Numa terra estranha,
não entendo sequer
minha língua materna.
Musas esqueléticas
e sacerdotes andróginos
ditam a lei.
E a lei vem da China.
Numa terra estranha,
o anjo caído
dispensa os serviços
de Cérbero.
E o tempo é medido
em estações.
Numa terra estranha,
vejo a estranha marcha
de um exército bulímico.
(A fome tem muitas faces
numa terra estranha.)
Numa terra estranha,
a cratera engoliu
sete plebeus
que passavam.
O mausoléu aponta o céu
e faz saber:
a terra é estranha.
O taxista baiano
tem sotaque do Brás.
Mesmo eu, caipira
pé-vermelho,
nasci na terra estranha
em 1970.
Nasci na Pompéia,
hoje coberta de lava.
Digo isso
ao taxista baiano.
Ele ri
e não acredita.
São Paulo, terra estranha,
certidão de nascimento e morte,
regida pelo deus dos pesadelos.
Contudo, compensações:
você, mulher de sonho;
o sorriso de Teo;
o reencontro dos amigos.
Tudo que é paulistano
me é estranho.
Mas o mundo é paulistano.
(Crônica publicada no JL – dia 29.01)
Publicado em 30 de janeiro de 2007 às 16:27 por briguet
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falta-de-enxada sao-paulo
Briguet, o meu e-mail tá na sua caixa-postal...
desde já, muito agradecido
ha
aliás, pede umas cervejas e coloca na minha conta