Archive for March of 2007
Palmeiras “só” é campeão da Libertadores
March 31, 2007Ah, dizem que agora a Fifa decidiu considerar o Palmeiras como time campeão do mundo, por ter vencido um campeonato em 1951. Rejeito esse título; ele não existe.
O Palmeiras, do qual sou torcedor, é um grande time e não precisa disso. Os campeões mundiais brasileiros são, pela ordem: Santos, Flamengo, Grêmio, São Paulo e Internacional. São os que venceram um dos mais difíceis torneios do mundo – a Libertadores de América – e depois venceram o campeão da Europa, que havia passado por uma competição igualmente difícil, a Copa dos Campeões da Europa.
O Corinthians também é um grande time. Não precisa se considerar campeão mundial por ter vencido um torneio de verão – o qual a Fifa abandonou – em 2000.
O Palmeiras ainda será campeão mundial, tenho fé. No gramado. E depois de ter vencido um torneio com o qual o Corinthians sonha até hoje – a Libertadores de América.
O Corinthians, coitado, "no habla castelllano".
Sobel
March 31, 2007
Em 1975, quando a coisa pegava – e pegava mesmo – o rabino Henry Sobel peitou a ditadura militar e enterrou o jornalista Vladimir Herozg no jazigo da família, e não nos cantos do cemitério, como é reservado aos suicidas na religião judaica.
Com esse ato – e com o ato ecumênico que se seguiu à morte de Herzog, na Catedral da Sé –, Sobel mostrou-se um homem corajoso e denunciou a linha-dura do regime militar.
Agora, Sobel foi flagrado furtando gravatas numa loja em Miami. Algo infinitamente menos perigoso do que enfrentar a ditadura militar brasileira.
Porém, ocasião para que anti-semitas em geral – Sobel sempre foi favorável a uma negociação pacífica na luta entre israelenses e palestinos – possam se manifestar com a habitual salivação hidrófoba.
Henry Sobel supostamente cometeu um erro – furtou gravatas. Não ousem diminuir o que ele fez antes, ó babacas anti-semitas.
Comentários anti-semitas serão apagados implacavelmente.
Com esse ato – e com o ato ecumênico que se seguiu à morte de Herzog, na Catedral da Sé –, Sobel mostrou-se um homem corajoso e denunciou a linha-dura do regime militar.
Agora, Sobel foi flagrado furtando gravatas numa loja em Miami. Algo infinitamente menos perigoso do que enfrentar a ditadura militar brasileira.
Porém, ocasião para que anti-semitas em geral – Sobel sempre foi favorável a uma negociação pacífica na luta entre israelenses e palestinos – possam se manifestar com a habitual salivação hidrófoba.
Henry Sobel supostamente cometeu um erro – furtou gravatas. Não ousem diminuir o que ele fez antes, ó babacas anti-semitas.
Comentários anti-semitas serão apagados implacavelmente.
El tiempo pasa*
March 30, 2007
No dia 4 de abril, tem visão e audição do Inferno em São Paulo: show reúne MARIA RITA e MERCEDES SOSA.
Há coisas que ultrapassam a imaginação humana. Nem nos piores momentos eu poderia imaginar uma tortura dessas. MARIA “Ela ainda insiste?” RITA e MERCEDES “Ela ainda existe?” SOSA.
*****
Há também o casamento do Giannecchini com a Marília Gabriela por longos oito anos (foi tudo isso?), para depois ser disputado por Preta Gil e Adriane Galhos Teus.
*****
Mas a dupla MARIA RITA e MERCEDES SOSA... é o paroxismo da tosquice.
*****
(* Ler o título com a voz cantante de meu amigo Lilson Sérgio ao violão.)
Pra bom entendedor
March 29, 2007Se o cara fala “pré-conceito”, peço licença pra comprar cigarro na esquina (eu que não fumo) e dou no pé pra nunca mais voltar.
É tão grave quanto “exercício da cidadania” ou “conscientização”.
Todo mundo e ninguém
March 27, 2007
(Levemente, mas bem de leve mesmo, inspirado em Gil Vicente.)
Todo mundo tem aquele amigo que está sempre com dívidas, perseguido pelos credores, caçado pelas ex-mulheres, excomungado pelos bancos, envolvido até o pescoço em negócios sem pé nem cabeça – e que de repente aparece com um carro zerinho, comprado com o dinheiro que – todo mundo sabe – ele não tem.
*****
Todo mundo tem aquele parente que chega em casa sem aviso prévio, traz dois sobrinhos e as respectivas namoradas (além de um cachorro muito bagunceiro e fedido), abre a porta da geladeira e usa o banheiro de porta aberta (sem esquecer de mijar na tampa da privada, é claro). Aquele parente que não tem bons modos à mesa, dá bronca na empregada e canta a mulher do vizinho.
*****
Por falar nisso, todo mundo tem um vizinho que parece boa pessoa, mas você não sabe o nome. Você pergunta o nome do cara, ele diz, e no dia seguinte você já esqueceu, droga.
*****
Todo mundo tem saudade de algum cachorro vira-lata.
*****
Todo mundo tem uma canalhice que fez e ninguém ficou sabendo – nem nunca, se Deus quiser, saberá. Mas Deus sabe – e você responderá no Dia do Juízo.
*****
Todo mundo tem um amor perdido e uma história envolvendo Fusca. Fiat 150 (encontraram mais três defeitos) e Kombi também valem.
*****
Todo mundo tem fome, tem sono, tem sede e tem medo.
*****
Todo mundo tem vergonha alheia. Agora, por exemplo.
*****
Todo mundo tem a impressão de que deveria ter dito algo muito inteligente num momento crucial – mas o duro é que a gente só pensou nas palavras certas dois dias depois, quando não adiantava mais.
*****
Todo mundo tem um plano B.
*****
Todo mundo tem uma dor-de-cotovelo que demorou muito a passar – e, pra dizer a verdade, volta de vez em quando.
*****
Todo mundo já se sentiu a pior pessoa do mundo.
*****
Todo mundo tem aquele dia em que não queria ser ninguém.
Todo mundo tem aquele amigo que está sempre com dívidas, perseguido pelos credores, caçado pelas ex-mulheres, excomungado pelos bancos, envolvido até o pescoço em negócios sem pé nem cabeça – e que de repente aparece com um carro zerinho, comprado com o dinheiro que – todo mundo sabe – ele não tem.
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Todo mundo tem aquele parente que chega em casa sem aviso prévio, traz dois sobrinhos e as respectivas namoradas (além de um cachorro muito bagunceiro e fedido), abre a porta da geladeira e usa o banheiro de porta aberta (sem esquecer de mijar na tampa da privada, é claro). Aquele parente que não tem bons modos à mesa, dá bronca na empregada e canta a mulher do vizinho.
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Por falar nisso, todo mundo tem um vizinho que parece boa pessoa, mas você não sabe o nome. Você pergunta o nome do cara, ele diz, e no dia seguinte você já esqueceu, droga.
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Todo mundo tem saudade de algum cachorro vira-lata.
