página inicial do tipos

Receba por e-mail os posts de Repórter das Coisas: RSS - Assine os feeds deste blog

Archive for April of 2006

Sonetos pentelhos

April 28, 2006
1. Soneto da punheta

Eu, posto em sossego,
fiz como quem sonha:
pensei num chamego,
bati uma bronha.

Eu, inda excitado,
e sentindo dor,
vi, do meu agrado,
um vídeo pornô.

Mas, no prejuízo,
assaz contrafeito,
de mais eu preciso.

Além da punheta,
quero pôr o guizo
na brava buceta.

2. Soneto do amor infeliz

O amor
é tão fino:
um tumor
do destino.

O amor
é tão duro:
o terror
do futuro.

O amor,
em silêncio,
é o que for.

E seu preço
é a dor:
não mereço.

3. Soneto do liberalismo

Não o que quiserdes,
pois nem tudo é da lei.
Mas, face às intempéries,
vade, enriquecei!

Se pensais em dar um passo
bem em frente ao abismo,
andai logo, ó cabaço,
isto é liberalismo!

Livres sonhos, livres atos,
livres até os delírios,
sem ninguém ser internado.

E assim livres, nossos filhos,
da mão tosca do Estado,
um dia estarão nos trilhos.


4. Soneto da diferença de idade

Quando enfim você nasceu,
eu já tinha quinze anos.
Para grande orgulho meu,
eis que estava arrasando:

era ator e comunista,
Al Pacino e Che Guevara.
Só faltava em minha lista
alguém para dizer: – Pára!

Quando enfim você nasceu,
eu era só debilóide,
preocupado em ser ateu.

Que vergonha, vê se pode:
quando à luz você se deu,
eu já tinha lido Freud.

5. Soneto dos viajantes

Este caminho vai dar em Roma.
Esta estrada vai dar no caos.
E este verso então se soma
a outros tantos versos maus.

Adormecemos na encruzilhada
e acordamos na via estreita.
Tantos caminhos levam a nada
se a perdição já estava feita.

Todos caminhos levam ao Pai,
mas também levam aos demônios
pelos abismos onde se cai.

Passam os dias, passam os anos,
mas os caminhos passam jamais
nos pés quebrados dos próprios donos.

Se você procura por trufas, veio ao lugar certo

April 28, 2006


Venham a mim todos os que querem trufas.
Trufas de terra, trufas de ar, trufas de mar.
Venham a mim que sou um trufeiro de mancheias.
Trufas de ouro, trufas de ferro, trufas de areia.
Venham a mim, oh analfabetos da Internet,
que a minha receita de trufas promete
trufas de curare, trufas de Mitríades,
trufas do balacobaco, indescritíveis.
Venham oh anônimos desloguílsons,
venham conhecer nossos serviços.
Não vivo sem trufas. As trufas me salvaram.
Meu ibope, minha luz e meu karma,
as trufas são meu corpo e minha arma.
E os que não gostam de trufas
são filhos-das-putas.
Venham, oh venham, trufar-se à vontade,
com minhas receitas de trufas de jade,
trufas de prata, trufas de frutas, trufas de pedra.
Ave, romanas trufas! ascensão e queda.
Vinde a mim as trufinhas.
Trufas de tinta, trufas de água, trufas venenosas.
Das mais insípidas às mais gostosas.
Oh trufas, estreita via.
Se as trufas não existissem,
eu as inventaria.

A Quinta Sem-Lei vai ser boa lá no céu

April 27, 2006

“Em Mangueira, quando morre
Um poeta, todos choram
Vivo tranqüilo em Mangueira porque
Sei que alguém há de chorar quando eu morrer
Mas o pranto em Mangueira é tão diferente
É um pranto sem lenço que alegra a gente
Hei de ter um alguém pra chorar por mim
Através de um pandeiro ou de um tamborim.”


