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Archive for May of 2007

Em terra de cego...

May 30, 2007
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“Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!”

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“Dura inquietação d'alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!”

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“A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?”


(Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, Canto IV)

Como já disse um certo liberal direitista...

May 29, 2007
Segue trecho de matéria do Estadão:

A direção nacional do PT, partido político do presidente Lula, e o PSOL assinaram um manifesto de apoio à paralisação das emissões da RCTV, entregue no último domingo à Embaixada da Venezuela em Brasília.
De acordo com nota divulgada pela mesma embaixada, outras sete organizações populares brasileiros seguiram a mesma linha. Entre elas, o Movimento dos Sem-Terra (MST), o Movimento dos Pastores Negros do Brasil, o Círculo Bolivariano de Brasília e a Central de Movimentos Populares do Brasil.


É o que eu já havia comentado por aqui: os lulistas fariam o mesmo com a Rede Globo, se pudessem. Ainda não podem. Ainda.

Camas

May 29, 2007
Hoje cedo estava frio. Comecei a pensar na cama – ou melhor, nas camas que já tive. A cama em que durmo atualmente foi comprada em 1996. A primeira que adquiri com meus próprios recursos – todas as outras eram dadas, herdadas ou emprestadas. De modo que posso dizer, com orgulho: “Minha cama”.
Comprei a cama imaginando que iria me casar com a namorada da época. Ilusão. Um mês depois, ela me deu o fora (agora vejo que foi bom, mas não pensava assim na época; fiquei algumas noites sem dormir).
Foi a namorada, ficou a cama. Herdei de mim mesmo esse latifúndio em que hoje durmo. Latifúndio pouco produtivo: como sou noturno por natureza, minha média de sono nunca chegou a oito horas por noite. Passei bem menos de um terço da vida dormindo. Espero mudar um pouco nessa parte, mas não tenho grandes esperanças: esta crônica, por exemplo, começou a ser escrita à noite.
É bem verdade que já dormi em locais heterodoxos. Mesas e balcões de bar; ônibus linha 305 e cadeiras de rodoviária; em pé, uma ou duas vezes (dormir em pé é uma difícil arte). Mas nunca dormi ao volante – até porque não dirijo.
A segunda cama oficial, no meu caso, é o sofá da sala. Quantas vezes não adormeci na sala e acordei ao som do Telecurso 1o Grau? Ô, Fundação Roberto Marinho, acho que mereço um diploma. (Valeria mais que o de jornalismo.)
A cama dos tempos de república era frágil. Tão frágil que foi preciso reforçar-lhe o estrado com uma pilha de elementos vazados. Um dia, decidi jogar fora a cama e dormir no colchão. Os elementos vazados serviram para fazer uma churrasqueira no quintal. Queimei a cama.
Tento me lembrar da cama em que eu dormia aos 16 anos. A cama ainda está em casa, no escritório (era a cama da vó Maria quando vinha me visitar). Da cama, eu me lembro – está próxima. Mas – e o Paulo com 16 anos? Desse só restaram alguns retratos, em especial o da carteira de identidade, quase irreconhecível. Eu aos 16 anos: um parente distante de mim mesmo. Mas a cama não mudou.
Em breve, terei outra cama, que não será só minha. E isso é bom. Daqui a muitos anos, quero estar dormindo com você quando chegar o sono definitivo – aquele que me levará de volta ao leito original, bem longe do desconcerto do mundo.

Garantida, né?

May 29, 2007
Faturei! Nunca mais vou servir bebum em Rondurina.

Riyo Mori acaba de ser eleita a Miss Universo. É a glória! Como todos sabem, e o Rubão principalmente, Riyo Mori é o nome de um boteco em Londrina. Da mesinha de Skol para o Universo!

Calheiros e Adorno Habermas

May 28, 2007

Quando Renan Calheiros foi pego com a boca na botija, tive certeza de que não só ele sairia ileso do episódio, como também fortalecido. É a lógica do processo. Se Lula, a razão de ser do mensalão, foi reeleito e está firme e forte, não é Renan Calheiros que vai cair. Não por acaso, Lula saiu em defesa do presidente do Senado no primeiro momento.
Nem é isso que me preocupa. Vigaristas continuarão ocupando cargos importantes “neste país”. O problema é que a canalha governista faz o raciocínio inverso: se Renan não cair, ele será uma vítima da imprensa; se ele é uma vítima da imprensa, é a imprensa que tem de cair. A fauna lulista – aí incluídos movimentos sociais, invasores da USP, artistas, cantores de rap, intelectuais de assembléia, discípulos de Emir Sader com Adorno Habermas, a ala senil do MR-8, blogueiros socialistas, PMDB velho de guerra – quer fazer com a Veja aquilo que o coroné Hugo Chávez fez com a Globo da Venezuela: tomá-la em nome do governo. (E a Globo que também se cuide. Ela permanece alvo do ódio visceral da esquerda brasileira.)

A dor necessária

May 25, 2007
Crônica publicada hoje no Jornal de Londrina:


Uma das citações mais famosas (e batidas) em língua portuguesa é a dos versos de Fernando Pessoa:

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.


Mas pouca gente lembra o trecho seguinte do poema “Mar Português”:

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.


O Cabo Bojador fica na atual costa do Senegal, país africano. No início das grandes navegações de Portugal, era conhecido como Cabo Não. Algo ali parecia dizer exatamente isso: Não. O navegador que passasse daquele ponto estaria entrando em águas desconhecidas, misteriosas e repletas de perigos. No entanto, foi preciso passar o Bojador – ou seja, enfrentar o medo e a dor – para encontrar o caminho das Índias e do Novo Mundo.
Quando Pessoa rima as palavras dor e Bojador, ele está querendo dizer que o sofrimento é inerente à condição humana. Ir longe, evoluir, crescer, mudar – tudo isso comporta alguma dosagem de dor.
Li ontem entrevista do médico americano Ronald W. Dorkin, em que ele ressalta a necessidade da dor. Se queremos ser autenticamente felizes, não podemos prescindir de algum tipo de padecimento, esforço ou contrariedade. Sem a dor, seríamos apenas o “cadáver adiado que procria”, nas palavras do mesmo Fernando Pessoa.
Memória e dor são qualidades profundamente humanas. Sem elas, seríamos vegetais. Há uma doença rara em que a pessoa não sente nenhum tipo de dor. O resultado é catastrófico: esse paciente morre cedo, porque não consegue identificar os sinais de alerta enviados pelo próprio corpo. Sem a memória, por outro lado, estamos condenados a repetir sempre os mesmos gestos e percursos – como se estivéssemos voltando à condição de seres inanimados.
Por isso, não tenho vergonha de confessar aqui meus arrependimentos e minhas dores. Eles me fazem humano – para além da objetividade jornalística. Não quero ignorar a dor nem a lembrança, por mais que elas sejam embaraçosas.
A dúvida também é um assunto de crônica. Só aqui posso fazer as perguntas que me afligem. Por exemplo: quem julga as contas do Tribunal de Contas? Quem governa o governador? Quem segura o secretário de segurança? Quem preside o presidente?
Enquanto houver dor, memória e dúvida, haverá alguém para escrever uma crônica.

