Repórter das Coisas

Soneto da decomposição

Ao Júlio Tanga e à Cristiane Prizibisczki, que, durante meu sumiço da Quinta Sem-Lei, acharam que eu tinha morrido e estava em decomposição no apartamento da Rua Cacilda Becker.


O sólido desmancha-se no ar,
as águas sobem contra a gravidade,
enquanto o vapor, a flutuar,
evola-se com tal facilidade

que somos obrigados a saber
do corpo, esse pedaço vulnerável,
o fim anunciado, e o poder
da alma em ser a sombra do passado.

Palavras rumam para o precipício
e o Verbo não precisa nem dizer
que a luz se faça, mesmo que difícil.

À sombra do instante a se perder,
o sólido desmancha-se no início,
e ao fim se recompõe no mesmo ser.

Publicado em 26 de fevereiro de 2006 às 11:07 por briguet

Comentários

  1. tanga
Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

captcha

Digite os caracteres da figura acima. Temos que fazer isso para evitar spam.

PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

Que o Criador, bendito seja o Seu Nome, abençoe a todos os leitores deste blog. Lembre-se: Paulo Briguet reza por você.

Ainda não é cadastrado? Cadastre-se agora!