Em fevereiro do ano passado, escrevi aqui no Tipos o “
Poema da Buceta”.
Sem falsa modéstia, acho que até ficou bonzinho. É um velho segredo: falar de coisas supostamente chulas, guardando uma certa formalidade com as palavras, costuma dar certo (sem trocadilho).
Alguns amigos e leitores que eu respeito fizeram comentários simpáticos e generosos sobre o poema. Até amigos que não gostam de poesia – e ninguém tem obrigação de gostar – apreciaram o texto.
Tempos depois, o “Poema da Buceta” caiu na malha do Google. Quando tínhamos contador (hein, Moraes?), eu notei que os acessos ao meu blog, na maioria absoluta, eram motivados pelo tal post.
Resultado é que a buceta do poema tornou-se muito mais importante que o “Poema da buceta”. A quantidade de comentários chulos, tolos, ridículos, toscos e imbecis é espantosa. Parece que eu até estou vendo o nerd cheio de acne digitando o google em busca de fotos pornográficas - e caindo de pára-quedas neste blog. Será que alguém já se masturbou lendo o “Poema de buceta”? Juro: não era essa a minha intenção.
O fato é que a buceta entrou para a lista dos objetos indistintos da comunidade Tipos: The Sims, trufas, Citotec, Dan Brown e o caralho a quatro. Os comentaristas dos referidos assuntos não lêem o que está escrito – apenas atendem a um desejo fisiológico de dizer alguma coisa. São indivíduos tristes, imersos numa escatológica solidão.
Ontem, na Quinta Sem-Lei, mestre Tanga sugeriu que eu banisse para sempre os comentários no “Poema da buceta”. Entendo essa opinião. Mas, com todo respeito ao meu amigo, gênio e guardião da Última Flor do Lácio, não vou banir o besteirol. Primeiro, porque as bobagens bucetófilas não me incomodam em nada. Segundo, porque um entre mil surfistas do Google poderá ler o poema e, a partir dele, acessar outras coisas mais legais aqui no Tipos. Terceiro, porque eu me lembro sempre da frase pronunciada por um menino de dois anos quando a luz foi cortada: “É assim mesmo”.
O comentário imbecil faz parte da vida. Dentro ou fora da Internet. E mais não digo porque tenho uma longa sexta-feira pela frente.