Dei um pulinho no Seminário de Ética, ontem, para ouvir o Raimundo Pereira, que fez a conferência de abertura. É chato dizer, porque o evento foi organizado por diletas e sérias amigas, mas não posso perder a piada: é estranho um Seminário de Ética que termina no dia 1o de abril...
Raimundinho, fundador do Opinião e do Movimento, jornais de combate à ditadura, é um dos maiores talentos do jornalismo brasileiro. Tempos atrás, já compartilhei das teses raimúndicas; hoje estou cooptado pela “farsa neoliberal”.
É duro ver Raimundo na posição de defender esse nefasto e ridículo governo Lula. O fato de que já existiram outros escândalos na República, antes do atual, não refresca nada. O governo do Barba me dá um nojo profundo, e deveria ser morto e enterrado, a despeito das (brilhantes, diga-se) ginásticas dialéticas de Raimundo. Se o sigilo bancário é uma vergonha, como diz o Raimundo, por que não liberam o do Paulo Okamotto?
No fundo, no fundo, o que a Fenaj propõe como panacéia ética para o jornalismo brasileiro? Duas coisas: diploma obrigatório e Conselho de Jornalismo. Duas rematadas sandices (para não dizer sem-vergonhices).
Reafirmo: Jornalismo deveria ser um curso de 6 meses no Senac, com aulas no final de semana. O Bagner Bogel vai se formar daqui a pouco, e isso vai transformá-lo em Cláudio Abramo? Não me engana que eu não gosto.
Conselho! Rá! Qual a representativade de um conselho de jornalismo formado por delegados sindicais que mal escondem a repugnância paranóica por qualquer tipo de liberalismo intelectual? Um conselho federal de jornalismo não passaria de mais um organismo burocrático e paraestatal, destinado a perpetuar corporativismos, tais como são os conselhos já existentes de outras profissões. É a repetição, como farsa, do slogan bolchevique: “Todo poder aos sovietes”. Soviete, em russo, quer dizer conselho. No fim dá bosta.
Da minha parte, continuo acreditando que ética é apenas um nome acadêmico para a velha e boa vergonha na cara. O jornalismo é uma profissão precária, e sua precariedade reside no fato de que a verdade dos fatos é, tantas vezes, inalcançável e incognoscível.
Ética é algo que pertence ao indivíduo. A verdadeira decisão moral é mais solitária que o onanismo. Citaram o García-Márquez, dizendo que a ética está para o jornalismo como o zumbido está para o besouro. O simbolismo do zumbido, na frase do García-Márquez, é muito claro ao afastar mediações burocráticas. Ué, zumbido agora precisa de código? Zumbido precisa de conselho? Zumbido precisa de diploma? Ah, passa amanhã. Tua mãe não te deu educação?
Mas o pior do seminário não está relacionado à ética. Ao ver alguns calouros de jornalismo, fiz as contas. Em 1989, quando eu estava entrando no curso de Jornalismo – aquele que deveria ser do Senac –, eles estavam nascendo. Tempus fugit.
Publicado em 31 de março de 2006 às 11:11 por briguet
é isso aí. perfeito.
e é compreensível a postura do raimundo pereira. ele se comporta como a mulher traída, que se envergonha do chifre e desvia o foco do assunto para não ter de admitir que foi iludida. é aquele lance do auto-engano. eu tenho dó dos lulo-petistas, essa gente infeliz. eles podem chiar à vontade, mas que eles são tristes, isso eles são.