Repórter das Coisas

Um poeta

Nunca jamais ninguém pôs fim à sangueira solta desta Guerra de Cem Anos. Nunca jamais ninguém fez trégua ou rendição nesta jornada enorme de morrer enquanto vivo de comer enquanto fome. Falo mais alto aqui pra lembrar a todos quantosque um poeta agora morre. No momento em que falo ele fecha mais um verso como quem arranca o talo de um carneiro adverso. Ar, respira ele pouco. Terra, não pisa muita. Água, lhe faz o corpo onde o fogo inda se ajunta. Nunca jamais ninguém porá fim ao cancioneiro que o poeta urdiu do nada. Nem o mais fundo silêncio terá poder o bastante pra calar sua balada. Nem o soluço da morte vai repelir o solfejo desta voz tanto mais forte.Nem a mais bruta dor elimina o benfazejo da sua voz de tenor. Nem o tampão da caixa livrará de nós o mundo onde ele inda se acha. Nesta Guerra de Mil Anos onde o poeta mora ouviremos os cantos da sua silente glória. Nunca jamais ninguém vai perder, por distraído, a sua eterna hora. Falo mais alto aqui pra lembrar a todos santosque um poeta morre agora.

Publicado em 18 de dezembro de 2006 às 12:01 por briguet

Comentários

  1. Débora
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"Não contavam com minha astúúúcia!"
(Milton Friedman with lasers)

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