(Nelson Cavaquinho – Guilherme de Brito)

Manchetes que acabei de ler

April 27, 2006
Eva Wilma está com medo: homem macho pode acabar!
(Eva Wilma também aparece hoje na Ilustrada, perto de Marta Suplicy e Luiz “Miguelón” Fabre.)

Barbado agora está falando que nem mulher
(São os emos.)

Americano vende passagens para o disco voador
(Elba Ramalho comprou uma.)

Jornalista brasileiro lança livro “O Código Aleijadinho”
(A cara-de-pau não tem fim. É, wjcoelho, acho que meu blog vai roubar seus comentários.)

Descanse em paz, Tio Machado. Esse mundo não andava merecendo a sua hombridade.

Ridendo castigat mores

April 27, 2006

Temos companheiros de humorismo por toda parte. No UOL, leio a chamada de primeira página: Bruna Surfistinha fala sobre seu sucesso para diário americano. E o chapéu é na veia: DEU NO NEW YORK TIMES.
Saudações trocadilhistas.

Enxada, cambada

April 26, 2006


Ê, povinho. Quando batem nos políticos, batem pelos motivos errados.

*****

Falemos de um assunto mais palatável. Para mim, o maior gol de todos os tempos foi um que não existiu: a cabeçada do zagueiro Oscar defendida por Zoff em 5 de julho de 1982, no Estádio Sarriá. Como todos sabem, a partida acabou em 3 a 2 para a Itália. Se o Brasil empatasse, iria para a semifinal, e seria campeão. Alguns dizem que a bola entrou. Zoff garante que não. Aquele lance tem todos os componentes de uma tragédia: era o último minuto de jogo; o esforço do zagueiro (um zagueiro, veja bem, não um atacante) em fazer o gol da salvação; a trajetória dramática da bola em obediência à lei da gravidade; e a defesa do veterano goleiro, para mim também a mais importante de todos os tempos, mais até que a de Gordon Banks em 70, porque historicamente mais decisiva. Considero-a um símbolo e uma homenagem à era Telê Santana, este sábio do futebol desaparecido na última semana. Desculpe, Telê, por lhe homenagear com uma imagem da derrota. Você foi um técnico vencedor, como provam os dois títulos mundiais com aquela maravilhosa equipe do São Paulo em 92 e 93. Mas aquele minuto do Sarriá ficará eterno. Um dia, será gol.

*****

Por falar em saudade, leio outro mestre, este do jornalismo e da literatura: Paulo Francis. “Trinta anos esta noite”, um livro fundamental, sobre o golpe de 64. Ei-lo:

Hoje me convenci de que a sociedade liberal é a única potável. É imperfeita, sim, mas o que não é na vida? Fico no centro, com soluções favoráveis à iniciativa privada, porque é a única que cria prosperidade, empregos e diversidade (infinita) de produtos, e sou socialmente liberal em costumes. Acho que a vida particular de cada pessoa é assunto seu, que mulheres competentes como Margaret Thatcher ou Amélia Earhart (a aviadora que, depois de Lindbergh, sobrevoou o Atlântico, nos anos 1920), podem ocupar cargos antes reservados ao homem. Acho chato, à parte insustentável logicamente, converter destino sexual em causa e pretensão de superioridade.

Dizem que Francis era radical. Pelo menos nesse trecho, o que eu vejo é um discurso profundamente moderado.

*****

E mais não digo porque não sei. Um dia saberei?

Reflexões de um passageiro do ônibus 308

April 25, 2006
Uma das vantagens de não dirigir é andar de ônibus. E andar de ônibus é uma oportunidade para refletir sobre a natureza do ser humano.
Estava eu pensando na minha adesão ao liberalismo quando me lembrei de um texto do jornalista Luis Weis, publicado no Observatório de Imprensa. Weis diz:

O liberalismo da Economist manda pôr o indivíduo em primeiro lugar e o Estado, em último. As pessoas devem gozar da mais ampla liberdade porque, tudo somado e subtraído, elas sabem o que é melhor para si – e isso é também o melhor para a sociedade.
Para a revista, as pessoas devem ter o direito de fumar, beber, se drogar – e, principalmente, de empreender e de competir umas com as outras em mercados com o mínimo possível de regulação.
Em todos os campos – dos bens e serviços materiais, à informação, arte e cultura – a competição entre indivíduos livres é a principal porta para o progresso coletivo.