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Todo mundo tem uma canalhice que fez e ninguém ficou sabendo – nem nunca, se Deus quiser, saberá. Mas Deus sabe – e você responderá no Dia do Juízo.
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Todo mundo tem um amor perdido e uma história envolvendo Fusca. Fiat 150 (encontraram mais três defeitos) e Kombi também valem.
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Todo mundo tem fome, tem sono, tem sede e tem medo.
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Todo mundo tem vergonha alheia. Agora, por exemplo.
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Todo mundo tem a impressão de que deveria ter dito algo muito inteligente num momento crucial – mas o duro é que a gente só pensou nas palavras certas dois dias depois, quando não adiantava mais.
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Todo mundo tem um plano B.
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Todo mundo tem uma dor-de-cotovelo que demorou muito a passar – e, pra dizer a verdade, volta de vez em quando.
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Todo mundo já se sentiu a pior pessoa do mundo.
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Todo mundo tem aquele dia em que não queria ser ninguém.
Só Preto Sem Preconceito
March 27, 2007
Palavras de Matilde Ribeiro, titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial, em entrevista à BBC Brasil:
“Eu acho natural que tenha [racismo de negros contra brancos]. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.”
Palavras de Goebbels, ministro de um certo governo:
“Eu decido quem é judeu e quem não é judeu.”
Pronto. Racismo é o que a dona ministra diz que é racismo.
Tá tudo dominado!
Um único problema: ficou obsoleta a banda de pagode que dá título ao post.
Anotação mental
March 26, 2007Subiu no telhado.
Uma noite no Purgatório
March 26, 2007
Dei um pulinho no Purgatório. Como o próprio nome diz, é o lugar em que as almas se purgam de seus pecados veniais antes de subirem ao Céu (porque no Paraíso só se entra bem limpo).
O Purgatório é um lugar de sofrimento e esperança. Ao contrário do Inferno, tem porta de saída. Mas a chave está com Deus.
O Purgatório na Terra chama-se Concurso de Rainha da Exposição de Londrina.
Difícil explicar o que é um Concurso de Rainha da Exposição para quem não mora na Terra Vermelha. Aquilo é sertão puro. É algo entre concurso de miss, desfile de moda e rodeio. Diferente dos três, porém: é mais valorizado que concurso de miss; é menos moderno que desfile de moda; é menos selvagem que rodeio.
Fui lá, já que minha noiva fez parte do júri. Acompanhá-la era uma obrigação de cavalheiro.
As moças desfilam com suas roupas em estilo country. As famílias das concorrentes organizam torcidas. Soam cornetas ensurdecedoras. A música é meio country, meio techno. A cerveja é Nova Schin (três reais a latinha; era só o que lá tinha – buahahahahaha).
Folheando a revista com as fotos e fichas das concorrentes, vejo que a mais velha entre elas nasceu em 1990 – quando eu já havia lido Trotsky e discursava em assembléia (eu sei que não são dois bons exemplos de uso da massa encefálica, mas eu já tinha lido “Guerra e Paz” também).
Duas raparigas ficaram empatadas na disputa pelo título de 1a Princesa da Exposição (sim, há a Rainha, duas princesas e a Garota Simpatia). Quem os bravos organizadores foram consultar para decidir o método de desempate? As mães das meninas. Meu Deus! Em concurso de beleza, as últimas a serem consultadas devem ser as mães; elas teriam que ficar a pelo menos 50 metros de qualquer centro decisório.
Mas as mães foram consultadas – e optaram por novo desfile das duas moças empatadas. O que fez o concurso demorar pelo menos 40 minutos além do esperado. Em suma, as empatadas empataram o negócio. E dá-lhe desfile. E dá-lhe corneta. E um calor dos infernos.
Escolhida a Rainha – muito bonita, por sinal –, desempatadas as princesas e nomeada a Garota Simpatia, eis que vamos embora. É a diferença entre Purgatório e Inferno: o primeiro tem hora pra terminar.
PS: O apresentador do concurso é primo da garota vencedora. Não houve favorecimento, a meu ver. Mas, já que o grau de parentesco era de todos conhecido, não daria pra arrumar outro apresentador? (Olha aí eu dando palpite em Purgatório...)
Luiz Inácio Judas da Silva
March 22, 2007Seguindo o (mau) exemplo do Dr. Frankenstein, acabo de criar um ser assustador. Misturei os códigos genéticos do excelentífimo prefidente e de um nosso ex-professor. Da leviana experiência, surgiu Luiz Inácio Judas da Silva. Pretendo levá-lo à Quinta Sem-Lei, logo mais à noite. Não perca a chança de conhecê-lo. Monstro assim não é qualquer dia.
Só no rodízio
March 21, 2007
Fui ao restaurante sozinho. A trabalho. Dever de ofício, sacumé. Enquanto os garçons transitavam para lá e para cá com seus espetos (essa frase ficou meio ambígua, não?), detive-me em analisar as caras dos freqüentadores. Passatempo.
O advogado famoso de alguns medalhões da cidade. Dentes incisivos que fazem jus ao nome, cabelo meio anos 70, terno e gravata. Pede uma cerveja bem cara – a garrafa tem um formato esquisito. Está com a mulher e a filha. Pesco uma frase solta: “Se o cara fez isso, ele tá acabado! A-ca-ba-do!”
A socialite que vive saindo nas colunas da minha amiga Ana Marta. Dona de uma loja aê, uma grife, sei lá. Não é feia. Mas tem um severo problema: nunca sorri. Nunca nunquinha. Nem mesmo um sorriso protocolar. Será que ela sabe disso? É de caso pensado?
E o político. Da ala “jovem”. Chega cumprimentando todo mundo. Como diria Tia Jana: “Eh, lelê”. O cara usa cabelo lambido pra trás, fixado a gumex ou coisa parecida ("Pois senão chega a morte / Ou coisa parecida" - Fagner). Dura lex sed lex, no cabelo só gumex!
Termino parasitando uma letra de autoria do grande Aguinaldo Kupper, professor de história e amigo dileto:
Fui no restaurante
Olhei pro chão, vi um diamante
E ganhei um dinheirão (dinheirão, dinheirão)
Com o dinheirão
Comprei um carrão, uma casa e tudo mais
Trabalhar jamais, trabalhar jamais
Quando me disseram que eu tava rico
Apareceu u’a mulher não sei de onde
E eu parecia um conde
E eu parecia um conde.
Esqueci o resto da letra (o próprio autor esqueceu). Porém -- aaaaaah, porém! -- trata-se de um crássico! Pena que não achei o diamante. Só vi o advogado, a socialite e o político. Melda.
O advogado famoso de alguns medalhões da cidade. Dentes incisivos que fazem jus ao nome, cabelo meio anos 70, terno e gravata. Pede uma cerveja bem cara – a garrafa tem um formato esquisito. Está com a mulher e a filha. Pesco uma frase solta: “Se o cara fez isso, ele tá acabado! A-ca-ba-do!”
A socialite que vive saindo nas colunas da minha amiga Ana Marta. Dona de uma loja aê, uma grife, sei lá. Não é feia. Mas tem um severo problema: nunca sorri. Nunca nunquinha. Nem mesmo um sorriso protocolar. Será que ela sabe disso? É de caso pensado?
