Ao Júlio Tanga e à Cristiane Prizibisczki, que, durante meu sumiço da Quinta Sem-Lei, acharam que eu tinha morrido e estava em decomposição no apartamento da Rua Cacilda Becker.
O sólido desmancha-se no ar,
as águas sobem contra a gravidade,
enquanto o vapor, a flutuar,
evola-se com tal facilidade
que somos obrigados a saber
do corpo, esse pedaço vulnerável,
o fim anunciado, e o poder
da alma em ser a sombra do passado.
Palavras rumam para o precipício
e o Verbo não precisa nem dizer
que a luz se faça, mesmo que difícil.
À sombra do instante a se perder,
o sólido desmancha-se no início,
e ao fim se recompõe no mesmo ser.