Taí uma ótima definição de liberalismo.

*****

Para riscar alguém de seu caderninho, verifique se o capiau costuma usar a palavra “conscientizar”. Trata-se de um verbo tipicamente totalitário. Nazistas e comunistas eram (são) os campeões mundiais de conscientização: impingir idéias alheias às mentes frouxas e desavisadas. Petistas também são peritos no assunto. Com o perdão das moças, conscientização de cu é...

*****

Falar nisso, soube que Rita Cadillac vai fazer uma participação naquela íngua televisiva chamada A Diarista. Que decadência - para a Rita, é claro. Fazer filme pornô, tudo bem. A Diarista é apelação.

*****

E mais não digo porque não me conscientizei.

Mensagem de um visitante anônimo

April 24, 2006
Segundona. Abro minha caixa de entrada e lá está a mensagem:

ola sr paulo, realmente a sua opiniao e muito importante para mim, quando quer mesmo me conhecer?eu posso quebrar alguns cds do SKANK, tenho alguns sobrando espalhados pela casa mas eu vou quebrar na sua cabeca.

Vamos combinar: há formas mais dignas de ser agredido, não? Cedezada do Skank? É brincadeira...

*****

É claro – é claro! – que eu esqueci o único aniversário que eu não poderia esquecer (junto com a da minha chefia, bem entendido). Falo do aniversário da jornalista, noiva e melhor amiga do mundo Janaína Ávila, comemorado... lamentavelmente comemorado... ONTEM! E eu não fui digno de ligar, mandar um e-mail ou mesmo recorrer a um daqueles cartões eletrônicos. Tenho perdão?

*****

Confesso: bebo, chego em casa e, em vez de dormir, ligo o computador e mando mensagens pouco amistosas para sites de jornalismo, geralmente de faculdades de jornalismo. Mando mensagens - E ASSINO. Eu sou uma besta.

*****

Quando bebo, fico meio polêmico.

*****

Ah: outro dia encontrei um rapaz, que parecia gente boa, distribuindo jornal do PSOL (esse nome me parece mais adequado a produtos de limpeza). Eu disse a ele, polidamente, que já fui trotskista, mas larguei dessa vida, hoje sou liberal e vou votar no Alckmin, não porque acredite nele, mas porque é o único candidato em condições de vencer o Barba, no momento. (A única forma decente de votar em alguém é passar para a oposição no dia da posse.) Não quis entrar naquela questão do terrorista italiano foragido no Brasil, condenado a 30 anos de prisão por matar duas crianças, e que o PSOL abriga entre seus quadros teóricos.

*****

Ninguém perguntou, minha opinião não contará nada, mas vou dizer, pronto e acabou: na polêmica entre Franklin Martins e Diogo Mainardi, o Mainardi está certo.

*****

E mais não digo porque tenho vergonha. Alheia e própria.

Bebo

April 22, 2006
Vocês são uns poetas, uns bêbados.”
(Um apresentador de TV, referindo-se à minha pessoa, em 1999.)


Bebo porque preciso ir
ao país onde o tempo não existe,
bebo pra ficar bem alegre,
bebo pra ficar mais triste.
Bebo porque o peso da memória,
o peso dos pecados do mundo
me fazem buscar em todo copo
a imagem oculta do fundo.

Beber é perseguir um pequeno horizonte,
onde o onde é quando e o quando é onde;
beber é celebrar a própria ignorância,
e entre o coração e o fígado
firmar estranha aliança.