*******

Carta publicada hoje no Jornal de Londrina:


Eu sentiria vergonha de escrever “crônicas” tão ingênuas e tolas como as que Paulo Briguet escreve. Em primeiro lugar, vergonha por ele, que parece acreditar piamente que compõe obras-primas; e segundo, vergonha das outras tantas pessoas que o lêem e acham aquilo brilhante. Acredito que suas idéias se encaixariam melhor numa página de diário que numa coluna de jornal.
– Maria Eugênia Aranda

O diabo da dialética

May 25, 2007
Para meus amigos esquerdistas.


Sabe como é.
O que é acaba não sendo
e o que não é acaba por ser.
É que o ser traz (bem por dentro)
o mal de não ser mesmo ser.
O vir a ser do que está sendo
logo vai reaparecer;
e a essência da aparência
contrária a si vai renascer.
De tal maneira se é sermente
que o que não é, posto que sendo,
acabará porvir sem ser.

Velharia Disco

May 24, 2007
Ontem fui à Novidadisco no boteco Valentino. Diversão completa.

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Foto: Rosângela Vale, chefia

Aqui, o conhecido DJ direitista Paulo Briguet mandando ver um João Sebastião para a cambada. Concerto de Brandenburgo rules. (Ao fundo, Salomé e Patrícia.)

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Foto: Rosângela Vale, chefia total

Na foto acima, o mesmo reaça faz propaganda explícita do blog da chefia Rosângela Vale e das amigas Tia Janavila e Karla Matida. Capitalista é foda! O site “vale” a visita. (Hein? Hein?)

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Olhe, vou parar de falar mal do Florestan. Descobri que meu amigo Macunaíma gosta dele. Macunaíma (não o personagem, o meu amigo) é um tipo raro, um grande sujeito, amigo dos livros e das gentes. Todo mundo tem seus gostos duvidosos – o do Macunaíma é o Florestan. Ele não vale menos por isso. Alguns aqui do Tipos o conhecem bem, e concordariam comigo.
Sabe, no fundo eu sou um sentimental. É herança ibérica.

*****

Mui democraticamente, Marcião adotou o método cubano-venezuelano e editou a mensagem que eu lhe deixei. Publico-a aqui, para mera informação dos leitores:

Ah, Marcião, gosto de você, digo sinceramente. É que às vezes você exagera nas bobagens esquerdistas. Por exemplo: ilustra os supostos “assassinatos” do liberalismo com fotos do Brasil e da África. No Brasil, trabalhamos quatro meses do ano para sustentar o Estado paquidérmico. Na África, as fomes são causadas por rivalidades tribais e ditaduras estatizantes (muitas das quais marxistas – Angola, Moçambique e outros países). A miséria existe em países que abominam o liberalismo. Mas os malvados capitalistas sempre acabam sendo os vilões da história. E a culpa é do Bush, claro.

Amargo Saramago

May 23, 2007
Besteiras, bravatas, xingamentos e ameaças não me incomodam. Se o cara disser uma besteira bem grande, mas escrever bem, ou revelar alguma inteligência, está perdoado. O duro é quando o sujeito escreve mal.
Um comentarista (anônimo, pra variar) deixou o seguinte comentário direcionado à minha pessoa: "Que homem chato, esse meu Deus". Como vocês podem perceber, a vírgula no lugar errado mudou o sentido da frase. Aí vem outro comentarista (igualmente anônimo) e aponta uma contradição entre minhas críticas ao academicismo e a exigência de correção gramatical. É de cansar qualquer mortal. Criatura de Deus: criticar o academicismo não é o mesmo que fazer a apologia da ignorância. O conhecimento e o talento também aparecem - na maior parte das vezes, por sinal - fora da academia. Diploma não garante inteligência - e inteligência não garante diploma.
Ampliando um pouco o assunto, vamos comparar dois casos: Florestan Fernandes e Isaac Deutscher. Ambos falam muita bobagem e fazem apologia da violência revolucionária. Mas Florestan escreve mal que é uma tristeza. É difícil vencer um parágrafo do véio. Deustcher é o oposto: um estilista de primeira grandeza; escreve tão bem que quase chegamos a nos convencer de que ele tem razão. O próprio Marx tinha lá o seu talento de escritor, embora o estilo do furunculoso não seja muito do meu gosto.
José Saramago está parcialmente perdoado, porque escreveu pelo menos um livro interessante: “Ensaio sobre cegueira”. Reconheço que o estilo de Saramago não é fácil; um barroco que às vezes descamba para o rococó. Mas ninguém nega que o homem tem uma voz. Não sou de misturar qualidade literária com opiniões políticas – desde que uma não interfira na outra.
O duro é a que outra voz de Saramago, a pública, só diz besteira. Entre gagá e vaidoso, ele se orgulha em ser defensor do comunismo (como já se disse aqui, o regime mais assassino da história), de Hugo Chávez, de Fidel, dos radicais palestinos, do escambau. O portuga adora tudo que se oponha aos Estados Unidos, o Grande Demônio das esquerdas (sem o qual elas jamais teriam liberdade para dizer o que dizem).
Ninguém disse que a esquerda não existe mais. Muito pelo contrário. Ela não só existe como está no poder. E os resultados têm sido desastrosos. Quando a sra. Saramago, por exemplo, fala dos malvados “medios de comunicación” capitalistas, sinto algo entre nojo e medo. É esse tipo de discursinho que sustenta tiranetes ao estilo de Hugo Chávez, que pretende fechar a maior TV da Venezuela, ou de Rafael Correa, que ameaça com prisão o dono do maior jornal do Equador. Se Lula e seus fãs – assumidos ou não – pudessem, também fechariam as portas da Globo, da Folha de S. Paulo, do Estadão e outros “medios de comunicación” que não se ajoelhem aos pés presidenciais. Talvez até sobrasse para o Tipos. Ou melhor, para alguns Tipos.

PS: O título não se refere a ninguém além do próprio Saramago. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Sobre a tal da "ética"

May 22, 2007
Dias atrás, uma garota me procurou para fazer entrevista sobre "ética". Eu disse que tudo bem (sou chato aqui no Tipos, mas sempre atendo bem aos estudantes de jornalismo). Seguem as perguntas e respostas, que vocês podem também encontrar aqui.

A ética faz um jornalismo melhor?
Não. O que faz um jornalismo melhor são jornalistas melhores. Alfabetizados, responsáveis, seguidores da lei e com vergonha na cara.

Em relação ao código de ética, você acredita que ele é essencial ou dispensável ao jornalista?
Dispensável. Principalmente esse Código de Ética aí, elaborado por sindicalistas da Fenaj.

