Tem um gaiato na cidade se fazendo passar pelo Sassá. Como todo mundo sabe, Gustavo Sandoval, o Sassá, é o talentoso cartunista do JL. Pois nos chegou a informação de que um indivíduo tem feito caricaturas das pessoas em bares, apresentando-se como “o Sassá do JL”.
Nome é importante. Roubar o nome de outra pessoa deveria ser um delito grave. Mas o fato é que muitos picaretas saem por aí usando nomes e apelidos que não lhes pertencem. Nos anos 90, o escritor americano Philip Roth se viu às voltas com um cidadão que viajava por vários países apresentando-se como... Philip Roth. Recentemente, vi um filme em que um maluco diz ser o cineasta inglês Stanley Kubrick e consegue enganar muita gente, mesmo não sendo nem um pouco parecido com o Kubrick de verdade. É uma história real.
Ao que se sabe, o Sassá não se reproduziu por cissiparidade, como fazem alguns organismos celulares. Portanto, se você encontrar o Sassá no bar à noite, fique esperto. À guisa de confirmação, peça para ele imitar Silvio Santos (o Sassá imita o Silvio muito bem). Se ele não conseguir imitar, chame a polícia, o Camargo ou o Sassá original – para acabar com a palhaçada.
O chato hoje em dia é ter que provar que você é você mesmo. Por isso, a toda hora, na Internet e fora dela, pedem senha. A senha é a prova mental de que você existe. Esquecê-la é como esquecer a própria vida – uma amnésia que nos priva de nome, conta bancária, notícias e acesso ao próprio lar (no caso das senhas de elevadores).
Não chegarei ao cúmulo de pedir uma senha pro Sassá; você, leitor do JL, tem acesso irrestrito a ele todos os dias. Mas ficarei atento em minhas noitadas (cada vez mais raras) ao tal cartunista impostor. Esse cara é um sassalafrário!
Há alguns anos, tive que provar que eu era eu mesmo. Uma leitora quis me conhecer pessoalmente. Combinamos tomar um café. Quando ela me viu, disse apenas: “Você não é o Paulo Briguet”. Mostrei a carteira de identidade para provar que era. Como não sou muito parecido com o jovem que está no meu RG, a moça continuou sem acreditar que eu era eu. Ela terminou indo embora convicta de que eu era um impostor enviado pelo verdadeiro Paulo Briguet. Fazer o quê? Eu não tenho senha. Nem o Sassá.
(Crônica publicada no JL.)
Publicado em 04 de maio de 2007 às 13:23 por briguet