Meu nome é Paulo.
Tudo eu posso,
mas nem tudo me convém.
Hoje meu nome é Paulo,
amanhã será ninguém.
Prazer, meu nome é Paulo.
Muitos Paulos houve antes:
Paulos aqui tão próximos,
outros Paulos tão distantes.
Paulo, Paolo, Pablo,
Paul, Pavlov, Pavel:
há Paulos inumeráveis
entre a terra e o céu.
Paulos bem-vestidos,
Paulos seminus.
E o Paulo antes Saulo
que cegou-se ao ver a luz.
Pois o meu nome é Paulo,
e esse nome me contém.
Paulo como meu pai,
deglutição de um nome
não importa em nome de quem.
Há o Paulo de São Paulo,
tantos Paulos insanos.
E seis padres cujos nomes
reinaram no Vaticano.
Paulinos, paulistas, pauladas,
pauleiras e paulistanos.
Cada Paulo tem um pau,
salvo maior engano.
Há Paulos que são de César,
há Paulos que são de Tarso.
Uns ajoelham e rezam,
outros têm nervos de aço.
Há Paulos com tanta força
que dominam um cavalo.
Outros, fracos como as moças,
mesmo assim assinam Paulo.
Por isso não troque meu nome
pelo nome de outro alguém.
Tudo em mim passará:
o corpo, o sangue, a fala,
a sede, a luta, a fome.
Mas na pedra da vala
estará gravado um nome
(e uma frase também).
Ao silêncio deste mundo,
a pedra dirá sem receio:
Aqui dorme mais um Paulo,
que um dia pôde tudo,
mas nem tudo lhe conveio.
Publicado em 20 de junho de 2006 às 22:00 por briguet
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falta-de-enxada poesia
e você escreve coisas legais.
mas comentam muito mais
quando o nome é lazaroni.
ó!