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Archive for June of 2006

Soneto do Madalena

June 30, 2006
O bar é elementar;
a moça também o é.
Mas, perfeito, só um bar
que tem nome de mulher.

A mim causa muita pena
quem, no curso desta vida,
nunca foi ao Madalena,
Madalena arrependida.

Com cerveja e sashimi,
o Madá é um boteco
como igual eu nunca vi.

Por isso, ao pôr-do-sol,
quero hoje o repeteco
de uma bem gelada Skol.

*****

Problema de estudante de Jornalismo: nunca relaxar. Esse tal de jornal ComTexto, da Unopar, é o exemplo mais acabado dessa mulesta. Gostou? Repito: MULESTA.

*****

Olha, eu pago uma polpuda mensalidade para ter TV a cabo e não precisar ver o Faustão na minha frente. Mas não é que botam o gordo para encher o saco também no canal pago?

*****

Nossa Senhora. Eu tô cada vez mais liberal nesta vida. Hoje pensei numa sociedade liberal, economicamente evoluída, com pobreza mas sem miséria... Ah, que sonho.

*****

Torci para Alemanha como se tivesse nascido em Dusserdolf. É assim que escreve? Ou é Dusseldorf? Ah, sei lá. Eu sei que torci pra Alemanha. Tchau, hermanos.

Declaração dos direitos individuais

June 28, 2006
1. Todo indivíduo tem direito a dormir ouvindo Bach e acordar ouvindo Mozart, especialmente aquele segundo movimento do Concerto para Clarineta.
2. Todo indivíduo tem direito a não falar nunca mais de política, se assim o desejar.
3. Todo indivíduo pode soltar uma pequena mentira para se livrar de um mala sem alça.
4. Todo indivíduo pode comprar, escondido, um DVD do Abba e um vinil do Richard Clayderman.
5. Todo indivíduo tem o direito de mandar flores a alguém sem se identificar.
6. Todo indivíduo tem o direito de tomar um banho por dia. E o dever de exercer tal direito.
7. Todo indivíduo tem o direito de não entender patavinas de ciência, e de nunca ter lido um livro de filosofia até o fim.
8. Todo indivíduo tem o direito de ficar com saudades se a sua namorada vai passar um mês na Itália.
9. Todo indivíduo tem o direito de tomar uma sopa antes de dormir.
10. Todo indivíduo tem o direito a uma garrafa de água gelada nas manhãs de domingo.
11. Todo indivíduo tem o direito de andar de cueca dentro de casa (de calcinha, se for mulher).
12. Todo indivíduo tem o direito a sentir alergia quando ouve as palavras “cidadania”, “responsabilidade social” e “banheiro ecológico”.
13. Todo indivíduo tem o direito de beber em casa durante a Lei Seca e votar no Chaves (o do seriado, não o da Venezuela) nas próximas eleições.
14. Sagrado é o direito de contar uma piada sem graça e rir mesmo assim.
15. Intocável é o direito de não pertencer a nenhuma associação, partido ou panela. De faltar a duas reuniões por ano. De sair do recinto quando toca uma canção do Skank. De torcer para o Palmeiras (no caso dos palmeirenses), para o Corinthians (no caso dos corintianos) ou para a Portuguesa Londrinense (ou Grande Londrina; não quero entrar nessas polêmicas).
16. Por falar nisso, é direito inalienável do indivíduo não entrar em polêmicas.
17. Todo indivíduo tem o direito de perder dinheiro em barcas furadas como a Encol, as Fazendas Boi Gordo e a Varig.
18. Todo indivíduo tem o direito de tomar todas as providências para evitar que lhe encham o saco.
19. Ficam revogadas todas as disposições em contrário. Em outras palavras: vamos deixar o indivíduo em paz.
20. Nada. Foi só pra terminar com número redondo.

100hores

June 28, 2006
Tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, o Valentino novo é bonito, confortável, acusticamente isolado, tem estacionamento e segurança. Deram uns cartões para a gente tomar cerveja sem complicação; chique no úrtimo. A Terça Tilt, comandada pelos ótimos Fernandão Araújo e Janaína Garcia, foi excelente (a Neosaldina que o diga). Mas os banheiros continuam rigorosamente OS MESMOS: pequenos, sujos e com muita fila. Tem coisas que eu não consigo entender nesta vida.

*****

Bom mesmo é encontrar Lúcio Flávio, verve e prosa, na noite outra vez. Eia, sus!

