Repórter das Coisas

O que você vai ser quando crescer? (Poema loser)

Bem ao começo do rolo,
eu queria ser pedreiro:
tijolo sobre tijolo
construir o mundo inteiro.

Agradava-me a lida
de tijolo e argamassa.
Ganharia, pois, a vida,
e a satisfação de graça.

Mas então fui alertado
que pedreiro era ruim:
ganhar pouco, estar cansado
não era ofício pra mim.

Foi alguém muito gentil
que me deu outra opção:
ser engenheiro civil,
chefe da construção.

Mas logo a engenharia
me pareceu antipática,
pois sempre tive alergia
à lógica matemática.

Passei a considerar
o nobre ofício de médico.
Era um passo mais salutar
que um sapato ortopédico!

Meu amor pela medicina
cedo se consumiu
na farmácia da esquina
com dor de Benzetacil.

Igual a todo menino
que caminha sob o Sol,
já sonhei com um destino:
jogador de futebol.

Meu pai apagou o sonho
com amor e sensatez:
provou que eu era medonho
em qualquer 4-3-3.

Queria ser atacante,
mas tudo daria em nada.
Não consegui ir avante
nem na simples embaixada.

Na tonta adolescência,
cismei em virar ator.
E está bem certo quem pensa
que meu ato era um horror.

Convencido pelas vaias,
pelas críticas ferinas,
retirei-me de soslaio
e fecharam-se as cortinas.

No ato, a filosofia
me chamou para seu leito.
Contudo, a paixão vadia
não se consumou direito.

Os livros para quem pensa
ficaram à própria sorte,
visto que a inteligência
nunca foi mesmo meu forte.

Sem nenhum sucesso à vista,
no final desta jornada,
transformei-me em cronista
por não saber fazer nada.

Publicado em 02 de maio de 2006 às 13:16 por briguet

Comentários

    • Gostei muito, achei super criativo, meus parabéns...beijos...Maria José
    • por Maria José
    • 04.Mai.2006 às 14:57 - Permalink - Reportar
    Maria José
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PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

Que o Criador, bendito seja o Seu Nome, abençoe a todos os leitores deste blog. Lembre-se: Paulo Briguet reza por você.

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