
Em todas as partes do mundo há mulheres lindas, até mesmo em Bela Vista do Paraíso, onde conheci uma garota de cabelos curtos e nome russo, e outra, de corpo longilíneo, alta como a rainha das passarelas, e para completar um delicioso sotaque santista.
Lindas, sem dúvida, a oriental ex-aluna do mestre Tanga; a cantora de voz rouca ao telefone, e intermináveis madeixas; a espevitadinha; a musa da imprensa esportiva paranaense; a artista plástica dona de uma loja, que pintou a Ofélia de Hamlet; a mignon secretária cujo formato parece esculpido pelo próprio Modigliani – se é que Modigliani esculpiu alguma coisa na vida.
Moças grandes e pequenas. A lutadora de tae-kwondo. A professora de dança de salão. As duas estudantes que simplesmente desfilaram pela calçada em frente ao Bar do Nonóca (ah, meu Deus, esse admirável acento em Nonóca).
Todas elas, que migram céleres para minha fantasia. Todas elas, que marcham resolutamente para minhas trevas. Todas, sem nenhuma exceção, filtradas e douradas e envilecidas pela loucura da minha mão imaginária.
As mulheres que aparecem diariamente na coluna da minha amiga Ana Marta – as garotas e as mães delas. A dona dos peitões que aparece na propaganda de TV: Só mais uma coisinha: passa o vidro de alcaparras. As atrizes pornôs do final da noite, já conhecida por manhã.
É como se elas, mulheres lindas, fossem marionetes do meu sonho; como se fossem frutas amadurecidas despencando no meu siso; como se alterassem, fêmeas gravitacionais, a efervescência do meu sangue.
Fêmeas. Rosas em pêlo. Criptas em V. Estrelas de progesterona. Nucas de eletricidade. Pernas de serpentes. Umbigos de apocalipse. Olhos de lábios, lábios de olhos.
Em todas as partes do mundo, há mulheres lindas. Mas então eu penso em você, e sintetizo, e me pergunto: E daí?