E o político. Da ala “jovem”. Chega cumprimentando todo mundo. Como diria Tia Jana: “Eh, lelê”. O cara usa cabelo lambido pra trás, fixado a gumex ou coisa parecida ("Pois senão chega a morte / Ou coisa parecida" - Fagner). Dura lex sed lex, no cabelo só gumex!
Termino parasitando uma letra de autoria do grande Aguinaldo Kupper, professor de história e amigo dileto:
Fui no restaurante
Olhei pro chão, vi um diamante
E ganhei um dinheirão (dinheirão, dinheirão)
Com o dinheirão
Comprei um carrão, uma casa e tudo mais
Trabalhar jamais, trabalhar jamais
Quando me disseram que eu tava rico
Apareceu u’a mulher não sei de onde
E eu parecia um conde
E eu parecia um conde.
Esqueci o resto da letra (o próprio autor esqueceu). Porém -- aaaaaah, porém! -- trata-se de um crássico! Pena que não achei o diamante. Só vi o advogado, a socialite e o político. Melda.
A morte do português
March 20, 2007
Hoje comprei um mapa de Portugal e Espanha. Um tiozinho me vendeu o rolo por quinzão na calçada da Tiradentes.
Por que fiz isso? Não sei bem ao certo. Sempre gostei de geografia. Estou lendo “Dom Quixote”, e queria conhecer a Mancha de perto, tal como é hoje. Mas a principal razão é outra; uma espécie de nostalgia antecipada.
Daqui a um tempo esta língua estará morta. Pouco tempo. Estará mortinha da Silva, como nossos antepassados. Em breve – muito breve! – nós seremos os antepassados, quiçá ainda vivos, e ninguém nos entenderá – nem à nossa fala, nem aos nossos documentos.
Talvez, dentro de décadas, um punhado de estudiosos velhos e caquéticos – nós mesmos? – compreenderá a língua portuguesa. Seremos mais ininteligíveis, para a maioria, que o galego-português da “Cantiga da Ribeirinha” (dei aula sobre isso hoje, e quem perguntou?).
Nosso idioma vai morrer de maneira rápida e seca. A língua morrerá à míngua, transformada em inglês cucaracho, chinês tupiniquim, subespanhol de alfândega, internetês miguxo debuquisondetêibou. Seremos – logo logo – a fraca, melancólica e solitária língua portuguesa, apodrecendo em meio aos livros velhos, ela própria um livro velho que ninguém mais abre. A última flor do Lácio morrerá como veio ao mundo: subalterna, triste e trágica. Sem pétalas, sem cheiro, sem espinho, sem flor. Língua sem bocas.
Assim as morrem as línguas – “não com um estrondo, mas com um suspiro”. Morrem abandonadas em pensionatos falidos – em casas da luz vermelha – em trens de subúrbio. As línguas se formam ao longo de séculos; mas, com o frenesi da comunicação mundial (óia que palavra: frenesi!), levarão minguadas décadas para sumir do mapa. O português, tenho certeza, vai sumir geral. Não há maneira de salvar o gajo. Mesmo que aparecessem hoje mil Camões (o legal desse nome é que já vem no plural...), o destino do idioma luso está selado, fudido e mal pago – inscrito na pedra. Na lápide: aqui jaz.
O português, para mim, não é uma língua; é um vício. Tal como outros vícios, ele me impede de travar contato com a vida real. Falar português é um modo de incomunicação; uma espécie de autismo verbal; um monólogo com seres mortos e imaginários; um sintoma de afasia. Hoje ainda é útil – amanhã será fútil. Talvez até antes de amanhã.
Sinto pelo português. Desde já derramarei uma lágrima por ele; uma lágrima no teclado do computador. Terei saudade de minha lingüeta; afinal, é a única que sei falar. Sou mais monoglota do que o papa é monoteísta (e sou monoteísta também; mas Deus fala hebraico, aramaico e esperanto).
Repudio com todas as minhas forças (que são poucas) essas bravatas nacionalistas, essas leis idiotas para “preservar o idioma pátrio”. Idioma pátrio é a puta que o pariu. A morte do português é inevitável porque assim prevê a dinâmica da linguagem humana; se o latim morreu, que dirá o portuguinha? Não há como salvá-lo, muito menos por decreto. Ê, povo tonto.
Durante séculos (vamos botar aí uns nove séculos), o português teve sua chance. Brilhou nas piadas, ah se brilhou! Teve um Camões aqui; um Bocage ali; um Fernando Pessoa acolá; um Drummond de vez em quando; um Herberto Helder, sem dúvida; um Euclides da Cunha na hora do pega-pra-capar. Mas naufragou. O véio do Restelo já tinha avisado; vocês acharam que ele tava gagá. Qualquer medida “protecionista” terá um só efeito (o mesmo que na economia): tornar o caso ridículo.
A morte do português é triste. Por favor, não a tornem grotesca. Deixem o portuga morrer com dignidade. Daqui a um tempo, o pessoal vai ler este texto sem entender lhufas. Em caso de dúvida, é só perguntar ao papagaio.
Por que fiz isso? Não sei bem ao certo. Sempre gostei de geografia. Estou lendo “Dom Quixote”, e queria conhecer a Mancha de perto, tal como é hoje. Mas a principal razão é outra; uma espécie de nostalgia antecipada.
Daqui a um tempo esta língua estará morta. Pouco tempo. Estará mortinha da Silva, como nossos antepassados. Em breve – muito breve! – nós seremos os antepassados, quiçá ainda vivos, e ninguém nos entenderá – nem à nossa fala, nem aos nossos documentos.
Talvez, dentro de décadas, um punhado de estudiosos velhos e caquéticos – nós mesmos? – compreenderá a língua portuguesa. Seremos mais ininteligíveis, para a maioria, que o galego-português da “Cantiga da Ribeirinha” (dei aula sobre isso hoje, e quem perguntou?).
Nosso idioma vai morrer de maneira rápida e seca. A língua morrerá à míngua, transformada em inglês cucaracho, chinês tupiniquim, subespanhol de alfândega, internetês miguxo debuquisondetêibou. Seremos – logo logo – a fraca, melancólica e solitária língua portuguesa, apodrecendo em meio aos livros velhos, ela própria um livro velho que ninguém mais abre. A última flor do Lácio morrerá como veio ao mundo: subalterna, triste e trágica. Sem pétalas, sem cheiro, sem espinho, sem flor. Língua sem bocas.
Assim as morrem as línguas – “não com um estrondo, mas com um suspiro”. Morrem abandonadas em pensionatos falidos – em casas da luz vermelha – em trens de subúrbio. As línguas se formam ao longo de séculos; mas, com o frenesi da comunicação mundial (óia que palavra: frenesi!), levarão minguadas décadas para sumir do mapa. O português, tenho certeza, vai sumir geral. Não há maneira de salvar o gajo. Mesmo que aparecessem hoje mil Camões (o legal desse nome é que já vem no plural...), o destino do idioma luso está selado, fudido e mal pago – inscrito na pedra. Na lápide: aqui jaz.
