Repórter das Coisas

Enxada, cambada



Ê, povinho. Quando batem nos políticos, batem pelos motivos errados.

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Falemos de um assunto mais palatável. Para mim, o maior gol de todos os tempos foi um que não existiu: a cabeçada do zagueiro Oscar defendida por Zoff em 5 de julho de 1982, no Estádio Sarriá. Como todos sabem, a partida acabou em 3 a 2 para a Itália. Se o Brasil empatasse, iria para a semifinal, e seria campeão. Alguns dizem que a bola entrou. Zoff garante que não. Aquele lance tem todos os componentes de uma tragédia: era o último minuto de jogo; o esforço do zagueiro (um zagueiro, veja bem, não um atacante) em fazer o gol da salvação; a trajetória dramática da bola em obediência à lei da gravidade; e a defesa do veterano goleiro, para mim também a mais importante de todos os tempos, mais até que a de Gordon Banks em 70, porque historicamente mais decisiva. Considero-a um símbolo e uma homenagem à era Telê Santana, este sábio do futebol desaparecido na última semana. Desculpe, Telê, por lhe homenagear com uma imagem da derrota. Você foi um técnico vencedor, como provam os dois títulos mundiais com aquela maravilhosa equipe do São Paulo em 92 e 93. Mas aquele minuto do Sarriá ficará eterno. Um dia, será gol.

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Por falar em saudade, leio outro mestre, este do jornalismo e da literatura: Paulo Francis. “Trinta anos esta noite”, um livro fundamental, sobre o golpe de 64. Ei-lo:

Hoje me convenci de que a sociedade liberal é a única potável. É imperfeita, sim, mas o que não é na vida? Fico no centro, com soluções favoráveis à iniciativa privada, porque é a única que cria prosperidade, empregos e diversidade (infinita) de produtos, e sou socialmente liberal em costumes. Acho que a vida particular de cada pessoa é assunto seu, que mulheres competentes como Margaret Thatcher ou Amélia Earhart (a aviadora que, depois de Lindbergh, sobrevoou o Atlântico, nos anos 1920), podem ocupar cargos antes reservados ao homem. Acho chato, à parte insustentável logicamente, converter destino sexual em causa e pretensão de superioridade.

Dizem que Francis era radical. Pelo menos nesse trecho, o que eu vejo é um discurso profundamente moderado.

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E mais não digo porque não sei. Um dia saberei?

Publicado em 26 de abril de 2006 às 08:58 por briguet

Comentários

    • Esse lance do Oscar foi foda. O lance em que o Cerezo tentou inverter a bola e a deu de presente para o Paolo Rossi marcar o gol também não me sai da cabeça. Injustiça com aquele time. Injustiça.
    • por kenji
    • 26.Abr.2006 às 09:20 - Permalink - Reportar
    kenji
    • Teve um pênalti no Zico em que até rasgaram a camisa dele e o juizão, ao melhor estilo Marcio Rezende, não deu.

      Mas era para o Brasil perder naquele dia para a seleção do Telê entrar para a história do mesmo jeito que a Hungria de 54 e a Holanda de 74. Pena que faltasse um centroavante melhor do que o Serginho após a contusão do Reinaldo.

      Tempos atrás vi o VT da partida e não dá para negar que aquela talvez tenha sido a melhor exibição de uma seleção italiana em toda a história.

      Para mim, a imagem que melhor representa aquela Copa, a primeira que lembro de ter assistido, é uma foto que saiu na capa do JT em que aparece um menino chorando.

      Felizmente, aquele time ficou na memória de quem gosta de futebol como um exemplo de futebol arte a ser seguido atualmente (pena que a maioria dos técnicos não pense assim).
    • por bala
    • 26.Abr.2006 às 10:57 - Permalink - Reportar
    bala
    • muitos falam do paulo francis a partir de uma imagem de carrancudo, sem esperanças, e preconceituoso. não tem nada a ver com o cara que escreveu “o afeto que se encerra” e “trinta anos esta noite” [uma bela homenagem a malle]. ele é muito mais equilibrado e justo que a maior parte dos jornalistas que se diz social ou humanista.

      assim como claudio abramo, uma lição que talvez não irá se repetir. grande francis!
    • por grota
    • 26.Abr.2006 às 14:04 - Permalink - Reportar
    grota
    • Eu sabia que o grota ia falar do Paulo Francis aqui. O Paulo Francis era um viado. E ficava dando em cima de uma ex minha.
    • por Tarso de Castro
    • 26.Abr.2006 às 15:06 - Permalink - Reportar
    Tarso de Castro
    • Márcio Leijoto, por obséquio. Por obséquio.
    • por pbriguet
    • 26.Abr.2006 às 16:05 - Permalink - Reportar
    pbriguet
    • O Paulo Francis tinha uma casa alugada no litoral paulista só para se encontrar com um efebo.
    • por Sócrates
    • 26.Abr.2006 às 17:33 - Permalink - Reportar
    Sócrates
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PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

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