Seria um erro julgar que existe A Ética, quando na realidade podem existir éticas que advêm de cada ideologia, cultura e até mesmo do caráter do indivíduo?
Da mesma maneira que todo escritor, ainda que involuntariamente, persegue o Verbo (no princípio era o Verbo, ou seja, o pensamento de Deus), as leis humanas perseguem a Lei, da qual foram originadas. A cultura judaico-cristã, com forte influência helenista, é a origem de tudo que entendemos por ética.

Você também cita que "já foi um besta por se achar paladino da ética". Isto significa que parou de defendê-la?
Parei. Não mexo mais com drogas.

"Todo mundo faz assim mesmo." Segundo essa afirmação você diria que esse é o princípio da falta de ética?
O grande problema no jornalismo brasileiro é que as pessoas não tem coragem de se opor às chamadas "opiniões consensuais".

Muitos profissionais para escapar de uma discussão mais profunda sobre o compromisso social de sua atividade e sua responsabilidade perante o público afirmam que "não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão". Você concorda com essa afirmação?
Eu não acho que o jornalista tenha "compromisso social"; portanto, não quero escapar do que não existe. Essa história de "compromisso social" é papo de Fenaj - o primeiro passo para o controle estatal (ou paraestatal) da imprensa (como, por sinal, a Fenaj quis fazer através do Conselho Federal de Jornalismo). Jornalista não está aqui para mudar o mundo, e sim para fazer jornal. De preferência com informações verdadeiras.

A ética depende apenas de um fim bom, para justificar os meios maus?
Não sou maquiavélico (embora Maquiavel nunca tenha dito que os fins justificam os meios). Prefiro ficar com a frase de Bukharin (comunista assassinado por seu ex-amigo Stálin): "Os fins condicionam os meios".

Ética: conservá- la ou destruí-la?
A palavra ética, no Brasil, foi esvaziada de qualquer sentido. Qualquer político vagabundo ou presidente de ONG a usa como se fosse Aristóteles. Recuso-me a usá-la a sério. Responsabilidade, embora seja uma palavra mais comprida, é menos pretensiosa.

Trocadilho ministerial

May 22, 2007

E o Silas, já Rondeau?
Será que ele tem energia para se manter no cargo ou está pisando em campo minado?

A selva de Florestan

May 22, 2007

Votei em Florestan Fernandes para deputado federal em 1990. É uma das minhas maiores vergonhas. Com sua vasta obra sociológica, ele abriu caminho para os Emires Sáderes da vida (que hoje dominam a academia), e ainda lançou as bases para o racismo politicamente correto das cotas e da ministra de Lula (essa propagadora do ódio racial).
Lembro-me de um debate na UEL, em 1989. Florestan veio a Londrina representando o então candidato Lula. Era um homem simpático; capitalizava a figura do velhinho radical. Mas o seu legado é assombroso.
Para os fãs de Florestan Fernandes, fiz uma visita aos meus alfarrábios e selecionei três pensamentos do trepidante sociólogo (que Deus o tenha):

“A transformação proletária da ordem dificilmente pode atravessar pelos caminhos da continuidade política e da ação parlamentar. A luta de classes procede com violência a partir de cima. A réplica é posta no mesmo plano pelos de baixo, através da violência institucionalizada ou não.”

“A revolução total dentro de uma sociedade capitalista num dado momento tem que se tornar luta armada. A questão é considerar a oportunidade da luta armada. Até agora não houve nenhum exemplo de que as classes que possuem o capital e o poder tenham cedido suas posições de controle do Estado, da sociedade e da economia de forma pacífica.”

“Lá [nos países socialistas, em 1986] o governo está numa prolongada estabilização de um estágio que é o da dissolução da herança recebida das sociedades capitalistas.”


Nos dois primeiros trechos, Florestan pura e simplesmente faz a justificativa da carnificina. São mensagens de ódio dirigidas aos adversários do socialismo. Mensagens que se tornam tanto mais assustadoras na medida em que o PT, partido que Florestan ajudou a criar, está no poder. Medo, muito medo.
A terceira frase, três anos antes da queda do Muro de Berlim, sustenta que as abomináveis tiranias do Leste Europeu eram esplêndidas. Tudo que havia de ruim nelas – o Estado policial, as mortes, as torturas, a corrupção e a pobreza generalizada – era “herança do capitalismo”. Quarenta anos depois da Cortina de Ferro, Florestan ainda acreditava (ou, pior, dizia acreditar) que os países socialistas eram o futuro da humanidade. Se havia alguma coisa por lá, ah, a culpa era desses maldosos porcos capitalistas.
E o pior é que tem gente pensando assim ainda hoje. Só mesmo no Brasil para Florestan Fernandes ser considerado um gênio.

Eu era um idiota aos 19 anos

May 21, 2007
Este blogueiro, antes do blog, antes de tudo, em uma assembléia, em março de 1991.

Algumas lembranças me dão vergonha. Muita vergonha mesmo. Uma delas é já ter votado em Lula e no PT. Outra é ter participado do grupo que invadiu a reitoria da Universidade Estadual de Londrina em 1990. Quando eu vejo esses hippies acampados na reitoria da USP, tocando Raul Seixas e pintando cartazes de papelão, me lembro do idiota que eu era aos 19 anos – e sinto algo entre alívio e uma vergonha profunda, amarga e dialética. (Vergonha dialética – essa é boa!)
Um detalhe interessante: em 1990, dormi na Sala dos Conselhos Superiores da UEL. E não peguei ninguém.

O sangue dos inimigos da Revolução

May 18, 2007
Dois amigos da Revolução.

