Archive for September of 2005
Coisinhas
September 29, 2005Deputado Hauly (cacique do PSDB em Londrinis) está fulo da vida com quem escreveu a manchete do jornal de domingo, a saber, “Janene e Nedson acusam Hauly de pedir dinheiro em campanha”. Janene (aquele, aquele mesmo) é do PP. Nedson, o prefeito, é do PT.
Hauly garante que o jornalista responsável pela manchete – este que vos fala – está mancomunado com a camarilha petista.
Gozado. Pouquíssimo tempo atrás, este que vos escreve editava o Jornal da Acil, dando manchetes críticas ao governo do PT. A turma do Nedson, fula da vida, acusava-me de ser vendido ao Hauly.
Xi. Agora resta alguém dizer que sou um agente de Belinati. Ou de Requião. Ou do próprio Lula. Ou das grandes corporações. Ou do terrorismo internacional.
Vá explicar pros caras que nada disso me interessa. Vá explicar que eu sou apenas um repórti de curtura. Vá explicar o tédio profundo de um zé-ninguém como yo.
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Aliauses, quer coisa mais desinteressante do que disputa de Presidência da Câmara? E pior: os candidatos eram Aldo (o cara que queria proibir o ingrês), Nonô e Ciro Nogueira. Nonô, aliás, é homônimo do meu voto em qualquer eleição ou plebiscito futuro: NONONONO. Assinado: zé-ninguém.
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Como todos sabem, deu Aldo. Um cara que pertence ao mais stalinista dos partidos – PC do B. O cheiro de pizza invade a atmosfera da Corte. As chances de cassação, principalmente dos deputados do PT, tornam-se cada vez menores. (Aldo foi eleito com base em negociatas envolvendo tipos como Valdemar Costa Neto. Preço: R$ 1,5 bilhão em verbas do orçamento.)
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Não disse que política é um tédio?
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Lá, pizza. Aqui, pisam. Solução? Nenhuma. Consolo? QSL ninóis. Aguardo-vos.
Distribuição das coisas
September 28, 2005
Já fui marxista. Vi que não funciona. Nem por isso deixo de notar que há uma distribuição insuficiente no mundo. Não falo em distribuição de renda; isso é truísmo para programa político de esquerda, de direita, de centro e de fundos (na circunstância política, principalmente de fundos).
Falo em – por exemplo – distribuição de palavras. Ultimamente tenho tido uma escassez verbal. (Leijoto diz que escrevo muito; se escrevo muito, paradoxalmente, é que estou com falta de palavras.) É óbvio que semelhante estado de coisas – as frases que desmaiam (perdem o sentido) – as expressões que nada expressam – as idéias que não resistem ao mínimo exame – a impossibilidade de dar sentido ao que sinto – é óbvio, torno a dizer, que tal estado de coisas só foi possível porque minha linguagem está em você.
Com você também ficaram meus planos, minhas manhãs de sábado, alguns livros e um pedaço da minha sombra. Com você ficou a voz do relógio digital; a inteligência das pequenas coisas; o molho de ravióli; a forma tubular de um exemplar canino; o risco do pedalinho sobre as águas curitibanas; as mulheres italianas bravas de todas as gerações; o problema de não conseguir abrir os olhos pela manhã.
É uma distribuição injusta. De tudo.
Falo em – por exemplo – distribuição de palavras. Ultimamente tenho tido uma escassez verbal. (Leijoto diz que escrevo muito; se escrevo muito, paradoxalmente, é que estou com falta de palavras.) É óbvio que semelhante estado de coisas – as frases que desmaiam (perdem o sentido) – as expressões que nada expressam – as idéias que não resistem ao mínimo exame – a impossibilidade de dar sentido ao que sinto – é óbvio, torno a dizer, que tal estado de coisas só foi possível porque minha linguagem está em você.
Com você também ficaram meus planos, minhas manhãs de sábado, alguns livros e um pedaço da minha sombra. Com você ficou a voz do relógio digital; a inteligência das pequenas coisas; o molho de ravióli; a forma tubular de um exemplar canino; o risco do pedalinho sobre as águas curitibanas; as mulheres italianas bravas de todas as gerações; o problema de não conseguir abrir os olhos pela manhã.
É uma distribuição injusta. De tudo.
O Céu deve estar em festa
September 27, 2005



Ô, Cride! São Pedro deve estar de bom humor. Depois do Agente 86, vai-se Ronald Golias (acima, em quatro momentos da carreira). Bozo, cuide-se; Chaves, benza-se; Jerry Lewis, rezaê.
Vai-se um mito
September 27, 2005
Empirulitou-se Don Adams, ou melhor, Maxwell Smart, o Agente 86.
No dizer do Grande Guia, “é perca”.
Aqui rendo minhas homenagens ao grande 86, mistura de Woody Allen com James Bond. Um cara desajeitado e inepto, mas que se dava bem com as mulheres - afinal, ganhou a bela 99.
Obrigado, Don - quero dizer, Max - pelas gargalhadas de minha infância paulistana. Reverbero-as.
Vai-se um mito, fica o mico. (Não resisti ao trocadilho.)
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E aqueles dois pontinhos no final das costas de certas ragazzas? Quisera ser o u desse trema.
Pensamentos que me ocorreram no trem
September 26, 2005
Hoje estive viajando de trem e vi grandes quantidades de lixo jogadas ao longo do leito da ferrovia. Era sujeira que não acabava mais, como se fosse um mato entre os matos, uma plantação entre as plantações, uma praga entre as pragas, uma nova espécie vegetal entre a flora, que há tempos não merece o nome que tem.
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E pus-me a pensar, quando olhei a cidade me contemplando ao longe, enquanto as favelas me contemplavam ao perto: para onde vai tanto lixo? O trem passou por um aterro sanitário, mas ele me pareceu ridiculamente insuficiente. Tanta gente produzindo lixo – para não dizer bosta e mijo – e um aterrozinho desse aí não dá nem para a saída. Quem vai nos sanear? A Sanepar? A próxima ilicitação do lixo? Da janela do trem, mandei o aterro tomar no cu (respondaê: aterro tem cu?).
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Sei que esses pensamentos já ocorreram aos mais tolos normalistas de ecologia, mas não vem a ser o meu caso. Sou tolo, posso até ser normalista, mas desconheço ecologia. Nasci fui educado vivi em São Paulo, onde não tem dessas viadagens, não. Lá todo rio é poluído, todo esgoto é clandestino, todo lixo é na rua.