*****

Você percebe que se tornou um humorista (redator do Zorra Total ou de A Praça É Nossa) quando começa a fazer piadas involuntárias.
Acabamos de encontrar no restaurante o maestro da orquestra sinfônica. Ele andou emagrecendo nos últimos tempos. O Ranulfíssimo Preto comentou:
- O maestro emagreceu, hein?
Ao que respondi, sem pensar (juro):
- É. Deu uma afinada.
Buahahahahaha! Maestro, afinada... Entendeu, entendeu? Hã? Hã? Hein? Hein?

*****

Som na caixa, Mané: Já que estamos falando de maestro, Concerto para Clarineta, segundo movimento, Wolfgang.

Antologia do pó (1992)

June 27, 2006
Ali os três ficaram
- ninguém o saberia -
cheirando a noite inteira.
E tanto a cheiraram,
que então nasceu o dia:
era segunda-feira.

*****

Som na caixa, Mané: Concerto para cravo, cordas e baixo contínuo (BWV 1052) – João Sebastião.

Última leitura

June 26, 2006
Quando eu digo que o liberalismo está acuado no Brasil, as pessoas não acreditam. Pois então. Ontem, assistindo ao programa “Manhattan Connection”, recebi uma triste notícia. “Primeira Leitura”, minha revista preferida, está fechando as portas. Por falta de grana, é claro, pois qualidade não lhe falta. A entrevista de Contardo Calligaris, concedida ao diretor de redação Reinaldo Azevedo e publicada na edição de maio, tem alguns trechos antológicos:

“Qualquer tipo de fidelidade que passa na frente do foro íntimo é, para mim, a definição do mal.”
(...)
“Quando isso acontece, aí tudo é permitido. No fundo, a única coisa que coloca limites ao horror, para mim, é o foro íntimo. Eu digo que é o mal porque é a definição do mal do século 20, que deu no fascismo, no nazismo, no stalinismo, no Pol Pot.”
(...)
“Para mim, individualismo é uma palavra nobre. (...) O individualismo não tem nada a ver com o egoísmo, mas com uma sociedade em que o indivíduo é um valor superior à comunidade.”


Tirou as bocas da minha palavra, dr. Contardo! Em geral, não gosto muito dos seus artigos na “Folha de São Paulo” (ecos lacanianos me irritam um pouco). Mas a entrevista à “Primeira Leitura” foi ducaralho. Ganhou a minha admiração, dotô. Sei que isso não vale muita coisa...

*****

Por que a “Primeira Leitura” vai fechar as portas? Favas contardas. (Ouço as estrondosas gargalhadas da multidão.) Porque é uma revista de oposição e, nela, o governo não anuncia. Ao contrário do que diz a esquerda (governista ou paragovernista, jamais oposicionista), a economia liberal no Brasil vive sob a mira do revólver estatal-socializante: na forma de impostos, de boicotes, de chantagens ou de revólver propriamente dito (cadáveres não falam).

*****

Quem anunciava na “Primeira Leitura”? Quase ninguém. Alguns governos de oposição; uma ONG aqui e outra ali; um banco aqui e outro ali. No Brasil de Lula, fora do Estado, não existe salvação.
Enquanto isso, revistas de esquerda – tais como “Caros Amigos” e “Carta Capital” – chafurdam no chapa-branquismo, entupidas de anúncios e favores estatais.
Te cuida, “Veja”. Ou pára de falar mal do Lula, ou vai ter que publicar eternas capinhas sobre fórmulas de emagrecimento e receitas contra o colesterol.

*****

Enquanto isso, Lula belinatiza o Brasil: besteiras a granel, metáforas boteco-futebolísticas, abarrotamento de caixa e bolsa-esmola para a plebe.
É o inferno? Não. É o purgatório. Quanto mais Lula & cia. atacam o liberalismo, mais açodam os indivíduos. E o que não me mata – você sabe – me fortalece.

*****

Mas nem só de notícias ruins vive este Repórter das Coisas. Amanhã tem a primeira Terça Tilt do novo Valentino. A escolha dos DJs foi a melhor dubrasil: Janaína Garcia e Fernando Araújo. Só falta o mestre Rubão! Estarei na primeira fila. Weezer, Strokes, Pixies (acertei os nomes?) e, depois, pra dormir, João Sebastião. Neosaldinemo-nos!