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Na União Soviética, por volta de 1938, Kruschev encontrou Iejov, chefe da polícia stalinista, numa reunião de governo. O futuro premiê comunista (ele próprio um assassino de marca maior) percebeu que as mangas da camisa do camarada estavam sujas de vermelho. Cinicamente, perguntou: “O que é isso?” Iejov respondeu: “Isso é o sangue dos inimigos da Revolução”. Estivera antes numa sessão de torturas na famosa prisão Lubianka, marco do terror bolchevique. (Op. cit para os acadêmicos: “Stálin, a corte do czar vermelho”, de Simon Sebag Montefiore).
Numa estimativa conservadora, o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas no século XX. Mais do que nas duas guerras mundiais somadas (10 e 50 milhões de mortos, respectivamente). E ainda tem gente acreditando nessa praga. Quem tem a foice e o martelo estampados na testa leva também – conscientemente ou não – um Himalaia de cadáveres no espírito.
Quando alguém usa a expressão “referenciais teóricos”, eu fico em dúvida se dou uma gargalhada ou me entrego a um exercício de compaixão. Trata-se de um academicismo lingüístico, da mesma família do “a nível de”, “inserido no contexto”, “questão de ordem”, “vamos estar fazendo um fichamento” e “decisão tirada em assembléia soberana”. Uma das características do comunismo, apontada por George Orwell em “1984” e “A Revolução dos Bichos”, é o esvaziamento da linguagem. A Novilíngua do Grande Irmão.
Agora, quando esse “referencial” teórico consiste em José Paulo Netto, Octavio Ianni e Florestan Fernandes, aí começam a me doer simultaneamente o estômago e os bagos. São três representantes do marxismo mais pútrido e mistificador – majoritário na universidade brasileira – que acabou por gerar essa excrescência chamada Lula (a democrática e popular íngua de calombo que temos por presidente).
Um parágrafo de Milton Friedman é mais interessante e esclarecedor que as obras completas de José Paulo Netto e Florestan Fernandes. Este, quando ajudado por Júlio de Mesquita Neto, durante o regime militar, disse ao dono do Estadão que não teria a mesma atitude com ele caso a revolução socialista fosse vitoriosa no Brasil. É a atitude de um fanático semelhante aos nazistas (por sinal, qualquer historiador sério sabe que nazismo e comunismo fazem parte do mesmo processo histórico, fato evidenciado por Ribbentrof e Molotov).
Há comunistas honestos? Há. Há comunistas inteligentes? Há. Mas, como disse um gaiato liberal, o problema é que os honestos não são inteligentes e os inteligentes não são honestos. Marxistas tupiniquins como Octavio Ianni escrevem tão mal e dizem tanta asneira que, mesmo no campo comunista, um texto de Issac Deutscher, Trotsky ou Bukhárin está a anos-luz em termos de qualidade e suportabilidade. (Quanto a Fernando Henrique Cardoso, sua obra teórica é de uma mediocridade a toda prova, o que o levou a ser citado no imperdível “Manual do Idiota Latino-Americano”. Depois, mais velho, FHC tomou juízo e realizou, mesmo com essa sigla de defensivo agrícola, um dos melhores governos da república. Graças a Deus, esqueceu o que escreveu – ainda que não tenha dito nunca aquela famosa frase.)
Comunismo e carnificina se tornaram sinônimos ao longo do século XX. Para ficar num exemplo latino, basta citar Che Guevara – esse mito-mico incensado pela esquerdinha brasileira –, que assassinou pessoalmente, em 1959, dezenas de opositores da ditadura castrista na prisão de La Cabaña (a Lubianka de Cuba). Outro ser abominável cultuado pelas esquerdas é esse Carlos Lamarca, que matou um jovem soldado a coronhadas, no Vale do Ribeira, nos anos 70 (fato narrado com detalhes pelo insuspeito Jacob Gorender, em “Combate nas trevas”). Dê poder a um sujeito como Lamarca – ou Ianni ou Florestan ou, para citar um caso vivo e ativo, Stédile – e você verá o que é bom pra tosse. São tiranos em potência, com a sede de sangue que caracteriza a foice e o martelo.
O anarquismo camisa preta – que eu diferencio do anarquismo conservador, ou neoconservador – sempre foi bucha de canhão do terror comunista. A história já era assim em 1917. Ou alguém acha que Lênin, Trotsky e a canalha bolchevique toda chegaram ao poder sozinhos na Rússia? Nada disso. Tiveram a diligente e estúpida colaboração dos sociais-revolucionários, anarquistas e mencheviques “de esquerda”. Foram todos mortos por Stálin nos anos 30, mas antes prestaram vários serviços sujos em nome da Sagrada Revolução. E continua sendo assim.
Campari as coisas. A vida é Drury’s.

*****

Leitura recomendada: “O livro negro do comunismo”, organizado por Stéphane Courtois. Empresto.

Se não agüenta, por que veio?

May 17, 2007
No Equador, o presidente esquerdista quer prender o dono do principal jornal da oposição. Na Venezuela, coronel Chávez decide fechar a principal TV do país. Aqui, este reles cronista que não tem onde cair morto recebe um “segundo e último aviso” para calar a boca.
Tudo é muito coerente na América Latina - principalmente as manifestações do espírito democrático.
E mais não digo porque não quero. Mas voltarei ao assunto.

Lilson & Gilson

May 17, 2007
Dia desses, o prezado Marcião disse que eu era incoerente por ser liberal depois de ter estudado em universidade pública. Para ele, isso é mais ou menos tão grave quanto se eu tivesse comprado minha vaga no vestibular (o que, para desapontamento dos meus críticos, devo dizer que não aconteceu). Entendo que o Marcião não admita a ocorrência de mudanças no espírito de ninguém (principalmente quando vão contra o ideário anarcóide bolchevista que ele defende); jamais vou convencê-lo de que o meu liberalismo foi resultado de leituras reflexões, e não de oportunismo (até porque não tenho onde cair morto). Mas inicio aqui uma campanha que talvez seja do agrado do meu companheiro de Tipos: estive pensando e concluí que o meu diploma de jornalismo deve ser cassado. Como eu já disse aqui mesmo, meu Horkheimer sempre foi adorno; nada sei de semiótica, teoria da informação, pirâmide invertida e outras baboseiras. Passei a maior parte do curso tomando cerveja, azarando a mulherada (sem sucesso, quase sempre, porque mesmo quando jovem já era feio) e lendo livros que não tinham nada a ver com o assunto do curso. Enquanto isso o povo lá, trabalhando duro e pagando impostos para financiar minha universidade gratuita. Como não acredito que seja necessário diploma para exercer a profissão de jornalismo, venho por meio deste sugerir a imediata cassação do meu diploma. E mais não digo porque não sei.

*****

Quer dizer, direi mais umas coisas, sim. É que estou pensando em formar uma dupla sertaneja. O parceiro – que ainda não conhece minha idéia – seria o grande Lilson Sérgio. O nome da dupla seria Lilson & Gilson. Eu, portanto, trocaria meu nome para Gilson (trocar de nome é necessário em dupla sertaneja). Claro que odeio esse tipo de música, mas não tem a mínima importância. O importante é que o POVO (esse mesmo que pagou meu curso universitário) gosta. Sei meia dúzia de acordes no violão (só vou precisar de três) e, modéstia à parte, tenho voz boa (barítono com bom alcance).
Daqui a algum tempo, meus amigos poderão dar entrevistas falando sobre a época em que eu não era famoso. Só gostaria, por favor, que não usassem o meu nome verdadeiro. Peço que me chamem apenas de Gilson; caso contrário, o público vai ficar confuso. Seguem alguns modelos de comentário:

– Eu conheci o Gilson quando ele tinha um blog no Tipos e era jornalista em Londrina. Tivemos uma polêmica danada, mas depois ele parou de escrever aquelas baboseiras liberais e deixou a homofobia de lado.

– Naquele tempo, o Gilson só ouvia João Sebastião. Era um elitista incorrigível.

– Bons tempos aqueles em que o Gilson freqüentava o Bar Brasil!

- Conheci o Gilson na Terça Tilt. Ele só usava camisa social!

– O Gilson chegou até a ser professor de cursinho. Depois se encontrou na música sertaneja.

– A música do Lilson & Gilson que eu mais gosto é “Ela não tem Orkut”. Mas também adoro “Amor de scrapbook”.