Bebo porque o frio da bebida
apaga o incêndio da minha garganta,
bebo porque sou um animal,
uma besta, um rato, uma anta.
Bebo para sentir a morte um pouco,
o gosto básico e puro da morte;
e a cada ressaca, sempre louco,
tomar o remédio mais forte.

Bebo porque é líquido, é claro,
mas um dia vou renunciar a isso.
De todas as razões para beber,
a melhor é conhecer
o gosto de estar sóbrio.
E assim já fiz meu compromisso,
para evitar um fim tão ignóbil.

Autobiografia

April 21, 2006

Já fui comunista,
já fui do teatro.
Já fui anarquista,
já fui tresloucado.

Já fui de esquerda,
já fiz passeata.
Já disse só merda
e já fiz bravata.

Já fui freudiano,
já fui bem ateu.
Entrei pelo cano,
e Deus me fudeu.

Já fui deputado,
caí no abismo.
Já votei (forçado)
pelo nepotismo.

Já trouxe muamba
sem saber por quê.
Já dancei La Bamba,
falei Namastê!

Já fumei maconha,
cheirei cocaína.
Já fui o que sonha
e o que se alucina.

Já provei bucetas,
já brochei um monte.
Já dormi em tetas
em Belo Horizonte.

Já criei barriga
e colesterol.
Quem quer que me siga
vai olhar pro Sol.

Já fui comunista;
hoje, liberal.
Sou só um artista
do bem e do mal.

Saudade, luz sombria

April 19, 2006
Na Carta de Londrina, um novo sentido para a palavra saudade.

*****

É, minha gente, sou emo bem antes dessa viadagem toda aí. Há exatos 35 anos e nove meses.

*****

E mais não digo porque preciso ir trabalhar.

Variações em torno da luz

April 18, 2006

1.
A luz que me banha agora
é a luz que já fez falta
no submarino Kursk
e no forno da cruz de malta.
Quando o cão alado partiu
pra cuspir seus ais de incêndio
na puta que o urdiu,
a luz ia lá, ausente.

2.
A luz que me banha agora
é a mesma luz entre mil
que, doida, comeu a hora
e o momento engoliu.
É a luz. Luz sem poema,
luz rasteira, luz de horror.
Luz sozinha, luz-sistema,
luz que é cor furta-cor.

3.
A luz que me banha agora
banhou corações e mentes,
e uma tarde lá em Kansas
abriu alas para a bala
no crânio do presidente.
A luz, para o bem e o mal,
na ida e no poente,
é gélida e amoral.

4.
A luz que me banha agora
jamais será perdoada,
pois nunca pediu perdão.
A luz que me banha agora
é ocaso e apogeu,
no lugar mais inevitável,
na estrela subatômica
e no mar do Odisseu.

5.
Luz dos cegos, das minhocas,
luz das portas, luz das dores.
Limiar dos estertores,
bússola viva das rotas.
Luz dos sonos, dos dormentes,
luz dos trens e, finalmente,
luz das teias, luz das traças,
até quando a luz se faça.

6.
Não se entende ou justifica
que a mulher, ao gerar gente,
considere dar à luz.
É um tanto equivocado,
ou mesmo falha grotesca,
pois muito antes do parto,
e que o rebento apareça,
à luz ele estava dado.

7.
A luz me deixou assim:
a luz pânica, elétrica,
lusco-fusco, luz no fim
do túnel e da dialética.
A luz me deixou no escuro,
à luz dos acontecimentos,
minha cara contra o muro,
e o muro contra o tempo.

8.
A luz que me banha agora
tateia o câncer de pele
e o perverso devaneio.
Nunca diz que é dentro ou fora,
se é do tempo, se é do meio.
A luz que me banha agora,
a propósito ou a esmo,
é a luz que se chama eu-mesmo.

