Romântico é o verão: dar um passeio com a moça bonita à beira do lago, e sofrer um seqüestro-relâmpago.
Observar a beleza da morena que acaba de entrar no ônibus, enquanto o movimento estudantil bloqueia o Terminal Urbano em protesto contra o aumento da passagem para dô real.
Ouvir o disparo do alarme às sete da matina.
Caminhar na rua sem óculos escuros, e ficar com os olhos fechados quinênqui japonês.
Ter pesadelos com um monstro: acordar, e perceber que era apenas o barulho do ventilador. (“Circuladô de fulô, ao Deus ao demo dará; que Deus te guie por que eu não posso guiar...”)
Desidratação, insolação, alergia, insônia, preguiça, ficar suado logo depois de tomar banho: romântico é o verão.
Dormir pelado e de nada adiantar. Acabar a água gelada. Vem ver o asfalto que está derretendo. O ar quebrou. Romântico é o verão – pena é que não acaba nunca.