Taí. Um abraço do Gilson para vocês. E um beijo para as garotas (com a licença da Chefia).

Você não é mais jovem

May 16, 2007
Eh, Cássia Ellerzinha.

Você descobre que não é mais jovem quando passa uma noite inteira no bar e não sabe o nome de nenhuma música, nenhuma banda. Tenho aqui um disco dos Strokes (me disseram que é o pior deles, “Malandroid” ou coisa assim), mas não consigo me livrar da opinião de que o Oasis é uma banda nova. Às vezes tenho a impressão de que o Renato Russo está vivo e é jovem. Isso quer dizer que eu não sou mais jovem.
A noite foi interessante (favor ler esta última palavra com sotaque de curitibano ou do prefeito Nedson). Meu amigo Guilherme Gouveia discotecou (meu Deus, esse verbo: discotecar) e tive as seletas companhias de Tia Janavila e Andrea Filippa (por sinal, meus hóspedes, os melhores do mundo). Mas a certa hora os olhos começam a arder com a fumaça do cigarro. A fumaça sempre esteve lá; meus olhos é que mudaram. E você descobre que não é mais jovem.
Na mesa da frente, três garotas. Uma delas, maneira de dizer. Era a Cássia Eller. Apelidamo-la Cássia Ellerzinha. (Meu Deus, essa ênclise: apelidamo-la!) As outras duas garotas (estas, garotas mesmo, sem maneira de dizer) eram até bonitinhas. Não mais que 18 anos; tecnicamente poderiam ser minhas filhas. (Você descobre que não é mais jovem quando as garotas bonitinhas da mesa da frente poderiam ser suas filhas.)
Beijavam-se mutuamente, as garotas. Era um ménage atroz. Cássia Ellerzinha sentou-se entre as parceiras. Sapecava beijos bem chupados em Garota 1 e Garota 2. Minhas potenciais filhas também se beijavam, sob o olhar da Dominatrix, que evidentemente se deliciava com a cena. Não uso a palavra sem motivo; senti um ar de encenação na coisa toda. Quando Cássia Ellerzinha ia buscar uma cerveja ou dar um mix (imagino que mijava sentada), Garota 1 e Garota 2 não se beijavam; ao contrário, azaravam os garotos que também poderiam ser meus filhos. (Cadê as mães dessa turma toda?)
Você descobre que não é mais jovem quando tudo isso acontece e te dá um baita sono. Então você chama um táxi e vai embora pra casa bem cedo (no horário em que Garota 1 e Garota 2 deveriam estar dormindo, mas não estão).

Formigas mortas

May 15, 2007
Estranhamente parecida com uma antiga torneira.

Eu posso mudar de nome.
Eu posso deixar a cidade.
Eu posso largar o emprego
e me refugiar no quarto escuro
de um país desconhecido
(onde não falam a língua
que eu também esqueci).
Estarei sendo visto
pelo Olho que tudo vê.

Cada parte de Deus é Deus.
O Olho tudo sabe, desde o início.
Sabe quantas vezes respirei hoje
e quantas vou respirar
até o dia da minha morte.
Ele sabe a hora, sabe a data,
sabe o preciso minuto e segundo
em que meu coração vai parar.
Ele sabe o rumo das formigas
em todas as paredes do mundo.

Se tudo vê, tudo viu.
Também lê pensamentos,
conhece cada erro
de concordância e sintaxe
do meu espírito mais oculto.

Todas as coisas e palavras
de somenos importância
o Olho que tudo vê
apreende, guarda e cataloga
para uso no Final Juízo.

As voltas que meu fígado,
Fernão de Magalhães,
dá em torno de si mesmo
a Ele voltam.

Quanto a mim, só a cegueira.
Sigo sendo o marinheiro morto
De uma nau deserta
que sou eu mesmo.
(E sempre tenho pena
das formigas que morrem
quando vou escovar os dentes.)

Vergonha gay

May 14, 2007
Um horrrooooor.

Que Clodovil é uma besta quadrada, já está provado desde o início dos tempos. Ele era estúpido nos tempos da TV Mulher, um pouquinho depois da Era Paleolítica. De vez em quando, a exemplo de relógio parado, até acerta, como quando disse que “orgulho gay” é uma tremenda besteira. É ridículo alguém se orgulhar de sua condição sexual - seja hétero, homo, bi, tri ou Bob Esponja. Vão todos carpir uma data, lavar um tanque de roupa, esfregar o chão do baile pega-cria.
Já deu vários pitis no Congresso, e anda falando besteira a torto e a direito. Sabe o caro leitor quem está felicíssimo como os chiliques do pra lamentar? Ele mesmo – Lula! Assim que estourar o primeiro escândalo petista, o governo manda a canalha situacionista entrar com pedido de cassação do Clodovil, e lança uma cortina de fumaça sobre o caso.
A propósito, como notou o amigo Preto, Clodovil está ficando cada vez mais parecido com Mano Caetano.

Há quem prefira urtigas (mesmo)

May 14, 2007
Prezada Reverenda:
Na triste condição de colega jornalista, eu lhe aconselho a ler um pouco mais sobre os assuntos antes de sair por aí dizendo besteira. Ao contrário daquilo que você decorou na cartilha submarxista, a Igreja Católica não é uma instituição dedicada a ferrar com os pobres; muito pelo contrário, ela desenvolve trabalhos voluntários que substituem, com vantagens, o estado que você tanto ama (a Pastoral da Criança é só um entre vários exemplos). Quanto ao ensino religioso nas escolas, eu posso lhe garantir que o conteúdo dessa matéria nas escolas públicas refere-se à espiritualidade de modo geral, algo a que você não deve estar acostumada, em razão da educação ateísta que recebeu (nada contra, nada contra; meu pai, um dos sujeitos que eu mais respeito no mundo, é agnóstico). Quanto à idiotice que o sr. Marcião escreveu – a de que o papa é um “fiel escudeiro de Hitler” –, era algo tão infamante e ofensivo que me calar seria cumplicidade.
Volte sempre, Reverenda. A casa é sua. Mas limpe os pés antes de entrar – que a AlCagaeda, como o próprio nome diz, às vezes não prima pela higiene.

Há quem prefira urtigas

May 13, 2007
Muitos gostam de ver os carrinhos velozes com a narração do Galvão Bueno. Mas isso tem quase toda semana. Da minha parte, fiquei feliz em ver a missa de Bento XVI em Aparecida - uma das passagens mais emocionantes e bonitas dos últimos tempos. Valeu, Bentão!

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E há quem chame o papa de "fiel escudeiro de Hitler" pelo simples fato de que Ratzinger nasceu na Alemanha. É compreensível: diante da inteligência do homem, apelam para a estupidez da história falsificada. Fico admirado diante de tanta macheza! Mas sei: anarcóides só xingam o papa porque sabem que a possibilidade de serem processados é nula. A Santa Sé tem outras - e mais nobres - ocupações.

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Que Deus tenha compaixão de todos nós.

