Olhe isto.
Por nenhum motivo; apenas para olhar.
Para saber de alguma coisa. Mesmo obscura.
Olhe isto
como se tivesse dormido com o problema
e acordado com a solução.
Como quem acha um diamante na lama,
um cheiro de sândalo no machado,
uma sarça queimada. Uma figueira seca.
Olhe isto,
como se isto fosse uma tarde de domingo,
uma ressaca mal-curada, uma buceta inatingível,
um dano
na natureza do seu próprio cérebro,
um líquido amniótico que restou
na sua garganta.
Olhe isto,
como se estas fossem
as palavras no seu túmulo,
como se estes fossem
os últimos dias de Pompéia,
antes da cinza, antes do gás,
antes da lava.
Olhe isto,
como se estas fossem
as únicas frases capazes
de livrá-lo da loucura.