Para Janaína Ávila, que vai.
Ah, mas que saudades do Brasil,
saudades grandes, saudades mil!
Saudades do 1,99
da Neosaldina e do Engov,
saudades da cana 51
e do batuque do Olodum.
Saudades tantas do Carnaval
da alegria obrigatória, do sal
de frutas, do JoãoSinho Trinta
da depressão que sempre pinta,
das putas feias da praça
e de rir da própria desgraça.
Saudades das Casas Bahia
do restaurante por peso, da tia
que comprou dinheiro a juros
e das cercas sobre os muros;
saudades do mensalão, do caixa 2
de deixar tudo pra depois,
saudades do senhor do Brasil,
o brasileiro, este sutil,
das metáforas vernáculas do Lula
de trabalhar mais do que a mula,
saudades das praias sujas,
do esgoto a céu aberto,
do ônibus lotado e, de lambuja,
um guardador de carro por perto.
Saudades do engolidor de fogo
no semáforo, do Botafogo
versus Madureira, do axé
e do Gil que anda com fé,
da rodela de suor no sovaco
do prefeito, e, de fato,
uma saudade grande por estar aqui
quando poderia estar no Haiti.
O melhor do Brasil É o brasileiro.
Brigada, Brigite!