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Afastadas as razões ecológicas (impossíveis, visto que não uso da razão e desconheço ecologia), resta o fato de que não posso deixar de pensar em tanta gente produzindo lixo, merda e mijo. É da espécie humana produzir lixo, merda e mijo. Onde vamos acabar, assim? Pensamentos que me ocorreram no trem.
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Havia uma bela bióloga no trem (“Eh, trem bão”, diria o mineiro, e lembro que sou paulistano), mas isso não vem ao caso. Ela jamais me daria bola (pelo simples fato de que nenhuma mulher jamais me dá bola; só o faz depois de uma insistência quase milenar da minha parte, e mesmo assim com ressalvas). Sim, tinha no trem uma bela bióloga, que corretamente insistia na necessidade de não jogarmos lixo nos rios e à beira das ferrovias, enquanto lá fora o lixo ilustrava o que ela dizia, como se fosse uma legenda perdendo-se em galanteios para a moça.
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Para onde vai todo esse lixo, oh meu Deus, meu Senhor e meu Deus? E não apenas o lixo, mas as idéias fixas, onde se fixam depois de saírem das cabeças de seus defensores?
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Essa gente que produz lixo, merda e mijo também sonha e tem pesadelos. Para onde vão os sonhos, e os pesadelos? Sem falar nas insônias e nos roncos – para onde vão? As falsas premissas e profecias: acaso elas se encontram no infinito, como as duas linhas do trem, no entender do titio Euclides?
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Sei lá para onde a vai a dor depois que eu tomo Neosaldina e antidepressivo. Aqui comigo há uma série de desejos contrariados, que eu acumulo desde que Gisele me deu o fora com aquele diretorzinho barbudo de teatro em 1986; existe alguma lata de lixo reciclável em que eu possa depositá-los, por obséquio? Telefonemas mudos na madruga, alguma sugestão do que fazer com eles – os hippies da praça Willie Davids aceitariam transformá-los em artesanato?
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A criança que nem chorou e já morreu – para onde vai, para o limbo? Mas suas moléculas se desintegrarão no mundo, neste mundo. Respondaê, dotô: corremos o risco de engolir justamente a molécula da desgraça?
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E ainda. A carcaça do cavalo, entregue às moscas e urubus à beira da estrada esquecida: é possível que ela se alie a nossas esperanças findas, com o objetivo de matar o que resta além do nó em nossa garganta?
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A música quando faz silêncio e o silêncio quando faz música: cadê eles, pô?
*****
Os xingamentos no meio da noite, ditos entre dentes: destino há para eles? O terror sob as cobertas; o olhar não correspondido; as costas e os ombros da assessora; o contratempo; a astúcia, a malícia, a blandícia; o ferro-velho quando fica mais velho: nem sinal deles.
*****
Mas eles estão. Ah, estão. Ficam. Ah, ficam. E não aterro que os saneie. Não há Sanepar que os purifique. Não há ilicitação que os encubra. E os dois furinhos nos finais das costas da garota – como seus cabelos mais longos que a estrada de ferro – não passam de tremas sem u: são irrelevantes. O importante é que ninguém sabe para onde nada vai. Ninguém. Nada. Eu vi com estes olhos, meu Senhor e meu Deus! Meu Senhor e meu Deus!
vinte pras duas
September 26, 2005faltam vinte pras duas
faltam dez para as duas
meu Deus meu Deus
é mais um setembro
que vai se acabando
é mais um domingo
é outra segunda
é mais um amor
de angústia tão funda
é mais uma vez
o palco vazio
a guitarra calada
o violino mudo
é mais uma vez
a tela em branco
que em sua clareza
diz mais do que tudo
é mais uma vez
o silêncio de Deus
comentário perfeito
se penso nos meus
acabados mundos
faltam vinte pras três
faltam dez para as três
meu Deus meu Deus
é mais um poema
que vai se fechando.
Do inferno
September 24, 2005Janene e Nedson acusam Hauly de pedir dinheiro em troca de apoio no segundo turno de 2004.
Soraya cospe fogo pela Istoé.
Paulo Bernardo libera grana para deputados antes da eleição no Congresso.
Só uma pergunta: tem mocinho nessa história?
O homem que pulou a cerca
September 24, 2005Olá, eu sou o homem que pulou a cerca,
o cara que não tem perdão.
Sou cidadão desprezível, insano,
rato em forma de ser humano,
um pária, um pulha, um poltrão.
O homem que pulou a cerca.
E que desculpa me livrará
das perdas, dos danos, do julgamento
e danação final? Afinal,
eu sou o homem que pulou a cerca.
O homem que transpôs,
indiferente ao coração,
as fúrias do seu medo,
mas a ele se entregou,
afogado em excremento.
Sou o homem que pulou a cerca,
o homem sem sentimento.
Nenhuma dor me purgará
do pecado dez vezes mortal
que cometi, perfidamente,
na curva insensata do mal.
Nenhuma voz me acolherá
suave na noite intensa
que em chamas traz a morte
e sua horrível presença.
Eu sou o homem que pulou a cerca,
sacripanta imperdoável.
E, mesmo cumprida a pena,
da culpa serei escravo.
É tudo muito estranho
September 23, 2005As coisas tem nomes estranhos. Repare: Vale do Jequitinhonha. Essa palavra me dá medo: o que será uma jequitinhonha? É peçonhenta?
*****
Outro: Freguesia do Ó. Quem será Ó? E quem eram os seus clientes? Já devem ter desaparecido há muito. (Uma vez, escrevi um conto em que o protagonista se chamava A. do Ó.)
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E que me dizem de Borrazópolis? Quem mora lá é corajoso ou, pelo contrário, se borra todo? (Desculpem, meninas. Prometo ser mais educado na próxima palavra.)
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Aqui no Paraná também tem uma cidade chamada Ventania. E outra, Barracão. Espero que não sejam próximas. Dizem que o pessoal de Barracão odeia Ventania, por motivos evidentes. Ventania quer derrubar Barracão.
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Outro dia conheci uma senhora chamada Altair. Na minha época tinha uma pegadinha do jeito que eu gosto, bem infame:
– Você conhece o Altair?
– Que Altair?
– Aquele que te comeu antes de dormir.
Mas, no caso da Dona Altair, a pegada perderia o efeito.
*****
E o que dizer acerca do goleiro que se chama Marco Defendi? Além disso, conheci um técnico de futebol feminino chamado Scalassara.
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É tudo muito estranho na vida, homem de Deus. E mais não digo porque desconheço.