Pequeno glossário político atualizado

April 17, 2006
Demagogo = Um político quando respira.
Demagogia = A política quando existe.
Engolidora de papel = Urna.
Engolidora de dígitos = Urna eletrônica.
Consenso dos tolos = Democracia.
Tolo do consenso = Democrata.
Explorador miserável = Capitalista.
Miserável explorador = Socialista.
Ave de mau agouro = Alguém que só bica os mais fracos, mas come na mão do dono.
Heloísa Helena = Lula com histeria.
Cruz dos labores = foice e martelo (comunismo).
Flor de ferro = suástica (nazismo).
Cueca = Cofre.
Mãe = Estado.
Puta = Governo.
Filho da puta = Governista.
Puta suplente = Oposição.
Filho da puta suplente = Oposicionista.
Coração = Caixa dois.
Convencimento = Mensalão.
Coordenador = Capo.
Articulador = Gângster.
Subalterno = “Só cumpri ordens”.
Presidente = “Fui traído”.
Elite = “Eles”.
Povo = “Nós”.
Garota de programa = Acompanhante.
Caseiro = Espião.
Blindagem = Okamotto.
Impeachment = Algo que se encaixou muito bem a Collor, mas, por alguma razão, não pega em Lula, embora os crimes desPTe sejam bem mais evidentes que os crimes daqueLLe.

Nunca

April 17, 2006
Se a flor de ferro se abre para o meu dia, tudo que eu tenho a dizer é Nunca. Se a flor é de plástico, e nunca expeliu cheiro algum, eu respondo Nunca. Se o homem vai morrer, sabe que vai morrer, e ainda assim não o escutam em suas últimas palavras, eu digo Nunca. Se um velho é atropelado sobre o asfalto da Avenida Tiradentes eu declaro Nunca.
Se preciso for, gritarei Nunca à garota indie apaixonada, prestes a furar seu pescoço com uma lâmina fina; e pronunciarei, todos dias e noites, a palavra Nunca à menina solitária que procura por um chá abortivo na Internet. Nunca à esquerda, Nunca à direita, Nunca ao sapo barbudo e ao picolé de xuxu e ao molequinho e à histérica do Senado. Nunca à cerveja quente e ao macarrão gelado. Nunca à pizza que faz mal. Nunca aos planos de saúde, ao programa da Fernanda Young e aos outdoors de Paulo Pimentel. Nunca a Assis Chateaubriand e todos os seus fantasmas.
Se a enxada me falta no campo do dia, eu digo Nunca aos hippies do CCH, aos que acreditam na conspiração das elites, aos que tecem loas ao MST. Se a enxada me falta, eu digo Nunca a mim mesmo por um dia ter acreditado nisso tudo. Um dia bem distante, ainda bem.
Eu digo nunca ao Skank, ao Cidade Negra, à Pitty e à Vanessa da Mata (“Tomar um banho de chuuuuva, um banho de chuuuva, um banho de chuvaaaaaaa”). Eu digo nunca ao Senhor dos Anéis.
Eu digo Nunca aos que não gostam de Paulo Francis, Rubem Braga, Nelson Rodrigues, Manuel Bandeira, Mário Quintana. Eu digo Nunca aos que acreditam em poesia concreta e revolução do hip hop. Eu digo Nunca ao terceiro setor, a um “outro mundo possível”.
Eu digo Nunca aos que esvaziaram o conteúdo o sentido da palavra Nunca. Eu digo Nunca, e Nunca deixarei de dizer.

Chita, o macaco. Que é? Tá me estranhando?

April 12, 2006
A família Tarzan nos bons tempos.

Leio que a macaca Chita, aquela de Tarzã, está completando 74 anos. A bicha entrou para o Guiness: é considerado o chimpanzé mais velho do planeta. Quando digo bicha, na verdade é uma alusão ao fato de que Chita mudou de sexo no Brasil. A sonoridade do nome Cheetah fez com que nós brasiguaios achássemos que o animal era uma fêmea. Em verdade, em verdade, vos digo: Chita é macho. Na vida civil, longe de Tarzã, fumava charuto e tomava cerveja – hábitos que só precisou deixar por causa da idade avançada.
Em seu aniversário, comemorado com festa em Hollywood, Chita não teve a companhia de Tarzã. O ator Johnny Weissmuller, que fazia o Rei das Selvas, empirulitou-se em 1984.