O português, para mim, não é uma língua; é um vício. Tal como outros vícios, ele me impede de travar contato com a vida real. Falar português é um modo de incomunicação; uma espécie de autismo verbal; um monólogo com seres mortos e imaginários; um sintoma de afasia. Hoje ainda é útil – amanhã será fútil. Talvez até antes de amanhã.
Sinto pelo português. Desde já derramarei uma lágrima por ele; uma lágrima no teclado do computador. Terei saudade de minha lingüeta; afinal, é a única que sei falar. Sou mais monoglota do que o papa é monoteísta (e sou monoteísta também; mas Deus fala hebraico, aramaico e esperanto).
Repudio com todas as minhas forças (que são poucas) essas bravatas nacionalistas, essas leis idiotas para “preservar o idioma pátrio”. Idioma pátrio é a puta que o pariu. A morte do português é inevitável porque assim prevê a dinâmica da linguagem humana; se o latim morreu, que dirá o portuguinha? Não há como salvá-lo, muito menos por decreto. Ê, povo tonto.
Durante séculos (vamos botar aí uns nove séculos), o português teve sua chance. Brilhou nas piadas, ah se brilhou! Teve um Camões aqui; um Bocage ali; um Fernando Pessoa acolá; um Drummond de vez em quando; um Herberto Helder, sem dúvida; um Euclides da Cunha na hora do pega-pra-capar. Mas naufragou. O véio do Restelo já tinha avisado; vocês acharam que ele tava gagá. Qualquer medida “protecionista” terá um só efeito (o mesmo que na economia): tornar o caso ridículo.
A morte do português é triste. Por favor, não a tornem grotesca. Deixem o portuga morrer com dignidade. Daqui a um tempo, o pessoal vai ler este texto sem entender lhufas. Em caso de dúvida, é só perguntar ao papagaio.
Londrina é nossa paixão
March 19, 2007
Outro dia alguns bandidos aqui em Londrina (Norte do Paraná, Brasil, América Latina, Mundo, Sistema Solar, Via Láctea, Universo) derramaram álcool numa freira carmelita e ameaçaram queimá-la viva. Basta um passeio de cinco minutos pelos chamados “cartões postais” da cidade – o Zerão e o Lago Igapó – para perceber que o abandono é geral. Assalto e seqüestro-relâmpago viraram rotina.
Aí vem o prefeito e dá entrevista aos dois principais jornais da cidade para dizer que Londrina está “bem-cuidada”. A certa altura, na entrevista ao Jornal de Londrina, o sr. Nedson – é o nome do alcaide – insinua que os problemas da cidade só existem “para os leitores do JL”. E mais: elogia a política de segurança do governadorzinho Requião (o diminutivo é necessário para que se afaste qualquer ilusão de grandeza).
Minutos atrás, liguei a televisão e ouvi aquele terrível jingle da companhia telefônica municipal (pago com o nosso dinheiro, portanto):
Londrina é nossa paixão!
Cidade ligada no tempo, ligada no mundo...
Detalhe é que o jingle era ruim e ficou pior. Agora, é apresentado em versão country, toda animadinha, numa referência à Exposição Agropecuária da cidade.
Realmente, Londrina está ligada AO tempo e AO mundo. É um símbolo urbano do continente que tem Hugo Chávez por líder.
Londrina é a vodca Orloff do Brasil. Há 15 anos a cidade vive um pêndulo entre Belinati e o PT. Lula, como eu já disse aqui, é um Belinati nacional. E o PT é o PT – sempre ele. O que o país sofre hoje nós já sofremos antes.
Sim, Londrina é nossa paixão. Na medida em que paixão é sinônimo de doença.
Aí vem o prefeito e dá entrevista aos dois principais jornais da cidade para dizer que Londrina está “bem-cuidada”. A certa altura, na entrevista ao Jornal de Londrina, o sr. Nedson – é o nome do alcaide – insinua que os problemas da cidade só existem “para os leitores do JL”. E mais: elogia a política de segurança do governadorzinho Requião (o diminutivo é necessário para que se afaste qualquer ilusão de grandeza).
Minutos atrás, liguei a televisão e ouvi aquele terrível jingle da companhia telefônica municipal (pago com o nosso dinheiro, portanto):
Londrina é nossa paixão!
Cidade ligada no tempo, ligada no mundo...
Detalhe é que o jingle era ruim e ficou pior. Agora, é apresentado em versão country, toda animadinha, numa referência à Exposição Agropecuária da cidade.
Realmente, Londrina está ligada AO tempo e AO mundo. É um símbolo urbano do continente que tem Hugo Chávez por líder.
Londrina é a vodca Orloff do Brasil. Há 15 anos a cidade vive um pêndulo entre Belinati e o PT. Lula, como eu já disse aqui, é um Belinati nacional. E o PT é o PT – sempre ele. O que o país sofre hoje nós já sofremos antes.
Sim, Londrina é nossa paixão. Na medida em que paixão é sinônimo de doença.
Canção da rosa
March 16, 2007
1
Hoje eu vou colher uma rosa pálida
uma rosa triste
calma como todas as rosas.
Hoje eu vou colher uma rosa tímida
uma rosa em fogo
nua como todas as rosas.
Hoje eu vou comer uma rosa
para saber-lhe o sabor
e cuspir dez espinhos.
Hoje eu vou raptar uma rosa
e sangrar pelas mãos como Rilke
até dormir e sumir de cansaço.
Hoje eu vou sonhar uma rosa
e perder uma rosa e pensar uma rosa
e amar e saber e ouvir
uma rosa
invisível rosa
improvável rosa
no meio das folhas da morte.
2
Potência e ato, a morte
é anterior a mim
anterior ao fato
de que ao mundo vim.
A morte é minha droga
e só com a morte
a morte dialoga.
A morte é meu pai
minha irmã meu filho
a morte é uma rosa
em fogo e delírio.
Hoje eu vou colher uma rosa pálida
uma rosa triste
calma como todas as rosas.
Hoje eu vou colher uma rosa tímida
uma rosa em fogo
nua como todas as rosas.
Hoje eu vou comer uma rosa
para saber-lhe o sabor
e cuspir dez espinhos.
Hoje eu vou raptar uma rosa
e sangrar pelas mãos como Rilke
até dormir e sumir de cansaço.
Hoje eu vou sonhar uma rosa
e perder uma rosa e pensar uma rosa
e amar e saber e ouvir
uma rosa
invisível rosa
improvável rosa
no meio das folhas da morte.
2
Potência e ato, a morte
é anterior a mim
anterior ao fato
de que ao mundo vim.
A morte é minha droga
e só com a morte
a morte dialoga.
A morte é meu pai
minha irmã meu filho
a morte é uma rosa
em fogo e delírio.
Em todos os sentidos UNOPAAAAAAAAAAR!
March 16, 2007
Deve existir um ser maligno que habita as profundezas e se dedica a uma única atividade: compor jingles que não saem da cabeça da gente. Ontem mesmo fiquei a tarde inteira cantarolando, para desespero dos meus colegas de trabalho: “É carro novo... ponto com, ponto br! É carro novo... ponto com, ponto br!”