Lula e Belinati

June 24, 2006

Mestre Tanga diz que não conhece ninguém que vai votar em Lula. Sorte dele; eu conheço. Aqui mesmo, no Tipos, vários elementos já declararam que vão – ou podem – votar nele. Lamento. Não sabem – ou não querem saber – que Lula é simplesmente o Belinati (*) em escala federal. Para mim, os dois são iguais. Fazem exatamente as mesmas coisas: falam besteira; distribuem migalhas aos pobres; fazem caixa. A única diferença entre Lula e Belinati – repito – é de escala. Portanto, meus amigos, vocês que até ontem lançavam urras contra o bandido local, saibam que agora estão votando no bandido federal. Mas o país é livre – e a liberdade inclui até mesmo o direito ao absurdo.

*****

Vida tranqüila (ou melhor, com a tranqüilidade postiça da paranóia) deve ser a dos anti-semitas. O dinheiro acabou? Foram os judeus que roubaram. O PCC detonou? Foram os judeus que mandaram. A COPA! promove a alienação do povo? Certamente a judeuzada está por trás. O pau não levantou? Deve ter sido alguma coisa que os judeus colocaram na comida. Ah, você aí, anti-semita, deve estar achando que eu sou judeu? Mas eu não sou. É que, na certa, os judeus fizeram minha cabeça.

*****

Israel: a única democracia numa região dominada por ditaduras. É disso que os árabes têm medo.

*****

A loucura e o oportunismo, separados, não são tão perigosos quanto juntos. Hitler é o maior exemplo: um louco oportunista ou oportunista louco? Não importa. Importa é que o oportunismo dele buscava inspiração na loucura; e a loucura dele buscava praticidade no oportunismo.

*****

E vocês aí, esquerdistas do meu Brasil (il, il, il), podem me explicar onde está a terrível e abominável direita, se só temos candidatos à Presidência de esquerda?


(*) Belinati: Para quem não sabe ou não é de Londrina, ex-prefeito cassado em 2000, que desviou R$ 186 milhões de uma telefônica local.

Avenida Higienópolis

June 23, 2006

Desço a avenida
como quem desce
a própria vida.
Desço,
menos com os pés,
mais com a cabeça.
Como quem à morte
desça.

No fim da avenida,
há o lar e o bar.
Não sei pra onde vou
e o que vou encontrar.
Nem sei se a avenida
um dia há de acabar.
Não se a caixa d´água
está em outro lugar
em que eu, de tão tapado,
me venha a afogar.

Eu sou como a avenida:
feito de pedra e sonho.
Às vezes mais sonho
que pedra,
mais pedra que sonho
às vezes.
Eu sou a perna dos meses.

E a noite, à noite ou não,
eu também sou:
um cão sem pernas,
homem só tronco.
No meio das trevas
me encontro.

Assim eu vivo a vida:
sem saber viver.
Assim amo a avenida:
sem saber amar.
E sei, lá bem no fundo,
que um dia vou morrer
– desgraça, atropelado –
olhando para a bunda
que passa
do outro lado.

Eu sou engenheiro químico

June 23, 2006
Ontem a Quinta Sem-Lei foi conturbada pela presença de um mala que eu não conseguiria imaginar nem nos meus piores pesadelos. Um mala ARTE. Tem vezes que eu sinto raiva por ser diplomático. Só o mestre Tanga, como de costume, conseguiu livrar-nos do referido personagem, salvando assim nossa QSL. Minha gratidão eterna.

*****

Uma das coisas que mais me complicam na presença de um mala é a fatídica pergunta:
– O que é que você faz?
Responder “jornalista”, nessa hora, é uma das coisas mais desastrosas que podem acontecer a um ser humano. Ao ouvir essa palavrinha mágica, os olhos do mala brilham; o sorriso agrega um teor mefistotélico; ele não se dará por satisfeito enquanto não fizer um longo discurso, com direito a réplica, tréplica e comentários adicionais. Chato ARTE geralmente é advogado – e exige resposta. Sim: mala que é mala exige interatividade, estimula a participação da vítima. Sempre nos mínimos detalhes.
Quando se é jornalista, a ladainha do mala inclui análises ideológicas; argumentações dialéticas; mão no ombro da vítima (mão no ombro da vítima é fundamental!); citações de autores obscuros; algumas expressões em latim; perdigotos concretos e simbólicos; e – acima de tudo – teorias da conspiração. Mala ARTE sem teoria da conspiração não é mala ARTE.

