Se acordei – e acordei –, a primeira conclusão lógica é a de que não morri durante o sono. No entanto, isso é tudo que eu peço ao Controlador das Coisas, quando chegar a Hora: levar-me durante a madrugada, na fase REM. Não importa onde eu esteja dormindo; pode ser na cama, no sofá, na sala, no balcão do Bar Brasil, na mesa de alguma festa ruidosa, no chão da sala dos anfitriões Balarotti. Não quero encarar a morte a seco, “olhos nos olhos, quero ver o que você faz/ ao sentir que sem você eu passo bem demais...” Chico Buarque nessa Hora, não.
Quero morte sem dor, sem espasmos, sem estertores, sem a malfadada melhora-antes-da-morte, sem dar trabalho às enfermeiras. É pedir demais? É, mas eu peço.
Outro dia fui ao Valentino ver o filme do Grota – onde apareço por 3,6 segundos, mas só se você olhar bem –, e um cara teve um ataque epilético, ou coisa parecida, na fila de entrada do bar. É um negócio impressionante: foi a segunda vez que presenciei um ataque desse tipo. Por sorte, havia um médico ali; quando a ambulância chegou, o cara já estava consciente (o paciente, o paciente).
Alguém achou que, no filme do Grota, os dois protagonistas estão mortos. Talvez todos estejam – inclusive o meu personagem de 3,6 segundos. Talvez a história da minha morte – que, espero, ainda levará muito tempo para ser vivida, quanto mais contada – venha a ter a duração de 3,6 segundos, tempo suficiente para o clássico filminho autobiográfico. Curta metragem: curtíssima.
E alguém virá, com uma voz de estranha, personagem fora do enredo do meu sonho, dizendo em voz muito suave:
– Vamos... Está na hora.
Será ela: Nossa Senhora da Boa-Morte, por quem tanto rezo.
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E hoje, é claro, Quinta Sem-Lei. No meu caso, sem ter que trabalhar amanhã! Daqui a pouco farei meu telefonema para os mestres
Tanga e
Rocha.
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Som na caixa, Mané: Desculpem a obviedade, mas o Réquiem do Mozart. Tudo bem, pode ser o do Brahms... Ou da Skol... (Fraquíssima...)
Já reparou que a QSL está ganhando mais prestígio, dileto Briguê? Há duas semanas, novos integrantes têm-na freqüentado. E hoje, ao que me consta, eles irão novamente, para provar que a nossa Quinta-sem-Lei está se revigorando.
Bom. Muito bom!