Em prol de uma boa Quinta Sem-Lei
September 22, 2005
Vocês conhecem o Braguinha, menino que é o terror dos adultos infratores da lei como nós? Pois é, ele estará hoje na QSL. Assim como seus amiguinhos Coimbra, Lopes e Olga. (Imagina um criança chamada Lopes? “Manhê, posso ir brincar com o Lopes?” “Manhê, o Coimbra já tem uma bicicleta Barraforte, por que eu não tenho?” “Manhê, hoje eu vou estudar álgebra e darwinismo com a Oooooolga.”)
*****
Agora, falando sério, poderíamos fazer da QSL uma edição histórica, não acham? Então, vá, homem de Deus! Apareça, mulher de Deus! Mutley, faça alguma cooooooisa!
*****
E mais não digo porque vocês sabem.
*****
Agora, falando sério, poderíamos fazer da QSL uma edição histórica, não acham? Então, vá, homem de Deus! Apareça, mulher de Deus! Mutley, faça alguma cooooooisa!
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E mais não digo porque vocês sabem.
Largue essa viadagem de escrever poemas
September 21, 2005
Já me disseram – este cara me disse – pra largar dessa mania de escrever poemas. E talvez fosse melhor assim. Poemas não dão o mínimo ibope; ninguém comenta.
*****
Mas sabe o que é? Não resta mais nada pra escrever. Eu não tenho opinião sobre assunto algum. Sou um completo alienado.
*****
Por exemplo: Severino caiu. Isso é bom ou ruim? Não sei. Com Severino, sem Severino, é a mesma coisa. Pelo menos o Severino nos dava algum divertimento.
*****
Acho que li alguma coisa assim nesta semana: Política é arte em que a solução costuma ser pior que o problema.
*****
Veja o Lula, essa outra besta humana. Eleger o Lula (não com o meu voto, registre-se) foi uma grande bosta. Tirá-lo do poder é outra (embora eu defenda o impiche; sobre isso eu tenho uma opiniãozinha; quequié, tá querendo coerência, condenado?).
*****
Mas o que eu gostaria mesmo é de ver Severino presidente; isso seria divertimento profissional.
*****
Aí o pessoal fala em sangrar o Lula. Que mané sangrar, ô meu? Quem sangra é açougueiro, é cangaceiro. Ou impicha ou não impicha. O resto é viadagem.
*****
Melhor fazer um poema. E ouvir umas canções do Schumann. Porque eu continuo triste, muito triste.
*****
Mas sabe o que é? Não resta mais nada pra escrever. Eu não tenho opinião sobre assunto algum. Sou um completo alienado.
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Por exemplo: Severino caiu. Isso é bom ou ruim? Não sei. Com Severino, sem Severino, é a mesma coisa. Pelo menos o Severino nos dava algum divertimento.
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Acho que li alguma coisa assim nesta semana: Política é arte em que a solução costuma ser pior que o problema.
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Veja o Lula, essa outra besta humana. Eleger o Lula (não com o meu voto, registre-se) foi uma grande bosta. Tirá-lo do poder é outra (embora eu defenda o impiche; sobre isso eu tenho uma opiniãozinha; quequié, tá querendo coerência, condenado?).
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Mas o que eu gostaria mesmo é de ver Severino presidente; isso seria divertimento profissional.
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Aí o pessoal fala em sangrar o Lula. Que mané sangrar, ô meu? Quem sangra é açougueiro, é cangaceiro. Ou impicha ou não impicha. O resto é viadagem.
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Melhor fazer um poema. E ouvir umas canções do Schumann. Porque eu continuo triste, muito triste.
Meninas de ontem, meninas de hoje
September 20, 2005
Meninas de ontem tiveram namorados trotskistas, lutaram contra a ditadura e amaram o Guevara. Meninas de hoje têm tatuagem, compraram ingresso para o show do Weezer e raramente dançam. Meninas de ontem já pensaram em entrar para a Libelu. Meninas de hoje já flertaram com o straight edge.
Meninas de ontem votaram no MDB velho de guerra, ajudaram a formar o PT e distribuíram a Tribuna Operária na porta de fábrica. Meninas de hoje votam em branco, lêem fanzine e usam tênis All Star.
Meninas de ontem fizeram tranças. Meninas de hoje usam piercing. Meninas de ontem, Hendrix. Meninas de hoje, White Stripes. Tristes, meninas de ontem apelavam para os Doors. Tristes, meninas de hoje desencavam o Joy Division. Meninas de ontem, Pink Floyd. Meninas de hoje, Radiohead.
Já conheci meninas de ontem e meninas de hoje. Umas têm idade para serem mães das outras. Às vezes, são. Mas o melhor mesmo são as meninas que fazem seu próprio dia. Meninas de tempo algum: mulheres.
*****
Ontem eu almocei com uma menina de tempo algum: esta. E ela me disse coisas importantes para que eu tome jeito na vida; para que eu “marcioamerique”, como diz esta outra menina atemporal.
*****
(Piada interníssima, sorry. Também tenho direito, Chiro.)
*****
O ser humano é o único animal capaz de fixar o olhar no horizonte. O único animal capaz de marcioamericar.
*****
Deixar Londrina. Uma possibilidade. Um sonho. Um passo. (Que não seja “um passo a mais à beira do abismo”, como disse aquele jogador de futebol.)
Meninas de ontem votaram no MDB velho de guerra, ajudaram a formar o PT e distribuíram a Tribuna Operária na porta de fábrica. Meninas de hoje votam em branco, lêem fanzine e usam tênis All Star.
Meninas de ontem fizeram tranças. Meninas de hoje usam piercing. Meninas de ontem, Hendrix. Meninas de hoje, White Stripes. Tristes, meninas de ontem apelavam para os Doors. Tristes, meninas de hoje desencavam o Joy Division. Meninas de ontem, Pink Floyd. Meninas de hoje, Radiohead.
Já conheci meninas de ontem e meninas de hoje. Umas têm idade para serem mães das outras. Às vezes, são. Mas o melhor mesmo são as meninas que fazem seu próprio dia. Meninas de tempo algum: mulheres.
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Ontem eu almocei com uma menina de tempo algum: esta. E ela me disse coisas importantes para que eu tome jeito na vida; para que eu “marcioamerique”, como diz esta outra menina atemporal.
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(Piada interníssima, sorry. Também tenho direito, Chiro.)
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O ser humano é o único animal capaz de fixar o olhar no horizonte. O único animal capaz de marcioamericar.
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Deixar Londrina. Uma possibilidade. Um sonho. Um passo. (Que não seja “um passo a mais à beira do abismo”, como disse aquele jogador de futebol.)