*****

Doravante, quando um desses indivíduos perguntar o que faço, darei a resposta mais neutra possível, com cara de tédio:
– Sou engenheiro químico. Trabalho com polímeros.
Chato ARTE exige estratégia ARTE. Já estou treinando na frente do espelho para adquirir verossimilhança.
E mais não digo porque não sei.

Pelo telefone

June 21, 2006
Esquerdistas do meu Brasil (il, il, il) – lulistas enrustidos ou arrependidos – têm agora mais um candidato: Cristovam Buarque. Ex-ministro da Educação (do Lula, é claro); antiliberal convicto; defensor de práticas discriminatórias e populistas como o sistema de cotas nas universidades; fiel arquiteto do bolsa-escola (ora transformado em bolsa-esmola); demitido do Ministério por telefone. O que é que vocês estão esperando, hein?
O engraçado é que, por falta de candidato, os liberais (cada vez mais raros e espezinhados) são obrigados a votar na centro-esquerda do Picolé de Chuchu. Vocês, da esquerda, estão alegres e contentes: podem oPTar entre o língua-presa, a histérica e essa mistura genética de Bobbitt e Gargamel. Tudo pelo coletivo!

Meu nome é Paulo

June 20, 2006

Meu nome é Paulo.
Tudo eu posso,
mas nem tudo me convém.
Hoje meu nome é Paulo,
amanhã será ninguém.

Prazer, meu nome é Paulo.
Muitos Paulos houve antes:
Paulos aqui tão próximos,
outros Paulos tão distantes.
Paulo, Paolo, Pablo,
Paul, Pavlov, Pavel:
há Paulos inumeráveis
entre a terra e o céu.
Paulos bem-vestidos,
Paulos seminus.
E o Paulo antes Saulo
que cegou-se ao ver a luz.

Pois o meu nome é Paulo,
e esse nome me contém.
Paulo como meu pai,
deglutição de um nome
não importa em nome de quem.

Há o Paulo de São Paulo,
tantos Paulos insanos.
E seis padres cujos nomes
reinaram no Vaticano.
Paulinos, paulistas, pauladas,
pauleiras e paulistanos.
Cada Paulo tem um pau,
salvo maior engano.

Há Paulos que são de César,
há Paulos que são de Tarso.
Uns ajoelham e rezam,
outros têm nervos de aço.
Há Paulos com tanta força
que dominam um cavalo.
Outros, fracos como as moças,
mesmo assim assinam Paulo.

Por isso não troque meu nome
pelo nome de outro alguém.
Tudo em mim passará:
o corpo, o sangue, a fala,
a sede, a luta, a fome.
Mas na pedra da vala
estará gravado um nome
(e uma frase também).
Ao silêncio deste mundo,
a pedra dirá sem receio:
Aqui dorme mais um Paulo,
que um dia pôde tudo,
mas nem tudo lhe conveio.

Duas certezas e várias dúvidas

June 20, 2006


Esclarecimento aos navegantes:
O Marcio que andou fazendo comentários dialéticos neste blog NÃO É o Márcio Leijoto.

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O que leva um sujeito com a língua presa a ser repórter de rádio?

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Eu, você e a torcida brasileira merecemos a senadora Ideli Salvati (a sílaba “ti” deve ser pronunciada com a língua entre os dentes)? Cometemos algum pecado em vidas passadas?

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Será que os surfistas do Recife estão um pouco amedrontados ultimamente?

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O que significa a palavra monetização, muito usada pelo representante dos funcionários da Varig?

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A persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado?

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Post-scriptum: Janaína, oh princesa da Itália, estou escrevendo uma carta bem grande e bem legal para você. Aguarde e verá.

