Estou colecionando domingos. Divido-os entre etílicos e sóbrios; são igualmente melancólicos. Vocês precisam ver como eles ficam bonitos na estante, alinhados e silenciosos, com suas caras de quase-segundas-feiras.
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Coleciono também gado. Comecei hoje. Que bobagem – vocês podem dizer – colecionar gado; todo mundo sabe que gado não se coleciona, gado se cria. Mas eu decidi colecionar gado, ué, o gado é meu e eu faço o que eu quero! Optei por colecionar gado humano. Até aqui só tenho um animal: eu mesmo. Pecuária intensiva. Eu sou meu próprio rebanho; não posso fugir do pasto porque o pasto sou eu mesmo. Medito; rumino.
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Coleciono mensagens sobre piolhos de pombas e trufas. Nada sei sobre os dois assuntos.
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Agradável é colecionar palavras. Tenho algumas aqui: juriti, nheco-nheco, esbórnia, cataclisma, maria-vai-com-as-outras, archote, climatério, verossimilhança, entropia, cachorrinho, apascentar, bombástico, contracheque, abigeatário, ordenado, bestando, olé. Se alguém quiser trocar, basta enviar um e-mail. Não aceitamos revoluções, arrependimentos. Palavra é palavra, pô. (E também troco “pô”.)
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Ressaca é um tipo de coleção difícil – talvez mais difícil que de chiclete Ploc Gigante – mas inevitável. Tenho tantas que já estou virando uma: o Homem-Ressaca.
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Coleciono comprimidos: Neosaldina, Pondera, Carbolitium. Pondera, Neosaldina, Carbolitium. Carbolitium, Neosaldina, Pondera. Já não sei mais diferenciá-los.
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Divertido é colecionar miniaturas e granduras. (Sendo que grandura é uma palavra ótima, não?) As miniaturas são granduras em tamanho pequeno. As granduras são miniaturas em tamanho maior. Penso seriamente em também colecionar mediuras, mas não sei onde vou colocá-las.
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Quando eu era criança, elegi-me vice-dono da bola de futebol. Foi quando comecei a colecionar títulos nobiliárquicos e burocráticos.
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A maior parte das pessoas que vem ao meu blog procura pela palavra buceta. Eu posso dizer que sou um colecionador involuntários de tarados por buceta. Alguns até se identificam como tais.
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Coleciono formigas. Vivas. Dão-me pouquíssimo trabalho; elas próprias se administram.
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Coleciono livros não lidos. É tão bom que penso em abrir um sebo. O nome do estabelecimento? Sebo nas Canelas.
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Coleciono pesadelos. Horas. Fantasmas. Símbolos. Amnésias. Papéis de Bala Chita. Promotoras de eventos (adoro colecionar promotoras de eventos!). Ar. Água. Fogo. Mar. Trocadilhos. Decepções. A dor. Derrotas. Filmes pornôs. Vozes. Mãos. Migalhas. Vento. Acima de tudo, coleciono nada. Nada é tão bom quanto colecionar.
Publicado em 24 de janeiro de 2006 às 12:15 por briguet