Quando vou ao cinema, minha chefia passa uma tremenda vergonha, porque eu costumo cantar junto com a propaganda antes do filme: “Em todos os sentidos UNOPAAAAAAAR!”
Os planos de assistência funeral são engraçados porque não pronunciam a palavra funeral nem a palavra morte. Sei como é; já trabalhei em agência de publicidade e tive que redigir notas para esse tipo de empresa. Faz tempo que não ouço o monumental jingle do Unopax:
Há coisas na vida da gente
Que é preciso dar muito valor
Saúde pra toda família
E amparo na hora da dor
Unipax, plano de assistência familiar
Convênios médicos com especialistas
Pra quando você precisar
Unipax – tranqüilidade pra sua família...
Notem o erro de regência do primeiro para o segundo verso. O trecho mais genial para mim é “Convênios médicos com especialistas”. Camões não faria melhor.
Com certidão de nascimentuuuuuuu.... sou cidadããããããããão”...
Móveis Brasília! A loja da famíííília...
Tem franguinho na panela! Tem alegria no ar! Que beleza, tem Big Frango na mesa!
É carro novo... ponto com, ponto br! É carro novo... ponto com, ponto br!
E mais não digo (nem canto).
Quando vou ao cinema, minha chefia passa uma tremenda vergonha, porque eu costumo cantar junto com a propaganda antes do filme: “Em todos os sentidos UNOPAAAAAAAR!”
Os planos de assistência funeral são engraçados porque não pronunciam a palavra funeral nem a palavra morte. Sei como é; já trabalhei em agência de publicidade e tive que redigir notas para esse tipo de empresa. Faz tempo que não ouço o monumental jingle do Unopax:
Há coisas na vida da gente
Que é preciso dar muito valor
Saúde pra toda família
E amparo na hora da dor
Unipax, plano de assistência familiar
Convênios médicos com especialistas
Pra quando você precisar
Unipax – tranqüilidade pra sua família...
Notem o erro de regência do primeiro para o segundo verso. O trecho mais genial para mim é “Convênios médicos com especialistas”. Camões não faria melhor.
Com certidão de nascimentuuuuuuu.... sou cidadããããããããão”...
Móveis Brasília! A loja da famíííília...
Tem franguinho na panela! Tem alegria no ar! Que beleza, tem Big Frango na mesa!
É carro novo... ponto com, ponto br! É carro novo... ponto com, ponto br!
E mais não digo (nem canto).
Eu sou ontem
March 16, 2007
Há pedaços da quinta-feira espalhados pela sexta. Uma dor de cabeça por trás da Neosaldina. A noite infesta a manhã com restos de conversa fiada e música ruim. Discordâncias graves entre dever e vontade. Um tédio pesado face a qualquer argumento. Só eu estou acordado no quarteirão; com a luz acesa, olho para a garagem deserta. Nem mesmo um gato. A vida é um silogismo falso.
*****
E não vou contar a piada do japonês. Só tem graça ao vivo.
*****
E não vou contar a piada do japonês. Só tem graça ao vivo.
Profissiodilho do trocanal
March 15, 2007Acabou aquela história de fazer convites para o Tipos? Eu tenho um convite sobrando e gostaria de chamar o Capitão Mantovani, bravo guerreiro das quintas sem-lei.
Hoje mesmo, Mantovani me contou uma ótima. Ele foi revelar umas fotos. Numa delas, havia quatro pessoas, todas de olhos vermelhos. A balconista da loja disse que, se ele quisesse tirar o vermelho dos olhos, o preço era de R$ 2 por pessoa. Ao que Mantovani redarguiu:
– MAS ESSA FOTO TÁ OS OLHOS DA CARA!
Rápido. Espetacular. Fulminante. E mais não digo – porque gostaria de ter dito.
*****
Ah, não me deixem esquecer de contar a piada do japonês viado hoje à noite!
Novas visões do Inferno
March 14, 2007

Vez por outra eu penso no Inferno. Em como deve ser a casa do capeta. Se o próprio Vaticano já reconhece que o Inferno não é uma fornalha com diabinhos, mas um “estado de espírito” e a “ausência de Deus”, acho que estou livre para imaginar algumas situações infernais. É claro que Dante fez isso muito melhor, há 800 anos, mas na época de Dante não havia Skank. Na Divina Comédia, o nono círculo do Inferno – o mais profundo e terrível – é dedicado aos traidores e presidido pessoalmente por Lúcifer. Hoje em dia, poderíamos substituir Lúcifer por Samuel Rosa ou Tony Garrido – com efeitos ainda mais devastadores.
Minha última concepção de Inferno envolve um acampamento da UNE com manifestantes envergando camisetas “Sou da Paz” e do Che Guevara, todos simpatizantes de Hugo Chávez e pouco afeitos a banho.
Também poderia ser uma casa de madeira na Vila Nova com um daqueles grupos de “teatro do oprimido” fazendo cantoria e passando o chapéu. Muita maconha, nesse Inferno. Nenhum banho. Desnecessário dizer que todas as mulheres são barangas e todos os homens vendem artesanato.
Quem sabe, um seminário da Secretaria Especial da Mulher que nunca tem fim. Uma palestrante fala da “questão dos gêneros”; a outra fala do “feminismo contemporâneo”; a terceira é especialista em termos politicamente corretos; e assim por diante. Bebida: café frio e muito doce. Poltrona que range. Ao lado, uma sapatona do Bar do Jota.
E tudo isso pela eternidade.
O juiz e o cronista
March 12, 2007
Meu avô, o seo Briguet, era juiz de futebol. Portanto, minha bisavó foi alvo de muitos xingamentos injustos. Mal o homem do apito entra em campo, a torcida já começa a chamá-lo de fdp, fdp, fdp.
Pois ontem eu fui xingado de fdp. Não, eu não virei juiz. Fui ao campo apenas para exercer meu trabalho de repórter. Além de assistir ao Londrina perder e ser desclassificado, tomei uma chuva daquelas. No momento em que você lê esta crônica, já devo estar resfriado.
No final do jogo, quando já estava 2 a 0 para o Cascavel, um amigo gritou do alambrado:
– Aê, Briguet, vai escrever uma crônica sobre o jogo!
Eu olhei para trás, reconheci o amigo e o cumprimentei com um aceno.
Dois torcedores, já amargurados pela derrota do Tubarão, acharam que eu estava comemorando o resultado. E imediatamente começaram a xingar:
– Ô, fdp! Ô, repórter fdp!
Não respondi, é claro. Continuei ouvindo os xingamentos, como se eles não fossem comigo. E nesse momento eu percebi que estava fazendo o mesmo que o meu avô fazia meio século atrás.
A chuva caía com mais força sobre o VGD. O Londrina tentava desesperadamente fazer um milagre. Parte da torcida ia embora, e os dois torcedores continuavam a xingar minha mãe, além de proferir outros termos impublicáveis neste blog de família.
