Quando vejo que teu braço
se move no escuro e tua mão
se deita em minha pele
e teu passo se dirige
ao meu peito, e meu cansaço
te envolve em tua mente,
e meu tempo te torna
em linguagem,
quando a forma
de meu rumo te espera,
como um facho de sombra,
e dilacera, tão quente,
a superfície da terra,
e o nascente, absinto
que sonha, e um pedaço
do mundo se desprendem,
e um abraço de morte e de dor
me envolve, como pura matriz
se resolve na cura do horror,
e um nome se expressa depois
como um modo de achar
a mensagem das trevas,
e entre todos um só se eleva,
e a promessa dos tempos etéreos,
que dos pés à cabeça, inertes,
retornam, da memória ao avesso
dos olhos, a bebida que agora
eu tomo se confunde
com o sal do veneno,
e meu lastro de sangue
é pleno, como a volta
do mar ao silêncio,
como a luz que à ordem
desfaça o que foi nesta vida
de graça – quando for
não serei mais que um traço.
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Para quem chegou até aqui: tem duas imagens de Natal lá na
Casa dos Trinta.