no Brasil para Florestan Fernandes ser considerado um gênio.

Publicado em 22 de maio de 2007 às 12:20 por briguet

Comentários

    • Há os que pregam contra, há os que pregam a favor, assim como há os que dormem quando tem coisas interessantes acontecendo enquanto outros escrevem sobre elas. O duro é ter vergonha de ter dormido ou de ter pregado depois que acabou e escrever quaisquer maltraçadas com o rabo entre as pernas...
    • por matusalem
    • 22.Mai.2007 às 14:11 - Permalink - Reportar
    matusalem
    • Você está sugerindo que eu estou com o rabo entre as pernas, garoto? Mas eu não faço outra coisa a não ser falar o que penso...
    • por briguet
    • 22.Mai.2007 às 15:00 - Permalink - Reportar
    briguet
  1. matusalem
    • O Briguet se acha muito experiente mesmo. Pô, chamar a gente do vaca de garoto, tudo bem, whatever... mas Matusalém?!?
    • por reverendo thomas heat
    • 22.Mai.2007 às 15:15 - Permalink - Reportar
    reverendo thomas heat
    • Pois é. Ele nasceu na Era Paleozóica, e eu no Pré-Cambriano. Ou o contrário. Nunca sei. "Garoto" é um tratamento carinhoso.
    • por briguet
    • 22.Mai.2007 às 15:22 - Permalink - Reportar
    briguet
    • Florestan sempre foi o fantasma que me assombrou durante os anos de faculdade. Na verdade, ele não me assobrava, mas seu espirito vagava, com seu típico português ruim e obscuro, pelos corredores da FFLCH levantando a saia das meninas e colocando tachinha na cadeira dos professores.
      Tive um série de professores que o admiravam não sei por quais tantas belas razões, outros, não podendo ir além das críticas estilisticas para não provocar a sensibilidade dos devotos, limitavam-se a comentar que nunca o compreenderam e se calavam. Mesmo morto Florestan reinava e oprimia todo mundo dentro daquela merda.
      Ah, Florestan, bela besta!
      No falecido blog havia um texto sobre ele, acho que vou revive-lo.
    • por grimaldo
    • 22.Mai.2007 às 18:22 - Permalink - Reportar
    grimaldo
    • PAULO BRIGUET & GRIMALDO
      X
      ANTONIO CANDIDO DE MELLO E SOUZA

      Só mesmo no Brasil para Florestan Fernandes ser considerado um gênio.
      Paulo Briguet.

      Ah, Florestan, bela besta!
      Grimaldo.

      “A obra sociológica que construiu é das mais importantes do mundo contemporâneo.”
      Antonio Candido.

      “É com emoção e respeito que associo, como velho amigo e admirador irrestrito, a esse preito ao maior cientista social que o Brasil já produziu.”
      Antonio Candido.
    • por Macunaíma.
    • 22.Mai.2007 às 23:52 - Permalink - Reportar
    Macunaíma.
    • Antonio Candidooooooooooooooooo.
    • por Ci, mãe do mato.
    • 23.Mai.2007 às 07:38 - Permalink - Reportar
    Ci, mãe do mato.
  2. Piaimã.
    • Grimaldoooooooooooo
    • por Venceslau Pietro Pietra.
    • 23.Mai.2007 às 07:49 - Permalink - Reportar
    Venceslau Pietro Pietra.
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