Fantasma pela casa
September 20, 2005À noite
ando como um fantasma pela casa
procurando alguém que fui um dia
e se perdeu na sombra,
no engano,
no fundo de um copo sem água
no meio do amor e do mundo.
Um fantasma pela casa, ando
como quem não espera nada,
mas ainda assim pensando
em quando será a última jornada,
a última insônia de um fantasma insano
pela madrugada.
Isto aqui não é saudade
September 19, 2005
Isto aqui não é saudade. Saudade é uma palavra muito fraca para isto. Sente-se saudade de alguém ou de algum acontecimento em especial. Quando toda a realidade conspira para ser lembrada, e tudo está contaminado pela mesma imagem, não se trata de saudade. Saudade é a saudosa maloca, não é isto.
*****
Isto aqui não é dor. Sente-se dor em alguma parte do corpo ou em algum desvão do espírito. Se a dor é algo como um estado natural da existência, não se pode denominá-la assim. Uma parte dói; o todo não pode apenas doer. É como o sujeito chegar ao médico e dizer:
– Doutor, dói.
– Onde?
– Não sei. Dói.
Seria ridículo. O médico tem mais o que fazer.
*****
Leia mais aqui. É minha crônica da semana.
*****
Isto aqui não é dor. Sente-se dor em alguma parte do corpo ou em algum desvão do espírito. Se a dor é algo como um estado natural da existência, não se pode denominá-la assim. Uma parte dói; o todo não pode apenas doer. É como o sujeito chegar ao médico e dizer:
– Doutor, dói.
– Onde?
– Não sei. Dói.
Seria ridículo. O médico tem mais o que fazer.
*****
Leia mais aqui. É minha crônica da semana.
As músicas mais chatas de Caetano Veloso
September 15, 2005E como não poderia deixar de ser... a aguardada lista de músicas mais chatas de Caetano Veloso:
1. Você é linda
“Linda, mais que demais / Você é linda, sim / Onda do mar / Do amor que bateu em mim...” Quilométrica, quilométrica, quilométrica. E obrigatória em rodas de violão nos anos 80 e 90 (das quais eu participava ativamente).
2. Filha da Chiquita Bacana
“Eu sou a filha da Chiquita Bacana / Nunca fui em cana porque sou família demais”
Que mané filha da Chiquita Bacana, rapá! Toma tua tenência!
3. Eu sou neguinha
Neguinha? Um homem peludo desse? Passa amanhã!
4. Outras palavras
“Parafins gatins / alfanhus sexonhei laguerrapaz”
Fala com a boca aberta, condenado! Procura uma fono que você não passa tanta vergonha!
5. Eclipse oculto
“Nosso amor não deu certo / Gargalhadas e lágrimas...”
E ainda queria que desse certo, estrupício?
6. Terra
“Quando eu me encontrava preso / Na cela de uma cadeia...”
Pois estaria preso ainda, se a Justiça deste país funcionasse!
7. Vamo comê
“Vamo comê, vamo comê, farinha / Vamo comê, vamo comê, feijão”
Vai comer um churrasquinho de gato no Kotovelo´s, mentecapto! Sinceramente...
8. Fora da ordem
A incrível capacidade caetânica de ser chato em diferentes idiomas.
9. Soy loco por ti America
E ainda toca na novela, com Ivete Sangalo. Deus me defenda.
10. Ele me deu um beijo na boca
Versos antológicos: “Ele me deu um beijo na boca e me disse: / “A vida é oca como a touca de um bebê sem cabeça” / E eu ri à beca”.
Preciso comentar?
Hors-concours: Leãozinho
“Gosto muito de ter ver, leãozinho / Caminhando sob o Sol...”
A vida é Drury´s. Campari as coisas.
Colaborou Ranulfo Pedreiro, o Preto.
Desvocabulário
September 15, 2005O bandeirinha quer ser chamado de auxiliar.
A aeromoça quer ser chamada de comissária.
O guarda quer ser chamado de oficial.
A puta quer ser chamada de acompanhante.
O cafetão quer ser chamado de empresário do ramo do lazer.
O técnico de futebol quer ser chamado de professor.
Caixa dois é dinheiro não contabilizado.
Mentira é inverdade.
Filho da puta é vossa excelência.
Bicheiro é doutor, terrorista é revolucionário, idade é experiência, argumento é grito.
As coisas não são chamadas pelos seus nomes.
País de todos. País de merda.
****
Chatas do Chico Buarque? Tem mais:
Teresinha
“O primeiro me chegou/ Como quem vem do florista...”. Quem consegue pensar nessa música sem lembrar da paródia dos Trapalhões?
Bárbara
Chatice sapatônica, muito bem lembrada pelo Moraes. “O meu destino é caminhar desesperada e nua / Sabendo que no fim da noite serei sua...”
Silvia
Parceria com Vinicius Cantuária.
“Jazz / Morro de amor e quero mais / Silviiaaaaa”.
A palavra jazz deve ser cantada com sotaque carioca pronunciado: jáááiiixxxxxxxxxxxxx.
Dureza. Mas tranchã. E tome QSL (cadê você, mestre Tanga?).
As dez músicas mais chatas de Chico Buarque
September 14, 2005Não me entendam mal, eu até gosto do Chico Buarque, coisa e tal. É que, vocês sabem, minha paciência para música popular não anda lá muito grande, principalmente de uns dez anos pra cá.
Portanto, minha suscetibilidade às músicas chatas do homem tem aumentado em progressão geométrica.
Instado e auxiliado por um amigo que não quer declinar o nome, elaborei a fantástica lista das... dez músicas mais chatas de Chico Buarque de Hollanda. Ei-la:
1. Brejo da cruz
Nesta cancioneta, Chico atinge as profundidades de chatice de um Skank. No verso “A novidade que tem no brejo da cruuuuuuz”, ele explora os limites máximos da desafinação, em patética imitação de cantor de blues.
2. Vai passar
Apesar do nome, a referida música demora (muito) a passar. É uma das músicas mais longas dubrasil. Caso cantada por Adriana Calcanhoto ou Zélia Duncan – se já não o foi – eu não sei o que seria da humanidade. Ademais, a letra tem um ranço demagógico que beira o realismo socialista.
3. Vai levando
Única parceria entre Chico Buarque e Caetano Veloso. Sinceramente, não é preciso mais. Consta que o saco de compositor baiano – isso mesmo – aparece discretamente no recém-lançado vídeo do compositor carioca.