Museu de amenidades

April 11, 2006

A cachorra estava latindo muito, e deixou o ex-policial irritado. Ele pegou uma arma, foi até a cachorra e lhe deu um tiro na cabeça. Um vizinho comentou que aquilo era absurdo:
– Deus me livre! O tiro podia ter acertado alguém.

*****

Há dois museus em Londrina: o histórico e o de arte. Ficam de frente um para o outro. O histórico já foi estação de trem; o de artes já foi rodoviária. Entre os dois museus, há uma praça, e essa praça é o terceiro museu. Ali podem ser encontradas as putas velhas de Londrina; as damas feias da Rocha Pombo.

Que compaixão me inspiram as putas da Rocha Pombo! Quanto cobram? Onde deitam? Quando alguém passa por lá, elas gritam, gordas e maltrapilhas, dos bancos da praça, a título de marketing: “E aí, quer namorar?”

Qual é o santo protetor das putas feias da Rocha Pombo? Onde o anjo da guarda?

*****

Todo político tem sua tropa de choque. Collor tinha Roberto Jefferson; FHC teve José Roberto Arruda; Lula tem Ideli Salvatti. Poucas coisas me irritam mais que o sotaque daquela mulher.

*****

Chovia. E a garota de programa chupava um picolé amarelo na esquina da Avenida José de Alencar.

*****

Stálin tinha um modo bastante eficiente de medir a fidelidade de seus acólitos. Mandava prender a esposa ou um parente deles. E dava a notícia pessoalmente, prestando atenção para ver se o subordinado vacilava. Quando Kaganovich (é esse o nome, mesmo) soube que o irmão Mikhail seria preso, disse apenas a Stálin:
– Espero que a lei seja cumprida.
Mikhail não esperou ser preso. Matou-se. Kaganovich viveu até 1990 (vaso ruim não quebra). Morreu stalinista.

*****

Quando pequeno, eu queria ser astronauta. Mas não com as despesas pagas pelo Lula. Aliauses, na época, o Lula era sindicalista.

Casa queimada

April 11, 2006
Dresden depois do bombardeio (1945)

Se o estilo humano nos permite reconhecer o autor mesmo numa obra não-assinada, o estilo de Deus é o silêncio.

Cavalo, cavalo, cavalo

April 10, 2006
Picasso - Detalhe de Guernica.

Deus fez o cavalo poucos minutos antes do homem. O primeiro homem que montou um cavalo – ele mesmo, o inventor da montaria – sabia disso. O cavalo é nosso parente próximo do filo cordado.
Leia mais na crônica.

O Rei está Lu

April 10, 2006
Segundo meu amigo Diego, grande fã de Roberto, o Rei está amando. E parece que a eleita é Luciana Vendramini. Uma coisa eles têm em comum: TOC. Será uma relação muito limpa e organizada. Dizem que ela não perde um show dele. Um show dele. Um show dele. Um show dele. Um show dele. Um show dele. Um show dele...

Blog também serve para dar boa notícia

April 10, 2006
Uh-hu!

No sábado, nasceu Bruna, filha de Ranulfo Pedreiro (Preto) e Lebna Landgraf. Felicidades!

E eu pergunto

April 06, 2006
Merrrrda! Vou tacar um processo nesse Briguet por uso indevido de imagem!

Quantas vezes o ator Paulo César Pereio pronunciou a palavra merrrrda no cinema?

Quantas vezes o mesmo ator dublou um personagem? (É engraçadíssimo ver um sujeito falando com a voz do Pereio. Acontece em vários filmes nacionais.)

Quantas vezes a frase “Inês, vê uma Skol” é dita durante uma Quinta Sem-Lei?

