Em 2005, aprendi que don-juan só se fode.
Inteligência não é meu forte, por isso levei 35 anos para chegar a essa conclusão.
Quem dera eu tivesse conquistado tantas mulheres como meus detratores dizem que conquistei. Só fico com a fama, e mais nada. Má fama, por sinal. Mulher odeia homem galinha e, embora eu não pertença ao gado asinino, é lá que me incluem. Peguei uma eterna gripe aviária.
Vocês aê que são dons-juans de verdade, aceitem o conselho de um falso: saiam dessa vida antes de encontrarem um grande amor; don-juan só se fode.
Em São Paulo, vi o filme sobre um don-juan em final de carreira, Flores Partidas (Broken Flowers), com direção de Jim Jarmusch. O ator principal é o grande Bill Murray (que, acreditem, está melhor do que em Lost in Translation). É claro que ele se dana o filme todo (com exceção de um lesco-lesco bêbado com Sharon Stone).
Acho que fiquei com a fama de don-juan porque sou feio, lento de raciocínio, pobre e não sei dirigir. Nenhuma mulher jamais olhou para mim. Na tentativa de compensar essas falhas, desenvolvi ao longo dos anos o chamado “bico-doce”, uma certa capacidade de conversar. Adorno a realidade com palavras. Acabei escravo da própria linguagem. Se levarmos em conta que no princípio era o Verbo, estou sendo rigorosamente judaico-cristão. Minha linguagem é apenas uma forma de retornar ao Criador. E você é a minha forma. Decepcioná-la foi como decepcionar a mim mesmo.
Mas voltemos ao Concerto de Brandenburgo número 1. Só João Sebastião agüenta papo de don-juan falsificado.
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Alguém lê o Tipos em pleno 30 de dezembro? Ei, estou falando com você!
Publicado em 30 de dezembro de 2005 às 16:42 por briguet
Mas, falando do post: bom texto, mas quem não te conhece que te compre, Paulo Briguet. Hehehe.
Caro amigo, desejo um ano novo de amor e quietude pra vc. Um abraço enorme!