Minha irmã espera um filho
e o tempo espera o tempo,
invisível, inesperado.
Ela espera meu sobrinho
que virá bem a seu tempo,
pequeno e bem-amado.
Ela espera um menino
ou menina, um rebento,
e o rebento espera o tempo
de ser revelado à luz.
Minha irmã espera um filho
que o seu ventre conduz.
Meu sobrinho é pequeno,
tão pequeno, pensamento,
porém espera que o tempo
passe ainda mais veloz
do que passa normalmente
para ele ou para nós.
Meu sobrinho ainda não fala,
mesmo a luz, não sabe olhá-la,
e se aninha, mas já sabe,
meu sobrinho, ele que cabe
na palma da minha mão
– meu sobrinho, ele já sabe
o tempo do coração.
Minha mãe vê meu sobrinho
no ventre de minha irmã.
E espero, eu tão filho,
que venha pela manhã.
Tanto espero meu sobrinho,
filho de meu cunhado,
e da placenta nadador;
ele, menino ou menina,
mais do que prosa ou rima
sabe ser o inesperado
que tanto se esperou.
Minha irmã espera um filho
que está sendo, lá no ventre,
no dentro mais que o dentro,
o espelho mais cristalino
que o tempo já inventou.
Esperamos meu sobrinho,
o neto de seu avô.
Belo poema e parabens para a Fer...e para vc, titio.