Repórter das Coisas

O sangue dos inimigos da Revolução

Dois amigos da Revolução.

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Na União Soviética, por volta de 1938, Kruschev encontrou Iejov, chefe da polícia stalinista, numa reunião de governo. O futuro premiê comunista (ele próprio um assassino de marca maior) percebeu que as mangas da camisa do camarada estavam sujas de vermelho. Cinicamente, perguntou: “O que é isso?” Iejov respondeu: “Isso é o sangue dos inimigos da Revolução”. Estivera antes numa sessão de torturas na famosa prisão Lubianka, marco do terror bolchevique. (Op. cit para os acadêmicos: “Stálin, a corte do czar vermelho”, de Simon Sebag Montefiore).
Numa estimativa conservadora, o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas no século XX. Mais do que nas duas guerras mundiais somadas (10 e 50 milhões de mortos, respectivamente). E ainda tem gente acreditando nessa praga. Quem tem a foice e o martelo estampados na testa leva também – conscientemente ou não – um Himalaia de cadáveres no espírito.
Quando alguém usa a expressão “referenciais teóricos”, eu fico em dúvida se dou uma gargalhada ou me entrego a um exercício de compaixão. Trata-se de um academicismo lingüístico, da mesma família do “a nível de”, “inserido no contexto”, “questão de ordem”, “vamos estar fazendo um fichamento” e “decisão tirada em assembléia soberana”. Uma das características do comunismo, apontada por George Orwell em “1984” e “A Revolução dos Bichos”, é o esvaziamento da linguagem. A Novilíngua do Grande Irmão.
Agora, quando esse “referencial” teórico consiste em José Paulo Netto, Octavio Ianni e Florestan Fernandes, aí começam a me doer simultaneamente o estômago e os bagos. São três representantes do marxismo mais pútrido e mistificador – majoritário na universidade brasileira – que acabou por gerar essa excrescência chamada Lula (a democrática e popular íngua de calombo que temos por presidente).
Um parágrafo de Milton Friedman é mais interessante e esclarecedor que as obras completas de José Paulo Netto e Florestan Fernandes. Este, quando ajudado por Júlio de Mesquita Neto, durante o regime militar, disse ao dono do Estadão que não teria a mesma atitude com ele caso a revolução socialista fosse vitoriosa no Brasil. É a atitude de um fanático semelhante aos nazistas (por sinal, qualquer historiador sério sabe que nazismo e comunismo fazem parte do mesmo processo histórico, fato evidenciado por Ribbentrof e Molotov).
Há comunistas honestos? Há. Há comunistas inteligentes? Há. Mas, como disse um gaiato liberal, o problema é que os honestos não são inteligentes e os inteligentes não são honestos. Marxistas tupiniquins como Octavio Ianni escrevem tão mal e dizem tanta asneira que, mesmo no campo comunista, um texto de Issac Deutscher, Trotsky ou Bukhárin está a anos-luz em termos de qualidade e suportabilidade. (Quanto a Fernando Henrique Cardoso, sua obra teórica é de uma mediocridade a toda prova, o que o levou a ser citado no imperdível “Manual do Idiota Latino-Americano”. Depois, mais velho, FHC tomou juízo e realizou, mesmo com essa sigla de defensivo agrícola, um dos melhores governos da república. Graças a Deus, esqueceu o que escreveu – ainda que não tenha dito nunca aquela famosa frase.)
Comunismo e carnificina se tornaram sinônimos ao longo do século XX. Para ficar num exemplo latino, basta citar Che Guevara – esse mito-mico incensado pela esquerdinha brasileira –, que assassinou pessoalmente, em 1959, dezenas de opositores da ditadura castrista na prisão de La Cabaña (a Lubianka de Cuba). Outro ser abominável cultuado pelas esquerdas é esse Carlos Lamarca, que matou um jovem soldado a coronhadas, no Vale do Ribeira, nos anos 70 (fato narrado com detalhes pelo insuspeito Jacob Gorender, em “Combate nas trevas”). Dê poder a um sujeito como Lamarca – ou Ianni ou Florestan ou, para citar um caso vivo e ativo, Stédile – e você verá o que é bom pra tosse. São tiranos em potência, com a sede de sangue que caracteriza a foice e o martelo.
O anarquismo camisa preta – que eu diferencio do anarquismo conservador, ou neoconservador – sempre foi bucha de canhão do terror comunista. A história já era assim em 1917. Ou alguém acha que Lênin, Trotsky e a canalha bolchevique toda chegaram ao poder sozinhos na Rússia? Nada disso. Tiveram a diligente e estúpida colaboração dos sociais-revolucionários, anarquistas e mencheviques “de esquerda”. Foram todos mortos por Stálin nos anos 30, mas antes prestaram vários serviços sujos em nome da Sagrada Revolução. E continua sendo assim.
Campari as coisas. A vida é Drury’s.

*****

Leitura recomendada: “O livro negro do comunismo”, organizado por Stéphane Courtois. Empresto.