Quantas vezes, durante a semana, Marcelo Rocha ouve comentários a respeito do tamanho de seu nariz?

Quantas vezes um samba-enredo foi composto sem que houvesse, entre os compositores, alguém que assinasse com apelido (por exemplo: Bola Preta, João Torto, Zé Mancada, Farofinha, Barriga de Aço, Mizifi, Tonho Pereba, Mané da Cocada)?

Quantas vezes a deputada Ângela Guaxinim se arrependeu de ter dado aquela dançadinha?

*****

Então o novo técnico do Corinthians se diz metrossexual? Audácia da filombeta! (Se bem que não boto minha mão no fogo - e nem um lugar algum - pelo Leão.)

Oração de Ludovic Surjus

April 06, 2006
Para a professora Raimunda de Brito Batista


Assim vivemos
no meio da matta com Deus
assim estamos
assim morremos
e ressuscitamos
no meio da matta com Deus
assim nosso grito
tão rouco tão aflito
assim nosso sangue
no meio da matta com Deus
tão quente tão errante
assim nossa terra
no meio da matta com Deus
assim o homem erra
assim se profilera
toda flor e toda erva
que brota no basalto
e Deus ali no alto
contempla nossa guerra
no meio da matta com Deus.

Este país não se explica

April 06, 2006

O Rio de Janeiro não é um rio.
A novela das oito começa às nove.
A capital funciona de terça a quinta.
O ano começa em março.
O imposto provisório é definitivo.
Os banqueiros são de esquerda.
As putas se apaixonam.
Os traficantes se viciam.
E quando algo assusta, toda a gente grita: Nossa!

Sou de direita, mesmo. E daí?

April 05, 2006
Amigos, precisamos perder o medo da direita. Não da direita corrupta (Maluf) ou sanguinária (Pinochet), que essas são abomináveis, mas da direita que está ligada ao liberalismo econômico e filosófico. Ser liberal, hoje em dia, é muito mais revolucionário do que ser esquerdista. Da esquerda, votar em quem? Em Lula, esse monstro corrupto defendido pela ridícula Ideli Salvatti? Em Heloísa Helena, essa desequilibrada cujo partido abriga um terrorista italiano que matou duas crianças num atentado nos anos 70? É preciso perder o medo da direita, mesmo porque a direita ainda pode endireitar o país. O capitalismo é um sistema revolucionário – não fui eu quem disse, foi Marx. O comunismo, idealizado pelo mesmo Marx, matou muito mais gente – 100 milhões – do que o sistema que pretendeu superar. E tenho dito. Mais não digo porque odeio política.

*****

Mas é claro: Chaves é de direita!

Após o pé da Denise Stoklos

April 05, 2006

Primeiro foi a Denise Stoklos: “Eu penso que... Eu penso que... Eu penso que...” Ou ainda fazendo ronhé-ronhé quinem nenê, mostrando aquele pé horrível e dizendo para arrematar: “E-ain-da-tem-o-ca-ri-nho-de-mããããããe”.

Agora, mais duas pérolas que não me saem da cabeça.

“Com certidão de nascimentooooooooo... Sou cidadãããão!”

“Torneira pingando? FECHA! Água desperdiçando? FECHA!”


Só não FECHA a maldita agência de publicidade que faz essas porcarias pro governo (com o seu-meu dinheiro, diga-se).

*****

Mestre Tangoooooso, essa é pra você.
Eis que venho caminhando pela Avenida Tiradentes (essa mesma que é ocupa pelos travecos de madrugada) e visualizo um outdoor com um rosto conhecido. Quem é ele? PAULO PIMENTEL – Jornalismo com credibilidade. O cara deve ter feito o curso no Senaque.

*****

FECHA! E mais não digo.