Madrigal das seis

June 19, 2006

Às seis horas, acontece alguma coisa que eu não sei o que é, cujo sentido procuro há muitos anos, e nunca cheguei a vislumbrar. É o segredo das seis horas, um segredo imperioso e atordoante, como a fúria de 600 escorpiões cercados de fúria, miséria e náusea. E esperma, sobretudo esperma.
Sim, há uma hora em que os ponteiros se encontram, não para concordar entre si, mas para apontar cada qual para seu lado, um dizendo que sim e outro dizendo que não; um dizendo que céu e outro dizendo que terra; um dizendo que dia e outro dizendo que noite.
Seis horas. E, se dois amigos me encontram, um diz Boa tarde! e outro diz Boa noite!, mas sabem muito bem que a tarde acabou e que a noite não demora, mas não é.
Às seis horas, o mundo está em declive como a Rua Pio XII, onde por sinal existe um ótimo bar chamado Clube das Seis – que outro nome?
Às seis horas, uma pontual multidão bate o ponto e sai do trabalho; quem não pode sair, olha o relógio e constata que inapelavelmente são seis horas e não há nada a fazer.
As seis horas chegam impiedosamente, maliciosamente, inevitavelmente. É hora de nascer alguém – e de morrer. É hora de lembrar – e de esquecer. É a hora em que se pode usar tudo – menos a indiferença. Seis horas: a hora que pensa.
Às seis horas eu grito de sede e tédio – uma vizinha reclama ao síndico, mas também ela, silenciosamente, urra de tédio e sede.
Às seis horas eu queria ter um carro para me perder no trânsito. Só para não dizer que nunca soube o que era a hora do rush.
Às seis horas, oh às seis horas, tem a famosa hemorragia do Sol. Nascente e poente: por que não nascente e morrente? Às seis horas, sem embargo, uma garota de programa está na Avenida Leste-Oeste (mas isso não vale: ela estava também às três); um drama fica pior do que o eclipse. Às seis horas, há um pequeno apocalipse.
Seis horas: o Sol se despede da Lua – rei ou príncipe consorte? Seis horas: agora e na hora da nossa morte.

Que fim levou o Lazaroni?

June 19, 2006
Hoje acordei com vontade de dar a partida no meu carrão e vir dirigindo pelas avenidas frias de Londrina até o meu local de trabalho. Isso, porém, é impossível, porque eu não sei dirigir, não tenho carro e sou vagabundo.
Às vezes penso besteira. Ou melhor: quase sempre. Ou melhor ainda: sempre. Qué exemplo? Dou-lhe um, nada exemplar: Que fim levou o Sebastião Lazaroni? Sim, ele, o técnico do Brasil naquele fiasco da Copa de 90. Tenho até medo de procurar no Google. Vai que ele morreu, virou mendigo ou está cotado para assumir o Nacional de Rolândia... Posso ficar com remorso.
Muita gente torceu contra o Brasil naquela Copa. Inclusive eu. Não só porque a Seleção era péssima e o técnico era tosco, mas também porque supostamente uma vitória do Brasil beneficiaria o Collor. Então eleitor do Lula – meu Deus, que vergonha –, eu odiava o Collor.
Agora vem neguinho me dizendo que torce contra o Brasil porque uma vitória da Seleção beneficiaria o Lula. Sai pra lá, passa ontem! Não só me arrependo de não ter torcido para o Brasil em 90 – apesar do Lazarento –, como não vou perder outra Copa por causa de político. Não vou cometer a mesma besteira de 16 anos atrás com o sinal trocado.
Viu só? Às vezes eu não penso besteira! Juuuuuuuuuuu! Marcio! Dialéticos do meu Brasil!
Mas, cá entre nós... e o Lazaroni, que fim levou? Bala, vai que é suuuuua...

Morre Bussunda

June 17, 2006


Juro que não é piada. Leia mais aqui.

Sai de mim, Heloísa Helena!

June 16, 2006
No Orkut, há uma comunidade muito besta: Alckmin, o novo Collor. Eu queria muito que isso aí fosse verdade: finalmente teríamos o liberalismo implantado no Brasil. Geraldinho Alckmin, coitado, não é Collor. É apenas um social-democrata moderado, um político paroquial e tolo. Ainda assim, pretendo votar nele, por ser hoje o único candidato em condições de vencer Lula, esse farsante ignóbil.

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Heloísa Helena? Para mim, é o Lula com histeria e uma dose maior de crueldade. Em algumas datas mais perigosas do mês, é capaz de abrir as comportas de Itaipu sobre supostos inimigos do regime socialista.

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Collor era (é) meio gira e cercou-se de gângsteres. Mereceu o destino que teve. Procura-se um Collor que não seja cleptomaníaco nem narcisista. Difícil, né? Fiquemos com Geraldinho, o Picolé de Xuxu. Não tem tu, vai tu mesmo.

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O sujeito não precisa ser liberal para ser meu amigo. Mas precisa ter compaixão. Claro, ué, se ele é meu amigo...

Trocadilhos da Copa

June 14, 2006
Somos os campeões mundiais de juros. A TAXA DO MUNDO É NOSSA!

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Entrevistaram o técnico da Ucrânia, e ele disse que a derrota para a Espanha foi apenas um acidente. Mas provocou traumatismo ucraniano.(Essa não é minha; Eça é de Queiroz.)

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A Itália entrou com Gana de vencer.