Publicado em 18 de maio de 2007 às 11:20 por briguet

Comentários

  1. matusalem
  2. reverendo thomas heat
    • exercícios de retórica como esse causam-me uma profunda Adorno Habermas. o mundo é, foi e será dos filhos da puta, sejam eles de qualquer marca. o simples fato de tomar uma "ideologia" ou "religião" como verdade já transforma qualquer ser humano em um.

      e você, briguéte, é um tremendo filho-da-puta simpático.
    • por entusiasta da gordura
    • 18.Mai.2007 às 13:03 - Permalink - Reportar
    entusiasta da gordura
  3. flipper
    • eu só quero esclarecer que não sou eu o "entusiasta da gordura". Como todos sabem que eu sou, de fato, um entusiasta da gordura, nego pode fazer alguma relação errônea.

      Além disso, eu jamais diria tais palavras. Não acho o briguet simpático.
    • por Rev, tem piada que não dá pra perder!
    • 18.Mai.2007 às 13:17 - Permalink - Reportar
    Rev, tem piada que não dá pra perder!
    • Hahahahahaha! Adorno Habermas! Formidável trocadilho, caro e.g.! Vou usá-lo com os devidos créditos. Só por sua causa vou ficar uns tempos sem falar de política, que isso está enchendo até meu próprio saco. Ironia é bom mas torra. Esfacelo-me com os libinosos versos de As véia:
      "Mente quem diz que as véia é nova!
      Mente quem diz que as veia é nova!
      Mente quem diz (som de sinos)".
      Amplexo, camarada.
    • por briguet
    • 18.Mai.2007 às 13:53 - Permalink - Reportar
    briguet
    • Um parágrafo de Milton Friedman é mais interessante e esclarecedor que as obras completas de José Paulo Netto e Florestan Fernandes.
      ....
      Marxistas tupiniquins como Octavio Ianni escrevem tão mal e dizem tanta asneira que, mesmo no campo comunista, um texto de Issac Deutscher, Trotsky ou Bukhárin está a anos-luz em termos de qualidade e suportabilidade.
      ...
      (Quanto a Fernando Henrique Cardoso, sua obra teórica é de uma mediocridade a toda prova, o que o levou a ser citado no imperdível “Manual do Idiota Latino-Americano”.
      ...

      1-Cite o parágrafo de Milton Friedman e explique porque é mais “esclarecedor” que as obras completas de Florestan Fernandes.
      2-Quais as asneiras que escreveu Octavio Ianni?
      3-Faça um texto resposta fundamentando a teoria medíocre de FHC.
    • por Macunaíma.
    • 18.Mai.2007 às 13:54 - Permalink - Reportar
    Macunaíma.
    • No item 1, acrescentar José Paulo Netto, autor dos livros O que todos cidadão deve saber sobre: Comunismo e Marxismo impenitente: contribuição à história das idéias marxistas.
    • por Macunaíma.
    • 18.Mai.2007 às 14:11 - Permalink - Reportar
    Macunaíma.
    • CANDIDO, Antonio - Florestan Fernandes. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2001.
      Trechos do capítulo Nota final. p. 65 e 67.

      Falando de Florestan Fernandes, é preciso assinalar que, além da obra de sociólogo e da ação de intelectual empenhado nos problemas do tempo, além da atividade de professor, de formador de equipe, de criador de rumos na teoria e na investigação, ele realizou outra obra não menos admirável: a construção de si mesmo.
      Quem leu as entrevistas em que conta sua infância e a sua adolescência, as duras batalhas travadas para sair da mais extrema pobreza e alcançar posições elevadas, impondo-se à opinião culta do país e do estrangeiro: quem leu tais entrevistas sabe de que esferas partiu e a que esferas chegou. Mas talvez não avalie o trabalho consciente de aperfeiçoamento pessoal, sob todos os aspectos que caracterizou a sua vida.
      Com efeito, armado desde menino para a campanha da sobrevivência difícil, ele manifestou freqüentemente a sua energia por meio da combatividade e da intransigência dos lutadores íntegros, animado pelo “orgulho selvagem” - bela fórmula com que definiu fibra que permitiu a ele e a sua mãe, a indomável dona Maria Fernandes, sobreviverem com dignidade e vencerem o mundo adverso.
      ...
      Ele foi, portanto, um homem excepcional sob todos os pontos de vista. Homem excepcional cuja semente alguns vislumbraram imediatamente sob o verdor meio agreste do rapaz cheio de vibrante flama, que conhecemos na Universidade de São Paulo no começo dos anos 40 e já deixava entrever o destino de rara grandeza que seria o seu. Foram aquela semente e esse fruto que desejei evocar, procurando caracterizar o perfil intelectual e moral de um homem que sempre estimei e admirei, como um dos mais nobres que conheci.

      *Texto lido (na ausência do autor) na sessão de homenagem à memória de Florestan Fernandes promovida pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas, em maio de1996.
    • por Macunaíma.
    • 18.Mai.2007 às 15:42 - Permalink - Reportar
    Macunaíma.
    • Puta merda, colocar o sujo para falar do encardido é foda. Acho que o Florestan etaria bem melhor sem os advogados que arrumam para ele. É verdade que pelo menos o Antonio Cândido sabe escrever. Pelo menos isso.
    • por grimaldo
    • 18.Mai.2007 às 16:02 - Permalink - Reportar
    grimaldo
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"Não contavam com minha astúúúcia!"
(Milton Friedman with lasers)

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