Pensei em ir até o alambrado e, educadamente, perguntar o que eu e minha mãe temos a ver com a derrota do Tubarão. Mas ponderei que o seo Briguet não faria isso. Ele tinha que apitar o jogo até o final; eu tenho que noticiar o jogo até o final.
Meu avô deve ter tomado muita chuva em sua carreira de árbitro. Durante a semana, ele também era pintor de carros; deve ter ido trabalhar gripado em várias segundas-feiras.
Tenho saudade do vô. Uma saudade tão grande que se traduz no meu próprio rosto: somos muito parecidos. Sei que ele estava ontem, ao meu lado, sob a chuva, até o apito final de Londrina 0 x 2 Cascavel.
O tempo vai passando, como um jogo de futebol, e o cronista Paulo Briguet vai se tornando cada vez mais parecido com o juiz Orestes Briguet. Que os outros nos chamem de fdp. Nós não somos de briga – temos um trabalho a fazer.
(Publicado no Jornal de Londrina.)
Pois ontem eu fui xingado de fdp. Não, eu não virei juiz. Fui ao campo apenas para exercer meu trabalho de repórter. Além de assistir ao Londrina perder e ser desclassificado, tomei uma chuva daquelas. No momento em que você lê esta crônica, já devo estar resfriado.
No final do jogo, quando já estava 2 a 0 para o Cascavel, um amigo gritou do alambrado:
– Aê, Briguet, vai escrever uma crônica sobre o jogo!
Eu olhei para trás, reconheci o amigo e o cumprimentei com um aceno.
Dois torcedores, já amargurados pela derrota do Tubarão, acharam que eu estava comemorando o resultado. E imediatamente começaram a xingar:
– Ô, fdp! Ô, repórter fdp!
Não respondi, é claro. Continuei ouvindo os xingamentos, como se eles não fossem comigo. E nesse momento eu percebi que estava fazendo o mesmo que o meu avô fazia meio século atrás.
A chuva caía com mais força sobre o VGD. O Londrina tentava desesperadamente fazer um milagre. Parte da torcida ia embora, e os dois torcedores continuavam a xingar minha mãe, além de proferir outros termos impublicáveis neste blog de família.
Pensei em ir até o alambrado e, educadamente, perguntar o que eu e minha mãe temos a ver com a derrota do Tubarão. Mas ponderei que o seo Briguet não faria isso. Ele tinha que apitar o jogo até o final; eu tenho que noticiar o jogo até o final.
Meu avô deve ter tomado muita chuva em sua carreira de árbitro. Durante a semana, ele também era pintor de carros; deve ter ido trabalhar gripado em várias segundas-feiras.
Tenho saudade do vô. Uma saudade tão grande que se traduz no meu próprio rosto: somos muito parecidos. Sei que ele estava ontem, ao meu lado, sob a chuva, até o apito final de Londrina 0 x 2 Cascavel.
O tempo vai passando, como um jogo de futebol, e o cronista Paulo Briguet vai se tornando cada vez mais parecido com o juiz Orestes Briguet. Que os outros nos chamem de fdp. Nós não somos de briga – temos um trabalho a fazer.
(Publicado no Jornal de Londrina.)
Vento ancestral
March 12, 2007
as vozes os tempos as vidas
canções há tanto esquecidas
ressoam dentro de nós
as vozes os tempos as vidas
as águas da chuva eterna
dilúvio que em nós hiberna
as vozes há tanto sumidas
as águas da chuva eterna
e cada vez mais ficamos
parecidos com nossos pais
parecidos com nossos avós
as vozes os tempos os cantos
confluem para uma só voz
igualam-se mais e mais
e cada vez somos nós
parecidos com nossos pais
uma inflexão da frase
um modo de acordar
a evocação de uma tarde
destroem – tabula rasa –
a originalidade
do suposto singular
cada vez mais o dia
me torna igual a meu pai
as vozes os tempos as vidas
a chuva eterna caindo
em nós o dilúvio cai
o olho do furacão
os olhos da nuvem cinza
ventania ancestral
as vozes os tempos as vidas
desaparecidas canções
hoje ouvimos menos mal
um nome sem nome
uma dor
um primo distante
em terra distante em tempo distante
um mendigo um homem
seguindo adiante sentindo fome
sou eu muito tempo antes
de ter esta forma
no corpo este canto
as vozes os tempos as vidas
canções mais que repetidas
sorriso mais velho que a fala
voz mais antiga que o sol
as vozes canções perdidas
compostas em si bemol
uma palavra um aceno um defeito
a abreviatura de um silêncio
meu rosto é meu avô
a figura em contratempo
uma forma de acordar
às vezes as vidas os ventos
não cessam de soprar
sem movimento
canções há tanto esquecidas
ressoam dentro de nós
as vozes os tempos as vidas
as águas da chuva eterna
dilúvio que em nós hiberna
as vozes há tanto sumidas
as águas da chuva eterna
e cada vez mais ficamos
parecidos com nossos pais
parecidos com nossos avós
as vozes os tempos os cantos
confluem para uma só voz
igualam-se mais e mais
e cada vez somos nós
parecidos com nossos pais
uma inflexão da frase
um modo de acordar
a evocação de uma tarde
destroem – tabula rasa –
a originalidade
do suposto singular
cada vez mais o dia
me torna igual a meu pai
as vozes os tempos as vidas
a chuva eterna caindo
em nós o dilúvio cai
o olho do furacão
os olhos da nuvem cinza
ventania ancestral
as vozes os tempos as vidas
desaparecidas canções
hoje ouvimos menos mal
um nome sem nome
uma dor
um primo distante
em terra distante em tempo distante
um mendigo um homem
seguindo adiante sentindo fome
sou eu muito tempo antes
de ter esta forma
no corpo este canto
as vozes os tempos as vidas
canções mais que repetidas
sorriso mais velho que a fala
voz mais antiga que o sol
as vozes canções perdidas
compostas em si bemol
uma palavra um aceno um defeito
a abreviatura de um silêncio
meu rosto é meu avô
a figura em contratempo
uma forma de acordar
às vezes as vidas os ventos
não cessam de soprar
sem movimento
1985, o ano que não existiu
March 10, 2007
Acho que já escrevi isto em algum lugar, mas vou dizer de novo: eu não acredito na existência do ano de 1985. Aqueles doze meses não aconteceram – foram uma ilusão, um lapso, um ato falho.
Como não acredito em 1985, também não acredito que alguém possa ter nascido naquele ano. Ou mesmo depois. Só acredito na existência de pessoas nascidas antes do ano que não existiu.
Pelo que lembro, 1985 foi um ano agitado. Eu estava no 1º colegial do Anglo, no Colégio Cidade de Araçatuba, e fazia parte do grupo teatral Cromossomos. Às segundas-feiras, tinha aula de química com o Xuxu, física com o Govone e gramática com o Laurindo (percebam a cacofonia das três aulas: "química com", "física com", "gramática com" - tudo muito bonito, de uma eufonia camoniana). Outro dia visitei as antigas instalações do colégio e vi que a minha suposta antiga sala de aula foi transformada em depósito da prefeitura. Mais uma evidência de que o ano de 1985 não aconteceu.