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Togo perdeu o jogo.

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O Peru não se classificou para a Copa, então não poderá realizar o clássico com a República Tcheca.

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Essa Inglaterra é cavalo paraguaio.

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Dois Ronaldos: Gaúcho e Gorducho.

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Para os fãs de Oswaldo Montenegro, qualquer seleção sérvia.

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Angola foi para Portugal, perdeu o lugar.

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A Croácia vai doar seus uniformes às cantinas italianas.

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O goleiro da Costa Rica não joga Porras nenhuma.

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Se não fosse o camisa 1, a Seleção Brasileira estaria fuDida

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Hã? Hã? Hein? Hein?

Os hippies, os petelhos e o mensalinho

June 14, 2006
Olhe esta notícia da France Presse:

A polícia de Los Angeles prendeu a atriz Daryl Hannah, nesta terça-feira, junto com outras 42 pessoas que protestavam contra a aquisição de um parque da cidade por um promotor imobiliário e a expulsão de pessoas que tinham hortas no local.
Muitos dos manifestantes subiram nas árvores do parque para se amarrar aos galhos, entre eles celebridades como a cantora Joan Baez, acompanhada por sua filha Julia Hill “Butterfly”, uma conhecida ativista.


Butterfly. Subir em árvore durante protesto. Atriz ecologista. Joan Baez. A praga hippie não tem fim, meu caro Vidal.

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Comitê “suprapartidário” do PMDB e do PT faz campanha pela reeleição de Lula e Requião – ah, que desgraça. E ainda diz, conforme li no jornal, “que é preciso lutar pelos resquícios neoliberais ainda existentes em nosso país”. Agora imaginem se alguém escreve algo assim: “É preciso lutar contra os resquícios socialistas ainda existentes em nosso país”. O pobre-coitado imediatamente seria tachado de nazi-fascista.

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Usar dois pesos e duas medidas é uma especialidade da esquerda brasileira. Durante décadas, o PT criticou a compra de votos com cestas básicas e coisas parecidas. Agora, quando Lula baseia sua campanha no mensalinho do Bolsa Família, a conversa mudou. É “assistência social”, totalmente “prevista na Constituição”. E quem ousa criticar é imediatamente desqualificado como “de extrema-direita”.

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Aos petelhos de plantão – eleitores de Heloísa Helena incluídos – eu sugiro dar uma passadinha lá na Visatec. Tá assim de mato pra carpir na cidade.

Sigla decifrada

June 08, 2006
MLST.
O L vocês sabem de quem é.

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Nesse baile, nós ainda vamos dançar. À força.

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Sem-terra. Não consigo ver maior falta de enxada.

Duchas Corona / Um banho de alegria / Num mundo de água quente

June 08, 2006

Como liberal à moda antiga (percebeu a ambigüidade, mestre Tanga? Hã? Hã? Hein? Hein?), gosto de tomar banho e gritar debaixo do chuveiro: Proibido comentário da Juuuuuuu! Proibido comentário da Juuuuuuu! Proibido comentário da Juuuuuuu!
O efeito sonoro da palavra Juuuuuuuu em contato com a água é sensacional, revigorante, benigno, antidepressivo.
Essa Juuuuuuuuu só me traz alegria.

Miscelânea miserável

June 07, 2006
Na Seleção, um Ronaldo é bolha, o outro é bunda.

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No blog, meu post mais comentado é sobre política. E tenho que ficar provando que fui trotskista no passado, como se isso não me envergonhasse.

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É infinitamente menos vergonhoso ser classificado de “extrema direita”, como fazem comigo hoje em dia, do que ser alinhado com a corja da esquerda delúbio-valeriana.

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É duro ter que ouvir justificativas “teóricas”, “dialéticas” e “humanistas” para o mensalinho-família.

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Esse negócio de nuvens de tags é o cúmulo. Cúmulo nimbo. (Hein? Hein? Entendeu? Entendeu?)

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Pode comentar, Juuuuuuuuuuuuuuuu. Eu sou o único que não proíbe seus brilhantes comentários!

