Procuro uma voz para ser minha.
Para ser pura, para ser morte,
uma voz para ser fúria,
uma voz para ser forte.
Procuro uma voz em tantas,
uma voz com nós de tempo
e sem os nós da garganta.
Procuro uma voz sem medo.
E quero que seja outra voz
embora sempre a minha.
Quero uma voz da terra,
quero uma voz marinha.
Uma só voz arraigada,
interior e externa,
que, parecendo ser nada,
um dia se prove eterna.
Uma voz que, se ouvida,
permaneça na memória
até o final da vida
e o começo de outra história.
Busco uma voz geral,
clara e enigmática
uma voz irracional
pelas leis da matemática.
Uma voz para quem vive,
uma voz de quem morreu.
Uma voz que, ao perguntarem,
responda de pronto: – Sou eu.
Publicado em 14 de fevereiro de 2006 às 19:23 por briguet