Supostamente, eu completei 15 anos em 1985 – e li um livro de Jean-Paul Sartre, emprestado do meu pai: “A idade da razão”. Como se vê, título do livro é muito irônico para que isso tenha acontecido de fato.
Em 1985, segundo fontes da imprensa, Tancredo Neves foi internado um dia antes da posse e agonizou no Hospital do Coração. Teria morrido em 21 de abril, Dia de Tiradentes. Outra coisa que simplesmente não pode ter acontecido. Muito menos a posse do Sarney, até então um deputado apoiador do regime militar e obscuro escritor (que vencera Mario Quintana na disputa por uma vaga da Academia Brasileira de Letras).
Foi em 1985 que – contra a lei, naturalmente – eu comecei a beber cerveja. Ontem fui com minha noiva a uma casa de vinhos. Ao olhar para a adega – centenas de vinhos deitados, enfileirados e climatizados – eu perguntei a mim mesmo, em silêncio, se já não havia bebido uma tal quantidade de cervejas nestes 22 anos que me separam do ano que não existiu. E pensei, com gratidão, na força e na paciência do meu fígado.
Ontem, o colega Fábio Silveira me mostrou exemplares do jornal do DCE, editados entre 1990 e 1991 por este que vos fala. Havia alguns textos meus, assinados por um certo “Paulo Antônio Briguet”. Entre eles, uma reportagem curiosa: “Notas de um explorador de arquivos”. Eram minhas impressões sobre documentos antigos achados na sede do DCE. Hoje, o jornal em que eu escrevi sobre documentos antigos é um documento antigo. Somos todos arquivos ambulantes. Exceto aqueles que nasceram depois de 1985.
Como não acredito em 1985, também não acredito que alguém possa ter nascido naquele ano. Ou mesmo depois. Só acredito na existência de pessoas nascidas antes do ano que não existiu.
Pelo que lembro, 1985 foi um ano agitado. Eu estava no 1º colegial do Anglo, no Colégio Cidade de Araçatuba, e fazia parte do grupo teatral Cromossomos. Às segundas-feiras, tinha aula de química com o Xuxu, física com o Govone e gramática com o Laurindo (percebam a cacofonia das três aulas: "química com", "física com", "gramática com" - tudo muito bonito, de uma eufonia camoniana). Outro dia visitei as antigas instalações do colégio e vi que a minha suposta antiga sala de aula foi transformada em depósito da prefeitura. Mais uma evidência de que o ano de 1985 não aconteceu.
Supostamente, eu completei 15 anos em 1985 – e li um livro de Jean-Paul Sartre, emprestado do meu pai: “A idade da razão”. Como se vê, título do livro é muito irônico para que isso tenha acontecido de fato.
Em 1985, segundo fontes da imprensa, Tancredo Neves foi internado um dia antes da posse e agonizou no Hospital do Coração. Teria morrido em 21 de abril, Dia de Tiradentes. Outra coisa que simplesmente não pode ter acontecido. Muito menos a posse do Sarney, até então um deputado apoiador do regime militar e obscuro escritor (que vencera Mario Quintana na disputa por uma vaga da Academia Brasileira de Letras).
Foi em 1985 que – contra a lei, naturalmente – eu comecei a beber cerveja. Ontem fui com minha noiva a uma casa de vinhos. Ao olhar para a adega – centenas de vinhos deitados, enfileirados e climatizados – eu perguntei a mim mesmo, em silêncio, se já não havia bebido uma tal quantidade de cervejas nestes 22 anos que me separam do ano que não existiu. E pensei, com gratidão, na força e na paciência do meu fígado.
Ontem, o colega Fábio Silveira me mostrou exemplares do jornal do DCE, editados entre 1990 e 1991 por este que vos fala. Havia alguns textos meus, assinados por um certo “Paulo Antônio Briguet”. Entre eles, uma reportagem curiosa: “Notas de um explorador de arquivos”. Eram minhas impressões sobre documentos antigos achados na sede do DCE. Hoje, o jornal em que eu escrevi sobre documentos antigos é um documento antigo. Somos todos arquivos ambulantes. Exceto aqueles que nasceram depois de 1985.
Infeliz Dia das Mulé
March 08, 2007
Tremenda demagogia esse negócio de Dia das Mulé. É coisa de ONG. De militante estrelinha-no-peito-com-muito-orgulho (daquelas que acreditam na “conspiração das elites e da mídia burguesa” contra o prefidente). De vice-presidenta de associação de bairro. De hippie na menopausa. De mestranda em sociologia.
Dia das Mulé é coisa de deputada, de vereadora, de ministra, de aspone. Homenageia-se metade da espécie humana – e só as espertas capitalizam o evento. É Marx e marketing. Tanque de roupa suja ninguém quer lavar, né?
Ouvido, coração, cabeça (sobre ler poesia)
March 07, 2007
Para ler um poema, é preciso, antes de tudo, ouvir a música das palavras. Escutá-lo (mais do que ouvi-lo) como se fosse um idioma estrangeiro (e digo isso com a “autoridade” de um monoglota que lê poemas em outras línguas). Depois, senti-lo. Por fim, entendê-lo.
Poema não é equação: há várias formas erradas de interpretá-lo, mas também várias formas certas.
O leitor experiente mistura as três fases de apreensão do poema – ouvir, sentir, entender –, mas o iniciante deve segui-las. É mais fácil.
O leitor de um poema deve transformar-se provisoriamente num poeta, porque a leitura poética requer imaginação, e a imaginação é a capacidade de criar imagens.
Ler poesia é um jogo quase sempre decepcionante, mas pode se tornar um agradável vício. A maioria dos poemas é ruim. O que tem de poema mal-escrito não está no gibi (está no livro – buah, ah, ah, ah). Por isso, o iniciante deve começar por boas antologias (em que as pérolas já foram separadas; ostras ao mar).
Poesia, de certa forma, é igual a futebol: um jogo em que a maioria das lances não dá certo. Mas quando dá certo, meu amigo, sai da frente que atrás vem gente. Um bom poema é um belo gol, um drible sensacional, uma defesa espírita.
E mais não digo porque não sei.
Poema não é equação: há várias formas erradas de interpretá-lo, mas também várias formas certas.
O leitor experiente mistura as três fases de apreensão do poema – ouvir, sentir, entender –, mas o iniciante deve segui-las. É mais fácil.
O leitor de um poema deve transformar-se provisoriamente num poeta, porque a leitura poética requer imaginação, e a imaginação é a capacidade de criar imagens.
Ler poesia é um jogo quase sempre decepcionante, mas pode se tornar um agradável vício. A maioria dos poemas é ruim. O que tem de poema mal-escrito não está no gibi (está no livro – buah, ah, ah, ah). Por isso, o iniciante deve começar por boas antologias (em que as pérolas já foram separadas; ostras ao mar).
Poesia, de certa forma, é igual a futebol: um jogo em que a maioria das lances não dá certo. Mas quando dá certo, meu amigo, sai da frente que atrás vem gente. Um bom poema é um belo gol, um drible sensacional, uma defesa espírita.