Saber que Maria

May 11, 2007

Saber que Maria lavou o rosto na frente deste espelho. Saber que Maria se sentou nesta poltrona. Saber que Maria tomou café com leite nesta mesa. Saber que Maria abriu esta janela e ouviu os mesmos sons da tarde.
Lembrar que Maria bordou esta toalha. Lembrar que Maria gostava deste lago. Lembrar que Maria ria quando eu imitava os locutores do canal japonês. Lembrar que Maria às vezes acordava com dor. Lembrar que Maria roncava da mesma maneira que eu ronco. Lembrar que Maria queria ver o papa. Lembrar que Maria partiu quase junto com o papa.
Pensar que Maria adorava passear de carro. Pensar que Maria fazia malas pesadas. Pensar que Maria tomava dezenas de remédios. Pensar que Maria sentia calor como eu sinto. Pensar que Maria cuidava dos netos. Pensar que o Ace – meu antigo cachorro – também a adorava.
Ressaltar que Maria gostava de talcos. Ressaltar que Maria guardava fotos. Ressaltar que Maria viu meu avô na missa. Ressaltar que Maria guardava dinheiro para comprar presentes. Ressaltar que Maria cozinhava bem. Ressaltar que Maria só fez até a 2a série. Ressaltar que Maria educou as filhas.
Observar que Maria subiu tantas vezes as escadas do meu prédio com grande dificuldade. Observar que um dia ela caiu sozinha, no apartamento em São Paulo, e conseguiu se recuperar. Observar que Maria, depois dos 80, fazia criancices. Observar que Maria era festeira.
Dizer que Maria, mesmo ouvindo pouco, adorava assistir ao programa de calouros do Raul Gil. Dizer que não há macarrão que não me faça lembrar dela. Dizer que ainda tenho pratos que eram da casa dela. Dizer que às vezes – na verdade, muitas vezes – eu penso que ela virá me visitar. Dizer que meus pais saem do carro, quando chegam em casa, e eu acho que ela vai sair também. Dizer que eu esqueço que ela morreu. Dizer que uma vez, sem querer, ela derrubou um copo d’água sobre alguns textos meus e chorou por achar que os papéis estavam perdidos – com alguma dificuldade eu expliquei que não havia problema, pois os textos estavam na memória do computador.
Saber que Maria. Lembrar que Maria. Pensar que Maria. Ressaltar que Maria. Observar que Maria. Dizer que Maria. Escrever que Maria era minha avó, mãe de minha mãe, e que a morte é muito triste.

- Crônica publicada hoje no JL.

Bendito seja

May 10, 2007
Bento XVI está no Brasil. Só mesmo Bush consegue ser mais odiado do que ele pela patota esquerdista. É claro: fiel assessor de João Paulo II, Ratzinger teve papel importante na derrubada do regime comunista – tirania abjeta que é o sonho dourado dos nossos petistas, petistas envergonhados, criptopetistas, hugochavistas, anarcóides bolcheviques e toda claque do MST (Movimento Sustentado pelos Trouxas).
A missão que coube a Ratzinger, nos anos 1980, foi dar um chega-pra-lá no pessoal da teologia da libertação, bizarra mistura de submarxismo e pseudocristianismo então em voga na América Latina, e ainda hoje choramingante em paróquias deste país varonil.
Ratzinger não deu mole. Com ele não teve lero-lero nem vem-cá-que-eu-também-quero. Papa, tem mostrado igual pertinácia, com discurso severo contra o aborto e a favor da família.
O homem (ele, não o ser genérico) é bom. Teólogo, intelectual inteligente (o que é raro), bem-educado, apreciador de boa música (toca Bach e Beethoven no piano), ele reúne todas as qualidades para fazer um curto, mas grande papado (está com 80 anos). Talvez não tenha o mesmo carisma de João Paulo, mas isso é de menos (ele não tem culpa de ter nascido sósia do imperador Palpatine).
Agora, que uma coisa fique bem clara: não se administra uma instituição de 2 mil anos como se fosse o boteco da esquina. E mesmo os bons botecos têm tradições e valores, dos quais são ciosos. Li uma ridícula matéria na Carta Capital, em que se sugere ao papa seguir as pesquisas de opinião sobre aborto, casamento gay, camisinha e o escambau. Ora, as pesquisas que se danem lá onde há choro e ranger de dentes! O papa está interessado em católicos de verdade, não em católicos nominais, nem em presidentes de ONGs ou editores de revistas mamíferas do estado. Mudar o Catecismo e o Código Canônico não é a mesma coisa que fazer festinha no centro acadêmico de comunicação. O papa lida com valores e princípios, não com questões de ordem numa assembléia com meia dúzia de hippies.
Um amigo, outro dia, disse algo perfeito: “Se os preceitos da Igreja Católica fossem seguidos, não haveria aids nem outras doenças venéreas no mundo”. Certíssimo. O papa defende a maneira mais segura de fazer sexo: a monogamia. Em outras palavras: ame alguém e ponto final. Quando Bento XVI diz que o divórcio é uma chaga (e não uma “praga”, como foi erroneamente traduzido), está lamentando os danos que o divórcio indiscriminado (do tipo que agora é medido por dias, não mais por meses, muito menos por anos) causa na instituição familiar, base de qualquer civilização digna do nome. Quando os bispos dizem que as propagandas cada vez mais acintosas do governo estimulam o sexo precoce, ao invés de evitar doenças venéreas, estão apenas lembrando que a Igreja Católica tem uma forma de prevenção mais eficiente: casamento e monogamia. Posso discordar aqui e ali de algum preceito do catolicismo, mas sou humilde o suficiente para reconhecer que minha opinião não conta nada no contexto de uma instituição milenar.
Seja bem-vindo, Bentão!

