Enquanto ainda é tempo,
cassem meu diploma,
tirem meu emprego,
pisem nos meus calos,
atem minhas mãos.
Queimem meus registros
em todos alfarrábios.
Calem minha boca,
surrem minha face
– isso enquanto é tempo.
Não é tarde ainda
pra vendar meus olhos,
vedar-me os ouvidos
às interferências
do mundo sonoro.
Se é tempo – e é –,
prendam os meus braços,
quebrem minhas pernas
e, no tronco exausto,
parem o coração.
Nada mais será
então permitido.
Livre dos rumores,
livre dos sentidos,
estarei bem só.
Publicado em 26 de março de 2006 às 19:19 por briguet