Para ler um poema, é preciso, antes de tudo, ouvir a música das palavras. Escutá-lo (mais do que ouvi-lo) como se fosse um idioma estrangeiro (e digo isso com a “autoridade” de um monoglota que lê poemas em outras línguas). Depois, senti-lo. Por fim, entendê-lo.
Poema não é equação: há várias formas erradas de interpretá-lo, mas também várias formas certas.
O leitor experiente mistura as três fases de apreensão do poema – ouvir, sentir, entender –, mas o iniciante deve segui-las. É mais fácil.
O leitor de um poema deve transformar-se provisoriamente num poeta, porque a leitura poética requer imaginação, e a imaginação é a capacidade de criar imagens.
Ler poesia é um jogo quase sempre decepcionante, mas pode se tornar um agradável vício. A maioria dos poemas é ruim. O que tem de poema mal-escrito não está no gibi (está no livro – buah, ah, ah, ah). Por isso, o iniciante deve começar por boas antologias (em que as pérolas já foram separadas; ostras ao mar).
Poesia, de certa forma, é igual a futebol: um jogo em que a maioria das lances não dá certo. Mas quando dá certo, meu amigo, sai da frente que atrás vem gente. Um bom poema é um belo gol, um drible sensacional, uma defesa espírita.
E mais não digo porque não sei.
Publicado em 07 de março de 2007 às 14:00 por briguet
agora, não sei se há uma ordem pra ler poesias. acho que há poesias mais visuais, poesias pra serem murmuradas, poesias pra serem sentidas em silêncioe poesias pra sereme declamadas e outras que são quase musicadas.
pra mim o principal numa poesia, mesmo que eu não etenda, é quando ela me causa um saudável estranhamento.
é assim que me sinto quando leio manoel de barros.
no mais, excelente post, ótimo pra um debate salutar