I grow old... I grow old...
(T. S. Eliot)
Assim, todas as manhãs, travo um duelo com meu relógio. Ele avança, eu fico; ele vai, eu não.
Maratonista de si mesmo, o relógio corre à velocidade de um minuto por minuto. É calmo; preciso; animal de sangue frio.
– Que profissão é essa, cara? Não vê que estou dormindo?
Ele não responde. Não é de muita conversa.
Estamos condenados um ao outro, eu e meu relógio. Olho pra ele, ele olha pra mim. Eu trabalho com letras; ele, com números. O problema é que ele trabalha enquanto eu durmo.
Competição desigual: o relógio sempre vence. Da mesma forma que seu irmão mais velho, o calendário.
Correr contra o relógio, a suprema inutilidade de cada dia.
Assim. Todas as manhãs. Ele vai; não vou. É hora.