A última passageira

May 08, 2007

Já faz quase dois anos, Maria. Será o segundo Dia das Mães sem você. E agora começa a bater a saudade.
Choramos quando você foi embora. Sentimos sua falta, depois, em várias ocasiões. Mas agora veio a saudade: completa, crônica, inescapável. Como se todas as coisas estivessem vestidas de Maria.
A saudade de Maria está em frases que ela dizia e, sem perceber, nós repetimos. Está em manias e gestos que eram dela e nos foram legados. Está nos lugares que ela ocupava dentro de casa; nos horários que pareciam pertencer a ela; na surdez que aos poucos vai tomando conta de nossos ouvidos. A saudade está no espelho – pois somos cada vez mais parecidos com Maria.
Na semana passada, viajei a São Paulo de ônibus. Como de costume, desci para tomar um café no posto Maristela. Distraído, fui o último passageiro a voltar para o ônibus. O motorista estava quase indo embora sem mim. Então eu me lembrei de Maria, e das inúmeras vezes em que ela era a última passageira a voltar para o ônibus, pois estava sempre comprando um biscoito de polvilho para alimentar os netos.
Maria era assim. A última passageira. Pena que abandonou a viagem tão cedo.
Cedo? Maria morreu aos 86 anos. Mas eu ousaria dizer que foi cedo. Porque precisávamos – precisamos – dela. Porque ela mereceria estar aqui, para ver a neta mais velha casar, para ver o neto mais velho casar, para ver nascerem os bisnetos (conheceu apenas a pequena Bia). Para nos dar broncas; para me dizer que eu estava bebendo cerveja demais; para perguntar, quando eu chegava em casa, se o dia de trabalho tinha sido bom.
Maria poderia estar aqui para rezar em voz baixa no quarto, como ela fazia todas as manhãs. Se alguém entrava no quarto, logo ouvia aquele murmurar inconfundível: “Bzzz-bzzz-bzzz-bzzz” – era a conversa de Maria com Deus.
Sei que é clichê dizer que as avós são mães duas vezes, mas há clichês que encerram verdades profundas – esse é um deles. Maria cuidou de mim quando eu era um menino medroso e bobo, e minha mãe estava dando aulas de história na periferia de São Paulo. Certa vez, eu vim correndo da sala e bati com a cabeça na ponta de uma mesa de madeira. Maria ficou muito brava – não comigo, mas com a mesa. Cortou a ponta da mesa com um serrote.
São essas coisas que eu me vejo lembrando todas as horas, Maria. A saudade chegou pra ficar. E, se a saudade vale alguma coisa, será por fazer de mim um homem menos pecador. Porque a única maneira de encontrar você de novo, Maria, é ir para o Céu.

Como é bom ser loser

May 07, 2007
Que puxa.

Sempre me chamam de loser. Já estou habituado. Pra dizer a verdade, até me orgulho de ser um loser no conceito vulgar da palavra. Se Charlie Brown e Woody Allen são, por que é que eu não posso ser?
Segundo as dublagens da Herbert Richers, a tradução de loser é “perdedor”. Um tradutor mais experiente diria que é “fracassado”. Em minha modesta condição de monoglota, discordo. “Fracassado” é um conceito por demais latino. “Perdedor” está mais adequado à origem (e à tosquice) da expressão.
Engraçado: o pessoal que adora falar dos EUA é o mesmo que usa termos anglo-saxônicos como loser. Na opinião da claque esquerdista, Bush, o capitalismo e o cristianismo são três faces do mesmo capeta. E quem ousa discutir o anátema é... loser. Paradoxo lingüístico!
Ora, na opinião deste humílimo cronista, loser é coisa de filme adolescente americano, no mesmo nível de “a garota mais popular do colégio” e “quem será meu par no baile de formatura?”.
O conceito de loser nada mais é do que um subproduto medíocre da cultura protestante e capitalista. Como eu já disse várias vezes aqui, o sistema capitalista não é perfeito – apesar de ser o melhor que existe.
O ridículo é que esse povinho joga fora a melhor parte do capitalismo (liberdades individuais, ética do trabalho, estado de direito, livre iniciativa, fundamentos morais judaico-cristãos) para ficar apenas com a merda residual (conceitos de loser e winner, doutrina politicamente correta, política de cotas, ódio racial e sexual, Madonna e rap).
Sigo sendo chamado de loser por gente cujo horizonte mental é o Grammy. Mais um parodoxo.

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Ela:
– Esta é uma calça Diesel. Custa R$ 850.
Eu:
– Nossa! Se a Diesel é cara assim, imagine a Gasolina...

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Já é duro agüentar o besteirol engajado dos Racionais MC. Mas, quando baixa o Mano Brown no Suplicy, eu não sei se choro ou dou risada. É um misto de melancolia, dor nos bagos e vergonha alheia.

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Bentão vem aí. Abram alas! Voltarei ao assunto.

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Madalena?

Sassá, o impostor

May 04, 2007


Tem um gaiato na cidade se fazendo passar pelo Sassá. Como todo mundo sabe, Gustavo Sandoval, o Sassá, é o talentoso cartunista do JL. Pois nos chegou a informação de que um indivíduo tem feito caricaturas das pessoas em bares, apresentando-se como “o Sassá do JL”.
Nome é importante. Roubar o nome de outra pessoa deveria ser um delito grave. Mas o fato é que muitos picaretas saem por aí usando nomes e apelidos que não lhes pertencem. Nos anos 90, o escritor americano Philip Roth se viu às voltas com um cidadão que viajava por vários países apresentando-se como... Philip Roth. Recentemente, vi um filme em que um maluco diz ser o cineasta inglês Stanley Kubrick e consegue enganar muita gente, mesmo não sendo nem um pouco parecido com o Kubrick de verdade. É uma história real.
Ao que se sabe, o Sassá não se reproduziu por cissiparidade, como fazem alguns organismos celulares. Portanto, se você encontrar o Sassá no bar à noite, fique esperto. À guisa de confirmação, peça para ele imitar Silvio Santos (o Sassá imita o Silvio muito bem). Se ele não conseguir imitar, chame a polícia, o Camargo ou o Sassá original – para acabar com a palhaçada.
O chato hoje em dia é ter que provar que você é você mesmo. Por isso, a toda hora, na Internet e fora dela, pedem senha. A senha é a prova mental de que você existe. Esquecê-la é como esquecer a própria vida – uma amnésia que nos priva de nome, conta bancária, notícias e acesso ao próprio lar (no caso das senhas de elevadores).
Não chegarei ao cúmulo de pedir uma senha pro Sassá; você, leitor do JL, tem acesso irrestrito a ele todos os dias. Mas ficarei atento em minhas noitadas (cada vez mais raras) ao tal cartunista impostor. Esse cara é um sassalafrário!
Há alguns anos, tive que provar que eu era eu mesmo. Uma leitora quis me conhecer pessoalmente. Combinamos tomar um café. Quando ela me viu, disse apenas: “Você não é o Paulo Briguet”. Mostrei a carteira de identidade para provar que era. Como não sou muito parecido com o jovem que está no meu RG, a moça continuou sem acreditar que eu era eu. Ela terminou indo embora convicta de que eu era um impostor enviado pelo verdadeiro Paulo Briguet. Fazer o quê? Eu não tenho senha. Nem o Sassá.

(Crônica publicada no JL.)

Voto de cabresto

May 04, 2007
Bem melhor que Madonna e Bette Davis.

Na França, o melhor candidato obviamente é Nicolas Sarkozy. Mas vou torcer para Ségolène Royal, que é uma gostosa. Não quero que madame Royal se afaste das câmeras. Pode ser uma bosta de candidata, e é, mas também é mulé pra mais de meio metro. Além disso, tem esses dois acentinhos no nome: Ségolène! Ségolène!


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Bette Davis é uma invenção de Mankiewicz.
Madonna é uma invenção de Camille Paglia.
Nenhuma delas disse uma só palavra na vida que não tenha sido escrita por bons roteiristas. São burras, feias e vazias.
Bette Davis e Madonna são os modelos de Margo-James. Ele, portanto, é a cópia da cópia. O arremedo do arremedo.
Outro dia, um repórter disse que ficou dez horas na fila esperando para fazer três perguntas à Madonna. Eu não perderia dez minutos, ainda que soubesse falar inglês. Minha única pergunta a essa senhora seria: “Por que você não abandona a carreira de vez?”
A pior música dos Beatles é superior às obras completas de Madonna. E nem vou falar de João Sebastião, que é outro nível.

