A dor da mãe que perdeu o filho
não é menor que a sombra do Sol
no espaço, não é menor que mil
universos esparsos, não é dor só,
é até alegria de tanto que dói,
tal qual o riso nervoso do homem
cujo veneno presto corrói
todas entranhas que logo somem.
A dor da mãe que perdeu o filho
não é menor que a morte inteira,
tampouco é vida que se compõe.
Não faz sentido, só faz martírio,
nem mesmo rima com o desespero
do mesmo filho que perde a mãe.
Publicado em 20 de fevereiro de 2006 às 14:29 por briguet
“Dorme, dorme, dorme...
Quem te alisa a testa
Não é Malatesta,
Nem Pantagruel
– O poeta enorme.
Quem te alisa a testa
É aquele que vive
Sempre adolescente
Nos oásis mais frescos
De tua lembrança.
Dorme, ele te nina.
Te nina, te conta
– Sabes como é –
Te conta a experiência
Do vário passado,
Das várias idades.
Te oferece a aurora
Do primeiro riso.
Te oferece o esmalte
Do primeiro dente.
A dor passará como antigamente
Quando ele chegava.
Dorme... Ele te nina
Como se hoje fosses
A sua menina.”
(“Acalanto para as mães que perderam o seu menino”, Manuel Bandeira.)