Ontem a Quinta Sem-Lei foi conturbada pela presença de um mala que eu não conseguiria imaginar nem nos meus piores pesadelos. Um mala ARTE. Tem vezes que eu sinto raiva por ser diplomático. Só o mestre Tanga, como de costume, conseguiu livrar-nos do referido personagem, salvando assim nossa QSL. Minha gratidão eterna.
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Uma das coisas que mais me complicam na presença de um mala é a fatídica pergunta:
– O que é que você faz?
Responder “jornalista”, nessa hora, é uma das coisas mais desastrosas que podem acontecer a um ser humano. Ao ouvir essa palavrinha mágica, os olhos do mala brilham; o sorriso agrega um teor mefistotélico; ele não se dará por satisfeito enquanto não fizer um longo discurso, com direito a réplica, tréplica e comentários adicionais. Chato ARTE geralmente é advogado – e exige resposta. Sim: mala que é mala exige interatividade, estimula a participação da vítima. Sempre nos mínimos detalhes.
Quando se é jornalista, a ladainha do mala inclui análises ideológicas; argumentações dialéticas; mão no ombro da vítima (mão no ombro da vítima é fundamental!); citações de autores obscuros; algumas expressões em latim; perdigotos concretos e simbólicos; e – acima de tudo – teorias da conspiração. Mala ARTE sem teoria da conspiração não é mala ARTE.
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Doravante, quando um desses indivíduos perguntar o que faço, darei a resposta mais neutra possível, com cara de tédio:
– Sou engenheiro químico. Trabalho com polímeros.
Chato ARTE exige estratégia ARTE. Já estou treinando na frente do espelho para adquirir verossimilhança.
E mais não digo porque não sei.
Publicado em 23 de junho de 2006 às 13:26 por briguet
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