4. Apesar de você
Hino de uma geração, incluindo o pessoal da esquerda que ora se encontra em Brasília. Em festas da camarilha petista, é cantada com voz de bêbado e lágrimas em profusão. Nem Médici mereceria.
5. Meu caro amigo
Mais uma vez, Chico Buarque mostra o seu talento para canções intermináveis. Gosto particularmente do verso “A Marieta manda uma abraço para os seus” e “O Francis aproveita pra também mandar lembranças”. A rima entre futebol e rock and roll, como lembra uma amiga, é supimpa. Dugarai.
6. Mulheres de Atenas
Não, eu não acho que essa música é antifeminista. Juro que eu entendi a ironia da letra, juro! Mas não dá, Helena, não dá.
7. Gente humilde
Porém, é de se reconhecer que a seleta companhia de Vinicius e Garoto resultou numa das músicas mais modorrentas de todo o hemisfério. Diz a lenda que Chico Buarque só fez um verso dessa músico, justamente aquele que ninguém entende: “Pela calçada, flores tristes e baldias”. Que mané baldias, rapá!
8. Quem te viu, quem te vê
Não é recomendável tocar essa música perto do Pafu. Ele sempre cai em prantos ao escutar o verso “Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe”. É que o Pafu não pode ouvir (nem ler) a palavra cabrocha.
9. Tantas palavras
Meu Deus, nem consigo comentar essa!
10. Yolanda
Tá, tá, tá. Eu sei que não é dele, mas ele canta, ele estimula, ele dá trela...
PS: Essas foram as que eu lembrei...
Era uma vez uma noite
September 13, 2005
Era uma vez uma noite
a noite em que nasci
era uma noite sem hora
sem lua sem céu sem fim
era uma noite o dia
em que a este mundo vim.
Era uma vez uma noite
que muitos anos durou
era noite era tão longa
que nunca mais acabou
da manhã da noite inteira
jamais se soube o tom.
Era uma vez uma noite
e dentro da noite um sonho
e dentro do sonho o medo
de um escuro mais medonho
e dentro do sonho o medo
do mais completo abandono.
Era uma vez uma noite
noite de sono profundo
uma noite tão pesada
que era maior que o mundo
um século demorava
a passagem de um segundo.
Era uma vez uma noite
sem lugar para a verdade
mas onde havia o amor
como um ato da vontade
e o amor à noite invadia
como a tudo sempre invade.
Era uma vez uma noite
madrugada sem saída
mas um dia uma voz
meia-noite foi ouvida
era a voz do silêncio
a dizer bom-dia, vida.
a noite em que nasci
era uma noite sem hora
sem lua sem céu sem fim
era uma noite o dia
em que a este mundo vim.
Era uma vez uma noite
que muitos anos durou
era noite era tão longa
que nunca mais acabou
da manhã da noite inteira
jamais se soube o tom.
Era uma vez uma noite
e dentro da noite um sonho
e dentro do sonho o medo
de um escuro mais medonho
e dentro do sonho o medo
do mais completo abandono.
Era uma vez uma noite
noite de sono profundo
uma noite tão pesada
que era maior que o mundo
um século demorava
a passagem de um segundo.
Era uma vez uma noite
sem lugar para a verdade
mas onde havia o amor
como um ato da vontade
e o amor à noite invadia
como a tudo sempre invade.
Era uma vez uma noite
madrugada sem saída
mas um dia uma voz
meia-noite foi ouvida
era a voz do silêncio
a dizer bom-dia, vida.
Apelo a Aristides
September 13, 2005Há loucos por toda parte. Principalmente na vizinhança.
Hoje acordei às 5h30 para revisar uns textos (pode parecer coisa de louco também, mas eu gosto de trabalhar nesse horário).
Mal ligo o computador, ouço gritos na garagem:
– Aristides! Aristides!
Não faço idéia de quem seja Aristides. Muito menos sei por que ele deveria ser chamado às cinco da manhã.
*****
Por sinal, você conhece alguma Aristida?
Te procuro
September 12, 2005
Talvez a tua resposta mais clara seja o silêncio e o vazio. Mesmo assim, eu sigo procurando.
Tarde de domingo
September 11, 2005
Meu Deus. Essas canções de Schumann, no domingo à tarde, estão me matando.
Eu queria que você estivesse aqui, para ouvi-las. E me entender um pouco.
Se um dia eu morrer, ouça essas canções.
Eu queria que você estivesse aqui, para ouvi-las. E me entender um pouco.
Se um dia eu morrer, ouça essas canções.
Poema tocante
September 10, 2005
Já tive Sônia em minha cama,
tive Tânia e Sueli
– até Luiza esteve aqui.
Débora, sem dúvida.
Magda, tão cálida.
Já tive Márcia, Cláudia,
Diviê e Ginger Lynn.
Tive muitas, tive sim.
Tive várias, tive Vanda,
tive Yuko e Yasmin,
Catherine e Francinete.
Tive Rita e Caroline,
tive musa e chacrete.
É minha mão que chama,
é minha mão que traz.
Meu reino é minha cama,
solitária é minha paz.
O tamanho do meu pinto
September 10, 2005
Não me nego a confessar
que meu pinto não é muito grande.
Mas não deixarei de citar
as delícias desta glande.
Pequeno, mas não minúsculo:
do tamanho que é necessário.
Da base até o prepúcio,
faz com honra o seu trabalho.
Movimenta-se amiúde
em todas as direções.
Sempre a esbanjar saúde,
prisioneiro das paixões.
E não venham dizer que é mau
fazer dele tanto alarde:
se eu não elogio meu pau,
é favor me dizer: quem há-de?
Não era ninguém, foi engano
September 09, 2005– Alô, é da Aliança Francesa?
– Não, é da Sorveteria Havaí.
*****
– Bom dia, é do Museu Histórico?
– Borracharia Nunes.
*****
– Eu gostaria de falar com a Olga, no ramal 2548.
– Arô? Arô?
*****
– É do Kotovelo’s Bar?
– Aleluia, irmão. Igreja Quadrangular.
*****
– Marisinha, minha fofinha.
– Esse atendimento está sendo gravado.
*****
– Por favor, o Departamento de Honorários Médicos.
– Sebo do Faquir, boa tarde.
*****
– É da casa da Priscila?
– Gabinete Deputado José Janene.
*****
– Oi, eu queria falar com o Osmani.
– Quem é?
– É o Osmani.
– Tudo bem, você quer falar com o Osmani, mas quem é?
– É o Osmani, o outro Osmani.