As coisas que não faço mais

April 04, 2006
Já não consigo sair do trabalho, passar longamente no boteco e depois ir para uma festa que só termina às três da manhã. Já não finjo que entendi poemas herméticos. Já não minto dizendo que li Ulisses. Já não agüento feijoada. Já não passo batido pela bancada de frutas no supermercado. Já não acompanho os desempenhos de cada time do Paulistão. Já não tenho ódio aos ricos. Já não leio entrevistas de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Já não digo – só pra impressionar – que adoro os filmes do Glauber e Godard. Já não encaro uma crítica a um de meus escritores preferidos como se fosse uma ofensa pessoal. Já não tenho vergonha de não saber falar inglês. Já não tenho medo de revelar minha vastíssima ignorância. Já não me declaro ateu. Já não digo que Trotsky foi o homem mais importante do século XX. Já não acredito em comunismo, anarquismo, socialismo. Já não vejo tanta diferença entre Lênin e Hitler (entre Hitler e Stalin, nunca vi diferença). Já não digo que sei o que não sei. Já não digo que vi o que não vi. Já não digo que estou certo daquilo que não estou certo. Já não fico nervoso quando deixo de atender ao telefone. Já não acho que liberalismo é palavrão (pelo contrário, acho que é uma palavra bonita). Já não voto no Lula (votei em 89, 94, 98, e me arrependo; mas graças a Deus não votei em 2002, portanto posso dizer que não votei no Lula depois dos 30 anos). Já não acredito em político nenhum, nem um pouquinho (gostava do Covas, mas ele mentia também, e morreu; e tenho uma certa admiração por Churchill, mas ele morreu, e mentia também). Já não engulo conversinha de luta de classes. Já não tenho vergonha de concordar com a idéia de que existem comunistas honestos e inteligentes, mas os honestos não são inteligentes, e os inteligentes não são honestos. Já não como maionese fora de casa. Já não consigo digerir molho branco. Já não acho que sedentarismo é virtude. Já não toco Djavan no violão só para impressionar as meninas. Já não canto “Concheta vita mia, ricorda aquele giorno” só para ser o animador das festinhas. Já não tenho orgulho dos meus porres. Já não sou tão diplomático a ponto de sorrir para uma estupidez. Já não acho que vou viver mais tempo até minha morte do que o tempo que eu já vivi do meu nascimento até hoje. Já não fico ofendido se me chamarem de conservador – porque sou mesmo. Mas continuo dormindo em bar – e sonhando com você.

*****

Só pra irritar:
SENAC OFERTA VAGAS EM SEU NOVO CURSO DE JORNALISMO!
São apenas quatro meses de estudos! Professores: Tanga (disciplina: COMO EVITAR ERROS CRASSOS EM PORTUGUÊS), Marcelo Rocha (disciplina: COMO SER FEIO E MESMO ASSIM SABER O QUE É NOTÍCIA), Lúcio Flávio (disciplina: COMO ESCREVER BOAS REPORTAGENS SEM ABANDONAR A CRIATIVIDADE) e Guilherme Mendes da Costa (disciplina: NOÇÕES BÁSICAS DE INGLÊS E INTERNET). Não teremos aula inaugural, apenas duas aulas finais com Márcio Leijoto (COMO NÃO ACREDITAR EM POLÍTICOS, POLICIAIS E JORNALISTAS) e Zero (COMO LIVRAR-SE DE IDÉIAS LULO-PETISTAS). Estou pensando em chamar o Yuge (CULTURA POP) e o Moraes para darem uns pitacos, também.

Jornalismo Senaque: Diploma garantido ou seu dinheiro de volta!

Soneto pela hora da morte

April 04, 2006
A morte vem sem aviso,
vem numa noite de abril.
Visitante impreciso:
ninguém sabe, ninguém viu.

A morte arma a cilada
como quem acerta a mosca,
e sua razão alegada
é improvável e tosca.

Ela nunca faz segredo:
seja matada ou morrida,
descobrimos logo cedo.

Ela sempre é mais forte,
como a volta é mais que a ida:
somos feridos de morte.