Concerto do Nelson Freire ontem à noite. Ducas. Também, o cara começou a tocar com 3 anos; com 4, o professor de piano disse que não tinha nada mais a ensinar para ele; com 5, fez o primeiro concerto. A exemplo de Mozart, Freire é Dom Fulgencio, não teve infância.
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Ontem, Freire batizou o primeiro piano Steinway comprado aqui no Sertão. Programa: Mozart, Beethoven, Debussy e Schumann. Freire debulha todos.
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Mozart é foda. Morreu com 35 anos (conheço alguém que tem essa idade). Foi o palhaço mais genial e espirituoso que já existiu neste mundão de meu Deus. E quando era trágico, meu irmão, não tinha pra ninguém. Freire tocou o Concerto número 11, do balacobaco.
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Esta Sonata ao Luar é de esmagar o coração, principalmente o último movimento. Por essas e outras, Beethoven é o Maradona da música. (Nada a ver com pó, embora os pesquisadores andem afirmando que ele – Beethoven – morreu intoxicado por chumbo. Faz sentido: Ludwig é heavy metal).
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Debussy, um louco, mais pintor que músico, delicioso de ouvir.
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E Schumann. Eh, Schumann. As canções dele são de primeira linha, mas o tal do Carnaval número 9, que o Freire tocou ontem, é meio puxado. Coisa para exercitar virtuosismo. É como futsal: deve ser mais gostoso de jogar (tocar) do que ver (ouvir).
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Não queriam deixar o homem dormir: Freire bisou cinco vezes. Quer dizer: pentisou (pausa para gargalhadas gerais). Com direito a Chopin e Villa-Lobos. E teve uma que eu não identifiquei, nem a Janete El Haouli, mas é bonita bagarai.
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É claro que faltou João Sebastião. Mas, como dizia o porteiro que barrou o lutador de sumô na boate, não se pode ter tudo. (Hã, hã? Entendeu, entendeu?)
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O que a gente não faz pelos amigos. Hoje, pela primeira vez em muitíssimo tempo, vou transferir minha Quinta Sem-Lei do Bar Brasil para o Valentino, onde vai pontificar e discotecar minha amiga Janaína A Ávida, em sua última Noite Latina antes de partir para o Velho Continente com seu amado. Quero ouvir Eliete. E ver a mulher que sobe na mesa. E você vai, não é, mestre Tanga? Olha o medo.
Publicado em 08 de dezembro de 2005 às 10:26 por briguet