Pênis nisso

May 03, 2007
Não tenho inimigos. Mas há aqueles que ainda não são meus amigos, ou que se imaginam meus inimigos. Rezo por eles – afinal, é o que Chefe mandou.
Aqueles que se imaginam meus inimigos primeiro me “acusaram” de liberal.
Quando eu confirmei, com muita satisfação, ser liberal, passaram a dizer que eu era de direita.
Quando eu confirmei ser de direita (no sentido de que procuro fazer as coisas certas e respeito a civilização), passaram a dizer que eu era preconceituoso.
Quando eu provei que a ideologia esquerdista confunde preconceito com bom senso, passaram a dizer que eu era velho e feio.
Quando eu admiti que era velho e feio (nunca disse que era jovem e bonito, sempre insisti no contrário, mesmo quando jovem e menos feio), vieram dizer que estou mesmo é interessado em dar o rabo.
Já me chamaram de “cornista” e, muito machos, fizeram vagas ameaças de processo judicial. O processo, é claro, não virá. Mas as bravatas ficam.
À parte o péssimo trocadilho com a palavra “cronista”, é preciso que meus críticos se decidam: ou eu sou viado, ou eu sou corno...
Mas decisão não é o forte desses rapazes. Preferem tricotar uns com os outros (umas com as outras) a propósito de bananetas e outras práticas libidinosas heterodoxas. Nada contra, nada contra.
A resposta do enigma é simples: eu sou o contrário dos que imaginam meus detratores. Dono de um temperamento afável e diplomático, sou quase uma moça (não no sentido de viadagem, como bem entenderam os que conhecem a língua portuguesa e o sentido conotativo da palavra).
Ainda tomaremos uma cerveja para esclarecer a questão. Como bons e cordiais inimigos.
O convite está feito. E hoje é Quinta Sem-Lei.

Anotações de um pobre diabo

May 03, 2007

Outra vez estou aqui, diante da minha descomunal ignorância. Eles foram colocados dentro de uma ordem mais ou menos lógica, mas não isenta de surpresas. Sei que algum desses objetos retangulares – pequenos tijolos de papel e tinta – poderá salvar minha vida ou lançar-me de vez ao lugar em que há choro e ranger de dentes (o que é mais provável). Sei que não sou digno; mas não estou ansioso, nem temo. Dizei uma só palavra.

Procuro a Palavra. Deslizo a vista pelas lombadas que me escondem inumeráveis combinações de letras. Arrisco-me a retirar alguns volumes da estante, cuidando para recolocá-los no mesmo exato lugar (minúcia derivada da superstição de que entre eles existe uma secreta irmandade; desse modo, afastar Camões de Churchill pode ser um erro cabalístico imperdoável, por mais bizarro que o dueto pareça aos nossos olhos não-iniciados).

Alguns podem objetar: mas por que você não recorre às Escrituras, e a mais nada? Não estaria lá a Palavra que você tanto persegue?

Sim, a Palavra certamente está lá. Não deixo de ler as Escrituras. Mas, como o próprio nome indica, não se trata de apenas um livro – são muitos. A voz da Criação se manifesta das formas mais complexas e (aparentemente) conflitantes. Mesmo os livros que parecem claros e límpidos encerram mistérios, que demandam outros livros, que encerram outros mistérios, que demandam outros livros, que encerram outros mistérios – e assim poderíamos vaguear durante toda a vida, de livro em livro, para compreender inteiramente um só versículo das Escrituras. Descobrimos, no percurso, que a Verdade não é fácil. Se é fácil, não é Verdade.

Pois nesta semana encontrei um livro que há muito tempo procurava – na verdade, chegou-me até as mãos. “Meditações”, de John Donne. Poeta contemporâneo de Shakespeare, escreveu as “Meditações” em prosa, quando se encontrava doente e acamado. São reflexões sobre o sentido da vida, da morte, do amor, do tempo e da eternidade. Todo e qualquer texto escrito fala sobre esses assuntos, mesmo sem admitir. Qualquer palavra é um reflexo da Palavra, por mais tênue e indireto que seja. A pior bobagem escrita no mais obscuro blog só é possível pela existência de uma Verdade absoluta (com o perdão do pleonasmo).

Outro dia declarei que sou um pobre diabo. Donne confirma a minha auto-avaliação: “Ó miserável condição do homem! Esta não foi imputada por Deus, uma vez que, sendo Ele imortal em Si, colocou uma brasa, um breve brilho de imortalidade dentro de nós, que poderíamos transformar em labareda, mas que é apagada pelo nosso pecado original”.

Deixo a livraria, volto para a solidão da minha ignorância. O que João quis dizer com aquela frase? Talvez eu nunca saiba. Volto ao Livro, mais uma vez. Dizei uma só Palavra.

Notas de segunda

May 02, 2007
Gosto dos depoimentos de personalidades em enterros como o de Octavio Frias de Oliveira. Ontem, na FSP, li um bom artigo de José Serra sobre o velho Frias. Mas essas ocasiões servem também para a gente saber quem ainda está vivo. Ontem, por exemplo, descobri que Laudo Natel (ex-governador de SP) e Lázaro Brandão (do Bradesco) ainda estão no pedaço. Pergunta: José Ermírio de Moraes (o irmão do Antônio) ainda está na área ou já se retirou no sentido mais amplo? São perguntas.

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Fui sindicalista durante quatro anos. Jamais faria isso de novo, mas não vem ao caso. O problema é que eu confundia sindicalismo com o exercício cotidiano do ódio, e isso me fez muito mal (felizmente, mais a mim do que a outras pessoas, embora isso não me desculpe).
Mesmo com meu passado de erros, acho que os sindicatos têm um papel importante no desenvolvimento do capitalismo. Estimulam negociações, exigem aperfeiçoamentos do mercado e, acima de tudo, cobram governos.
Agora que o PT está no poder, as duas grandes centrais sindicais – CUT e Força Sindical – viraram correias de transmissão do governo, a exemplo dessa merda coletiva chamada UNE.
Não há como escapar da terminologia sindical: CUT e Força são pelegos da pior espécie. Neste 1o de maio, trocaram a temática trabalhista e social pela causa ecológica. É nojento, para dizer o mínimo. Agarraram-se à moda ideológica do momento só para manter seus carguinhos no governo e poupar Lula. Pelegos filhos-da-puta.

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Admirei a serenidade e a lucidez de Mara Tomaz de Souza, a mulher que, junto com os dois filhos, suportou 56 horas em poder de um bandido em Campinas. Defendeu suas crias e mostrou coragem de uma Antígona. Tem gente que não gosta de família. Eu gosto.