Deus

June 07, 2006

Ele está aqui. Mas estará no AQUI? Não sei, vou procurar. Dizem que foi visto, de velho, na Vila Nova. Alguns juram – por Ele – que andou pela Vila Casoni; outros garantem que foi na Vila Gasoni. Até agora os dois grupos não chegaram a um acordo.
Busco o Jardim Ideal. Por vias tortas – como a torre do Jardim Piza – quero descobri-Lo no Residencial das Américas. Ele estaria lá, de pé como um ovo de Cristóvão Colombo, à sombra dos Coqueiros. Afinal, se todos os caminhos levam à Rua Roma, também conduzirão ao Paraíso. Maravilha!
Mas é uma difícil tarefa. Para chegar até quem procuro, devo subir a Serra da Esperança, tomar a Arthur Thomas e cruzar a Tiradentes (para isso precisarei enforcar o serviço).
Nestes tempos de Copa, é bem possível que tenha passado pela Rua do Futebol (afinal, Ele não é brasileiro?). Andei tanto à Sua procura que fiquei com bolhas nos pés – sem usar chuteira da Nike. Pombas!
Talvez, se eu pular a Avenida do Salto Triplo, consiga encontrar a Avenida da Amizade, aquela que começa na Rua da Sorte e termina na Irmandade. Teria Ele passado por lá? Vou ver se está na esquina.
Perseverança. Eu trocaria um cheque no Jardim dos Bancários; desceria a Pernambuco até virar Zerão; caminharia na Humaitá até que ela Faria Lima; na João Cândido, ficaria de alma lavada. E nada.
O Amor Perfeito procurei – e encontrei – na avenida que não parece avenida, a Rio de Janeiro. Daqui a alguns meses vocês podem me chamar de Amado Noivo. Mas, na hora de pedir a mão da moça, vou ficar tão nervoso que acabarei dando uma de Gago Coutinho. Se achei o Amor Perfeito e fiquei em Paz, tenho Fé: vou encontrá-Lo, nem que seja preciso dar nó em Pingo D’Água. Por favor, Álvaro Ferreira, me dê uma Luz! Caso contrário, vou quebrar tudo e mudar para a Rua Astorga. Quero Justiça, Felicidade! Mas não passo de um Amador Bueno.
Imagine, John Lennon! Caramba, Cacilda Becker! Quero ficar Cara-Cara com o Espírito Santo! É preciso ser um Albert Einstein para achar esse distrito – ou melhor, esse distinto. Pedi o telefone dEle a Alexander Graham Bell, mas nem tudo são Flores. Solicitei ajuda ao meu amigo Alessandro, mas, à primeira dificuldade, o Alessandro Volta. Nem o Pescador Pedro me auxiliou: negou três vezes que O conhecesse. Mentiroso.
Procurei tanta gente. Fui às ruas dos Sapateiros, dos Datilógrafos, dos Construtores, dos Jornalistas, dos Engenheiros, dos Taxistas, dos Encanadores, dos Confeiteiros, dos Mensageiros, dos Almoxarifes, dos Fotógrafos, dos Assistentes Sociais... e nada. Dizem que Ele foi visto na Rua dos Cronistas – mas essa rua ainda não existe. Continuo procurando. O tempo passa na Avenida Universo...

(Publicado no Jornal de Londrina.)

Virou Brasil

June 06, 2006
Eu fico besta com as coisas. Neste momento, militantes de um certo MLST (dissidência do MST) invadem a Câmara e cometem toda sorte de vandalismos.
Isso acontece no dia em que seria votado o relatório sobre o deputado José Janene no Conselho de Ética da Câmara. É claro que a votação foi suspensa.
É a extrema-esquerda beneficiando um deputado de direita que recebeu dinheiro ilícito de um governo de esquerda.
Cadeia neles. À esquerda e à direita.

Mensalão e mensalinho

June 05, 2006
O governo Lula tem dois crimes: o mensalão e o mensalinho.
O mensalão é a grana que o Estado liberava, via Valérios da vida, para deputados federais, para que se posicionassem a favor do governo. Para deputados do PP, PMDB, PL e outras legendas, era compra de votos no duro; para deputados do PT e da base aliada, era “apenas” o acerto de conta por serviços prestados.
O mensalinho é o tal do Bolsa Família. Durante anos, esse pessoal que hoje está no poder dizia que dar esmola era uma coisa errada, “pois só perpetuava a miséria”. É exatamente o que eles estão fazendo hoje, com o Bolsa Família. Se estivessem realmente preocupados com a miséria, tratariam de diminuir o tamanho do Estado, e deixariam de onerar a iniciativa privada com essa carga pornográfica de impostos, gerando, assim, empregos e capacidade de consumo.
Mas não. Eles querem é ganhar a eleição. Querem dar uma graninha agora para que os miseráveis se locupletem na própria miséria. Como fizeram com os deputados, compram os votos do povo. É tudo a mesma merda.
Dar esmola para um cara na esquina é infinitamente mais ético do que dar-lhe um Bolsa Família em troca do voto naquele analfabeto ridículo que temos por presidente.
Na verdade, o mensalão é café pequeno. O verdadeiro mensalão é o mensalinho.