– Eu sei que você quer falar com o Osmani, MAS QUEM É?
– Esquece.
*****
– Como é que é, mano? A barra tá limpa?
– Voxê qué falá co meu pai o coa minha mãe?
*****
– Conhece o Lochas?
– Cúria Metropolitana.
*****
– E aí, tesão?
– Lanchonete O Gato Que Ri.
*****
– É da casa do Ranulfo Pedreiro?
– É ele mesmo.
– Tenho um serviço aqui pra você. Coisa simples, um puxadinho, uma churrasqueira e a área de serviço. Faz orçamento?
Veeem viveeeer o amoooor, Diana
September 09, 2005
Que mané Fernanda Karina Somaggio! Que Soraya Garcia coisíssima nenhuma! Passa amanhã, ô ex-esposa do Waldemar Costa Neto!
A musa do mensalão já está eleita: é a mulher do Sebastião “Padilha” Buani, dono do restaurante do Congresso.
Diana é o nome da mulher. Como bem lembrou meu amigo Fábio Silveira, só há uma frase a dizer para Buani: “Vai pra casa, Padilha!”
Pergunta de um garoto na banca:
- Será que o Buani libera pra Playboy?
PS: Obrigado, mr. Abelha.
Eu não tenho tatuagem
September 09, 2005Não, eu não tenho tatuagem.
Tenho marcas. Dessas que não saem
do dia para a noite. Marcas nas costas,
nos ombros, principalmente na cara.
Marcas de mulheres na sombra,
tenho marcas de chuva, marcas de bar,
cicatrizes de ciúme, de loucura, de gim,
tenho-as, sim, de Ki-boa e nitroglicerina
– não, eu não tenho tatuagem, menina.
Só histórias, fantasmas,
o contorno das almas no brejo
que desemboca em nada, no fundo
do meu sangue. Tenho adagas
que se afundam no meu rosto,
tenho gases que freqüentam meus pulmões,
tenho venenos na boca e agulhas nas mãos.
Não, eu não tenho tatuagem. Tenho sonhos.
Tenho um coração no meu ataque,
tenho um sopro no meu ar.
Uma canção no silêncio.
E tempo, tenho muito tempo.
Você que me lê agora
September 08, 2005
Os dogons – não faço a mínima de onde viviam os dogons – comparavam mulheres como você a órgãos humanos ou musicais. Sabemos que há um instrumento que se chama órgão; sabemos que a voz é um instrumento; sabemos que todo mundo tem órgãos ou bocas funcionando; portanto, concluo que 1) os cantores podem ser chamados de instrumentistas; 2) você simboliza as duas coisas, pelo menos na visão dogônica de mundo; 3) neste momento alguma coisa está funcionando em você, seja o olho, a boca, o coração, a mente, um dedo, um cabelo (cabelo funciona?).
*****
Os chineses de alguma região da China – e Deus sabe quantos chineses e quantas regiões existem na China – diziam que mulheres como você só prosperam havendo paz em todo o império. Como não somos um império, e não temos paz, chega a ser um milagre que você exista de forma tão viçosa, apesar de tudo.
*****
Dizem os místicos chineses que os Imortais gostam de cultuar mulheres como você dotando-as de uma capacidade de melhorar conforme a passagem do tempo.
*****
Os ingleses, por intermédio de Oscar Wilde, adaptaram essa lenda ao Retrato de Dorian Gray. Os irlandeses, por intermédio de Samuel Beckett, transformaram o contrário dessa lenda em “O Inominável”, aquele que estraga com o tempo. Quanto aos místicos chineses, alguns tornaram-se cineastas de pancadaria; outros vieram para o Brasil abrir restaurantes que vendem comida em caixinha; e um terceiro grupo ocupou-se dos negócios da Máfia.
*****
Bantos do Congo referiam-se a mulheres como você em tom de respeito, pois as viam como símbolos d’alma. (Sempre quis usar esse apóstrofo antes d’alma. Olha aí: usei outra vez!)
*****
Os luluas - favor não confundi-los com “nosso” presidente - garantiam que mulheres como você eram sinal de morte e vida no mesmo princípio. E os antigos – que antigos? Sei lá! Cada pergunta! – já escreveram textos em código provando que você era o filtro do amor na imperfeição da terra. E que só de mulheres como você poderia vir o perdão para justificar o amor. Milênios depois, um jovem judeu veio para falar algo sobre isso aí. E partiu o tempo em dois.
****
Esses códigos antigos foram adaptados depois pelo sr. Morse e transformados no Código de Mesmo Nome, que nos ajuda até hoje, e do qual eu só sei uma palavra - SOS - para o caso de um dia precisar.
*****
E onde viviam os luluas?, você pode perguntar. Ora, a resposta é simples: bem pertinho dos dogons.
*****
Os chineses de alguma região da China – e Deus sabe quantos chineses e quantas regiões existem na China – diziam que mulheres como você só prosperam havendo paz em todo o império. Como não somos um império, e não temos paz, chega a ser um milagre que você exista de forma tão viçosa, apesar de tudo.
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Dizem os místicos chineses que os Imortais gostam de cultuar mulheres como você dotando-as de uma capacidade de melhorar conforme a passagem do tempo.
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Os ingleses, por intermédio de Oscar Wilde, adaptaram essa lenda ao Retrato de Dorian Gray. Os irlandeses, por intermédio de Samuel Beckett, transformaram o contrário dessa lenda em “O Inominável”, aquele que estraga com o tempo. Quanto aos místicos chineses, alguns tornaram-se cineastas de pancadaria; outros vieram para o Brasil abrir restaurantes que vendem comida em caixinha; e um terceiro grupo ocupou-se dos negócios da Máfia.
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Bantos do Congo referiam-se a mulheres como você em tom de respeito, pois as viam como símbolos d’alma. (Sempre quis usar esse apóstrofo antes d’alma. Olha aí: usei outra vez!)
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Os luluas - favor não confundi-los com “nosso” presidente - garantiam que mulheres como você eram sinal de morte e vida no mesmo princípio. E os antigos – que antigos? Sei lá! Cada pergunta! – já escreveram textos em código provando que você era o filtro do amor na imperfeição da terra. E que só de mulheres como você poderia vir o perdão para justificar o amor. Milênios depois, um jovem judeu veio para falar algo sobre isso aí. E partiu o tempo em dois.
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Esses códigos antigos foram adaptados depois pelo sr. Morse e transformados no Código de Mesmo Nome, que nos ajuda até hoje, e do qual eu só sei uma palavra - SOS - para o caso de um dia precisar.
