Repórter das Coisas

Madrigal da visibilidade

Saltam aos olhos as cores os dias
as supremas imperfeições
saltam aos olhos o pleno e o vazio
e tudo que falta entre os dois

As mulheres as páginas os domingos
as almas os cristos as manhãs
saltam a olhos vistos
como se fossem as palmas
das nossas próprias mãos

Salta aos olhos a pele
o sangue salta aos olhos
e dentro de nós há um cerne
que salta aos olhos do tempo
no mundo

É que tudo
salta aos olhos como quem diz
o que vê
E o que falta no fundo
está diante do nosso nariz
que a terra há-de comer

Salta aos olhos
bem antes de ouvirmos
o som dos passos
salta aos olhos no vento
no precipício no espaço
o visível advento
dos homens que silenciam
antes mesmo que nasçam

E mesmo que faltem os olhos
vão saltar no penhasco
a morte a sombra o amor
e amar e ocultar e morrer
os que têm olhos de ver

Publicado em 28 de fevereiro de 2006 às 11:15 por briguet

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PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

Que o Criador, bendito seja o Seu Nome, abençoe a todos os leitores deste blog. Lembre-se: Paulo Briguet reza por você.

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