Onde estás que não respondes?

June 04, 2006
Degas. O dÉgas.

Deus não está na sala,
não está nos passos,
não está nas meias
nem nos sapatos.
Não está nas fontes,
não está nos fatos.
Deus não está na tela,
não está no sucesso,
não está no cansaço.
Não está no domingo,
nem indo, nem vindo,
não está no espaço.
Deus não está na ira,
não está na soberba,
não está no acaso.
Não está no ódio,
não está na mira,
não está no laço.
Na morte, Deus não está.
Na fúria, na verve,
na luta, na lua, na curva
do raio de luz,
na veia cava,
no sangue que ferve,
Deus não está, não estava.
Deus não está no blog,
não está na usura
não está no que move.
Deus não está no quando,
não está na chuva, no vento.
Deus não está, estando.
Assim é o Seu jeito:
ser e não ser no tempo.

Acerca da buceta

June 02, 2006
Em fevereiro do ano passado, escrevi aqui no Tipos o “Poema da Buceta”.
Sem falsa modéstia, acho que até ficou bonzinho. É um velho segredo: falar de coisas supostamente chulas, guardando uma certa formalidade com as palavras, costuma dar certo (sem trocadilho).
Alguns amigos e leitores que eu respeito fizeram comentários simpáticos e generosos sobre o poema. Até amigos que não gostam de poesia – e ninguém tem obrigação de gostar – apreciaram o texto.
Tempos depois, o “Poema da Buceta” caiu na malha do Google. Quando tínhamos contador (hein, Moraes?), eu notei que os acessos ao meu blog, na maioria absoluta, eram motivados pelo tal post.
Resultado é que a buceta do poema tornou-se muito mais importante que o “Poema da buceta”. A quantidade de comentários chulos, tolos, ridículos, toscos e imbecis é espantosa. Parece que eu até estou vendo o nerd cheio de acne digitando o google em busca de fotos pornográficas - e caindo de pára-quedas neste blog. Será que alguém já se masturbou lendo o “Poema de buceta”? Juro: não era essa a minha intenção.
O fato é que a buceta entrou para a lista dos objetos indistintos da comunidade Tipos: The Sims, trufas, Citotec, Dan Brown e o caralho a quatro. Os comentaristas dos referidos assuntos não lêem o que está escrito – apenas atendem a um desejo fisiológico de dizer alguma coisa. São indivíduos tristes, imersos numa escatológica solidão.
Ontem, na Quinta Sem-Lei, mestre Tanga sugeriu que eu banisse para sempre os comentários no “Poema da buceta”. Entendo essa opinião. Mas, com todo respeito ao meu amigo, gênio e guardião da Última Flor do Lácio, não vou banir o besteirol. Primeiro, porque as bobagens bucetófilas não me incomodam em nada. Segundo, porque um entre mil surfistas do Google poderá ler o poema e, a partir dele, acessar outras coisas mais legais aqui no Tipos. Terceiro, porque eu me lembro sempre da frase pronunciada por um menino de dois anos quando a luz foi cortada: “É assim mesmo”.
O comentário imbecil faz parte da vida. Dentro ou fora da Internet. E mais não digo porque tenho uma longa sexta-feira pela frente.

Sobre um ensinamento cristão

June 01, 2006

Aceito as críticas. O rancor. O tapa. O murro em ponta de faca. Aceito o assalto. O furto. A enganação. Aceito a doença. A fúria. A troça, o riso, o palavrão. Aceito a vileza, o cinismo, as mãos crispadas. As pedras – sobretudo aceito as pedras.
Aceito o incêndio. A enchente. A seca, a devastação. Aceito a onda. A ressaca. O delírio, a perseguição. Aceito a lua, os eclipses, os ventos, os erros de ortografia e de revisão. Aceito o enfado, o tédio, o cansaço, a escravidão. Aceito a ofensa, o pontapé, a mentira, a soberba, a ira – eu aceito, eu aceito.
Aceito a pizza, o duto, o mensalão. Aceito comentários jocosos, jactanciosos, garbosos, inamistosos.
Só não aceito parar de dizer que aceito.
E mais não digo – porque é Quinta Sem-Lei.