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E onde viviam os luluas?, você pode perguntar. Ora, a resposta é simples: bem pertinho dos dogons.
Está escrito em meu horóscopo
September 08, 2005
Está escrito em meu horóscopo que serei sempre vagabundo, mesmo que finja trabalhar. Prazos e deveres sempre vão me perseguir, como a pantera azul persegue a sua presa. Canetas e guarda-chuvas serão perdidos em todas as semanas de minha vida; mas no fundo da gaveta vou encontrar a última e redentora Neosaldina.
*****
Moleques discutindo no Externato Casa Pia São Vicente de Paulo.
- Meu signo é touro. O animal mais fodão do zodíaco.
- Meu signo é leão. O rei dos animais.
- Meu signo é câncer, mata tudo ocêis. É a doença mais terrível que existe.
Este último sou eu. Lamentável caranguejo.
*****
A configuração das estrelas indica que sempre acordarei à noite com vontade de fazer um telefonema ou escrever um poema bem tolo. Os planetas, mesmo aqueles que vêm depois de Saturno, vão agir sobre meu humor, fazendo-me pensar nas mulheres da minha vida, fazendo-me pensar em você.
*****
Trocadilhos vão sair da minha boca sem passar pelo cérebro, e vão flutuar pelo vazio até atingirem o cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter. Ali, segundo os astrônomos, existia um planeta, que virou migalha. Eu sou esse planeta.
*****
Sou câncer com ascendente em aquário, é o que dizem. Meu horóscopo – desde os tempos imemoriais, quando a Lua se desprendeu da Terra dando origem ao Oceano Pacífico – garante que nunca vou ter casa própria, automóvel, poupança ou conhecimento dos naipes do baralho. Apegar-me-ei ao Kotovelo´s Bar como uma criança se apega ao seio da mãe, achando que ela e o seio e a mãe são a mesma coisa.
*****
A astrologia não falha: está escrito em meu horóscopo que vou ler muitos livros no banheiro, e que vou me lembrar da infância quando entrar na garagem fria de um edifício, pois era lá que brincávamos eu e Cristiane, hoje casada e com filhos.
*****
Serei – está escrito em meu horóscopo – a estranha convivência de desespero, humor, compaixão e melancolia. Serei o morador ausente de alguma rua de Curitiba ou da margem esquerda do Sena, ou de São Petersburgo.
*****
E também há as cinco estrelinhas. As cinco estrelinhas que fatiam meus textos - cada palavra, um asteróide. As estrelinhas, irmãs frias, me observam com rigor, desprezo, ceticismo. A cada uma correspondem sete anos de meu mapa astral.
*****
Agora, há uma garota de programa chorando, um velho tomando pinga Teleco-Teco e uma atacante de futebol bichada para sempre. Eu deveria estar lá, mas não estou. Eu deveria estar aí, mas não estou.
*****
Continuo aqui, fugindo dos prazos e deveres. Mas não tem problema: o horóscopo também diz que hoje é Quinta Sem-Lei.
*****
Moleques discutindo no Externato Casa Pia São Vicente de Paulo.
- Meu signo é touro. O animal mais fodão do zodíaco.
- Meu signo é leão. O rei dos animais.
- Meu signo é câncer, mata tudo ocêis. É a doença mais terrível que existe.
Este último sou eu. Lamentável caranguejo.
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A configuração das estrelas indica que sempre acordarei à noite com vontade de fazer um telefonema ou escrever um poema bem tolo. Os planetas, mesmo aqueles que vêm depois de Saturno, vão agir sobre meu humor, fazendo-me pensar nas mulheres da minha vida, fazendo-me pensar em você.
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Trocadilhos vão sair da minha boca sem passar pelo cérebro, e vão flutuar pelo vazio até atingirem o cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter. Ali, segundo os astrônomos, existia um planeta, que virou migalha. Eu sou esse planeta.
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Sou câncer com ascendente em aquário, é o que dizem. Meu horóscopo – desde os tempos imemoriais, quando a Lua se desprendeu da Terra dando origem ao Oceano Pacífico – garante que nunca vou ter casa própria, automóvel, poupança ou conhecimento dos naipes do baralho. Apegar-me-ei ao Kotovelo´s Bar como uma criança se apega ao seio da mãe, achando que ela e o seio e a mãe são a mesma coisa.
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A astrologia não falha: está escrito em meu horóscopo que vou ler muitos livros no banheiro, e que vou me lembrar da infância quando entrar na garagem fria de um edifício, pois era lá que brincávamos eu e Cristiane, hoje casada e com filhos.
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Serei – está escrito em meu horóscopo – a estranha convivência de desespero, humor, compaixão e melancolia. Serei o morador ausente de alguma rua de Curitiba ou da margem esquerda do Sena, ou de São Petersburgo.
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E também há as cinco estrelinhas. As cinco estrelinhas que fatiam meus textos - cada palavra, um asteróide. As estrelinhas, irmãs frias, me observam com rigor, desprezo, ceticismo. A cada uma correspondem sete anos de meu mapa astral.
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Agora, há uma garota de programa chorando, um velho tomando pinga Teleco-Teco e uma atacante de futebol bichada para sempre. Eu deveria estar lá, mas não estou. Eu deveria estar aí, mas não estou.
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Continuo aqui, fugindo dos prazos e deveres. Mas não tem problema: o horóscopo também diz que hoje é Quinta Sem-Lei.
Poema para Carlos
September 07, 2005Terça Tio
September 07, 2005
Ontem comprei meu primeiro CD do Weezer e meu segundo CD do Radiohead. Pus a melhor camisa social do guarda-roupa e, chegando à Terça Tilt, fui todo contente dar a notícias aos bambas Sato, Rubão e Fernando Araújo. Pois qual não foi minha decepção ao descobrir que comprei justamente o PIOR disco do Weezer... Quando (ba)bachiano resolve ouvir rock, dá nisso. Mas prometo melhorar.
*****
Cada vez mais eu vejo semelhança (quase gemelar) entre o Radiohead e o velho Pink Floyd. Estou errado?
*****
Ouvi dizer que o Bar Brasil está promovendo a Terça Tio, concorrente da TT. Isso não vai dar certo.
*****
Hoje escutei, mais uma vez, a Missa em Mi Menor do Bruckner. Coisa fina. Ele aprendeu bem com João Sebastião e Wolfgang.
*****
Tenho orgulho de ser amigo do sr. Ranulfo Pedreiro, vulgo Preto, há 15 anos. O indivíduo tem um conhecimento musical impressionante, que vai do rock à música de concerto, passando por ópera e jazz, MPB e samba, vanguarda e hip hop.
