Repórter das Coisas

Piada. Chatice. Poema.

PIADA

A estudante Sabrina encontra o jornalista Pedro. E diz:
– Foi você que andou dizendo que o diploma de jornalismo é uma piada?
– Eu mesmo. Seu criado.
Antes que Pedro inicie outra frase ou esboce reação, Sabrina mete-lhe uma certeira bifa no meio do naso.
Limpando o sangue do rosto, Pedro volta-se para a agressora e comenta:
– Puxa, essa foi forte. Agora nós podemos passar ao lesco-lesco?

CHATICE

Plantão é chato.
Explicar as coisas é chato.
Poesia, em geral, é chata.
Ressaca, pô, claro que é chata.
Homem é chato.
Mulher comum é chata.
Platão e Aristóteles – dois chatos.
Bêbado é chato.
Skank é chato.
Wagner é chato.
Ópera é chata.
O mundo, no mais das vezes, é chato.
Mendigo é chato.
Eu sou chato.

POEMA

Não quero fazer nenhum poema importante,
nenhuma declaração de amor (já está declarado),
nenhum apelo e nenhuma cerimônia.
Quero apenas dizer a verdade mínima
entre todas as verdades, entre os reis
e os mendigos do Céu, da Terra;
quero apenas gritar a completude
do meu amor e da minha aliança,
que você nunca achou em outro.
Quero apenas dizer adeus e bom-dia,
no vão das coisas dentro de nós.

Publicado em 19 de novembro de 2005 às 21:03 por briguet

Comentários

    • “Somos os chatos da Via-Láctea.
      E a Via-Láctea está cheia de nós.”

      CAMPOS, Paulo Mendes. Prosa Primitiva. In: O anjo bêbado, 1ª ed., Rio de Janeiro, Editora Sabiá, 1969. p. 111.

      Briguet,

      Skank é bom
      Wagner é bom
      Skank é muito bom
      Mulher comum é bom
      Samuel Rosa é excelente
      Platão e Sócrates são bons
      Paulo Mendes Campos é ótimo.
    • por
    • 20.Nov.2005 às 11:52 - Permalink - Reportar
    a2eaebfddd8bbdd48dbb5838dc3f122c?s=80&r=pg&d=monsterid
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PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

Que o Criador, bendito seja o Seu Nome, abençoe a todos os leitores deste blog. Lembre-se: Paulo Briguet reza por você.

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