Neste segundo dia de (merecidas) férias, sinto-me um autêntico morador da vila. Nos outros 11 meses do ano, a condição de vilão (vilão = que mora na vila) é um pouco prejudicada pelo parangolé do trabalho. A cada dia se fortalece, para mim, a idéia de que só trabalho para ganhar o direito de ser vagabundo. Para ganhar o direito de estar como estou agora, de cuecão, falando bobagem no blog, ouvindo João Sebastião, depois de dar uma voltinha pela vila, tendo almoçado no Restaurante do Canto (assim denominado porque fica no canto da quadra, e porque suas dimensões são reduzidas; mas o preço do rango caseiro também é), prestes a ler um Lawrence Durrell nerrrrrrrrvoso (pronuncie-se a última palavra com sotaque do Sertão).
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Como o Restaurante do Canto é pequeno, sou levado a dividir os mínimos cantinhos com, de preferência, outras comensais. Hoje duas se sentaram à minha mesa. Uma bonitinha; a outra, nem tanto. Veja que a velha regra-do-lutador-de-sumô-barrado-na-boate (“Não se pode ter tudo”) valeu mais uma vez: para decepção dos duendes que controlam minhas fantasias, a bonitinha trabalha numa loja de móveis e a nem-tanto trabalha numa loja de artigos eróticos. Tudo aqui na minha vila. A vila é como a vida: nada perfeita. No mundo real, este que eu tanto desprezo, dificilmente a bonitinha trabalhará na loja de artigos eróticos.
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Em seguida, fui à farmácia comprar Neosaldina, que sou um homem previdente. E, na próxima quinta-feira, tem a QSL dos meus sonhos: sem ter horário para acordar no dia seguinte. Eh, tendéu! Carro de puta é Corcel!
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(Ô, seo Aurélio! Que história é essa de tendéu não ser uma palavra dicionarizada?)
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Nas Alturas continua em cartaz até o dia 20 (e não 18 como eu havia dito). Os detalhes, dois posts abaixo. Hoje eu vou. Vamos?
Publicado em 13 de dezembro de 2005 às 13:49 por briguet