E mais não digo porque não sei.
Soneto do soneto
March 05, 2007
(Para meus alunos)
*****
Soneto é o poema
da mais pura espécie:
mínimo sistema
que em si mesmo cresce.
Na segunda estrofe
dos quatorze versos
o poeta sofre
pânicos dispersos,
que chegam ao cume
com grande estouro.
Mas, por mais que rume
para o matadouro,
o soneto é lume
na chave de ouro.
*****
Soneto é o poema
da mais pura espécie:
mínimo sistema
que em si mesmo cresce.
Na segunda estrofe
dos quatorze versos
o poeta sofre
pânicos dispersos,
que chegam ao cume
com grande estouro.
Mas, por mais que rume
para o matadouro,
o soneto é lume
na chave de ouro.
Ave, dicionário
March 03, 2007
Não tenho palavras
para o dicionário.
Um livro entre os livros
extraordinário.
Um livro de termos
que buscam sentido
– e, só de o termos,
temos um amigo.
Dito pai dos burros,
é bem diferente.
Livra dos apuros
iletrados sábios
eruditos parvos
– pai de toda a gente.
Tem o dicionário
tudo a dizer.
Como pote ao fim
do tênue arco-íris
tende a dizer sim
este liber libris
que há de A a Z.
Assim diz o vário
livro das palavras.
Ele é o amparo
que tu procuravas.
Ele é o poema
das definições.
Ele é romance
mais inacabado.
Boca de Machado,
língua de Camões.
Fico sem palavras,
tendo ao silêncio
quando nestas folhas
paro, olho e penso.
Donde eu estava,
disso estou certo,
ele estava perto.
Fonte da clareza,
morte dos enganos,
ele é o mais raro
dos papéis humanos.
Símile das coisas,
síntese dos idos,
sol que unifica
os duplos sentidos.
Ave, dicionário.
Sem ti, não sei nada.
Mesmo quando durmo
és o astrolábio,
mostras-me o rumo
mesmo do inefável.
Mas és diferente
de um pai patrão;
és a velha norma,
és a própria forma
do velho Platão.
De cada verbete
és o próprio irmão.
Dentro da caverna,
casa da palavra,
és a luz eterna
que se procurava.
para o dicionário.
Um livro entre os livros
extraordinário.
Um livro de termos
que buscam sentido
– e, só de o termos,
temos um amigo.
Dito pai dos burros,
é bem diferente.
Livra dos apuros
iletrados sábios
eruditos parvos
– pai de toda a gente.
Tem o dicionário
tudo a dizer.
Como pote ao fim
do tênue arco-íris
tende a dizer sim
este liber libris
que há de A a Z.
Assim diz o vário
livro das palavras.
Ele é o amparo
que tu procuravas.
Ele é o poema
das definições.
Ele é romance
mais inacabado.
Boca de Machado,
língua de Camões.
Fico sem palavras,
tendo ao silêncio
quando nestas folhas
paro, olho e penso.
Donde eu estava,
disso estou certo,
ele estava perto.
Fonte da clareza,
morte dos enganos,
ele é o mais raro
dos papéis humanos.
Símile das coisas,
síntese dos idos,
sol que unifica
os duplos sentidos.
Ave, dicionário.
Sem ti, não sei nada.
Mesmo quando durmo
és o astrolábio,
mostras-me o rumo
mesmo do inefável.
Mas és diferente
de um pai patrão;
és a velha norma,
és a própria forma
do velho Platão.
De cada verbete
és o próprio irmão.
Dentro da caverna,
casa da palavra,
és a luz eterna
que se procurava.
Dia Internacional do Hómi (ô coisa chata)
March 01, 2007
(A partir de uma idéia do hómi Ranulfo "Preto" Pedreiro.)
Não sei se vocês sabem, mas acaba de ser criado o Dia Internacional do Hómi – hoje.
Em vários países, seres dotados de pinto e pomo-de-Adão realizam manifestações em prol dos direitos do hómi. Hómi que é hómi participa!
Estudos sobre a condição masculina apontam que o hómi está conquistando mais espaços na sociedade, embora muitas atitudes discriminatórias continuem existindo. Por isso, a recomendação da ONU é que sejam criadas Secretarias Especiais do Hómi e Delegacias do Hómi em tudo que é canto.
Exposições fotográficas, ciclos de debates e eventos artísticos estão sendo organizados em toda parte, sempre com um futebolzinho e churrasco no final, que ninguém é de ferro.
Hómis das mais variadas origens – sem distinção de raça, credo, classe social ou time – mobilizam-se para lutar por seus direitos de gênero. O Clube Irmão Caminhoneiro Shell pretende fazer uma carreata com destino ao boteco mais próximo.
Entre as questões mais prementes a serem discutidas no Dia Internacional do Hómi, destacamos:
– Coçar o saco em público – direito ou abuso?
– Futebol x novela – quem pode mais?
– Poesia é coisa de bicha?
– Ar condicionado: por que não ligar sempre?
– A tampa da privada: aberta ou fechada?
– Afinal, olhar para uma gostosa arranca pedaço?
– Mijar em pé: vantagens e desavantagens.
– Dar uma esticadinha no Valentino é crime?
– Depoimento de um hómi: “Cor pra mim é azul, verde, amarelo, preto, branco. Esse negócio de lilás e salmon é coisa de boiola”.
– As mulé.
HÓMIS DO MUNDO, UNI-VOS!
Não sei se vocês sabem, mas acaba de ser criado o Dia Internacional do Hómi – hoje.
Em vários países, seres dotados de pinto e pomo-de-Adão realizam manifestações em prol dos direitos do hómi. Hómi que é hómi participa!
Estudos sobre a condição masculina apontam que o hómi está conquistando mais espaços na sociedade, embora muitas atitudes discriminatórias continuem existindo. Por isso, a recomendação da ONU é que sejam criadas Secretarias Especiais do Hómi e Delegacias do Hómi em tudo que é canto.
Exposições fotográficas, ciclos de debates e eventos artísticos estão sendo organizados em toda parte, sempre com um futebolzinho e churrasco no final, que ninguém é de ferro.
Hómis das mais variadas origens – sem distinção de raça, credo, classe social ou time – mobilizam-se para lutar por seus direitos de gênero. O Clube Irmão Caminhoneiro Shell pretende fazer uma carreata com destino ao boteco mais próximo.
Entre as questões mais prementes a serem discutidas no Dia Internacional do Hómi, destacamos:
– Coçar o saco em público – direito ou abuso?
– Futebol x novela – quem pode mais?
– Poesia é coisa de bicha?
– Ar condicionado: por que não ligar sempre?
– A tampa da privada: aberta ou fechada?
– Afinal, olhar para uma gostosa arranca pedaço?
– Mijar em pé: vantagens e desavantagens.
– Dar uma esticadinha no Valentino é crime?
– Depoimento de um hómi: “Cor pra mim é azul, verde, amarelo, preto, branco. Esse negócio de lilás e salmon é coisa de boiola”.
– As mulé.
HÓMIS DO MUNDO, UNI-VOS!