Repórter das Coisas

O terremoto de Lisboa

Você que sofre com falta de dinheiro, amor perdido e enxaqueca, é porque não conheceu o terremoto de Lisboa.

Catarata? Seguro vencido? Rancor de parente? Vizinho paranóico? Desemprego há nove meses? Teimosa urucubaca? Condomínio pela hora da morte? Lembre-se que o terremoto de Lisboa foi pior que isso tudo.

O terremoto de Lisboa soterraria nosso rosário de paixões com a facilidade de um Tiranossaurus rex desossando um passarinho.

Você que é perseguido pelo ciúme doentio, pela dor de cotovelo e pela anorexia nervosa jamais teve ciência do terremoto de Lisboa.

O terremoto de Lisboa mata com absoluta frieza; sentencia com perfeita na animosidade; rasga ventres com a sem-cerimônia de um leopardo.

Sacrílego, o terremoto de Lisboa varre nossas crenças em troca de vento. É seguido pela tempestade no mar.

Antes de soltarem a bomba sobre Hiroshima, os americanos cogitaram levar o terremoto de Lisboa para a baía de Tóquio.

O terremoto de Lisboa fala um idioma desconhecido até mesmo para os navegantes nonagenários; nenhum pompoarismo controlaria os terríveis espasmos de sua vagina sísmica.

Quem acha que sofre, não sofre; quem acha que delira, não delira; quem acha que morre, não morre. Basta aguardar o terremoto de Lisboa.

O terremoto de Lisboa é nosso consolo e penitência – a última frase de nossa oração.

Todos os dias, pela manhã, dedique um pensamento de compaixão ao terremoto de Lisboa, assassino de uma inexplicável inocência. Explosão de supernova sobre a face da terra – a face de Lisboa.

O terremoto de Lisboa revolve a gramática dos céus; equivale a um almoço temperado com veneno; vibra mais do que o chocalho de uma cascavel gripada. Deus me livre do terremoto de Lisboa.

E se você acha que sofre, não sofre. E se você acha que dói, não dói. E se você acha que sangra, não sangra. Muitíssimo prazer, eu sou o terremoto de Lisboa.

Publicado em 18 de novembro de 2005 às 05:49 por briguet

Comentários

    • Bom dia à voçês Sou brasileiro natural da cidade de Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo (S.P.) - Brasil. Hoje tenho 29 anos.
      A primeira vez que eu tomei conhecimento do Grande Terremoto de Lisboa foi, se eu não me engano, no ano de 1998, quando então eu tinha 20 anos completos, e eu assistia à um documetário do National Geografic, que falava em inglês mas tinha legendas em porutguês, para acompanhar lendo-as.
      E o documentário dizia coisa te´iveis como:
      "...., No século XVIII Lisoa era uma das mais belas capitais da Europa. No dia de Todos os Santos de 1755, Lisboa possuía aproximadamente 60.000 habitantes. Por volta das 10:00 Hs da manhã, as vidraçaas das janelas das casas e os vitis das igrjas começaram a tremer e a chacoalhar; as pessoas correram para as ruas, sem saber para onde ir nem que direção tomar, e gritando pedidos de clemência ao Céu, quando de repente, as fachadas dos prédios começaram a desabar, matando a multidão que se apinhava em baixo. "
      Desculpem, agora tenho que sair da internet !!!
    • por Alexandre CARLOS PEREIRA.
    • 10.Jan.2008 às 11:59 - Permalink - Reportar
    Alexandre CARLOS PEREIRA.
    • Oi, bom dia.
      Meu nome é Vera e moro em Campinas, a primeira vez que li algo sobre o terremoto de Lisboa foi num livro espirita onde o autor informa como e porque aconteceu. Corri e vi na internet tudo sobre o ocorrido, sinceramente fiquei sem palavras...Diante de tudo isso só posso afirmar que vivemos num país maravilhoso e que devemos estar sempre voltados para Deus, porque tudo pode acontecer em qualquer momento.
    • por Vera Lúcia
    • 07.Jan.2009 às 12:38 - Permalink - Reportar
    Vera Lúcia
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PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

Que o Criador, bendito seja o Seu Nome, abençoe a todos os leitores deste blog. Lembre-se: Paulo Briguet reza por você.

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