*****
Agora que vai ser pai, o homem está debulhando. O texto sobre Charlie Parker, que ele publicou no último domingo, está simplesmente emocionante. Não deixe de ler aqui, mesmo que você não goste de jazz.
*****
Cada vez mais eu vejo semelhança (quase gemelar) entre o Radiohead e o velho Pink Floyd. Estou errado?
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Ouvi dizer que o Bar Brasil está promovendo a Terça Tio, concorrente da TT. Isso não vai dar certo.
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Hoje escutei, mais uma vez, a Missa em Mi Menor do Bruckner. Coisa fina. Ele aprendeu bem com João Sebastião e Wolfgang.
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Tenho orgulho de ser amigo do sr. Ranulfo Pedreiro, vulgo Preto, há 15 anos. O indivíduo tem um conhecimento musical impressionante, que vai do rock à música de concerto, passando por ópera e jazz, MPB e samba, vanguarda e hip hop.
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Agora que vai ser pai, o homem está debulhando. O texto sobre Charlie Parker, que ele publicou no último domingo, está simplesmente emocionante. Não deixe de ler aqui, mesmo que você não goste de jazz.
Nomes que até prova em contrário não existem
September 06, 2005
Edsa (feminino de Edson)
Olgo (masculino de Olga)
Ineso (masculino de Inês)
Íriso (masculino de Íris)
Nancio (masculino de Nancy)
Talesa (feminino de Tales)
Thaíso (masculino de Thaís)
Váltera (feminino de Válter)
Sócrata (feminino de Sócrates)
Gertrudo (masculino de Gertrudes)
Ano (masculino de Ana)
Ano Roso (masculino de Ana Rosa)
Josefa Mário (feminino de José Maria)
Clova (feminino de Clóvis)
Viviano (masculino de Viviane)
Amílcara (feminino de Amílcar)
Simono (masculino de Simone)
Ruba (feminino de Rubens)
Há outros. Mais não digo porque não sei.
Olgo (masculino de Olga)
Ineso (masculino de Inês)
Íriso (masculino de Íris)
Nancio (masculino de Nancy)
Talesa (feminino de Tales)
Thaíso (masculino de Thaís)
Váltera (feminino de Válter)
Sócrata (feminino de Sócrates)
Gertrudo (masculino de Gertrudes)
Ano (masculino de Ana)
Ano Roso (masculino de Ana Rosa)
Josefa Mário (feminino de José Maria)
Clova (feminino de Clóvis)
Viviano (masculino de Viviane)
Amílcara (feminino de Amílcar)
Simono (masculino de Simone)
Ruba (feminino de Rubens)
Há outros. Mais não digo porque não sei.
Pesadelo FM
September 06, 2005Por que não existem mendigos japoneses nem judeus?
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Alguém já viu enterro de anão?
*****
Aconteceu comigo hoje:
- Alô, é da casa da professora Yolanda?
- Não. Aqui quem está falando é a RICARDA.
*****
Juro.
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E na Pesadelo FM, você ouviu Denorex 80 e Ana Carolina.
Infâmias de segunda
September 05, 2005Hoje cantei Los Hermanos com voz de Renato Russo.
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Nem o RU do Congresso eles perdoaram.
*****
Amanhã tem Terça Tilt com feriado no dia seguinte. Deus existe.
*****
Deus existe, mas pune: eu trabalho no dia seguinte. Pouco, mas trabalho.
*****
Você ouviu Skank, Cidade Negra, Jota Quest, Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Os Tribalistas, Djavan, Chico César, Caetano Veloso (Cucucururucu), Djavan (Sãojorgepurfavômimprestudragão). Esta é a sua Rádio Pesadelo FM.
*****
Os prazos. Os prazos. Os prazos.
*****
Da série Coisas que eu gostaria de ter escrito:
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands”
(e. e. cummings)
Comparação
September 02, 2005Você é forte, eu sou fraco.
Você é bonita, eu sou feio.
Você é charmosa, eu sou ridículo.
Você comanda, eu obedeço.
Você é chefe, eu sou subalterno.
Sua fama é merecida; a minha, obscura.
Você é brilhante, eu sou opaco.
Você é previdente, eu sou perdulário.
Você é prosa elegante, eu sou poesia de bar.
Você está em forma, eu tenho barriga.
Você é saudável, eu sou doente.
Você é sóbria, eu sou bêbado.
Você sabe se vestir, eu vivo em molambos.
Você gosta do calor, eu gosto do frio.
Você fala inglês, eu sou monoglota.
Você conhece o mundo, eu conheço o Bar Brasil.
Você melhora com o tempo, e ele só me devasta.
Você é competente, eu sou enrolador.
Você usa hidratante. Eu, Neosaldina.
Você é pontual, eu sou atrasado.
Você, manhã de sol. Eu, noite de vento.
Você, dignidade. Eu, desespero.
Minhas risadas, minhas piadas, meus trocadilhos, minhas infâmias, minha única e indivisível loucura. É um pecado citar você na mesma frase em que eu estou. Mas eu sou um pecador.
Nossa é a miséria
September 01, 2005
No caminho para o trabalho, vejo um outdoor do governo federal:
SEMANA DA PÁTRIA.
Todas as cores, todos os povos.
ORGULHO DE SER BRASILEIRO.
Esses caras ainda acham que vão tapear alguém com publicidade?
Acham, sim.
*****
Tem gente com medo de tirar o Lula só pelo risco de Severino virar o presidente. Acontece que Severino já é o presidente.
*****
Minha amiga Janaína a Ávida diz que a melhor saída para o Brasil é Cumbica. Concordo. Mas, como não tenho dinheiro suficiente para a passagem, vou ficando em Viracopos. (Hein, hein? Hã, hã? Posso ouvir as estrondosas gargalhadas da multidão.)
SEMANA DA PÁTRIA.
Todas as cores, todos os povos.
ORGULHO DE SER BRASILEIRO.
Esses caras ainda acham que vão tapear alguém com publicidade?
Acham, sim.
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Tem gente com medo de tirar o Lula só pelo risco de Severino virar o presidente. Acontece que Severino já é o presidente.
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Minha amiga Janaína a Ávida diz que a melhor saída para o Brasil é Cumbica. Concordo. Mas, como não tenho dinheiro suficiente para a passagem, vou ficando em Viracopos. (Hein, hein? Hã, hã? Posso ouvir as estrondosas gargalhadas da multidão.)
