“Parto do princípio de que o terrorismo – seja ele individual, de resistência, de estado, ou qualquer outro - é um crime hediondo e condenável sob todos os aspectos. Entrar em um ônibus lotado e matar indiscriminadamente aqueles que lá estiverem – jovens, velhos, homens, mulheres, crianças – não é e nunca será uma atitude aceitável, em qualquer circunstância. Em entrevista à imprensa israelense, o diretor do filme ”Paradise Now“, Abu-Assad, declarou: “Uma bomba humana não pode ser definida como um terrorista. É simplesmente um homem com uma bomba. Os atentados suicidas são uma reação ao terrorismo de vocês [israelenses]”.
É sempre assim! Terrorismo é sempre “o dos outros”. Quando o exército israelense ataca alvos civis e mata crianças palestinas, os linhas-duras do Estado judeu costumam usar o mesmo tipo de argumento. A questão é que esse círculo de vingança – “os outros” sempre são os injustos, os covardes, os que mereceram ser banhados em sangue – nunca tem fim.
O filme “Paradise now” não colabora em nada para pôr fim a esse círculo de violência e vingança que tem calcinado a Terra Santa. Em nenhum momento, mostra-se o lado israelense da questão; quando judeus aparecem, ou são vítimas (passageiros do ônibus a explodir) ou são vilões (soldados armados até os dentes). A personagem pacifista tenta demover os homens-bomba de seu intento suicida-homicida, mas é uma voz solitária em meio ao sofrimento e ao fanatismo.
Em resumo: esteticamente, “Paradise now” é um filme mediano. Eticamente, é questionável. Nestes tempos em que o Hamas está no poder e o Irã lança ameaças sobre o povo judeu, o filme torna-se uma peça de bizarrice, que se nega a defender o terrorismo ao mesmo tempo em que o romantiza. O que a Terra Santa precisa (e mais: o que o povo palestino precisa) não é o “Paradise now” dos terroristas, nem o “inferno agora” do belicismo, mas aquelas duas palavras do movimento organizado por judeus e palestinos que buscam uma verdadeira solução: Paz Agora.”
(Jornal de Londrina, 28 de abril de 2006)
Publicado em 14 de julho de 2006 às 14:46 por briguet
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além disso, o estado judeu (e não o povo judeu) é quem mais firmemente defende esta idéia de um povo sofrido e sem pátria, defesa prévia que justifica qualquer atitude como as tomadas nas últimas horas.