Janaína vai casar. Janaína está casando. Janaína já casou. Vou repetir essas frases; será meu mantra pessoal.
O mundo se desintegra, perceberam? O que era perto, fica longe; o que era longe, fica perto. Janaína, minha melhor amiga, partiu para o outro lado do mundo. Eu fiquei aqui em Londrina, o outro lado do mundo para quem não está em Londrina (com a possível exceção dos habitantes de Cambé, Ibiporã e Bela Vista do Paraíso).
E como eu queria estar perto de Janaína. De Janaína e do caríssimo Andrea, feliz italiano que ela tem por noivo. Por noivo? Por marido. Porque Janaína vai casar, Janaína está casando, Janaína já casou.
Janaína, minha menina, quisera eu pertencer ao elenco de Jornada nas Estrelas, para entrar, agora mesmo, na máquina de teletransporte, e desembarcar na sua aldeia ao Norte da Itália, entre as montanhas, qual um Capitão Kirk pé-vermelho.
Dizem que em algum canto do Bar Brasil, aqui em Londrina, tem uma passagem secreta para outra dimensão. Hoje, na Quinta Sem-Lei, depois que fizermos a celebração paralela de seu casamento (Karla Matida, como sempre, está providenciando tudo...), vou procurar desesperadamente esse portal, na esperança de que me leve às montanhas italianas.
Janaína, a melhor conselheira; Janaína, a melhor colega de trabalho; Janaína, o melhor ombro; Janaína, a melhor confidente da madrugada; Janaína, a melhor companheira de boteco; Janaína, a quem eu disse um dia: “Esta sacola de plástico tem todo o peso do mundo”; Janaína, a mais querida das amigas sobre a face da Terra (não fica com ciúme, não, Silvia Rocha, é que Janaína vai casar, Janaína está casando, Janaína já casou).
O mundo se desagrega. O louco do Irã quer bombardear Israel. Os imigrantes protestam nos EUA. Evo Morales nacionaliza as refinarias. Lula aplaude o colega e lidera as pesquisas (“Crise? Que crise?”). O ser humano mata, esfola, pisoteia, ouve Skank e assiste ao programa Irritando Fernanda Young. Meu prédio está cheio de alarmes, cercas elétricas, travas e trancas – e mesmo assim os ladrões conseguem entrar. O Palmeiras perdeu; o Hugo Chávez trama com Fidel Castro; os mensaleiros são absolvidos. O mundo se decompõe, como se Schoenberg destruísse uma suíte de João Sebastião Bach.
Contra esta enxurrada, contra esta tsunami, contra este furacão de tolices, desmandos e impropriedades – Janaína vai casar, Janaína está casando, Janaína já casou. Janaína e Andrea casam: inventam uma flor de coesão no mundo em fragmentos. E, já que falamos em João Sebastião, e já que estamos em diferentes metades da laranja do planeta, eu gostaria de dizer uma só palavra ouvindo uma Suíte Italiana. Parabéns.